sexta-feira, 8 de maio de 2026

"Amor sem tréguas" - Poema de António Gedeão


 
José Malhoa (Pintor, desenhador e professor português, 1855–1933),
'Igreja de Figueiró' (Figueiró dos Vinhos, Portugal)
, 1921.


Amor sem tréguas


É necessário amar,
qualquer coisa ou alguém;
o que interessa é gostar
não importa de quem.

Não importa de quem,
não importa de quê;
o que interessa é amar
mesmo o que não se vê.

Pode ser uma mulher,
uma pedra, uma flor,
uma coisa qualquer,
seja lá o que for.

Pode até nem ser nada
que em ser se concretize,
coisa apenas pensada,
que a sonhar se precise.

Amar por claridade,
sem dever a cumprir;
uma oportunidade
para olhar e sorrir.

Amar como um homem forte
só ele o sabe e pode-o;
amar até à morte,
amar até ao ódio.

Que o ódio, infelizmente,
quando o clima é de horror,
é forma inteligente
de se morrer de amor.


António Gedeão (1906–1997),
in 'Máquina de Fogo'


 
José Malhoa, 'Pereira em flor' (Figueiró dos Vinhos, Portugal), 1910.



Pereira em flor
 
De grinalda branca,
Toda vestida de luar,
A pereira sonha. 

 
Helena Kolody (1912–2004),
in 'Luz Infinita', 1997.

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