Rio Douro, Porto, Portugal, Fotografia de Rui Videira
Um breve olhar
Lá em cima, no ar
Sobre a monotonia destas casas
Sulcando, sereníssimas, os céus,
Abrem a larga rima das suas asas,
Lenços brancos do azul, dizendo adeus
Ao vento e ao mar.
Eu fico a vê-las
E meus olhos, de as verem, vão partindo
E fugindo com elas;
E a segui-las eu penso,
Enquanto o olhar no azul se espraia e prega,
Que há uma graça, que há um sonho imenso
Em tudo o que flutua e que navega…
Para onde se desterram as gaivotas,
Contra o vento vogando, altas e belas
Essas voantes e pairantes frotas,
Essas vivas e alvas caravelas?
Vão para longe… E lá desaparecem,
Ao largo, por detrás do monte;
E os nossos olhos olham e entristecem
Com as vagas saudades que merecem
As coisas que se somem no horizonte!
In "Canção do Vento"
(Leiria, 26 de janeiro de 1878 - Lisboa, 1946)
Avril Lavigne - Wish You Were Here
"A simplicidade de carácter é o resultado natural de profundo raciocínio"
Autorretrato de William Hazlitt, c. 1802
"As pessoas mais silenciosas geralmente são aquelas que pensam o melhor de si mesmas."

