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domingo, 22 de março de 2026

"Voz e Aroma" - Poema de Almeida Garrett


 
Carl Strathmann (German painter in the Art Nouveau and Symbolist styles,
 1866-1939), "The Farmhouse", 1912.


Voz e Aroma


A brisa voga no prado,
Perfume nem voz não tem;
Quem canta é o ramo agitado,
O aroma é da flor que vem.

A mim, tornem-me essas flores
Que uma a uma eu vi murchar,
Restituam-me os verdores
Aos ramos que eu vi secar...

E em torrentes de harmonia
Minha alma se exalará,
Esta alma que muda e fria
Nem sabe se existe já.


Almeida Garrett,
in "Folhas Caídas", 1853.
 
 
Carl Strathmann, "Frühling" (Primavera), 1906.


"A neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as sementes."


Khalil Gibran, Spirits rebellious - página 59,
Anthony Rizcallah Ferris, Martin L. Wolf - Philosophical Library, 1947.

 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

"Velhas Árvores" - Poema de Olavo Bilac



George Goodwin Kilburne (English painter, 1839–1924), The Picnic, c. 1900 (watercolour)


Velhas Árvores


Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas…

O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fomes e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.

Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:

Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

 
Olavo Bilac, in “Poesias”
Editora Martin Claret, S.P., 2003, p. 138.


 
George Goodwin Kilburne, The family picnic (watercolour)


"Árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos
 em papel para registar todo o nosso vazio."

Khalil Gibran 
 
Árvores são poemas que a terra escreve para o céu. Nós as derrubamos e as transformamos em papel para registrar todo nosso vazio.

Fonte: https://citacoes.in/citacoes/602952-khalil-gibran-arvores-sao-poemas-que-a-terra-escreve-para-o-ceu/

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

"Tu eras também uma pequena folha" - Poema de Pablo Neruda



Hans Andersen Brendekilde (Danish painter, 1857–1942), 
'A wooded path in autumn', 1902


Tu eras também uma pequena folha


Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.


Pablo Neruda (1904–1973)



Hans Andersen Brendekilde, 'L.A. Ring maler ved Aasum Smedje'
('L. A. Ring painting near Aasum smithy'), 1893 


"A palavra é uma parte do silêncio e o fogo tem uma metade de frio." 

Pablo Neruda


Hans Andersen Brendekilde, 'Home for dinner', 1917


''A verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos.''
 
 Marcel Proust
[Romancista, crítico literário e ensaísta francês, 1871–1922]



Hans Andersen Brendekilde, 'Afternoon work', 1918


"Escritores, meditem muito e corrijam pouco. Fazei as vossas rasuras no vosso próprio cérebro."

Victor Hugo



Hans Andersen Brendekilde, 'On forbidden roads', 1886


"O desgosto é o obscurecimento do espírito e não o seu castigo."

Khalil Gibran



Hans Andersen Brendekilde, 'Tøsne' or 'break in the frost', 1885


"Se a força faz vencedores, a concórdia faz invencíveis." 
 
Provérbio


Send me a Song - Lisa Kelly

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

"O Trabalho" - Texto de Khalil Gibran


Johannes Vermeer also known as Jan Vermeer (Dutch painter, 1632–1675), 
The Milkmaid, c. 1657-1658, Rijksmuseum in Amsterdam.


O Trabalho
(Do Livro "O Profeta")


Então, um lavrador disse: “Fala-nos do trabalho”.
E ele respondeu:

“Vós trabalhais para acompanhar o ritmo da terra, e da alma da terra.
Porque ser indolente é tornar-se um estranho às estações e afastar-se do cortejo da vida, que avança com majestade e orgulhosa submissão rumo ao infinito.
Quando trabalhais, sois uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em melodia.
Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono?
Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição; o labor, uma desgraça.
Mas eu vos digo que, quando trabalhais, realizais parte do sonho da terra, desempenhando assim uma missão que vos foi designada quando esse sonho nasceu.
E, apegando-vos ao trabalho, estais na verdade amando a vida. E quem ama a vida através do trabalho, partilha do segredo mais íntimo da vida.
Mas se em vossas dores, chamais o nascimento uma aflição e a necessidade de suportar a carne, uma maldição inscrita na vossa fronte, então eu vos direi que só o suor de vossa fronte lavará esse estigma.
Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram.
E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso.
E todo impulso é cego, exceto quando há saber.
E todo saber é vão, exceto quando há trabalho.
E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor.
E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros, e a Deus.
E o que é trabalhar com amor?
É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado tivesse que usar esse tecido.
É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado tivesse que habitar essa casa.
É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem- amado fosse comer-lhes os frutos.
É por em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma.
E saber que todos os abençoados mortos vos rodeiam e vos observam.
Muitas vezes ouvi-vos dizer como se estivésseis falando em sonho: “Aquele que trabalha no mármore e encontra na pedra a forma de sua alma, é mais nobre do que aquele que lavra a terra.
E aquele que agarra o arco-íris e o estende na tela em formas humanas, é superior àquele que confeciona sandálias para nossos pés”.
Porém eu vos digo, não em sono, mas no pleno despertar do meio-dia, que o vento não fala com maior doçura aos carvalhos gigantes do que à menor das folhas da relva;
E grande é somente aquele que transforma o ulular do vento numa canção tornada mais suave pelo seu próprio amor.
O trabalho é o amor feito visível.
E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria.
Pois se cozerdes o pão com indiferença, cozereis um pão amargo, que satisfaz somente a metade da fome do homem.
E se espremerdes a uva de má vontade, nossa má vontade se destilará no vinho como veneno.
E ainda que canteis como os anjos, se não tiverdes amor ao canto, tapais o ouvido do homem às vozes do dia e às vozes da noite.


Khalil Gibran, Excertos de “O Profeta"

domingo, 30 de agosto de 2015

"A Dádiva" - Texto de Khalil Gibran


Pintura de Khalil Gibran, The Thinker



A Dádiva
(Do Livro "O Profeta")


Então um homem opulento disse: “Fala-nos da dádiva.”
E ele respondeu:

“Vós pouco dais quando dais de vossas posses. 
É quando dais de vós próprios que realmente dais.
Pois, o que são vossas posses senão coisas que guardais por medo de precisardes delas amanhã? 
E amanhã, que trará o amanhã ao cão ultraprudente que enterra ossos na areia movediça enquanto segue os peregrinos para a cidade santa? 
E o que é o medo da necessidade senão a própria necessidade? 
Não é vosso medo da sede, quando vosso poço está cheio, a sede insaciável? 
Há os que dão pouco do muito que possuem, e fazem-no para serem elogiados, e seu desejo secreto desvaloriza suas dádivas. 
E há os que têm pouco e dão-no integralmente. 
Esses confiam na vida e na generosidade da vida, e seus cofres nunca se esvaziam. 
E há os que dão com alegria, e essa alegria é já a sua recompensa. 
E há os que dão com pena, e essa pena é o seu batismo. 
E há os que dão sem sentir pena nem buscar alegria nem pensar na virtude: 
Dão como, no vale, o mirto espalha sua fragrância no espaço. 
Pelas mãos de tais pessoas, Deus fala; e através de seus olhos Ele sorri para o mundo. 
É belo dar quando solicitado; é mais belo, porém, dar sem ser solicitado, por haver apenas compreendido; 
E para os generosos, procurar quem recebe é uma alegria maior ainda que a de dar. 
E existe alguma coisa que possais guardar? 
Tudo o que possuís será um dia dado. 
Dai agora, portanto, para que a época da dádiva seja vossa e não de vossos herdeiros. 
Dizeis muitas vezes: 
“Eu daria, mas somente a quem merece”. 
As árvores de vossos pomares não falam assim, nem os rebanhos de vossos pastos. 
Dão para continuar a viver, pois reter é perecer. 
Certamente, quem é digno de receber seus dias e suas noites é digno de receber de vós tudo o mais. 
E quem mereceu beber do oceano da vida, merece encher sua taça em vosso pequeno córrego. 
E que mérito maior haverá do que aquele que reside na coragem e na confiança, mais ainda, na caridade de receber? 
E quem sois vós para que os homens devam expor o seu íntimo e desnudar seu orgulho a fim de que possais ver seu mérito despido e seu amor-próprio rebaixado? 
Procurai ver, primeiro, se mereceis ser doadores e instrumentos do dom. 
Pois, na verdade, é a vida que dá à vida, enquanto vós, que vos julgais doadores, são meras testemunhas. 
E vós que recebeis – e vós todos recebeis – não assumais encargo de gratidão a fim de não pordes um jugo sobre vós e vossos benfeitores. 
Antes, erguei-vos, junto com eles, sobre asas feitas de suas dádivas; 
Pois se ficardes demasiadamente preocupados com vossas dívidas, estareis duvidando da generosidade daquele que tem a terra liberal por mãe e Deus por pai.” 

Khalil Gibran, Excertos de “O Profeta"
 
 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

"Os Filhos" - Texto de Khalil Gibran


Frédéric Bazille (French Impressionist painter, 1841–1870), Scène d'été, 1869
 

Os Filhos
(Do Livro "O Profeta")

Uma mulher que carregava o filho nos braços disse: "Fala-nos dos filhos."
E ele falou:

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa,
ama também o arco que permanece estável."


Khalil Gibran


domingo, 24 de março de 2013

"Ansiedade" - Poema de Manuel da Fonseca


"The Troll" by  Kim Graham


Ansiedade


Quero compor um poema 
onde fremente 
cante a vida 
das florestas das águas e dos ventos. 

Que o meu canto seja 
no meio do temporal 
uma chicotada de vento 
que estremeça as estrelas 
desfaça mitos 
e rasgue nevoeiros — escancarando sóis! 


Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"



Manuel Lopes Fonseca
(Portugal, 1911-1993)
 Escritor / Poeta / Cronista 


Escultora Kim Graham


"O amor é a única flor que brota e cresce sem a ajuda das estações."

(Khalil Gibran)


 
Khalil Gibran 
(Líbano, 1883-1931)
 Escritor / Poeta / Ensaísta / Filósofo / Pintor 
 
 
"Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria." 

(Khalil Gibran)

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

"Dentre todas as Almas já criadas" - Poema de Emily Dickinson



Cecil Kennedy (British artist, 1905–1997), 'A Still Life with Peonies and Other Flowers' 



Dentre todas as Almas já criadas


Dentre todas as Almas já criadas -
Uma - foi minha escolha -
Quando Alma e Essência - se esvaírem -
E a Mentira - se for -

Quando o que é - e o que já foi - ao lado -
Intrínsecos - ficarem -
E o Drama efémero do corpo -
Como Areia - escoar -

Quando as Fidalgas Faces se mostrarem -
E a Neblina - fundir-se -
Eis - entre as lápides de Barro -
O Átomo que eu quis!


Emily Dickinson
Tradução de José Lira 
 

Cecil Kennedy, 'Still Life with Poinsettias and Fruit Blossom'


Cecil Kennedy, 'Early Summer'
 

Cecil Kennedy, 'French Bouquet'


Cecil Kennedy, 'Still Life with Carnations and Freesias'


 
Cecil Kennedy, 'Still Life with Snow Berries'


"A Razão e a Paixão são o leme e as velas da alma navegante. Sem ambos, ficarias à deriva ou parado no meio do mar. Se a Razão governar sozinha, será uma força limitadora. E uma Paixão Ignorada é uma chama que arde até sua própria destruição." – Khalil Gibran (1883–1931)


Tchaikovsky: Swan Lake - The Kirov Ballet

sábado, 4 de agosto de 2012

"O Tejo" - Poema de Alberto Caeiro


Rio Tejo
 

O Tejo

 
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


 Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XX"
 (Heterónimo de Fernando Pessoa)


Rio Tejo

Rio Tejo


 A Ponte de Belver sobre o rio Tejo na Estrada Nacional 24
 unindo Belver a Gavião.


Rio Tejo a jusante das Portas de Ródão.


Rio Tejo - A Ponte de Portas de Ródão na Estrada Nacional 18,
em Portas de Ródão.


Rio Tejo e o castelo de Almourol, 
em Vila Nova da Barquinha.


Rio Tejo visto do Castelo de Almourol.


A Ponte Salgueiro Maia sobre o rio Tejo no IC 10, está situada
 junto ao vale de Santarém a jusante da cidade.


A Ponte Marechal Carmona também chamada Ponte de Vila 
Franca de Xira une Vila Franca de Xira a Porto Alto.


A Ponte D. Luís I também chamada Ponte de Santarém sobre o
rio Tejo na Estrada Nacional 114, une Santarém a Almeirim.


A Ponte João Joaquim Isidro dos Reis, conhecida popularmente como 
Ponte da Chamusca, sobre o rio Tejo na Estrada Nacional 243, 
une a Chamusca e a Golegã.


Rio Tejo, ponte Vasco da Gama


Rio Tejo, ponte Vasco da Gama


Rio Tejo-Vista do Parque das Nações, em Lisboa.


Ponte 25 de Abril, construída sobre o estuário do rio Tejo,
e liga Lisboa a Almada.

Ponte 25 de Abril vista do Cristo-Rei.
Ao fundo, pode-se ver Alcântara (Lisboa).

RioTejo - Estuário, Portugal


O Tejo é o rio mais extenso da Península Ibérica. A sua bacia hidrográfica é a terceira mais extensa na península, atrás do rio Douro e do rio Ebro. Nasce em Espanha - onde é conhecido como Tajo - a 1 593 m de altitude na Serra de Albarracín, e desagua no Oceano Atlântico, banhando Lisboa, após um percurso de cerca de 1 007 km. A sua bacia hidrográfica é de 80 600 km² (55 750 km² em Espanha e 24 850 km² em Portugal), sendo a segunda mais importante da Península Ibérica depois da do rio Ebro.
Da foz do Tejo partiram as naus e as caravelas dos descobrimentos portugueses. A onda que assolou Portugal no dia do terramoto de 1755 subiu o rio e inundou Lisboa e outras localidades na margem. 
Em Lisboa o rio Tejo é atravessado por duas pontes. A mais antiga é a Ponte 25 de Abril (inaugurada em 1966, então Ponte Salazar), uma das maiores pontes suspensas da Europa, e que liga a capital de Portugal a Almada. A outra é a Ponte Vasco da Gama, de cerca de 17 km de comprimento. Foi inaugurada em 1998 e liga Lisboa (Sacavém) a Alcochete e Montijo. O local mais largo deste rio chama-se Mar da Palha e fica entre a Lisboa, Vila Franca de Xira e Benavente. 
Junto a Vila Franca de Xira existe ainda a Ponte Marechal Carmona que liga as duas margens. Era muito utilizada, mas com a construção da Ponte Vasco da Gama perdeu tráfego. 
Existe à entrada da barra deste rio uma fortaleza (o forte de São Julião da Barra). 
Todos os anos no porto de Lisboa, atracam centenas de paquetes de luxo, principalmente na doca de Alcântara. No seu estuário existe uma reserva ecológica (Reserva Natural do Estuário do Tejo, com sede em Alcochete) onde nidificam várias espécies de aves. O avistamento de golfinhos no Tejo é um sinal de que a água está menos poluída, o que contribui para o aumento da biodiversidade (seres vivos) que vivem no rio.


Flamingos na reserva  do rio Tejo, Portugal 


Golfinhos voltam ao rio Tejo


Rio Tejo menos poluído atrai os golfinhos


Golfinho no rio Tejo


"Se revelares os teus segredos ao vento, não o culpes por os revelar às árvores."

(Khalil Gibran)


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

''Amai-vos'' - Poema de Khalil Gibran


Antonio Canova em seu estúdio com Henry Tresham e um modelo de gesso para Cupido 
e Psicologia por Hugh Douglas Hamilton, c. 1788-1791



Amai-vos


Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,
mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.


Khalil Gibran
 
 


"O amigo é a resposta aos teus desejos. Mas não o procures para matar o tempo! Procura-o sempre para as horas vivas. Porque ele deve preencher a tua necessidade, mas não o teu vazio."  - Khalil Gibran


Gibran Khalil Gibran, Bicharre, 6 de janeiro de 1883 – Nova Iorque, 10 de abril de 1931, também conhecido simplesmente como Khalil Gibran, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa, cujos escritos, eivados de profunda e simples beleza e espiritualidade, alcançaram a admiração do público de todo o mundo.

Em sua relativamente curta, porém prolífica existência (viveu apenas 48 anos), Khalil Gibran produziu obra literária acentuada e artisticamente marcada pelo misticismo oriental, que — por essa razão — alcançou popularidade em todo o mundo. Sua obra, acentuadamente romântica e influenciada por fontes de aparente contraste como a Bíblia, Nietzsche e William Blake, trata de temas como o amor, a amizade, a morte e a natureza, entre outros. Seu livro "O Profeta" é a obra mais conhecida de Khalil Gibran, escrito em 1923. Outro livro de destaque é "Asas Partidas", em que o autor fala de sua primeira história de amor.
 
 
Hugh Douglas Hamilton, Portrait of a Lady 
(probably Lady Charlotte McDonnell, 3rd Countess of Antrim in 1790s)


"Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta!"

(Carl Jung)


Carl Jung in his study room

Carl Gustav Jung (Kesswil, 26 de julho de 1875 — Küsnacht, 6 de junho de 1961) foi um psiquiatra suíço e fundador da psicologia analítica, também conhecida como psicologia junguiana.
 

terça-feira, 29 de maio de 2012

"A ti regresso, mar" - Poema de José Saramago




A ti regresso, mar


A ti regresso, mar, ao gosto forte
Do sal que o vento traz à minha boca,
À tua claridade, a esta sorte
Que me foi dada de esquecer a morte
Sabendo embora como a vida é pouca.

A ti regresso, mar, corpo deitado,
Ao teu poder de paz e tempestade,
Ao teu clamor de deus acorrentado,
De terra feminina rodeado,
Prisioneiro da própria liberdade.

A ti regresso, mar, como quem sabe
Dessa tua lição tirar proveito.
E antes que esta vida se me acabe,
De toda a água que na terra cabe
Em vontade tornada, armado o peito.

 
José Saramago
 

José Saramago
 
José de Sousa Saramago (Golegã, Azinhaga, 16 de Novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de Junho de 2010) foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.

Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou. em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efetivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.

O seu livro Ensaio Sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.

Nasceu no distrito de Santarém, na província geográfica do Ribatejo, no dia 16 de Novembro, embora o registo oficial apresente o dia 18 como o do seu nascimento. Saramago, conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi membro do Partido Comunista Português e foi diretor-adjunto do Diário de Notícias. Juntamente com Luiz Francisco Rebello, Armindo Magalhães, Manuel da Fonseca e Urbano Tavares Rodrigues foi, em 1992, um dos fundadores da Frente Nacional para a Defesa da Cultura (FNDC). Casado, em segundas núpcias, com a espanhola Pilar del Río, Saramago viveu na ilha espanhola de Lanzarote, nas Ilhas Canárias.


José Saramago recebendo o Prémio Nobel da Literatura




Citações e pensamentos



"Se nada nos salva da morte, pelo menos que o amor nos salve da vida."
 
Pablo Neruda





"A pessoa certa é a que está ao seu lado nos momentos incertos." 

Pablo Neruda





"O amor é a lei da vida, a razão única da existência." 
 
Machado de Assis
 




"O amor não conhece sua própria intensidade até à hora da separação." 
 
Khalil Gibran
 



A Viagem


"A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre."

José Saramago
 



"Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência de medo." 
 
Mark Twain


Joe Cocker - A woman loves a man