Mostrar mensagens com a etiqueta Jan van Eyck. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jan van Eyck. Mostrar todas as mensagens

domingo, 26 de maio de 2019

"Homem" - Poema de António Gedeão





Homem 


Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.


António Gedeão,
in 'Movimento Perpétuo'

sexta-feira, 26 de abril de 2019

"Nascemos para amar" - Poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage


Jan van Eyck, O Casal Arnolfini, 1434, National Gallery, Londres



Nascemos para amar


Nascemos para amar: a humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atrativo, ó formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre


  Bocage, in 'Sonetos'