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terça-feira, 17 de dezembro de 2024

"Oh, Vida! Fugitiva Companheira" - Poema de Francisco Bugalho


Arvid Liljelund (Finnish painter, 1844-1899), Ferdinand von Wright at Work, 1897.
Finnish National Gallery
 
 
 
 Oh, Vida! Fugitiva Companheira
 
 
 Oh, Vida!
Fugitiva companheira,
Eu sinto que não posso acompanhar-te.
Por isso, nesta hora feiticeira,
Quisera erguer-te uma barreira
E fazer-te parar
E abraçar-te;
E abraçar-te tão íntimo e tão fundo
Que toda a vida apenas de um segundo
Em mim entrasse, em mim vivesse,
E que depois viesse o fim do Mundo
Ou que eu morresse!... 


Francisco José Lahmeyer Bugalho,
 in "Dispersos e Inéditos"
 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

"Dor" - Poema de Francisco Bugalho

 


Rafael Romero Barros (Pintor espanhol, 1832–1895), Mendigo, c. 1865-1870,
 
 

Dor 
 
 
Passa-se um dia e outro dia
À espera que passe a Dor,
E a Dor não passa, e porfia,
Porque trás dia, outro dia
Que traz Dor inda maior;

Porque embora a Dor aflita
Calasse há muito seus ais,
Ainda, fundo, palpita
Uma outra Dor que não grita:
A Dor do que não dói mais. 
 in "Dispersos e Inéditos"
 

Rafael Romero Barros, Rincón del antiguo Hospital de la Caridad, 1832-95,
Museum of Fine Arts of Córdoba.
 
 
"De todos os animais, o homem é o único cruel. É o único que inflige dor pelo prazer de fazê-lo. E a bondade das pessoas nasce disso. O mal existe por causa do bem." 
 


O Estranho Misterioso de Mark Twain
Axis Mundi Editora (daqui)
 
 
Resumo
 
 
O Estranho Misterioso foi o último romance escrito por Mark Twain. Foi trabalhado periodicamente a partir de 1890 até 1910. A história apresenta um crítica a um modelo social hipócrita e mesquinho abordando ideias de senso moral e da "raça maldita humana". O autor encontrava-se profundamente desiludido e amargurado com as injustiças e mazelas sociais.

O Estranho Misterioso  é um livro da maturidade, universalista, uma perturbadora indagação sobre a natureza do ser humano. Neste livro, Mark Twain leva-nos para a Idade Média, numa pequena aldeia adormecida e apartada do mundo, onde surge um "estranho misterioso" que desafia a ordem estabelecida e se mostra capaz de realizar magias e proezas, ler mentes, ver passado e futuro, tornar-se invisível e mudar o destino das pessoas. Encontramos em O Estranho Misterioso uma ideia que C.G. Jung iria desenvolver: a realidade psicológica é a única que existe. Percebemos aqui a futura visão junguiana de que bem e mal são uma única coisa e estão ambos presentes em Deus, em Satã e na Natureza.  (daqui)
 

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

"Glória" - Poema de Francisco Bugalho



Luis Egidio Meléndez (Spanish painter, 1716 - 1780),
Self-portrait Holding an Academic Study, 1747
 

Glória 
 
 
Vive dentro de mim um mundo raro
Tão vário, tão vibrante, tão profundo
Que o meu amor indómito e avaro
O oculto raivoso ao outro mundo

E nele vivo audaz, ardentemente,
Sentindo consumir-se a sua chama
Que oscila e desce e sobe inquietamente;
Ouvindo a minha voz que por mim chama

Em situações grotescas que me ferem,
Ou conquistando o que meus olhos querem:
Príncipe ou Rei sonhando com domínios.

Sinto bem que são vãs pra me prenderem
As mãos da Vida, muito embora imperem
Sobre a noção real dos meus declínios. 
in "Dispersos e Inéditos" 

domingo, 27 de outubro de 2024

"Poeta" - Poema de Francisco Bugalho

 

 Johannes Gumpp (Peintre autrichien, 1626–1728), Autoportrait, 1646
Premier exemple de triple autoportrait dans la peinture. Collection Privée. 
 
 

Poeta 
 
Poeta, a construíres sonhos contraditórios!
Tu tens na vida uns ideais burgueses
Que não te satisfazem!

Poeta, tu desejas
Misérias e reveses
Que te façam cantar.
E amas o conforto,
E gostas de jantar!...

Poeta, sempre em luta vã contigo,
— Que sofres de já ser aquilo que não és,
Que sofres de não ser aquilo que queres ser...

Poeta, é já bem grande o teu castigo.
É preciso viver. 
in "Canções de Entre Céu e Terra"
 
 

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

"Caminhos" - Poema de Francisco Bugalho


Oscar Björck (Swedish painter and a professor at the Royal Swedish Academy of Arts,
 1860 – 1929), Park Landscape.



Caminhos 



Para quê, caminhos do mundo,
Me atraís? — Se eu sei bem já
Que voltarei donde parto,
Por qualquer lado que vá.

Para quê? — Se a Terra é redonda;
E, sempre, tem de cumprir-se
A sina daquela onda
Que parece vai sumir-se,

Mas que volta, bem mais débil,
Ao meio do lago, onde
A mãe, gota d'água flébil,
Há muito tempo se esconde.

Para quê? — Se a folha viçosa
Na Primavera, feliz,
Amanhã será, gostosa,
Alimento da raiz.

Para quê, caminhos do mundo?
Para quê, andanças sem Fim?
Se todo o sonho profundo
Deste Mundo e do Outro-Mundo,
Não está neles, mas em mim. 
  in "Paisagem" 
 

sábado, 21 de setembro de 2024

"Obsessão" - Poema de Francisco Bugalho

 

 
Mota Urgeiro (Pintor português, n. 1946), Ribeira de Odivelas - Alentejo.



Obsessão

 
Dentro de mim canta, intenso,
Um cantar que não é meu:
Cantar que ficou suspenso,
Cantar que já se perdeu.

Onde teria eu ouvido
Esta voz cantar assim?
Já lhe perdi o sentido:
Cantar que passa perdido,
Que não é meu estando em mim.

Depois, sonâmbulo, sonho:
Um sonho lento, tristonho,
De nuvens a esfiapar...
E, novamente, no sonho
Passa de novo o cantar...

Sobre um lago, onde em sossego
As águas olham o céu,
Roça a asa de um morcego...
E ao longe o cantar morreu.

Onde teria eu ouvido
Esta voz cantar assim?
Já lhe perdi o sentido...
E este cenário partido
Volta a voltar, repetido,
E o cantar recanta em mim. 

 in "Margens"
 
 
Mota Urgeiro (Pintor português, n. 1946), Amanhecer no Alentejo.
 

"Um escritor é um homem como os outros: sonha. E o meu sonho foi o de poder dizer deste livro, quando terminasse: 'Isto é um livro sobre o Alentejo'."


Citado em "José Saramago: il bagaglio dello scrittore‎" - Página 41, de Giulia Lanciani.
Publicado por Bulzoni, 1996 - 256 páginas.
 

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

"Sabedoria" - Poema de Francisco Bugalho


Frederic Edwin Church (American landscape painter, 1826–1900),
Morning in the Tropics, ca. 1858, Walters Art Museum.



Sabedoria 
 

Nos dias em que nada vale a pena,
E em que as árvores amigas
São iguais e estão vistas,
A vida é tão parada e tão serena
Que afinal já não há que contar mais,
E prevejo, com olhos anormais,
As coisas imprevistas... 

Nos dias em que são cinzentos os meus céus
— O de dentro e o de fora —
E é vaga esta noção de um velho Deus,
Que me não manda embora
Deste espetáculo estafado
Em que de cor sei dizer
O que me foi ensaiado
E o que todos vão fazer,
Tenho inveja dos homens convencidos
Que nem sequer sonharam
Que poderia haver paraísos perdidos,
Ainda não decifraram
Esta charada em que andam envolvidos,
E pensam que, vivendo, triunfaram
Da Vida em que os que sonham são vencidos. 


Francisco José Lahmeyer Bugalho
in "Canções de Entre Céu e Terra"
 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

"Tosquia" - Poema de Francisco Bugalho


Tom Roberts (English-born Australian artist and a key member of the Heidelberg School art movement, 
1856 – 14 September 1931), Shearing the Rams, 1890,
National Gallery of Victoria, Melbourne



Tosquia


Rente, rente, rente
A tesoura corta.
E, na tarde quente,
Junho está à porta.

Vem do campo, em volta,
Mágico fulgor
De aroma, que solta
O feno, inda em flor.

Aperna-se o gado,
P'ra tirar-lhe a lã.
Ficou encerrado
Desde esta manhã.

Rente, rente, rente
Que a tesoura corta,
E, na tarde quente,
Junho está à porta.

Um halo de neve,
Espuma ou algodão,
Envolve de leve
As reses no chão.

Na luz forte, em roda,
Zumbem as abelhas.
E há balidos soltos
E tristes de ovelhas.

E ao soltar aquelas,
Livres, já, dos velos,
Parecem gazelas,
Em saltos singelos.

Rente, rente, rente
A tesoura corta,
E, na tarde quente,
Junho está à porta.
 

Francisco Bugalho, Poesia
(Poeta português, 1905 - 1949)
 

terça-feira, 19 de julho de 2022

"Herói Vencido" - Poema de Francisco Bugalho



Claude Monet, Gare Saint-Lazare, l'arrivée d'un train, 1877, Fogg Art Museum,
a part of Monet's Gare Saint-Lazare series.  


 
Herói Vencido


Naquele dia
Parti
A hora em que a cidade era saudosa
Das vidas que eu viveria
Se me não fora impossível.
Ali,
Tudo me prometia
O perdido para sempre,
E tudo me era sensível,
Como se fosse de novo,
Ou eu visse
Com os olhos da outra gente.

Nesse momento,
De mim próprio tão diferente,
Era o herói conhecido
De um romance concebido
E nunca realizado...

No ar da gare,
Entre o silvo das partidas,
Estava suspenso, parado,
O perfume concentrado
De todas as despedidas.
 
 
 in Canções de Entre Céu e Terra,
Edições Presença, 1940
 
 
The Art Institute of Chicago, a part of Monet's Gare Saint-Lazare series. 


Sonho de viagem
não sei se durmo
ou olho a paisagem

Outro silêncio: haikais

 

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

"Casa Abandonada" - Poema de Francisco Bugalho


Emile Claus (Belgian painter, 1849 –1924), Canal in Zeeland, 1896


Casa Abandonada


Minha saudade não larga 
Certa casa abandonada. 
E sinto, na boca, amarga, 
Essa lágrima chorada 
Quando a deixei... 

Caía, de leve, a tarde... 
E, olhando para trás, vi 
Aquela porta fechada. 

Nesse momento, senti 
Pesar-me a fatalidade 
De toda a Vida passada. 

Arde 
Ainda, nos meus olhos, 
A luz do sol que brilhava 
Na janela. 
Era uma luz amarela; 
Uma luz de fim da tarde 
Que ainda trago nos olhos... 

Ficava ali, 
Por detrás da porta verde, 
Tudo o que a vida nos perde, 
Enquanto nos vai gastando... 

E triste e só me parti; 
Quem sabe que outros Destinos, 
Dolorosos ou divinos, 
Procurando... 


Francisco Bugalho, in "Margens"

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

"Humildade" - Poema de Francisco Bugalho


Wright Barker (British painter, 1864 - 1941)


Humildade 


As águas beijei,
As nuvens olhei,
Às árvores cantei,
Na sua beleza.

Os bichos amei,
Na sua bruteza,
Na sua pureza,
De forças sem lei.

E porque os amei
E os acompanhei,
Não me senti rei
Na Mãe-Natureza.


in "Paisagem"


Wright Barker (British painter, 1864 - 1941), Dignity and Impudence.


"Se falar com os animais eles falarão consigo e vocês vão conhecer-se um ao outro. Se não falar com eles, não os conhecerá, e o que não se conhece… teme-se!" E aquilo que tememos… destruímos!!!


domingo, 28 de dezembro de 2014

"Solidão" - Poema de Francisco Bugalho

 

  O Sobreiro, 1905, pintura de D. Carlos I (1863-1908)
Fundação da Casa de Bragança 
 
 
Solidão

 
Vago aroma de esteva, ao mesmo tempo ardente e virgem,
E este murmúrio doce da folhagem,
São o falar do mato, na estiagem,
Segredando os mistérios da origem.

Calma profunda, doce, resignada...
A vida não é mais do que o viver
Da paisagem nostálgica e pasmada.

A solidão tem dedos de veludo,
De frementes afagos delicados.
— Bendita solidão, que beijas tudo,
Onde andarão meus sonhos desvairados?!...

Nestes montados,
Que purificação me invade a alma!
Como entra, em mim, toda a serenidade
Dos ermitões, orando na paisagem!

Nesta paisagem,
Calma, calma, calma,
Como a Eternidade.


Francisco Bugalho
in "Paisagem"
 
 
 
 Retrato do rei D. Carlos, 1902, por Roque Gameiro (1864 - 1935)  
 
[Aguarela representando o rei D. Carlos, de pé, a mais de meio corpo, voltado ligeiramente para a esquerda. Enverga o grande uniforme de Marechal General, tendo o capacete na mão direita, enquanto a esquerda assenta no punho da espada. Traz a tiracolo a banda das Três Ordens Militares portuguesas e ostenta condecorações. No segundo plano, à esquerda, pende um reposteiro carmesim apanhado em baixo, sobre o qual foram apostas as Armas de Portugal. À direita, surgem dois balaústres de uma varanda, por sobre a qual, e já no último plano, se vê o mar sulcado por dois navios. Esta aguarela está inserida numa moldura de casquinha dourada e envidraçada. Segundo o Livro do Tombo, a peça pertenceu sempre ao Palácio Nacional de Mafra. Foi colocada na Sala n.º 63, Sala D. Pedro V, Sala dos Instrumentos Musicais e Sala da Caça, onde se mantém.] (Daqui)


D. Carlos I, de seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Victor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon e Saxe-Coburgo-Gotha, (28 de Setembro de 1863 — 1 de Fevereiro de 1908) foi o penúltimo Rei de Portugal.

Nascido em Lisboa, era filho do rei Luís I de Portugal e da princesa Maria Pia de Saboia, tendo subido ao trono em 1889. Foi cognominado O Diplomata (devido às múltiplas visitas que fez a Madrid, Paris e Londres, retribuídas com as visitas a Lisboa dos reis Afonso XIII de Espanha, Eduardo VII do Reino Unido, do Kaiser Guilherme II da Alemanha e do presidente da República Francesa Émile Loubet), O Martirizado e O Mártir (em virtude de ter morrido assassinado), ou O Oceanógrafo (pela sua paixão pela oceanografia, partilhada com o pai e com o príncipe do Mónaco).
 
A trágica morte do penúltimo rei português num atentado no Terreiro do Paço, em 1 de Fevereiro de 1908, marcou o início do fim da monarquia portuguesa. O regicídio prenunciou a Proclamação da República, consumada dois anos depois. Mas a vida do monarca que afrontou a progressão do Republicanismo e o Ultimato britânico de 1890 foi também marcada pelas artes e ciências. (Daqui)
 

Praia de Cascais, 1096 - Aguarela de D. Carlos I

[Praia de Cascais é uma pintura a aguarela da autoria do pintor e rei português Carlos de Bragança e foi pintado em 1906. A pintura pertence ao Casa-Museu Anastácio Gonçalves de Lisboa.]
 
 

domingo, 24 de março de 2013

"Dois Meninos" - Poema de Francisco Bugalho


Ferdinand Georg Waldmüller, Depois da escola, 1841.



Dois Meninos


Meu menino canta, canta
Uma canção que é ele só que entende
E que o faz sorrir.

Meu menino tem nos olhos os mistérios
Dum mundo que ele vê e que eu não vejo
Mas de que tenho saudades infinitas.

As cinco pedrinhas são mundos na mão.
Formigas que passam,
Se brinca no chão,
São seres irreais...

Meu menino d'olhos verdes como as águas
Não sabe falar,
Mas sabe fazer arabescos de sons
Que têm poesia.

Meu menino ama os cães,
Os gatos, as aves e os galos,
(São Francisco de Assis
Em menino pequeno)
E fica horas sem fim,
Enlevado, a olhá-los.

E ao vê-lo brincar, no chão sentadinho,
Eu tenho saudades, saudades, saudades
Dum outro menino...


Francisco Bugalho, 
in "Canções de Entre Céu e Terra"


 
Francisco José Lahmeyer Bugalho
 

Francisco Bugalho, poeta português, nascido a 26 de julho de 1905, no Porto, e falecido a 29 de janeiro de 1949, em Castelo de Vide, pai do poeta Cristóvão Pavia, estudou Direito em Coimbra, aí convivendo com o grupo de escritores presencistas. Fixou residência no Alentejo, como funcionário no registo predial de Castelo de Vide. Colaborou em publicações que marcaram a poesia dos anos 30 e 40, como Presença ou Cadernos de Poesia. Herdeiro de Pessoa ipse, pelo desdobramento do eu ("...os fados em mim mesmo depuseram / Razões de ser e de não ser, contrárias / Nas emoções que, dentro de mim, cresceram /Tumultuosas, carinhosas, várias") e pela filiação num lirismo tradicional; descendente de Cesário por uma visão que subjetivamente transfigura a paisagem concreta, a poesia de Francisco Bugalho, em comunhão íntima com a natureza, ora tira dessa ligação um efeito lustral sobre o eu que nela encontra a calma e a eternidade, intuindo o que nela existe de inefável e sobrenatural ou adquire pelo confronto com a paisagem a consciência do seu sofrimento dando voz à dor de pensar, à desistência e ao cansaço.

Francisco Bugalho. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [Consult. 2013-03-24].



 
 Ferdinand Georg Waldmüller
 
Ferdinand Georg Waldmüller, Autorretrato, 1828.
 

Ferdinand Georg Waldmüller (Viena, 15 de janeiro de 1793 - Hinterbrühl, 23 de agosto de 1865) foi um pintor e escritor austríaco, um dos artistas austríacos mais importantes na primeira metade do século XIX.
Estudou na Academia de Belas-Artes de Viena, e assegurou a sua subsistência financeira pintando retratos. Em 1811 obteve um posto de professor de artes plásticas junto da prole do conde Gyulay, na Croácia. Três anos depois, regressou a Viena e trabalhou o seu estilo copiando as obras dos grandes mestres.
Waldmüller interessou-se progressivamente pela natureza, e dedicou-se à pintura paisagista. Foi neste género que o seu estilo atingiu a maior originalidade: o seu sentido cromático e o seu bom conhecimento da natureza ajudaram-no a executar telas notáveis.
Waldmüller foi também professor na Academia de Belas-Artes de Viena, mas teve regularmente disputas com a elite vienense em virtude das suas críticas ao sistema da instituição, que queria concentrar no estudo da natureza, num estilo mais naturalista e realista, corrente que encontrava adeptos por toda a Europa. Forçadamente aposentado em 1857, por causa dessas divergências, foi reabilitado em 1863, quando finalmente perceberam que já não era mais possível privar aos alunos da escola, de tão notável ensino.
 

Ferdinand Georg Waldmueller, Autorretrato com lanterna, 1825.
 

Ferdinand Georg Waldmüller, O comerciante, 1824. (Neoclassicismo)



Ferdinand Georg Waldmüller, O operário com seu filho.
 
 
 
Ferdinand Georg Waldmüller, Família de mendigos viajantes é recompensada
 por camponeses em véspera de Natal, 1834.
 
 
Ferdinand Georg Waldmüller, Casamento Camponês, 1843.


Ferdinand Georg Waldmüller, O dia de Corpus Christi, 1857.
(É um exemplo de pinturas Biedermeier evocando crença de harmonia e tradição.)


Ferdinand Georg Waldmüller, Crianças, 1834.


Ferdinand Georg Waldmüller, A sopa claustro, 1858. (Romantismo)


Ferdinand Georg Waldmüller, Peregrinos a descansar, 1859.


Ferdinand Georg Waldmüller, Fim de tarde com rebanho de cabras, 1847.