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sábado, 12 de julho de 2025

"A Escola é" - Poema de Paulo Freire



Harold Mathews Brett
(American illustrator and painter, 1880–1955),
Portrait of Virginia Crocheron Gildersleeve (1877–1965),
Dean of 
Barnard College in New York City, 1946.


A Escola é 


Escola é...
o lugar onde se faz amigos
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos...
Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O coordenador é gente, o professor é gente
o aluno é gente,
cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de ‘ilha cercada de gente por todos os lados’.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir
que não tem amizade a ninguém
nada de ser como o tijolo que forma a parede,
indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se ‘amarrar nela’!
Ora, é lógico...
numa escola assim vai ser fácil
estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se,
ser feliz.
 
s.d.

Paulo Freire
 
 
Paulo Freire (daqui)
 
 
Paulo Freire foi um pedagogo brasileiro nascido em 1921 e falecido em 1997. Em 1964, iniciou um método de alfabetização de adultos nas regiões pobres do nordeste brasileiro.
O seu projeto-piloto foi extinto nesse ano devido ao golpe militar, tendo como primeira consequência a prisão de Freire e mais tarde o seu exílio no Chile e na Suíça.
O pedagogo era visto pelos militares como um agente ao serviço do comunismo. Enquanto exilado, consolidou o seu prestígio internacional em matéria de alfabetização de adultos, tendo sido distinguido por várias universidades e visto o seu método aplicado em vários países. Especialmente apreciado foi o seu livro Pedagogia do Oprimido (1970), em que defendia que educar não é transmitir conhecimentos mas trocar experiências.
Regressado ao Brasil após 15 anos, ocupou o cargo de secretário da Educação da cidade de S. Paulo. (daqui)


domingo, 29 de abril de 2012

"Epitáfio para o Século XX" - Poema de Affonso Romano de Sant'Anna





Epitáfio para o Século XX 

1

Aqui jaz um século 
onde houve duas ou três guerras 
mundiais, e milhares 
de outras pequenas, 
e igualmente bestiais.

2

Aqui jaz um século 
onde se acreditou, 
que estar à esquerda 
ou à direita, 
eram questões centrais. 

3

Aqui jaz um século, 
que quase se esvaiu 
na nuvem atómica. 
Salvaram-no o acaso 
e os pacifistas, 
com sua homeopática 
atitude 
-nux-vómica. 

4

Aqui jaz um século 
que um muro dividiu. 
Um século de betão 
armado, canceroso, 
drogado, empestado, 
que enfim sobreviveu 
às bactérias que pariu. 

5

Aqui jaz um século 
que se abismou 
com as estrelas 
nas telas, 
e que o suicídio 
de supernovas 
contemplou. 
Um século filmado, 
que o vento levou. 

6

Aqui jaz um século 
semiótico e despótico, 
que se pensou dialéctico 
e foi patético e aidético. 
Um século que decretou 
a morte de Deus, 
a morte da história, 
a morte do homem, 
em que se pisou na Lua 
e se morreu de fome. 

7

Aqui jaz um século 
que opondo classe a classe 
quase se desclassificou. 
Século cheio de anátemas 
e antenas, sibérias e gestapos 
e ideologias safenas; 
século tecnicolor, 
que tudo transplantou 
e o branco, do negro, 
a custo aproximou. 

8

Aqui jaz um século 
que se deitou no divã. 
Século narciso e esquizo, 
que não pode computar os 
seus neologismos. 
Século vanguardista, 
marxista, guerrilheiro, 
terrorista, freudiano, 
proustiano, joyciano, 
borges-kafkiano. 
Século de utopias e hippies 
que caberiam num chip. 

9

Aqui jaz um século 
que se chamou moderno, 
e olhando presunçoso, 
o passado e o futuro 
julgou-se eterno; 
século que de si 
fez alarde 
e, no entanto 
- já vai tarde. 

10

Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para o lugar nenhum.

11

Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irónico estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tende piedade como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
per seculae seculorum.


 

Obras de Gustav Klimt
Gustav Klimt


"Educar é semear com sabedoria e colher com paciência."

(Augusto Cury)


Gustav Klimt


"Não há saber mais ou saber menos. Há saberes diferentes."



Gustav Klimt, Judith-I


"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."
 
(Paulo Freire) 


Gustav Klimt


"Não se pode falar de educação sem amor."

(Paulo Freire)


Gustav Klimt


"O vento é o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha."

(Cecília Meireles) 


Gustav Klimt


"O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler."

(Mark Twain)


Gustav Klimt


"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

(Cora Coralina)


Gustav Klimt


"A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer."

(Albert Einstein)


Gustav Klimt


"Amigo, antes da morte vir, nasce de vez para a vida."

(Manuel da Fonseca) 


Gustav Klimt


"Investir em conhecimentos rende sempre melhores juros."

(Benjamin Franklin)