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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

"Mediocridade" - Poema de Jules Laforgue


Johan Christian Dahl, View of St. Olav’s Church at Avaldsnes, 1820


Mediocridade 


No infinito coberto de eternas belezas,
Como átomo perdido, incerto, solitário,
Um planeta chamado Terra, dias contados,
Voa com os seus vermes sobre as profundezas.

Filhos sem cor, febris, ao jugo do trabalho,
Marchando, indiferentes ao grande mistério,
E quando um dos seus é enterrado, já sérios,
Saudam-no. Do torpor não são arrancados.

Viver, morrer, sem desconfiar da história
Do globo, sua miséria em eterna glória,
Sua agonia futura, o sol moribundo.

Vertigens de universo, todo o seu só festa!
Nada, nada, terão visto. Partem do mundo
Sem visitar sequer o seu próprio planeta.


em "Litanias da lua. Jules Laforgue"
Tradução de Régis Bonvicino.


Johan Christian Dahl, Copenhagen Harbour by Moonlight, 1846


"Só o amor, e não a razão, é mais forte do que a morte."

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

"A Estrela" - Poema de Manuel Bandeira


Johan Christian DahlView of Dresden by Moonlight, 1838


A Estrela 


Vi uma estrela tão alta, 
Vi uma estrela tão fria! 
Vi uma estrela luzindo 
Na minha vida vazia. 

Era uma estrela tão alta! 
Era uma estrela tão fria! 
Era uma estrela sozinha 
Luzindo no fim do dia. 

Por que da sua distância 
Para a minha companhia 
Não baixava aquela estrela? 
Por que tão alta luzia? 

E ouvi-a na sombra funda 
Responder que assim fazia 
Para dar uma esperança 
Mais triste ao fim do meu dia. 


in Estrela da vida inteira


Johan Christian Dahl, 1814,  Private collection


"Criar arte é ver o mundo como que pela primeira vez. É buscar a origem, o gesto que o fundou. É reaprender cada coisa, cada objeto, é dar novos significados às coisas existentes, é reinventar, reconduzir, reconstruir."