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domingo, 16 de outubro de 2016

"Não queiras ser" - Poema de Cecília Meireles


Florine Stettheimer (American, 1871-1944), Self- Portrait with Paradise Birds



Não queiras ser


Não queiras ser. 
Não ambiciones. 
Não marques limites ao teu caminho. 
A Eternidade é muito longe. 
E dentro dele tu te moves, eterno. 
Sê o que vem e o que vai. 
Sem forma. 
Sem termo. 
Como uma grande luz difusa. 
Filha de nenhum sol.


In Cânticos, 1982 



 
Florine Stettheimer, Heat, c.1919, Brooklyn Museum



"O prazer dos grandes homens consiste em fazer os outros felizes." 




Florine Stettheimer, Picnic at Bedford Hills, 1918



"Claro que te farei mal. Claro que me farás mal. Claro que podemos, mas essa é a condição da existência. Receber a Primavera significa correr os riscos do Inverno. Se desistir agora será correr o risco do desaparecimento. Amo-te."


- parte de uma carta escrita a Natalie Paley citada no livro "Sept lettres à Natalie Paley (1942 – 1943)"


quarta-feira, 15 de maio de 2013

"As Coisas Secretas da Alma" - de Mário de Sá Carneiro


George Segal (american, 1924-2000) is known for his sculptures of people placed in different scenes.



As Coisas Secretas da Alma


«Em todas as almas há coisas secretas cujo segredo é guardado até à morte delas. E são guardadas, mesmo nos momentos mais sinceros, quando nos abismos nos expomos, todos doloridos, num lance de angústia, em face dos amigos mais queridos - porque as palavras que as poderiam traduzir seriam ridículas, mesquinhas, incompreensíveis ao mais perspicaz. Estas coisas são materialmente impossíveis de serem ditas. A própria Natureza as encerrou - não permitindo que a garganta humana pudesse arranjar sons para as exprimir - apenas sons para as caricaturar. E como essas ideias-entranha são as coisas que mais estimamos, falta-nos sempre a coragem de as caricaturar. Daqui os «isolados» que todos nós, os homens, somos. Duas almas que se compreendam inteiramente, que se conheçam, que saibam mutuamente tudo quanto nelas vive - não existem. Nem poderiam existir. No dia em que se compreendessem totalmente - ó ideal dos amorosos! - eu tenho a certeza que se fundiriam numa só. E os corpos morreriam.» 


Mário de Sá-Carneiro, in 'Cartas a Fernando Pessoa' 



As Esculturas de George Segal

Sculpture by George Segal


"A alma, ao contrário do que tu supões, a alma é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluido envolve a matéria. Em certos homens a alma chega a ser visível, a atmosfera que os rodeia tomar cor. Há seres cuja alma é uma contínua exalação: arrastam-na como um cometa ao oiro esparralhado da cauda - imensa, dorida, frenética. Há-os cuja alma é de uma sensibilidade extrema: sentem em si todo o universo. Daí também simpatias e antipatias súbitas quando duas almas se tocam, mesmo antes da matéria comunicar. O amor não é senão a impregnação desses fluidos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível. Assim é que o homem faz parte da estrela e a estrela de Deus."

Raúl Brandão, Húmus 



Sculpture by George Segal


"A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova." 

Fernando Pessoa


George Segal, Woman on a Park Bench, 1998


"Eleva a tal ponto a tua alma, que as ofensas não a possam alcançar."

René Descartes



Sculpture by George Segal


"Há um cansaço da inteligência abstrata, e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo, nem inquieta como o cansaço do conhecimento e da emoção. É um peso da consciência do mundo, um não poder respirar da alma."

Fernando Pessoa


Sculpture by George Segal


"Conhece alguém as fronteiras à sua alma, para que possa dizer - eu sou eu?"

Fernando Pessoa


Gay Liberation Sculpture by George Segal


"O homem é uma prisão em que a alma permanece livre."

Victor Hugo





"De que serve ao homem conquistar o mundo inteiro se perder a alma?"

Blaise Pascal


The Fireside Chat a sculpture by George Segal at the Franklin Delano Roosevelt Memorial
in Washington D.C. FDR used radio talks to speak directly to the American public.


George Segal (26 de novembro de 1924 - 9 de junho de 2000) foi um pintor e escultor americano associado ao movimento Art Pop. Ele foi presenteado com a Medalha Nacional de Artes em 1999.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Que Humanidade é Esta?" - de José Saramago


Robert Zünd (1826 –1909), 1867



Que Humanidade é Esta? 


"Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta?
Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos.
Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espetáculo do mundo e é uma coisa arrepiante.
Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro.
Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo.
E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica."

José Saramago


Robert Zünd, 1860


"O milagre não é dar vida ao corpo extinto,
ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo…
nem mudar água pura em vinho tinto…
milagre é acreditarem nisso tudo!"

(Mário Quintana)


Robert Zünd, 1887


''A verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos.'' 

(Marcel Proust)


Robert Zünd, 1882


"Temos de conhecer as pessoas e as coisas humanas para as amar. Temos de amar Deus e as coisas divinas para as conhecer." 

(Blaise Pascal)


Robert Zünd, 1900


"Viver é a coisa menos frequente do mundo, a maior parte das pessoas existe e isso é tudo." 

(Oscar Wilde)



Robert Zünd


"Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração."

(William Shakespeare)



Robert Zünd


"O que eu ouço, esqueço. O que eu vejo, lembro. O que eu faço, aprendo." 

(Confúcio)



Joe Cocker - With a little help from my friends 


quarta-feira, 14 de março de 2012

"Préstito fúnebre" - Poema de Guerra Junqueiro


Robert Duncan (b.1952, Salt Lake City, Utah, United States



Préstito fúnebre 


Que alegrias virgens, campesinas, fremem 
Neste imaculado, límpido arrebol! 
Como os galos cantam!... como as noras gemem!... 
Nos olmeiros brancos, cujas folhas tremem, 
Refulgente e novo passarinha o sol!... 

Pela estrada, que entre cerejais ondeia, 
Uma pequerrucha, – tró-la-ró-la-rá – 
Vai cantando e guiando o carro para a aldeia... 
São os bois enormes, e a carrada cheia 
Com um castanheiro apodrecido já. 

Oh, que donairosa, linda boieirinha! 
Grandes olhos garços, sorrisinho arisco... 
D’aguilhada em punho lépida caminha, 
Com a graça aérea d’ave ribeirinha, 
Verdelhão, alvéola, toutinegra ou pisco. 

Loira, mas do loiro fulvo das abelhas; 
Fresca como os cravos pelo amanhecer; 
Brincos de cerejas presos nas orelhas, 
Na boquita rósea três canções vermelhas, 
Na aguilhada, ao alto, uma estrelinha a arder! 

Descalcinha e pobre, mas sem ar mendigo, 
Nada mais esbelto, mais encantador! 
Veste-a d’oiro a glória do bom sol amigo... 
O chapéu é palha que ainda há um mês deu trigo, 
A saíta é linho ainda há bem pouco em flor!... 

E os dois bois enormes, colossais, fleumáticos, 
Na aleluia imensa, triunfal, da aurora, 
Vão como bondosos monstros enigmáticos, 
Almas por ventura d’ermitões extáticos, 
Ruminando bíblias pelos campos fora!... 

Ao arado e ao carro presos noite e dia, 
Como dois grilhetas, quer de inverno ou verão! 
E, submissos, uma pequerrucha os guia! 
E nos sulcos que abrem canta a cotovia, 
As boninas riem-se e amadura o pão!... 

Levam as serenas frontes majestosas 
Enramalhetadas como dois altares 
Madressilvas, loiros, pâmpanos, mimosas, 
Abelhões ardentes desflorando rosas, 
Borboletas claras em noivado, aos pares... 

E eis no carro morto o castanheiro, enquanto 
Melros assobiam nos trigais além... 
Heras amortalham-no em seu verde manto... 
Deu-lhe a terra o leite, dá-lhe a aurora o pranto... 
Que feliz cadáver, que até cheira bem!... 

Musgos, líquenes, fetos – química incessante! – 
Fazem montões d’almas dessa podridão... 
Já nesse esqueleto seco de gigante, 
Sob a luz vermelha, num festim radiante, 
Mil milhões de vidas pululando estão!... 

Sempre à fortaleza casa-se a doçura 
Como o leão da Bíblia morto num vergel, 
Do seu tronco ainda na caverna escura 
Um enxame d’oiro rútilo murmura, 
Construindo um favo cândido de mel!... 

Oh, os bois enormes, mansos como arminhos, 
Meditando estranhas, incubas visões!... 
Pousam-lhes nas hastes, vede, os passarinhos, 
E por sobre os longos, tórridos caminhos 
Dos seus olhos caem bênçãos e perdões... 

Chorarão o velho castanheiro ingente, 
Sob o qual dormiram sestas estivais? 
Almas do arvoredo, o seu olhar plangente 
Saberá acaso misteriosamente 
Traduzir as línguas em que vós falais?!... 

Castanheiro morto! que é da vida estranha 
Que no ovário exíguo duma flor nasceu, 
E criou raízes, e se fez tamanha, 
Que trezentos anos sobre uma montanha 
Seus trezentos braços de colosso ergueu?!... 

Onde a alma, origem dessas formas belas? 
Em tão várias formas que sonhou dizer? 
Qual a ideia, ó alma, convertida nelas? 
E desfeito o encanto, que nos não revelas, 
Que aparências novas tomará teu ser?... 

Noite escura!... enigmas!... Ai, do que eu preciso, 
Boieirinha linda, linda d’encantar, 
É dessa inocência, desse paraíso, 
Da alegria d’oiro que há no teu sorriso, 
Da candura d’alva que há no teu olhar!... 

Grandes bois que adoro, p’ra fortuna minha, 
Quem me dera a vossa mansidão cristã! 
Arrotear os campos, fecundar a vinha, 
E nos olhos garços duma boieirinha, 
Ter duas estrelas virgens da manhã!... 

E também quisera, mortos castanheiros, 
Como vós erguer-me para o Sol a flux, 
Dar trezentos anos sombra aos pegureiros, 
E num lar de choça, em festivais braseiros, 
A aquecer velhinhos, desfazer-me em luz!...


Guerra Junqueiro, in 'Os Simples', 1889



Pintura de Robert Duncan 


Robert Duncan é um pintor nascido em 1952 em Salt Lake CityUtahUnited States. Iniciou sua carreira aos 11 anos quando ganhou de sua avó um estojo para pintura a óleo. Estudou na Universidade da Utah e trabalhou como artista comercial até poder se dedicar em tempo integral à pintura. Seu tema preferido sempre foi a vida no campo, os animais e a natureza que o cerca. Então, inspirou-se a pintar um quotidiano campestre, retratando paisagens e cenas onde sua própria família serviu de modelo. Suas pinturas são muito realistas, sóbrias, belas e inocentes. 


Evanescence - Bring me to life



"A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral. "




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

"Ninhos" - Poema de Afonso Lopes Vieira


Construção dum ninho



Ninhos 


Os passarinhos
Tão engraçados, 
Fazem os ninhos
Com mil cuidados.

São p’ra os filhinhos
Que estão p’ra ter
Que os passarinhos
Os vão fazer.

Nos bicos trazem
Coisas pequenas,
E os ninhos fazem
De musgo e penas.

Depois, lá têm
Os seus meninos,
Tão pequeninos
Ao pé da mãe.

Nunca se faça
Mal a um ninho,
À linda graça
De um passarinho!

Que nos lembremos
Sempre também
Do pai que temos,
Da nossa mãe! 





Ninhos













"A nossa dignidade consiste no pensamento. Procuremos pois pensar bem. Nisto reside o princípio da moral. "




Ninho com filhotes de sabiá



Vanessa da Mata - Sabiá 
(Homenagem a Luiz Gonzaga)



Sabiá
A todo mundo eu dou psiu 
Perguntando por meu bem 
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também 

A todo mundo eu dou psiu 
Perguntando por meu bem 
Tendo um coração vazio
Vivo assim a dar psiu
Sabiá, vem cá também 

Tu que andas pelo mundo 
Tu que tanto já voou 
Tu que falas aos passarinhos 
Alivia minha dor 

Tem pena d'eu 
Diz por favor 
Tu que tanto anda no mundo 
Onde anda o meu amor
Sábia




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

"Poema do Coração" - de António Gedeão


William Arthur Breakspeare (1855/1914), "The First Kiss", Date unknown



Poema do Coração 


Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas (a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados
e uma lâmina baça e agreste, que endurece
a luz nos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?"


Rómulo de Carvalho (pseudónimo António Gedeão)



Snow Patrol - Chasing Cars


“O coração tem razões que a razão desconhece.” 

(Blaise Pascal)

Blaise Pascal (Clermont-Ferrand, 19 de Junho de 1623 — Paris, 19 de Agosto de 1662) foi um físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês.


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A fauna e a flora do Parque Biológico de Vila Nova de Gaia



"A natureza fez o homem feliz e bom, 
mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável."

(Jean Jacques Rousseau)





Um dos meus passeios pela Natureza neste fim de verão.
(Fotos de quadrogiz)


Entrada do Parque Biológico (Estátuas)


Jardim exterior do Parque Biológico



Entrada interior do Parque Biológico


A hortênsia ou hidrângea ou hortense é uma planta de folhas largas
da família Hydrangeaceae, pertencente ao género Hydrangea.


Poço


Vegetação


Rio Febros e Vegetação


Espigueiro


Quinta do Parque


O espantalho da Quinta


O rio Febros


Tanque e Vegetação aquática


Figueira


Gineta


Gineta


Bisonte


Esquilo


Esquilo


Raposa


Raposa


Raposa


Raposa


Vegetação do Parque


Tronco 


Vegetação característica da mata portuguesa


Vegetação


Vegetação


Vegetação - Cogumelo


Lago e vegetação


Lago, animais e vegetação


Queda de água do Rio Febros


Cabras na quinta do Parque 


Cabras na quinta do Parque 


Vegetação diversificada do Parque


Vegetação diversificada do Parque


Vegetação diversificada do Parque


Restos de um tronco velho


Flor amarela na orla do campo cultivado da quinta


 A cor e a beleza das plantas


Flores - Margaridas 


Vegetação do Parque -Enxertia
(Preservação da espécies)


 "Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso."

(Aristóteles)


(Fotografia retirada da Internet)


"O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo."

(Blaise Pascal)

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