Harold Knight (English artist, 1874–1961), Self-portrait, c. 1923
(Husband of Dame Laura Knight)
O livro fechado
Quebrada a vara, fechei o livro
e não será por incúria ou descuido
que algumas páginas se reabram
e os mesmos fantasmas me visitem.
Fechei o livro, Senhor, fechei-o,
mas os mortos e a sua memória,
os vivos e sua presença podem mais
que o álcool de todos os esquecimentos.
Abjurado, recusei-o e cumpro,
na gangrena do corpo que me coube,
em lugar que lhe não compete,
o dia a dia de um destino tolerado.
Na raça de estranhos em que mudei,
é entre estranhos da mesma raça
que, dissimulado e obediente, o sofro.
Aventureiro, ou não, servidor apenas
de qualquer missão remota ao sol poente,
em amanuense me tornei do horizonte
severo e restrito que me não pertence,
lavrador vergado sobre solo alheio
onde não cai, nem vinga, desmobilizada,
a sombra elíptica do guerreiro.
Fechei o livro, calei todas as vozes,
contas de longe cobradas em nada.
Fale, somente, o silêncio que lhes sucede.
Rui Knopfli, in "O Corpo de Atena"
Laura Knight (English artist, 1877–1970), Self-portrait, c. 1913
O lugar mais perto
O corpo nunca é triste;
o corpo é o lugar
mais perto onde o lume canta.
Só na alma a morte faz a casa.
Harold Knight (English, 1874–1961) / Laura Knight (English, 1877–1970),
by Associated Press, bromide print, 10 March, 1937
by Associated Press, bromide print, 10 March, 1937
National Portrait Gallery London (daqui)
"O artista deve gostar da vida e mostrar-nos que ela é bonita. Se não fosse ele, duvidaríamos disso."
Anatole France, in Le Jardin d’Épicure, 1895
"O artista deve gostar da vida e mostrar-nos que ela é bonita. Se não fosse ele, duvidaríamos disso."
Anatole France, in Le Jardin d’Épicure, 1895
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