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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

"Universo" - Poema de Ferreira Gullar


Grande variedade de galáxias, cada uma composta de bilhões de estrelas.

[Esta imagem em alta-resolução do Hubble ultra deep field, (HUDF) mostra uma grande variedade de galáxias, de várias idades, tamanhos, tipos e cores. As pequenas galáxias avermelhadas, dentre as quase 10.000 da imagem, são umas das mais distantes galáxias vistas por um telescópio óptico, provavelmente existindo pouco depois do Big Bang.]



Universo


O que vi do universo
até hoje foi pouco
mas, se penso em quanto meço,
posso dizer que foi muito.

Sei, de ler, que o universo
é de tais dimensões
que a própria luz só o atravessa
depois de bilhões e bilhões
de anos, e que nele há
multidões de galáxias e sóis
que talvez já morreram, antes
de chegarem sua luz até nós.

Deste modo, é correto dizer
que o céu que ora espio é passado
e que até pode ser que
o universo que vejo já se tenha acabado.

Mas, de facto, não vejo
a não ser nas revistas
de astronomia: o lampejo
espantoso de infinitas
constelações a brilhar
num abismo espectral e difuso
de gases e poeira estelar
que me deixa confuso.

E assim, assustado e mudo,
bem menor que um ínfimo
grão de poeira, contudo,
sou capaz de apreender, no meu íntimo,
essas incontáveis galáxias,
esses espaços sem fim,
essa treva e explosões de lava.
Como tudo isso cabe em mim?

O facto é que qualquer vasta nuvem
prenhe de sóis já mortos ou futuros
não possui consciência, esse obscuro
fenómeno surgido aqui na Via Láctea,
ou melhor, na Terra, e talvez
somente nela, não se sabe por que,
mas que permite ao cosmos perceber-se
a si mesmo, e ter olhos para se ver.

Olhos que são os nossos,
lentes minúsculas mas sensíveis
que captam a luz das nebulosas
vinda do espaço e tempo inconcebíveis.

É o que dizem, pois tudo
o que vejo é, à noite, apenas o brilhar
de distantes luzes no escuro.
São estrelas? Planetas do sistema solar?

Somos algo recente e raro
no universo, como rara
é também a própria luz
dos sóis deste sol que nos aclara.

Todo o universo é treva.
Inalcançável vastidão escura
dentro da qual os sóis, as explosões
de gás e luz são exceções.

O universo na sua vastidão vazia
é espaço e treva, é matéria fria
em que não há o mínimo sinal
de vida ou consciência; o que é mental
nele, ao que se sabe, está em nós,
no mínimo do mínimo do existente
e o que também na treva luze é nossa voz
inaudível no espantoso vão silente.

Vi pouco do universo: afora a asa
de luz e pó da Via Láctea, o que conheço
são as manhãs que invadem minha casa. 


Ferreira Gullar
,
São Luís – MA (1930)


[Obs: No português europeu, Bilião corresponde à designação de "milhão de milhões". No português do Brasil, Bilhão corresponde a mil milhões.]




O Universo


O Universo é constituído de tudo o que existe fisicamente, a totalidade do espaço e tempo e todas as formas de matéria e energia. O termo Universo pode ser usado em sentidos contextuais ligeiramente diferentes, denotando conceitos como o cosmo, o mundo ou natureza

A palavra Universo é geralmente definida como englobando tudo. Entretanto, usando uma definição alternativa, alguns cosmologistas têm especulado que o "Universo", composto do "espaço em expansão como o conhecemos", é somente um dos muitos "universos", desconectados ou não, que são chamados multiversos. Por exemplo, em Interpretação de muitos mundos, novos "universos" são gerados a cada medição quântica. Acredita-se, neste momento, que esses universos são geralmente desconectados do nosso, portanto, impossíveis de serem detetados experimentalmente. Observações de partes antigas do universo (que situam-se muito afastadas) sugerem que o Universo vem sendo regido pelas mesmas leis físicas e constantes durante a maior parte de sua extensão e história. No entanto, na teoria da bolha, pode haver uma infinidade de "universos" criados de várias maneiras, e talvez cada um com diferentes constantes físicas. 

Ao longo da história, varias cosmologias e cosmogonias têm sido propostas para explicar as observações do Universo. O primeiro modelo geocêntrico quantitativo foi desenvolvido pelos gregos antigos, que propunham que o Universo possui espaço infinito e tem existido eternamente, mas contém um único conjunto de círculos concêntricos esferas de tamanho finito - o que corresponde a estrelas fixas, o Sol e vários planetas – girando sobre uma esférica mas imóvel Terra. Ao longo dos séculos, observações mais precisas e melhores teorias levaram ao modelo heliocêntrico de Copérnico e ao modelo newtoniano do Sistema Solar respetivamente. Outras descobertas na astronomia levaram a conclusão de que o Sistema Solar está contido em uma galáxia composta de milhões de estrelas, a Via Láctea, e de que outras galáxias existem fora dela, tão longe quanto os instrumentos astronómicos podem alcançar. Estudos cuidadosos sobre a distribuição dessas galáxias e suas raias espectrais contribuíram muito para a cosmologia moderna. O descobrimento do desvio para o vermelho e da radiação cósmica de fundo em micro-ondas revelaram que o Universo continua se expandindo e aparentemente teve um princípio. 

De acordo com o modelo científico vigente do Universo, conhecido como Big Bang, o Universo surgiu de um único ponto ou singularidade onde toda a matéria e energia do universo observável encontrava-se concentrada numa fase densa e extremamente quente chamada Era de Planck. A partir da Era Planck, o Universo vem se expandindo até sua atual forma, possivelmente com curtos períodos (menos que 10−32 segundos) de inflação cósmica. Diversas medições experimentais independentes apoiam teoricamente tal expansão e a Teoria do Big Bang. Esta expansão tem-se acelerado por ação da energia escura, uma força oposta à gravidade que está agindo mais que esta devido ao fato das dimensões do Universo serem grandes o bastante para dissipar a força gravitacional. Porém, devido ao escasso conhecimento a respeito da energia escura, é ainda pequeno o entendimento do fenómeno e sua influência no destino do Universo.

Atuais interpretações de observações astronómicas indicam que a idade do Universo é de 13,73 (± 0,12) bilhões de anos e seu diâmetro é de 93 biliões de anos-luz ou 8,80 ×1026 m De acordo com a teoria da relatividade geral, o espaço pode expandir-se tão rápido quanto a velocidade da luz, embora possamos ver somente uma pequena fração do universo devido à limitação imposta pela velocidade da luz. É incerto se a dimensão do espaço é finita ou infinita.


Biblioteca, obra de Vieira da Silva
 

Frases com a palavra inalcançável (Adjetivo)
[adj (in+alcançável) - Que não se pode alcançar.]

  • "Desenvolver a economia e a tecnologia, suprir as necessidades da humanidade e ainda proteger a natureza parece um sonho inalcançável." - (Folha de São Paulo, 01/02/2010)

  • "... Isso seria o mesmo que ver a energia escura atuando em tempo real, meta inalcançável para os maiores telescópios de hoje - com larguras da ordem de dez metros." - (Folha de São Paulo, 06/08/2009)  

  • "Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível." -  (Diego Marchi)  

 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Robô Curiosity aterrou em Marte



Curiosity (astromóvel) (daqui)
 

Robô Curiosity aterrou sem problemas em Marte
(06/08/2012)


O robô Curiosity aterrou com sucesso no planeta Marte. O robô da NASA chegou ao Planeta Vermelho às 06h31 desta segunda-feira (hora portuguesa). 
 
Os membros da missão de controlo explodiram de alegria perante o anúncio da aterragem do robô, no final de uma descida de sete minutos extremamente delicada mas que decorreu exatamente como previsto. Esta aterragem no Planeta Vermelho era especialmente importante para os cientistas. A história das missões a Marte está recheada de falhanços. Desde 1960, das 39 missões que se realizaram, 26 falharam, muitas delas mal saíram da Terra. Não é por acaso que o planeta é conhecido como um cemitério de sondas.
 
Pouco depois da aterragem o robô enviou uma primeira fotografia, com uma definição descrita como impressionante, o que suscitou uma segunda explosão de alegria por parte da equipa.
 
Após a aterragem, o diretor da missão disse que o Curiosity tinha atingido a superfície de Marte a um suave ritmo de 0,6 metros por segundo. “Estamos novamente em Marte e isso é absolutamente incrível”, disse o administrador da NASA Charles Bolden. “Não podia ser melhor que isto”.
 
O robô (um Rover) foi programado ao pormenor pela agência espacial norte-americana NASA para descer e aterrar na cratera Gale. O local foi escolhido para se procurarem sinais que mostrem que, no passado, houve condições ambientais que sustentassem vida microscópica.
Engenheiros e cientistas que trabalharam neste projeto durante os últimos dez anos tiveram que esperar nervosamente pela aterragem com sucesso na superfície de Marte - momento descrito como “sete minutos de terror”, o tempo que demorou a chegada ao solo - e ainda mais 13 longos minutos até que o robô desse “sinais de vida”.
 
Mitch Schulte, cientista da NASA, disse à BBC que este é “mais um passo em frente na exploração do nosso sistema solar... Este é o próximo grande passo”. O perito espera agora que seja possível descobrir se “houve condições favoráveis em Marte para que a vida tenha existido ali”.
 
O Curiosity é um laboratório andante de seis rodas, com dez instrumentos científicos. Mede três metros de comprimento e 2,8 metros de largura, uma altura máxima de 2,1 metros e um braço para fazer experiências. Tem 899 quilos: em comparação, o Opportunity, o Rover da NASA da geração anterior, que há mais de oito anos rola pela paisagem marciana, pesa menos de um quarto.
Com um orçamento de 2,5 mil milhões de dólares (dois mil milhões de euros), a missão Curiosity deverá durar dois anos. (Daqui)


A aterragem do robô através de uma simulação feita pela NASA




Comparação do tamanho dos planetas (da esquerda para a direita)
 Mercúrio, Vênus, Terra e Marte.


Comparação do tamanho da Terra e de Marte.


Planeta Marte


Marte
 é o quarto planeta a contar do Sol e é o último dos quatro planetas telúricos no sistema solar, situando-se entre a Terra e o cinturão de asteróides, a 1,5 UA do Sol (ou seja, a uma vez e meia a distância da Terra ao Sol). De noite, aparece como uma estrela vermelha, razão por que os antigos romanos lhe deram o nome de Marte, o deus da guerra. Os chineses, coreanos e japoneses chamam-lhe "Estrela de Fogo", baseando-se nos cinco elementos da filosofia tradicional oriental. Executa uma volta em torno do Sol em 687 dias terrestres (quase 2 anos terrestres). Marte é um planeta com algumas afinidades com a Terra: tem um dia com uma duração muito próxima do dia terrestre e o mesmo número de estações. 
 
Marte tem calotas polares que contêm água e dióxido de carbono gelados, o maior vulcão conhecido do sistema solar - o Olympus Mons, um desfiladeiro imenso, planícies, antigos leitos de rios secos, tendo sido recentemente descoberto um lago gelado. Os primeiros observadores modernos interpretaram aspetos da morfologia superficial de Marte de forma ilusória, que contribuíram para conferir ao planeta um estatuto quase mítico: primeiro foram os canais; depois as pirâmides, o rosto humano esculpido, e a região de Hellas no sul de Marte que parecia que, sazonalmente, se enchia de vegetação, o que levou a imaginar a existência de marcianos com uma civilização desenvolvida. Hoje sabemos que poderá ter existido água abundante em Marte e que formas de vida primitiva podem, de facto, ter surgido. (Daqui)