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terça-feira, 11 de março de 2025

"A neve" - Poema de Vladimír Holan

 

 
Laurits Andersen Ring (Danish painter, 1854–1933), Road in the Village
of Baldersbrønde (Winter Day)
, 1912.



Neve
 
Começou a nevar à meia-noite. E claro
que a cozinha é o melhor lugar para te sentares,
mesmo a cozinha dos que não dormem.
É quente, cozinhas qualquer coisa, bebes vinho
e olhas pela janela a tua amiga eternidade.
Que importa que o nascimento e a morte sejam meros pontos
quando a vida em si não é uma linha reta?
Por que te atormentas olhando o calendário
e te questionas sobre o que está em jogo.
Para quê confessar que não tens dinheiro
para sapatos de marca?
E para quê gabares-te
que sofres mais do que os outros.
Se não houvesse aqui silêncio
a neve tê-lo-ia sonhado.
Estás sozinho.
Poupa os teus gestos. Não tens nada para mostrar.


Vladimír Holan
Trad. de  Bruno M. Silva 
 
 
Laurits Andersen Ring, Hazy Winter’s Day in Vinderød, 1901.


"Pais brilhantes mostram que as mais belas flores surgem após o mais rigoroso inverno."
 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

"Sonhar é preciso" - Texto de Augusto Cury


George Lawrence Bulleid (British, 1858 - 1933), Íris


Sonhar é preciso 


"Sem sonhos, as pedras do caminho tornam-se montanhas, os pequenos problemas são insuperáveis, as perdas são insuportáveis, as deceções transformam-se em golpes fatais e os desafios em fonte de medo. 
Voltaire disse que os sonhos e a esperança nos foram dados como compensação às dificuldades da vida. Mas precisamos de compreender que os sonhos não são desejos superficiais. Os sonhos são bússolas do coração, são projetos de vida. Os desejos não suportam o calor das dificuldades. Os sonhos resistem às mais altas temperaturas dos problemas. Renovam a esperança quando o mundo desaba sobre nós. 

John F. Kennedy disse que precisamos de seres humanos que sonhem o que nunca foram. Tem fundamento o seu pensamento, pois os sonhos abrem as janelas da mente, arejam a emoção e produzem um agradável romance com a vida. 
Quem não vive um romance com a sua vida será um miserável no território da emoção, ainda que habite em mansões, tenha carros luxuosos, viaje em primeira classe nos aviões e seja aplaudido pelo mundo. 

Precisamos de perseguir os nossos mais belos sonhos. Desistir é uma palavra que tem de ser eliminada do dicionário de quem sonha e deseja conquistar, ainda que nem todas as metas sejam atingidas. Não se esqueça de que você vai falhar 100% das vezes em que não tentar, vai perder 100% das vezes em que não procurar, vai ficar parado 100% das vezes em que não ousar andar. 
Como disse o filósofo da música, Raul Seixas: "Tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez..." Se você sonhar, poderá sacudir o mundo, pelo menos o seu mundo... 

Se você tiver de desistir de alguns sonhos, troque-os por outros. Pois a vida sem sonhos é um rio sem nascente, uma praia sem ondas, uma manhã sem orvalho, uma flor sem perfume. 
Sem sonhos, os ricos ficam deprimidos, os famosos aborrecem-se, os intelectuais tornam-se estéreis, os livres tornam-se escravos, os fortes tornam-se tímidos. Sem sonhos, a coragem dissipa-se, a inventividade esgota-se, o sorriso vira um disfarce, a emoção envelhece. 

Liberte a sua criatividade. Sonhe com as estrelas, para poder pisar a Lua. Sonhe com a Lua, para poder pisar as montanhas. Sonhe com as montanhas, para pisar sem medo os vales das suas perdas e frustrações. 
Apesar dos nossos defeitos, precisamos de ver que somos pérolas únicas no teatro da vida e compreender que não existem pessoas de sucesso ou pessoas fracassadas. O que existe são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles." 

Augusto Cury, in 'Nunca Desista dos Seus Sonhos'


George Lawrence Bulleid, The Empress Comes (Poppaea Comes)
 


Das Utopias

 
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!


Mário Quintana, in Espelho Mágico.
Porto Alegre: Editora Globo, 1951.
 
 
George Lawrence Bulleid, The Cameo Brooch


George Lawrence Bulleid was born in Glastonbury, Somerset in 1858, the son of a local solicitor and Councillor. Bulleid joined the family firm but in 1881 but soon left to study at the Marylebone and West London School of Art under the instruction of the Principal, George Simpson. As with so many Victorian artists of the time, he had a strong affection for classicism and antiquity, his early work would typically be of dark and sombre canvases with groups of figures arranged within an archetectural structure, or contemplative individuals at moments of decision or classical melancholy. 
 
In 1889, he became an Associate of the Royal Water Colour Society, and in the same year he returned to his native West Country, moving to Bradford on Avon nera Bath. There, he established a studio and toward the end of the 19th century, his work began to show the clear influence of the Pre-Raphaelites, their compositional style and use of strong, direct colour lending itself well to his favoured neo-classicical themes. 
 
In later life, he explored more naturally observed themes, creating relaxed portraits and works of floral or quiet still life arrangements, sometimes in a manner inspired by the Dutch masters of the 17th century. 
 
George Bulleid died aged 75 in the Autumn of 1933.
http://all-art.org/

domingo, 29 de abril de 2012

"Epitáfio para o Século XX" - Poema de Affonso Romano de Sant'Anna



Gustav Klimt (Austrian symbolist painter, 1862–1918), Tragedy, 1897


Epitáfio para o Século XX 

1

Aqui jaz um século 
onde houve duas ou três guerras 
mundiais, e milhares 
de outras pequenas, 
e igualmente bestiais.

2

Aqui jaz um século 
onde se acreditou, 
que estar à esquerda 
ou à direita, 
eram questões centrais. 

3

Aqui jaz um século, 
que quase se esvaiu 
na nuvem atómica. 
Salvaram-no o acaso 
e os pacifistas, 
com sua homeopática 
atitude 
-nux-vómica. 

4

Aqui jaz um século 
que um muro dividiu. 
Um século de betão 
armado, canceroso, 
drogado, empestado, 
que enfim sobreviveu 
às bactérias que pariu. 

5

Aqui jaz um século 
que se abismou 
com as estrelas 
nas telas, 
e que o suicídio 
de supernovas 
contemplou. 
Um século filmado, 
que o vento levou. 

6

Aqui jaz um século 
semiótico e despótico, 
que se pensou dialéctico 
e foi patético e aidético. 
Um século que decretou 
a morte de Deus, 
a morte da história, 
a morte do homem, 
em que se pisou na Lua 
e se morreu de fome. 

7

Aqui jaz um século 
que opondo classe a classe 
quase se desclassificou. 
Século cheio de anátemas 
e antenas, sibérias e gestapos 
e ideologias safenas; 
século tecnicolor, 
que tudo transplantou 
e o branco, do negro, 
a custo aproximou. 

8

Aqui jaz um século 
que se deitou no divã. 
Século narciso e esquizo, 
que não pode computar os 
seus neologismos. 
Século vanguardista, 
marxista, guerrilheiro, 
terrorista, freudiano, 
proustiano, joyciano, 
borges-kafkiano. 
Século de utopias e hippies 
que caberiam num chip. 

9

Aqui jaz um século 
que se chamou moderno, 
e olhando presunçoso, 
o passado e o futuro 
julgou-se eterno; 
século que de si 
fez alarde 
e, no entanto 
- já vai tarde. 

10

Foi duro atravessá-lo.
Muitas vezes morri, outras
quis regressar ao 18
ou 16, pular ao 21,
sair daqui
para o lugar nenhum.

11

Tende piedade de nós, ó vós
que em outros tempos nos julgais
da confortável galáxia
em que irónico estais.
Tende piedade de nós
-modernos medievais-
tende piedade como Villon
e Brecht por minha voz
de novo imploram. Piedade
dos que viveram neste século
— per seculae seculorum.


 

Obras de Gustav Klimt
Gustav Klimt


"Educar é semear com sabedoria e colher com paciência."

Augusto Cury


Gustav Klimt


"Não há saber mais ou saber menos. Há saberes diferentes."

Paulo Freire


Gustav Klimt, Judith-I


"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. 
Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre."
 
Paulo Freire


Gustav Klimt


"Não se pode falar de educação sem amor."

Paulo Freire


Gustav Klimt


"O vento é o mesmo, mas sua resposta é diferente em cada folha."

Cecília Meireles 


Gustav Klimt


"O homem que não lê não tem mais mérito que o homem que não sabe ler."

Mark Twain


Gustav Klimt


"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

Cora Coralina


Gustav Klimt


"A tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer."

Albert Einstein


Gustav Klimt


"Amigo, antes da morte vir, nasce de vez para a vida."

Manuel da Fonseca


Gustav Klimt


"Investir em conhecimentos rende sempre melhores juros."

Benjamin Franklin


terça-feira, 17 de abril de 2012

"Pastoral" - Poema de António Sardinha



Robert Duncan (American painter, b. 1952)
 

Pastoral


Todos os dias quando morre o dia,
Pões-te a chamar os patos para os contar;
E os patos, conhecendo quem os cria,
Vêm para ti de longe a esvoaçar

E logo te acompanham. Que alegria
Anima o teu rebanho singular!
Parece ser dum conto que eu ouvia,
-«Era uma vez…», – à gente do meu lar.

«Filha de rei, com iras de criança,
guardando patos na ribeira mansa,
foi coisa de pasmar que nunca vi!»

Pois é a história da princesa loura
Que tu me fazes recordar, Senhora,
Assim com essa corte ao pé de ti!


António Sardinha
(1887–1925), in 'A Circulatura do Quadrado:
Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Pátria é a Língua Portuguesa',

Edição UNICEPE, 2004






"Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las."


Augusto Cury
[Psiquiatra, professor e escritor brasileiro, n. 1958]





The Beauty of Pollination


A Polinização é vital para a vida na Terra,  mas, em grande parte, este fenómeno da natureza é invisível para o olho humano. O cineasta Louie Schwartzberg  mostra-nos o mundo intrincado de pólen e polinizadores com deslumbrantes imagens de alta velocidade de seu filme "Wings of Life", inspirado no desaparecimento de um dos principais polinizadores da natureza, as abelhas.




Polinização 

Polinização é o ato da transferência de células reprodutivas masculinas (núcleos espermáticos) através dos grãos de pólen que estão localizados nas anteras de uma flor para o receptor feminino (estigma) de outra flor (da mesma espécie), ou para o seu próprio estigma. Pode-se dizer que a polinização é o ato sexual das plantas espermatófitas, já que é através deste processo que o gameta masculino pode alcançar o gameta feminino e fecundá-lo. A transferência de pólen pode ser através de fatores bióticos, ou seja, com auxílio de seres vivos, ou abióticos, através de fatores ambientais. Os tipos gerais de polinização são os seguintes: 

Anemofilia: através do vento; 
Entomofilia: Termo geral para todos os meios de polinização através de insetos, mas é um termo mais usado para polinização efetuada por abelhas, vespas e moscas; 
Cantarofilia: com auxílio de besouros; 
Psicofilia: efetuada por borboletas; 
Falenofilia: através de mariposas; 
Ornitofilia: polinização feita por aves; 
Hidrofilia: através da água; 
Artificial: através do homem; 
Quiropterofilia: polinização feita por morcegos; 
Malacofilia: polinização feita por moluscos; 

Pode haver também a auto-polinização, quando uma flor recebe seu próprio pólen. Em muitos casos, a flor possui mecanismos que rejeitam o pólen produzido em suas anteras, o que assegura a reprodução sexuada, ou seja, que haja intercâmbio de genes com outros indivíduos da espécie. No entanto, indivíduos de algumas espécies não apresentam esses mecanismos, e aproveitam-se de seu próprio pólen para produzir sementes e garantir a estabilidade de sua população. Alguns destes mecanismos são: 

Dicogamia: consiste no amadurecimento dos órgãos reprodutores em épocas diferentes; a dicogamia pode ser de dois tipos: 
Protandria: quando amadurecem em primeiro lugar os órgãos masculinos e posteriormente os órgãos femininos. 
Protoginia: quando amadurecem primeiramente os órgãos femininos e posteriormente os órgãos masculinos. 
Dioicia: aparecimento de indivíduos com sexos separados: uma planta masculina e outra feminina. 
Hercogamia: ocorre uma barreira física, que separa com filetes curtos e estiletes longos. 
Heterostilia: ocorrência, nas flores, de estames com filetes curtos e estiletes longos 
Auto-esterilidade: neste caso, a flor é estéril ao pólen que ela mesma produziu. 

Entre as Gimnospermas a polinização é quase sempre anemófila. Especula-se que isso seja consequência do momento em que estas plantas evoluíram, quando não havia insetos especializados na coleta de pólen, como abelhas. A pequena variedade de meios de polinização neste grupo reflete-se na pouca variação morfológica de suas estruturas reprodutivas. 
Em contraste, entre as Angiospermas, o surgimento de flores coincidiu com o surgimento de abelhas, borboletas, mariposas, aves e mamíferos, e a estrutura reprodutiva destas plantas foi selecionada de forma a atrair estes animais, surgindo então uma miríade de formas, tamanhos, cores, aromas e texturas, cada uma de acordo com uma estratégia mais ou menos específica de atração de polinizadores. Surgiram novas estruturas, como nectários, anteras com pólen estéril, ornamentações, pétalas comestíveis, glândulas de perfume, óleo e resina, todos recursos benéficos a aqueles animais que asseguram que suas flores sejam visitadas e seu pólem carregado para outra flor da mesma espécie. 
O sucesso das Angiospermas entre os outros grupos vegetais, no que se refere à polinização, deve-se à elasticidade morfológica das flores de Angiosperma e sua capacidade de adaptação a diferentes agentes polinizadores (entre outros fatores).
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 











Flores campestres
 













 
Nos altos ramos de árvores frondosas


Nos altos ramos de árvores frondosas 
O vento faz um rumor frio e alto. 
Nesta floresta, em este som me perco 
E sozinho medito. 
Assim no mundo, acima do que sinto, 
Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma, 
E nada tem sentido — nem a alma 
Com que penso sozinho. 

20-4-1928 

Ricardo Reis, Odes - Fernando Pessoa.
(Notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.)
Lisboa: Ática, 1946 (imp.1994). - 112. 

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

"Motivo" - Poema de Cecília Meireles



Jean Béraud (French painter, 1849–1935),
'Blanche Vesnić' (née Ulman)


Motivo 


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
 



Ana Moura - O que foi que aconteceu



"Entendo que solidariedade é enxergar no próximo as lágrimas nunca choradas 
e as angústias nunca verbalizadas."

(Augusto Cury) 
 

domingo, 1 de janeiro de 2012

"Sol de Janeiro" - Poema de João Luís Barreto Guimarães


Max Pechstein (German expressionist painter and printmaker, 1881–1955),
Boat at Sunrise, 1949


Sol de Janeiro


Nunca tanto como hoje reparei com atenção
na
luz do sol de Janeiro. Forte
mas delicada. Furtiva
mas
demorada. Não arde nem faz tremer.
Não é densa nem clara. A
luz
do sol em Janeiro:
assim é o nosso amor
oculto pela tinta dos dias apenas
espreita uma aberta
(uma distracção das nuvens)
para
luzir e irromper
(nunca antes como hoje precisei)
tanto que o vento lhe desse oportunidade).
O nosso amor
é Janeiro:
mesmo se o julgo esquecido
sei que
está sempre lá.


João Luís Barreto Guimarães, in Rés-do-Chão
Lisboa, Gótica, 2003
 

Bruno Mars - Grenade



"Apesar dos nossos defeitos, precisamos enxergar que somos pérolas únicas no teatro da vida 
e entender que não existem pessoas de sucesso e pessoas fracassadas. O que existem 
são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles." 
 
 
 

sábado, 31 de dezembro de 2011

"A criança dentro de nós" - Texto de Hermann Hesse



Jack Vettriano (Scottish painter, b.1951), 'The Singing Butler', 1992 


A criança dentro de nós


"Todas as crianças, enquanto ainda vivem dentro do seu mistério, estão sempre ocupadas nas suas almas com a única coisa que é importante, que são elas próprias e a sua relação enigmática com o mundo à sua volta. Os descobridores e as pessoas sábias voltam a essas ocupações à medida que amadurecem. A maioria das pessoas, no entanto, esquecem-se e deixam para sempre este mundo interior do que é realmente significativo muito cedo nas suas vidas. Como almas perdidas elas vagueiam, durante todas as suas vidas, num labirinto multicolorido de preocupações, desejos e objetivos, mas nenhum deles habita verdadeiramente nos seus íntimos nem os levará ao seu núcleo mais íntimo e à sua casa."

Hermann Hesse, in 'Iris' 


Bruno Mars - It Will Rain



"Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos!" 
 
 Augusto Cury

[Augusto Jorge Cury (Colina, 2 de outubro de 1958) é um médico, psiquiatra, psicoterapeuta e escritor de literatura psiquiátrica brasileiro. Seus livros já venderam mais de 12 milhões de exemplares somente no Brasil, tendo sido publicados em mais de 50 países. Foi considerado pelo jornal Folha de São Paulo o autor brasileiro mais lido da década.]