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terça-feira, 8 de setembro de 2020

"A um poeta" - Poema de Olavo Bilac



Laura Knight (English artist, 1877–1970),


A um poeta


Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplício
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gémea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade


Olavo Bilac, in "Poesias"



Laura Knight, A Balloon Site, Coventry, 1943


"O progresso é impossível sem mudança. Aqueles que não conseguem mudar as suas mentes 
não conseguem mudar nada." 


Laura Knight, Ruby Loftus Screwing a Breech-ring, 1943,
The Imperial War Museum Collection


"As pessoas que têm sucesso neste mundo são as pessoas que se levantam e procuram o que querem,
 e, se não o encontrarem, constroem-no." 
 
George Bernard Shaw



Augustus Edwin John
(Welsh painter, draughtsman, and etcher,
1878–1961), George Bernard Shaw, The Fitzwilliam Museum


George Bernard Shaw, escritor e crítico literário irlandês, nascido a 26 de julho de 1856, em Dublin, e falecido a 2 de novembro de 1950, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1925.

 Oriundo de uma família de poucas posses, nunca frequentou a universidade. Em 1876 mudou-se para Londres e trabalhou como jornalista, embora o seu sonho fosse ser escritor. Nunca deixou de escrever apesar do insucesso dos seus primeiros trabalhos.

Tornou-se crítico de teatro, de arte e de música em várias publicações como Saturday Review, Our Corner, The Pall Mall Gazette, The Wordl e The Star.

Como membro da Social Democratic Federation, teve a oportunidade de conhecer a obra de Karl Marx. Desde então tornou-se socialista ativo, membro do Fabian Society, deu palestras e distribuiu panfletos, alguns da sua autoria como The Fabian Manifesto (1884) e Socialism for Millionaires (1901).

 Participou em várias ações que mais tarde levaram ao aparecimento do Partido Trabalhista (Labour Party). Entretanto escreveu várias peças de carácter político como Arms and the Man (1894), Devil's Disciple (1897), Man and Superman (1902), Major Barbara (1905) e Pygmalion (Pigmalião, 1913).

Como socialista convicto, foi um dos opositores à Primeira Guerra Mundial. Após a guerra, escreveu diversas peças de sucesso, como Heartbreak House (1919), Back to Methuselah (1921), St. Joan (1923), The Apple Cart (1929) e Too True to be Good (1932), que lhe proporcionaram o prémio Nobel. (daqui)


sexta-feira, 21 de agosto de 2020

"O livro fechado" - Poema de Rui Knopfli



Harold Knight (English artist, 1874–1961), Self-portrait, c. 1923
(Husband of Dame Laura Knight)


O livro fechado


Quebrada a vara, fechei o livro
e não será por incúria ou descuido
que algumas páginas se reabram
e os mesmos fantasmas me visitem.
Fechei o livro, Senhor, fechei-o,

mas os mortos e a sua memória,
os vivos e sua presença podem mais
que o álcool de todos os esquecimentos.
Abjurado, recusei-o e cumpro,
na gangrena do corpo que me coube,

em lugar que lhe não compete,
o dia a dia de um destino tolerado.
Na raça de estranhos em que mudei,
é entre estranhos da mesma raça
que, dissimulado e obediente, o sofro.

Aventureiro, ou não, servidor apenas
de qualquer missão remota ao sol poente,
em amanuense me tornei do horizonte
severo e restrito que me não pertence,
lavrador vergado sobre solo alheio

onde não cai, nem vinga, desmobilizada,
a sombra elíptica do guerreiro.
Fechei o livro, calei todas as vozes,
contas de longe cobradas em nada.
Fale, somente, o silêncio que lhes sucede.


Rui Knopfli, in "O Corpo de Atena"


 
Laura Knight (English artist, 1877–1970), Self-portrait, c. 1913


O lugar mais perto


O corpo nunca é triste;
o corpo é o lugar
mais perto onde o lume canta.
Só na alma a morte faz a casa.

 


Harold Knight (English, 18741961) / Laura Knight (English, 18771970),
by Associated Press, bromide print, 10 March, 1937
 National Portrait Gallery London (daqui)


"O artista deve gostar da vida e mostrar-nos que ela é bonita. Se não fosse ele, duvidaríamos disso."

Anatole France
, in Le Jardin d’Épicure, 1895


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

"Quero ir onde a promessa quebrou" - Poema de Tiago Nené



Laura Knight (English artist, 1877–1970), Self Portrait with Nude, 1913 



Quero ir onde a promessa quebrou


Quero ir onde a promessa quebrou,
ao momento em que as mãos se apagaram.
Foi breve o acordar na lembrança de outro corpo,
o regresso do subúrbio da vida
desviou o coração para a janela etérea
onde inventarás uma nova derrota, uma bela e simples derrota,
onde não existirá um sacrifício, uma fuga de vidro.
E eu falo contigo agora,
agora que o filme te cobre os olhos, agora
que o âmago afunda no instinto das pequenas coisas, agora
que desenho os materiais que resistem
à tua habituação cintilante e eterna.
Um dia li a tua mão, escapando-se-me o corpo,
cresci nessa imagem de astros, suspendi
os meus recursos de espectador,
falhei nas fendas da cabeça. E hoje
volto ao primeiro momento onde a promessa quebrou,
ao fulgor do primeiro exercício inaugural
da diferença entre o frio e o quente,
onde o vento corta as ruas
e os pássaros cantam o teu nome.


Tiago Nené,
 in 'Este Obscuro Objecto do Desejo'


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

"Evadir-me esquecer-me regressar" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



Laura Knight (English artist, 1877–1970), The Green Sea, Lamorna, c. 1917



Evadir-me


Evadir-me, esquecer-me, regressar
À frescura das coisas vegetais,
Ao verde flutuante dos pinhais
Percorridos de seivas virginais
E ao grande vento límpido do mar.


Sophia de Mello Breyner Andresen,
in Dia do mar, 1947 


domingo, 19 de fevereiro de 2012

"Convite" - Poema de Lya Luft



Laura Knight (English artist, 1877–1970), The Cornish Coast, 1917


Convite


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou 
mistério.

A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos 
a sério.


Lya Luft, em "Perdas e Ganhos", 2003


Simply Red - Holding Back The Years
 
 
"As pessoas não são nobres desde o nascimento, mas se enobrecem através de suas ações. As pessoas não são medíocres desde o seu nascimento, mas tornam-se assim através de suas ações. Se existe alguma diferença entre as pessoas, então essa diferença está somente nas suas realizações." - Daisaku Ikeda

[Daisaku Ikeda (Tóquio, Japão, 2 de janeiro de 1928) é um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista japonês. Foi galardoado em 2007 com o Prémio Mundial do Humanismo pela Academia do Humanismo da Macedónia.]