Carl Georg Naumann (German painter, 1827–1902),
'The Escaped Canary', 1875.
Sabedoria
Desde que tudo me cansa,
Comecei eu a viver.
Comecei a viver sem esperança...
E venha a morte quando
Deus quiser.
Dantes, ou muito ou pouco,
Sempre esperara:
Às vezes, tanto, que o meu sonho louco
Voava das estrelas à mais rara;
Outras, tão pouco,
Que ninguém mais com tal se conformara.
Hoje, é que nada espero.
Para quê, esperar?
Sei que já nada é meu senão se o não tiver;
Se quero, é só enquanto apenas quero;
Só de longe, e secreto, é que inda posso amar...
E venha a morte quando Deus quiser.
Mas, com isto, que têm as estrelas?
Continuam brilhando, altas e belas.
José Régio, in "A Chaga do Lado", 1954.
Carl Georg Naumann, 'Man Walking his Dog by a Pond', 1881.
"A sabedoria nasce menos da inteligência e mais do coração."
Peter Rosegger (Escritor e poeta austríaco, 1843–1918),
Schriften: Die Schriften des Waldschulmeisters.
23. Aufl - Página 254, Harleben, 1897.
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