Laurits Andersen Ring (Danish painter, 1854–1933), Road in the Village of Baldersbrønde (Winter Day), 1912.
Neve
Começou a nevar à meia-noite. E claro que a cozinha é o melhor lugar para te sentares, mesmo a cozinha dos que não dormem. É quente, cozinhas qualquer coisa, bebes vinho e olhas pela janela a tua amiga eternidade. Que importa que o nascimento e a morte sejam meros pontos quando a vida em si não é uma linha reta? Por que te atormentas olhando o calendário e te questionas sobre o que está em jogo. Para quê confessar que não tens dinheiro para sapatos de marca? E para quê gabares-te que sofres mais do que os outros. Se não houvesse aqui silêncio a neve tê-lo-ia sonhado. Estás sozinho. Poupa os teus gestos. Não tens nada para mostrar.
George Lawrence Bulleid(British, 1858 - 1933), Íris
Sonhar é preciso
"Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas são insuperáveis, as perdas são insuportáveis, as deceções transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo.
Voltaire disse que os sonhos e a esperança nos foram dados como compensação às dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos não são desejos superficiais. Os sonhos são bússolas do coração, são projetos de vida. Os desejos não suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem às mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperança quando o mundo desaba sobre nós.
John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida.
Quem não vive um romance com a sua vida será um miserável no território da emoção, ainda que habite em mansões, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos aviões e seja aplaudido pelo mundo.
Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas. Não se esqueça de que você vai falhar 100% das vezes em que não tentar, vai perder 100% das vezes em que não procurar, vai ficar parado 100% das vezes em que não ousar andar.
Como disse o filósofo da música, Raul Seixas: "Tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez..." Se você sonhar, poderá sacudir o mundo, pelo menos o seu mundo...
Se você tiver de desistir de alguns sonhos, troque-os por outros. Pois a vida sem sonhos é um rio sem nascente, uma praia sem ondas, uma manhã sem orvalho, uma flor sem perfume.
Sem sonhos, os ricos ficam deprimidos, os famosos aborrecem-se, os intelectuais tornam-se estéreis, os livres tornam-se escravos, os fortes tornam-se tímidos. Sem sonhos, a coragem dissipa-se, a inventividade esgota-se, o sorriso vira um disfarce, a emoção envelhece.
Liberte a sua criatividade. Sonhe com as estrelas, para poder pisar a Lua. Sonhe com a Lua, para poder pisar as montanhas. Sonhe com as montanhas, para pisar sem medo os vales das suas perdas e frustrações.
Apesar dos nossos defeitos, precisamos de ver que somos pérolas únicas no teatro da vida e compreender que não existem pessoas de sucesso ou pessoas fracassadas. O que existe são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles."
Augusto Cury, in 'Nunca Desista dos Seus Sonhos'
George Lawrence Bulleid, The Empress Comes (Poppaea Comes)
Das Utopias
Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas!
Mário Quintana, in Espelho Mágico. Porto Alegre: Editora Globo, 1951.
George Lawrence Bulleid, The Cameo Brooch
George Lawrence Bulleid was born in Glastonbury, Somerset in 1858, the son of a local solicitor and Councillor. Bulleid joined the family firm but in 1881 but soon left to study at the Marylebone and West London School of Art under the instruction of the Principal, George Simpson. As with so many Victorian artists of the time, he had a strong affection for classicism and antiquity, his early work would typically be of dark and sombre canvases with groups of figures arranged within an archetectural structure, or contemplative individuals at moments of decision or classical melancholy.
In 1889, he became an Associate of the Royal Water Colour Society, and in the same year he returned to his native West Country, moving to Bradford on Avon nera Bath. There, he established a studio and toward the end of the 19th century, his work began to show the clear influence of the Pre-Raphaelites, their compositional style and use of strong, direct colour lending itself well to his favoured neo-classicical themes.
In later life, he explored more naturally observed themes, creating relaxed portraits and works of floral or quiet still life arrangements, sometimes in a manner inspired by the Dutch masters of the 17th century.
George Bulleid died aged 75 in the Autumn of 1933.
Todos os dias quando morre o dia, Pões-te a chamar os patos para os contar; E os patos, conhecendo quem os cria, Vêm para ti de longe a esvoaçar
E logo te acompanham. Que alegria Anima o teu rebanho singular! Parece ser dum conto que eu ouvia, -«Era uma vez…», – à gente do meu lar.
«Filha de rei, com iras de criança, guardando patos na ribeira mansa, foi coisa de pasmar que nunca vi!»
Pois é a história da princesa loura Que tu me fazes recordar, Senhora, Assim com essa corte ao pé de ti! António Sardinha (1887–1925), in 'A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Pátria é a Língua Portuguesa', Edição UNICEPE, 2004
"Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las."
Augusto Cury [Psiquiatra, professor e escritor brasileiro, n. 1958]
The Beauty of Pollination
A Polinização é vital para a vida na Terra, mas, em grande parte, este fenómeno da natureza é invisível para o olho humano. O cineasta Louie Schwartzberg mostra-nos o mundo intrincado de pólen e polinizadorescom deslumbrantes imagens de alta velocidade de seu filme "Wings of Life", inspirado no desaparecimento de um dos principais polinizadores da natureza, as abelhas.
Polinização
Polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas (núcleos espermáticos) através dos grãos de pólen que estão localizados nas anteras de uma flor para o receptor feminino (estigma) de outra flor (da mesma espécie), ou para o seu próprio estigma. Pode-se dizer que a polinização é o ato sexual das plantas espermatófitas, já que é através deste processo que o gameta masculino pode alcançar o gameta feminino e fecundá-lo. A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais. Os tipos gerais de polinização são os seguintes:
Anemofilia: através do vento;
Entomofilia: Termo geral para todos os meios de polinização através de insetos, mas é um termo mais usado para polinização efetuada por abelhas, vespas e moscas;
Cantarofilia: com auxílio de besouros;
Psicofilia: efetuada por borboletas;
Falenofilia: através de mariposas;
Ornitofilia: polinização feita por aves;
Hidrofilia: através da água;
Artificial: através do homem;
Quiropterofilia: polinização feita por morcegos;
Malacofilia: polinização feita por moluscos;
Pode haver também a auto-polinização, quando uma flor recebe seu próprio pólen. Em muitos casos, a flor possui mecanismos que rejeitam o pólen produzido em suas anteras, o que assegura a reprodução sexuada, ou seja, que haja intercâmbio de genes com outros indivíduos da espécie. No entanto, indivíduos de algumas espécies não apresentam esses mecanismos, e aproveitam-se de seu próprio pólen para produzir sementes e garantir a estabilidade de sua população. Alguns destes mecanismos são:
Dicogamia: consiste no amadurecimento dos órgãos reprodutores em épocas diferentes; a dicogamia pode ser de dois tipos:
Protandria: quando amadurecem em primeiro lugar os órgãos masculinos e posteriormente os órgãos femininos.
Protoginia: quando amadurecem primeiramente os órgãos femininos e posteriormente os órgãos masculinos.
Dioicia: aparecimento de indivíduos com sexos separados: uma planta masculina e outra feminina.
Hercogamia: ocorre uma barreira física, que separa com filetes curtos e estiletes longos.
Heterostilia: ocorrência, nas flores, de estames com filetes curtos e estiletes longos
Auto-esterilidade: neste caso, a flor é estéril ao pólen que ela mesma produziu.
Entre as Gimnospermas a polinização é quase sempre anemófila. Especula-se que isso seja consequência do momento em que estas plantas evoluíram, quando não havia insetos especializados na coleta de pólen, como abelhas. A pequena variedade de meios de polinização neste grupo reflete-se na pouca variação morfológica de suas estruturas reprodutivas.
Em contraste, entre as Angiospermas, o surgimento de flores coincidiu com o surgimento de abelhas, borboletas, mariposas, aves e mamíferos, e a estrutura reprodutiva destas plantas foi selecionada de forma a atrair estes animais, surgindo então uma miríade de formas, tamanhos, cores, aromas e texturas, cada uma de acordo com uma estratégia mais ou menos específica de atração de polinizadores. Surgiram novas estruturas, como nectários, anteras com pólen estéril, ornamentações, pétalas comestíveis, glândulas de perfume, óleo e resina, todos recursos benéficos a aqueles animais que asseguram que suas flores sejam visitadas e seu pólem carregado para outra flor da mesma espécie.
O sucesso das Angiospermas entre os outros grupos vegetais, no que se refere à polinização, deve-se à elasticidade morfológica das flores de Angiosperma e sua capacidade de adaptação a diferentes agentes polinizadores (entre outros fatores).
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Flores campestres
Nos altos ramos de árvores frondosas
Nos altos ramos de árvores frondosas O vento faz um rumor frio e alto. Nesta floresta, em este som me perco E sozinho medito. Assim no mundo, acima do que sinto, Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma, E nada tem sentido — nem a alma Com que penso sozinho. 20-4-1928
Ricardo Reis, Odes - Fernando Pessoa. (Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 112.
"Todas as crianças, enquanto ainda vivem dentro do seu mistério, estão sempre ocupadas nas suas almas com a única coisa que é importante, que são elas próprias e a sua relação enigmática com o mundo à sua volta. Os descobridores e as pessoas sábias voltam a essas ocupações à medida que amadurecem. A maioria das pessoas, no entanto, esquecem-se e deixam para sempre este mundo interior do que é realmente significativo muito cedo nas suas vidas. Como almas perdidas elas vagueiam, durante todas as suas vidas, num labirinto multicolorido de preocupações, desejos e objetivos, mas nenhum deles habita verdadeiramente nos seus íntimos nem os levará ao seu núcleo mais íntimo e à sua casa."
"Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos!"
Augusto Cury
[Augusto Jorge Cury (Colina, 2 de outubro de 1958) é um médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor de literatura psiquiátrica brasileiro. Seus livros já venderam mais de 12 milhões de exemplares somente no Brasil, tendo sido publicados em mais de 50 países. Foi considerado pelo jornal Folha de São Paulo o autor brasileiro mais lido da década.]