Inocência
Criança ingénua, o dia inteiro,
com os meus caniços de taquara,
ficava eu, ao sol de então,
junto dos tanques, no terreiro,
soprando a espuma, leve e clara,
fazendo bolhas de sabão.
Corando a roupa, entre cantigas,
as lavadeiras, que passavam,
interrompiam a canção...
Riam-se as pobres raparigas,
vendo as imagens que brilhavam,
nas minhas bolhas de sabão.
Cresci. Sofri. Sonhando vivo.
E, homem e artista, ainda agora,
me apraz aquela distração...
E fico, às vezes, pensativo,
fazendo versos, como outrora
fazia bolhas de sabão.
E velho, um dia, de repente,
sem ter, de facto, sido nada,
pois tudo é apenas ilusão,
há de extinguir-se a alma inocente
que em mim fulgura, evaporada
como uma bolha de sabão.
(1884 - 1937)
Edward Henry Potthast
Edward Henry Potthast (10 de junho 1857 em Cincinnati, Ohio, † 09 de março 1927 em Nova York ) foi um pintor impressionista americano, conhecido pelas pinturas de pessoas no lazer no Central Park e nas praias de Nova York e Nova Inglaterra. Potthast estudou com Thomas Satterwhite Noble. Mais tarde, estudou na Royal Academy, em Munique com o americano Carl Marr. Depois de voltar para Cincinnati, em 1885, retomou seus estudos com Noble. Em 1886 partiu para Paris, onde estudou com Fernand Cormon. Em 1895 mudou-se para Nova York e lá permaneceu até sua morte.
Até a idade de 39 Potthast ganhava a vida como um litógrafo. A compra de uma pintura sua do Museu de Arte de Cincinnati pode ter incentivado a abandonar litografia por uma carreira como artista plástico. O seu trabalho está incluído em muitos dos principais museus dos Estados Unidos.
Edward Henry Potthast, A girl
Edward Potthast, In the Garden
Edward Henry Potthast, Spring Morning
Edward Henry Potthast, The Picnic
Edward Henry Potthast, Boating in Central Park
Edward Henry Potthast, Souvenir of Canada
Edward Henry Potthast, New York City (Night)
Edward Henry Potthast, A Summer`s Night
Edward Henry Potthast, Along the Mystic River
Edward Henry Potthast, Um dia de julho, óleo, 1914.
Edward Henry Potthast, A Summer Vacation
Impressionismo
Impressionismo foi um movimento artístico que surgiu na
pintura europeia do
século XIX. O nome do movimento é derivado da obra
Impressão, nascer do sol (1872), de
Claude Monet. Tudo começou com um grupo de jovens pintores que rompeu com as regras da pintura vigentes até então.
Os autores impressionistas não mais se preocupavam com os preceitos do Realismo ou da academia.
A busca pelos elementos fundamentais de cada arte levou os pintores
impressionistas a pesquisar a produção pictórica não mais interessados
em temáticas nobres ou no retrato fiel da realidade, mas em ver o quadro
como obra em si mesma. A luz e o movimento utilizando
pinceladas soltas tornam-se o principal elemento da pintura, sendo que
geralmente as telas eram pintadas ao ar livre para que o pintor pudesse
capturar melhor as variações de cores da natureza.
Orientações gerais que caracterizam a pintura impressionista:
- a pintura deve mostrar as tonalidades que os objetos adquirem ao
refletir a luz do sol num determinado momento, pois as cores da natureza
mudam constantemente, dependendo da incidência da luz do sol;
- é também com isto uma pintura instantânea (captar o momento), recorrendo, inclusivamente à fotografia;
- as figuras não devem ter contornos nítidos pois o desenho deixa de
ser o principal meio estrutural do quadro passando a ser a mancha/cor;
- as sombras devem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão
visual que nos causam. O preto jamais é usado em uma obra impressionista
plena;
- os contrastes de luz e sombra devem ser obtidos de acordo com a lei
das cores complementares. Assim um amarelo próximo a um violeta produz
um efeito mais real do que um claro-escuro muito utilizado pelos
academicistas no passado. Essa orientação viria dar mais tarde origem ao
pontilhismo;
- as cores e tonalidades não devem ser obtidas pela mistura de
pigmentos. Pelo contrário,devem ser puras e dissociadas no quadro em
pequenas pinceladas. É o observador que, ao admirar a pintura, combina
as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa, portanto,
de ser técnica para se tornar óptica;
- preferência pelos pintores em representar uma natureza morta do que um objeto;
- Uso de efeitos de sombras coloridas e luminosas;
- Valorização de decomposição das cores;
- As sombras devem ser luminosas e coloridas;
Edward Potthast, Looking out to Sea