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sábado, 28 de janeiro de 2017

"Amar ou Odiar" - Poema de Fausto Guedes Teixeira


Augustus Edwin Mulready (1844–1904), Our good natured cousin



Amar ou Odiar


Amar ou odiar: ou tudo ou nada!
O meio termo é que não pode ser.
A alma tem que estar sobressaltada
Para o nosso barro sentir, viver...

Não é uma cruz a que não for pesada,
Metade de um prazer, não é um prazer!
E quem quiser a vida sossegada,
Fuja da vida e deixe-se morrer!

Vive-se tanto mais quando se sente;
Todo o valor está no que sofremos.
Que nenhum homem seja indiferente!

Amemos muito, como odiamos já!
A verdade está sempre nos extremos
Porque é no sentimento que ela está.


in “O Meu Livro”



Augustus Edwin Mulready, A Street Flower Seller, 1882



"Importuna coisa é a felicidade alheia quando somos vítima de algum infortúnio."




terça-feira, 20 de dezembro de 2016

"Natal" - Poema de António Salvado


Augustus Edwin Mulready (British, 1844–1905), Uncared for, 1871



Natal


Que nos trazes a não ser 
lágrimas cada vez mais, 
natal eterno a nascer 
de outros natais... 
Ligeira esperança que toca 
os nossos olhos molhados 
e o sangue da nossa boca, 
amordaçados... 

Ah bruxuleante luz 
acenando ao longe em vão 
e que a dor nos reproduz 
em ilusão... 
Ternura dum breve instante 
que o próprio instante desterra, 
morta no facto constante 
de tanta guerra... 


 in 'A Mar Arte'



Augustus Edwin Mulready (British, 1844–1905),  Fatigued Minstrels, 1883



"Sejamos bons e depois seremos felizes. Ninguém recebe o prémio sem primeiro fazer por isso."



domingo, 11 de dezembro de 2016

"Noite de Natal" - Poema de António Feijó


Augustus Edwin Mulready (British, 1844–1905),  A Recess on a London Bridge, 1879



Noite de Natal

[A um pequenito, vendedor de jornais] 


Bairro elegante, – e que miséria! 
Roto e faminto, à luz sidéria, 
O pequenito adormeceu... 

Morto de frio e de cansaço, 
As mãos no seio, erguido o braço 
Sobre os jornais, que não vendeu. 

A noite é fria; a geada cresta; 
Em cada lar, sinais de festa! 
E o pobrezinho não tem lar... 

Todas as portas já cerradas! 
Ó almas puras, bem formadas, 
Vede as estrelas a chorar! 

Morto de frio e de cansaço, 
As mãos no seio, erguido o braço 
Sobre os jornais, que não vendeu, 

Em plena rua, que miséria! 
Roto e faminto, à luz sidéria, 
O pequenito adormeceu... 

Em torno dele – ó dor sagrada! 
Ao ver um círculo sem geada 
Na sua morna exalação, 

Pensei se o frio descaroável 
Do pequenino miserável 
Teria mágoa e compaixão... 

Sonha talvez, pobre inocente! 
Ao frio, à neve, ao luar mordente, 
Com o presépio de Belém... 

Do céu azul, às horas mortas, 
Nossa Senhora abriu-lhe as portas 
E aos orfãozinhos sem ninguém... 

E todo o céu se lhe apresenta 
Numa grande Árvore que ostenta 
Coisas dum vívido esplendor, 

Onde Jesus, o Deus Menino, 
Ao som dum cântico divino, 
Colhe as estrelas do Senhor... 

E o pequenito extasiado, 
Naquele sonho iluminado 
De tantas coisas imortais, 

– No céu azul, pobre criança! 
Pensa talvez, cheio de esperança, 
Vender melhor os seus jornais... 


António Feijó (1859-1917),
 in 'Antologia Poética' 



Augustus Edwin Mulready (British, 1844–1905)



"Viver é como amar: todas as razões são contra, e a força de todos os instintos é a favor." 




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

"Onomatopeia" - Poema de José Régio


Augustus Edwin Mulready (1844-1904), The end of the day, 1884



Onomatopeia


Menino franzino,
quase pequenino,
pequenino, triste,
neste mundo só…

Menino, desiste
De que tenham dó!

Desiste, menino,
Que o mundo é cretino…
Deixa o teu violino,
Toca o sol-e-dó.

Cada teu suspiro
Cai ao chão no pó…
Canta o tiro-liro
Tiro-liro-ló.

Deixa o teu violino,
Que não te é destino.
Desiste, menino,
De que tenham dó!

Menino franzino,
Triste e pequenino,
Pequenino e triste,
Neste mundo só…

Menino, desiste!
Toca o sol-e-dó.
Canta o tiro-liro, repipiro-piro,
Canta o repipiro, tiro-liro-ló.





Marco Antonio Solís - Donde Estara Mi Primavera


"Por vezes o entendimento descontrai-se para que a esperança se divirta com o que a imaginação sonha."

(António Solis)


domingo, 2 de outubro de 2011

"Retirados à altura da sua idade, ouviam" - Poema de Fernando Echevarría


Augustus Edwin Mulready (1844-1904), Little Flower Sellers (1887)



Retirados à altura da sua idade, ouviam


Retirados à altura da sua idade, ouviam. 
Mas ouviam frequências onde o rumor do mundo, 
esbatido, somente amanhecia 
azul visível, atento timbre e pulso. 
Ouviam tudo quanto a si se ouvia 
no concerto de tudo. 
E nessa solidão de intensa companhia 
em que a altura da idade era um azul profundo. 


Fernando Echevarría



Augustus Edwin Mulready, A Walk with Grandpa, 1904



"A infância é a estação das crenças, dos temores e das superstições."

(Camilo Castelo Branco)


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