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segunda-feira, 11 de maio de 2020

"Modo velho de acordar" - Poema de Lucinda Nogueira Persona


Jeremy Mann (American, b.1979), The Forgotten (version two - Neglect)


Modo velho de acordar



De repente
num modo velho de acordar
abro a úmida casca noturna.
Sou folha? Inseto? Passarinho ou gente?
Que dia é hoje? Que horas são?
Onde está o homem que dorme comigo?

No meio das suposições
minhas pálpebras amarfanhadas
são peso e desproporção,
minhas córneas não entendem.
Dói, na penumbra, o reajuste dos meus ossos.
Dói a bexiga que tem rígido horário.
Dói o cotidiano no meu caminho. 
 em "Ser cotidiano". 
Rio de Janeiro: 7Letras, 1998. 


Jeremy Mann, The Forgotten (version one - Abandon)

"Duas coisas são esteticamente perfeitas no mundo: relógios e gatos."

(Émile-Auguste Chartie)


sexta-feira, 31 de maio de 2013

"Fui sabendo de mim" - Poema de Mia Couto


John William Godward (British, 1861-1922), Idleness, 1900



Fui sabendo de mim


Fui sabendo de mim 
por aquilo que perdia 

pedaços que saíram de mim 
com o mistério de serem poucos 
e valerem só quando os perdia 

fui ficando 
por umbrais 
aquém do passo 
que nunca ousei 

eu vi 
a árvore morta 
e soube que mentia 


Mia Couto, 
in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"


John William Godward


John William Godward (9 de agosto de 1861 — 13 de dezembro de 1922) foi um pintor inglês do final do período Pré-rafaelita. Foi um protegido de Sir Lawrence Alma-Tadema, mas seu estilo perdeu o gosto do público com a concorrência de pintores como Picasso. Godward expôs na Royal Academy em 1887. Quando se mudou para  Itália com uma de suas modelos em 1912, sua família rompeu qualquer tipo de contato com ele e retirou seu retrato do álbum da família. Retornou à Inglaterra em 1919, e permaneceu ali até sua morte, em 1922.
Uma de suas pinturas mais conhecidas é Dolce far niente (1904). Como outras de suas pinturas, esta possui mais de uma versão. Existe uma versão mais antiga (e menos conhecida também) de 1897.
Suicidou-se aos 61 anos, e diz-se que em seu bilhete de suicida estava escrito que "o mundo não é grande o suficiente para mim e Picasso".
Sua já problemática família, que desaprovava sua carreira de artista, com a vergonha que trouxe o suicídio acabou queimando seus documentos. Não se tem conhecimento de ter restado alguma fotografia de Godward.
Godward foi um pintor neoclássico vitoriano e, consequentemente, um seguidor das teorias de Frederic Leighton. Entretanto, estilisticamente foi mais ligado a Lawrence Alma-Tadema, com quem dividiu uma predileção pela estrutura clássica.



John William Godward, Idleness, 1903


John William Godward, Endymion, 1893 



John William Godward, Tranquillity


John William Godward, Summer Flowers, 1903


John William Godward, Dolce far niente, 1904


John William Godward, In the Days of Sappho, 1904


John William Godward, Girl in yellow drapery, 1901


John William Godward, Dolce Far Niente


"Todas as artes são como espelhos nos quais o homem 
conhece e reconhece algo de si que ignorava."

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier



John William Godward, The trysting place


"Quanto melhor se enche a vida, menos se tem medo de perdê-la." 

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier


John William Godward, Idle Thoughts, 1898


"Saber é compreender como é que a mais insignificante das coisas está ligada ao todo; 
nada existe por si só."

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier
(Ensaísta e filósofo francês, 1868 - 1951)


quarta-feira, 15 de maio de 2013

"O Pássaro da Cabeça" - Poema de Manuel António Pina



Pintura de Henry Bacon (americano, 1839/1912)
 

O Pássaro da Cabeça



Sou o pássaro que canta
dentro da tua cabeça
que canta na tua garganta
canta onde lhe apeteça

Sou o pássaro que voa
dentro do teu coração
e do de qualquer pessoa
mesmo as que julgas que não

Sou o pássaro da imaginação
que voa até na prisão
e canta por tudo e por nada
mesmo com a boca fechada

E esta é a canção sem razão
que não serve para mais nada
senão para ser cantada
quando os amigos se vão

E ficas de novo sozinho
na solidão que começa
apenas com o passarinho
dentro da tua cabeça.


Manuel António Pina,
in "Carta a um jovem antes de ser Poeta"




Galeria de Henry Bacon

Henry Bacon (1839 em Haverhill, Massachusetts - 13 de março de 1912, em Cairo) foi um pintor e autor americano. 

Henry Bacon, Along the Seine 


"A felicidade não é fruto da paz, é a própria paz."

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier
França, 1868 // 1951
Ensaísta/Filósofo


Henry Bacon, Beach at Etretat, 1890


"O que não se disse ainda o suficiente é que ser feliz é também um dever para com os outros."


Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier


Henry Bacon, The Departure, 1879


"Amar é descobrirmos a nossa riqueza fora de nós."


Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier


Henry Bacon, The Departure from New York Harbor 


"Quem não dispõe de reservas em si próprio, é assaltado pelo aborrecimento que o espreita e em breve o dominará."

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier


Henry Bacon, On Shipboard, 1877


"Não é difícil ser infeliz; o difícil é ser feliz, o que não é razão para não se tentar." 

Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier


Henry Bacon, First Sight of Land


"É preciso querer ser feliz e contribuir para isso. Se ficarmos na posição do espectador impassível, deixando para a felicidade apenas a entrada livre e as portas abertas, será a tristeza que entrará."


Alain, pseud. de Émile-Auguste Chartier