Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura Neoclássica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pintura Neoclássica. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 31 de maio de 2013

"Fui sabendo de mim" - Poema de Mia Couto


John William Godward (British, 1861-1922), Idleness, 1900



Fui sabendo de mim


Fui sabendo de mim 
por aquilo que perdia 

pedaços que saíram de mim 
com o mistério de serem poucos 
e valerem só quando os perdia 

fui ficando 
por umbrais 
aquém do passo 
que nunca ousei 

eu vi 
a árvore morta 
e soube que mentia 


Mia Couto, 
in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


John William Godward


John William Godward (9 de agosto de 1861 — 13 de dezembro de 1922) foi um pintor inglês do final do período Pré-rafaelita. Foi um protegido de Sir Lawrence Alma-Tadema, mas seu estilo perdeu o gosto do público com a concorrência de pintores como Picasso. Godward expôs na Royal Academy em 1887. Quando se mudou para  Itália com uma de suas modelos em 1912, sua família rompeu qualquer tipo de contato com ele e retirou seu retrato do álbum da família. Retornou à Inglaterra em 1919, e permaneceu ali até sua morte, em 1922.
Uma de suas pinturas mais conhecidas é Dolce far niente (1904). Como outras de suas pinturas, esta possui mais de uma versão. Existe uma versão mais antiga (e menos conhecida também) de 1897.
Suicidou-se aos 61 anos, e diz-se que em seu bilhete de suicida estava escrito que "o mundo não é grande o suficiente para mim e Picasso".
Sua já problemática família, que desaprovava sua carreira de artista, com a vergonha que trouxe o suicídio acabou queimando seus documentos. Não se tem conhecimento de ter restado alguma fotografia de Godward.
Godward foi um pintor neoclássico vitoriano e, consequentemente, um seguidor das teorias de Frederic Leighton. Entretanto, estilisticamente foi mais ligado a Lawrence Alma-Tadema, com quem dividiu uma predileção pela estrutura clássica.



John William Godward, Idleness, 1903


John William Godward, Endymion, 1893 



John William Godward, Tranquillity


John William Godward, Summer Flowers, 1903


John William Godward, Dolce far niente, 1904


John William Godward, In the Days of Sappho, 1904


John William Godward, Girl in yellow drapery, 1901


John William Godward, Dolce Far Niente


"Todas as artes são como espelhos nos quais o homem 
conhece e reconhece algo de si que ignorava."

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier



John William Godward, The trysting place


"Quanto melhor se enche a vida, menos se tem medo de perdê-la." 

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier


John William Godward, Idle Thoughts, 1898


"Saber é compreender como é que a mais insignificante das coisas está ligada ao todo; 
nada existe por si só."

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier
(Ensaísta e filósofo francês, 1868 - 1951)


sábado, 18 de maio de 2013

"À espera do amado desconhecido" - Poema de Rabindranath Tagore


William Clarke Wontner (1857-1930), The Turquoise Necklace


À espera do amado desconhecido


Quem é esta mulher,
a sempre triste,
que vive no meu coração?
Quis conquistá-la mas não consegui.

Adornei-a com grinaldas
e cantei em seu louvor...
Por um momento
bailou o sorriso no seu rosto,
mas logo se desvaneceu.

E disse-me cheia de pena:
— A minha alegria não está em ti.

Comprei-lhe argolas preciosas,
abanei-a
com leques recamados de diamantes,
deitei-a em cama de oiro ...
Bateu as pálpebras
como um relâmpago de alegria
que logo se apagou.

E disse-me cheia de pena:
— Não está nessas coisas a minha alegria.

Sentei-a num carro de triunfo,
e passeei-a por toda a terra.
Milhares de corações conquistados
caíram humildes a seus pés,
e as aclamações reboaram pelo céu...
Durante um momento
brilhou o orgulho nos seus olhos,
mas logo se desfez em lágrimas.

E disse cheia de pena:
— Não está na vitória a minha alegria..

Perguntei-lhe:
— Que queres então?
Respondeu-me:
— Espero alguém
que não sei como se chama.
Depois calou-se.

E passa os dias a dizer cheia de pena:
— Quando virá o amado desconhecido?
Quando o conhecerei para sempre?


Rabindranath Tagore, 
in "O Coração da Primavera"
Tradução de Manuel Simões 
 
 
Safie, One of the Three Ladies of Bagdad, 1900, 
by William Clarke Wontner 
 

"Elege para teu amigo o homem mais virtuoso que conheces."

(Pitágoras)


A Classical Beauty, by William Clarke Wontner 


"Anima-te por teres de suportar as injustiças; a verdadeira desgraça consiste em cometê-las."

(Pitágoras)



William Clarke Wontner, The Bracelet, 1914


"Não te gabes de ser adorado por uma mulher que se adora muito."

(Pitágoras)


William Clarke Wontner, Yasemeen from the Arabian Nights
 

"Não cometas nenhum ato vergonhoso nem na presença de outros nem em segredo. A tua primeira lei deve ser o respeito a ti mesmo."
 
(Pitágoras) 

domingo, 21 de abril de 2013

"Fanatismo" - Poema de Florbela Espanca



William Clarke Wontner
(English portrait painter, 1857–1930),
The jade necklace, 1908.
 

Fanatismo


Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa… ”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim! … ”
 
 

William Clarke Wontner, Valeria, c. 1916. 
 
 
 William Clarke Wontner 

William Clarke Wontner (Stockwell, Surrey, Inglaterra, 17 de janeiro de 1857 – Worcester, Inglaterra, 23 de setembro de 1930) foi um pintor de retratos.
Wontner era filho do famoso arquiteto, William Hoff Wontner (1814-1881) e de Catherine Smith.
Sob a tutela de seu pai, Wontner trabalhou com John William Godward (1861-1922), um notável expoente  Pre-Raphaelite / Neo-Classicist que ficou conhecido pelo estilo greco-roman. Os dois  tornaram-se grandes amigos.
Wontner seguiu o movimento neoclássico na Inglaterra, do qual Alma-Tadema foi o principal expoente.  Pintou mulheres sedutoras, com fundos notadamente classicista. Teve seu trabalho exibido na  Royal Academy de 1879, na  Society of British Artists e no The Royal Institute of Painters in Water Colours.
Casou-se com Jessie Marguerite Keene (1872-1950), filha de Charles Joseph Keene, em 7 de junho de 1894. O casal não teve filhos. Wontner foi enterrado em 26 de setembro de 1930 em Ripple, Worcestershire.
 
 
William Clarke Wontner, An Elegant Beauty, 1920.


William Clarke Wontner, Leonora, 1917.


William Clarke Wontner, Emerald Eyed Beauty, 1916.


William Clarke Wontner, The Fair Persian, 1916.



[Frederic William Henry Myers (6 de fevereiro de 1843, em Keswick, Cumberland - 17 de janeiro de 1901, em Roma) foi um poeta, classicista, filólogo, e um dos fundadores da Sociedade de Pesquisas Psíquicas
Myers era o filho do Rev. Frederic Myers (1811-1851) e sua segunda esposa Susan Harriet Myers nee Marshall (1811-1896). Ele era um irmão do poeta Ernest Myers (1844-1921) e do Dr. Arthur Thomas Myers (1851-1894). Seu avô materno era o rico industrial John Marshall (1765-1845).]
 


William Clarke Wontner, The Dancing Girl, 1903.
 
 
"Eu gostaria de pintar a maneira como um pássaro canta."

(Claude Monet)