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terça-feira, 7 de janeiro de 2025

"Asa no Espaço" - Poema de Fernanda de Castro



 


Asa no Espaço


Asa no espaço, vai pensamento!
Na noite azul, minha alma, flutua!
Quero voar no braços do vento,
quero vogar nos barcos da Lua!

Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta.
Por oceanos de nevoeiro,
corre o impossível, de ponta a ponta.

Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.

Castelos fluidos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
asa, mais alto, mais alto, mais!
 
 ★ ★ ★

Imagens de Abdullah Evindar 
[Abdullah Evindar é um artista digital turco autodidata que manipula imagens para criar arte, combinando silhuetas com elementos da natureza, uma opção estética que confere uma sensação de surrealismo hipnótico ao seu trabalho.]
 

 
 
 
 
 
 
 


 
"O mundo da realidade tem seus limites. O mundo da imaginação não tem fronteiras." 

Jean-Jacques Rousseau
, "Émile, ou De l’éducation" - Volume 1, Página 152.
 

domingo, 9 de outubro de 2022

"Hora do Poente" - Poema de A. M. Pires Cabral


 
Imagem de Abdullah Evindar


Hora do Poente 

 
Na hora do poente
há mais melancolia e mais sigilo
no quase noturno voo das aves.

Como se a penumbra
lhes censurasse as asas.

Como se a grande apoteose do ocaso
fosse um presságio do fim
de todas as coisas.

Como se a noite fosse ainda mais escura
do que a escuridão em que se enrola.

Como se o dia desembocasse
na morte diretamente,
sem passar primeiro pelos portais da noite.


A. M. Pires Cabral, Gaveta do fundo, 
Tinta da China, Lisboa, 2013
 

 
Fotografia criativa de Abdullah Evindar
 
 
Abdullah Evindar é um artista digital turco autodidata que manipula imagens para criar arte, combinando silhuetas com elementos da natureza, uma opção estética que confere uma sensação de surrealismo hipnótico ao seu trabalho.

O seu trabalho centra-se principalmente na manipulação de fotografias com colagens digitais, nas quais utiliza silhuetas combinadas com elementos da natureza e com paisagens.
"A vida é um borrão sem sentido", considera Abdullah Evindar. Nas legendas das imagens que divulga na internet, gosta de adicionar desabafos acerca dos paradoxos da vida dos nossos dias. "As pessoas odeiam mentirosos mas adoram a mentira", desabafa o artista. As sombras de astros, seres humanos, animais irracionais, árvores e baloiços são elementos que utiliza nos seus trabalhos, recorrendo a métodos analógicos e às possibilidades do digital para surpreender os seguidores.
A sensação de surrealismo hipnótico que procura materializar nas suas obras leva a uma interpretação poética da imagem, reforçando também, em muitos casos, a relação do infinito com a solidão do homem. "Todas as vidas escondem momentos de rutura que, de repente, fluem numa direção completamente diferente", assegura Abdullah Evindar. (daqui)


 Imagens de Abdullah Evindar
 
 
 








 

Fotografia criativa de Abdullah Evindar
 
 
"Talvez a imaginação seja apenas a inteligência se divertindo."
  
 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

"É Isto o Amor" - Poema de Nuno Júdice


Fotografia de Christophe Gilbert



É Isto o Amor


Em quem pensar, agora, senão em ti? Tu, que 
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a 
manhã da minha noite. É verdade que te podia 
dizer: «Como é mais fácil deixar que as coisas 
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos 
apenas dentro de nós próprios?» Mas ensinaste-me 
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou, 
até sermos um apenas no amor que nos une, 
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor: 
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua 
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo 
esse que mal corria quando por ele passámos, 
subindo a margem em que descobri o sentido 
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo 
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor, 
de chegar antes de ti para te ver chegar: com 
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água 
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu: 
a primavera luminosa da minha expectativa, 
a mais certa certeza de que gosto de ti, como 
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste. 


Nuno Júdice, in 'Pedro, Lembrando Inês'


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

"O meu olhar é nítido como um girassol" - Poema de Alberto Caeiro


Cecelia Webber, Digital Photographic Image
 


O meu olhar é nítido como um girassol


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...

8-3-1914 
 
(Heterónimo de Fernando Pessoa),
 
 
 
Galeria de Cecelia Webber
Cecelia Webber, Digital Photographic Image


Cecelia Webber, Digital Photographic Image


Cecelia Webber, Digital Photographic Image


Cecelia Webber, Digital Photographic Image


Cecelia Webber, Digital Photographic Image


Cecelia Webber, Digital Photographic Image




sábado, 1 de agosto de 2015

"O Quê? Valho Mais Que Uma Flor" - Poema de Alberto Caeiro


Cecelia Webber, Digital Photographic Image


O quê? Valho mais que uma flor


O quê? Valho mais que uma flor
Porque ela não sabe que tem cor e eu sei,
Porque ela não sabe que tem perfume e eu sei,
Porque ela não tem consciência de mim e eu tenho consciência dela?
Mas o que tem uma coisa com a outra
Para que seja superior ou inferior a ela?
Sim tenho consciência da planta e ela não a tem de mim.
Mas se a forma da consciência é ter consciência, que há nisso?
A planta, se falasse, podia dizer-me: E o teu perfume?
Podia dizer-me: Tu tens consciência porque ter consciência é uma qualidade humana
E só não tenho uma porque sou flor senão seria homem.
Tenho perfume e tu não tens, porque sou flor...

Mas para que me comparo com uma flor, se eu sou eu
E a flor é a flor?

Ah, não comparemos coisa nenhuma, olhemos.
Deixemos análises, metáforas, símiles.
Comparar uma coisa com outra é esquecer essa coisa.
Nenhuma coisa lembra outra se repararmos para ela.
Cada coisa só lembra o que é
E só é o que nada mais é.
Separa-a de todas as outras o facto de que é ela.
(Tudo é nada sem outra coisa que não é).


Alberto Caeiro
“Poemas Inconjuntos”
Poemas Completos de Alberto Caeiro
(Heterónimo de Fernando Pessoa)


Cecelia Webber, Digital Photographic Image


"Poupar o coração é permitir à morte coroar-se de alegria." 

(Eugénio de Andrade)


Norah Jones - Don't Know Why

domingo, 14 de setembro de 2014

"Algumas horas outras" - Poema de António Franco Alexandre


Ellen Jantzen, Encounter



Algumas horas outras


algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes 
ácidos da louça, não serão recordadas, ou quanto mais 
as recordarmos, mais a ignorância deitará 
os corpos no tapume de vidros, para que em torno 
se conciliem as vontades singulares, as 
particularidades de um impetuoso alarme. 
ou seja: deixarão as esplanadas baças, os garfos 
encolhidos, para que um amplo destino os atravesse. 
considerem, por exemplo, o paquete que ao meio-dia 
igere as minuciosas palmeiras sobre a 
alta insensatez dos aquedutos. ou ainda 
a ilusão dos alicates ao lado da água, e o seu reflexo 
do outro lado das vidraças: azul, não é? 
assim estas algumas outras horas: como esquecê-las? 


e ainda o sossego das interrogações não se deixa 
facilmente esborratar, ou a qualidade 
das tintas, assim no meio do lençol, 
o impediu até agora. algumas 
são as horas do vasto almofadão translúcido 
onde as janelas germinaram, e são 
as solenes sardinheiras ardidas 
na boca do início. soçobrando a música 
produzimos os locais inamovíveis, as persianas 
corridas sobre o papel meticuloso das suas 
amenas enseadas. não olhes, 
outras algumas horas que a madeira se parte 
e os carinhosos garfos se encolhem na gengiva. 


quem nelas arde mastigando o musgo 
fluvial, ou as longas cortinas inundadas, 
dificilmente evitará outras incertas mesas 
onde dorme. observem como estão cobertas 
pela (metáfora da) nuvem sobre o fundo 
de actos responsáveis, gracejos gratuitos, animais de 
pequeno porte. eles mesmos 
se esquecerão, no solene rebordo das horas, 
de quem foram, de quem teriam sido 
as campânulas inamovíveis, e essas feridas 
precocemente supuradas. então outros se cobrem 
com (a metáfora das) sedas mais cruéis, 
algumas outras horas que adivinham em garfos 
naufragados, o silêncio, a secura. 


observem como rapidamente esquecem, mudando de cor 
a cada rotação das ventoinhas. e ainda 
imagem é pouco fiel, dada a distância 
e o sucessivo afastamento das delicadas 
membranas, observem como 
se dividem, no instante anterior à queda. 
não se encontra explicado o sombrio abcesso 
de cólera, ou de timidez, quando as nódoas estalam 
ao frio pouco vulgar nesta estação do mês. 
ou será isto, e nada mais, o que esquecemos? 


António Franco Alexandre,
  in 'Os Objectos Principais'


António Franco Alexandre


António Franco Alexandre, poeta português, nasceu no ano de 1944, em Viseu. Em 1962, foi para Toulouse, onde fez os estudos na área da Matemática. Em 1969, os bons resultados obtidos permitiram-lhe a obtenção de uma bolsa para continuar os estudos em Harvard, nos EUA. Contudo, em 1971, voltou de novo para França, agora para Paris, onde se doutorou em Matemática. Quatro anos mais tarde, o apelo do seu país "obriga-o" a regressar e, em 1975, é convidado para professor de Filosofia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 
Embora só nos anos 70, a sua obra se veja projetada no mundo literário, António Franco Alexandre publicou o seu primeiro livro intitulado A Distância, em 1969. 
De postura discreta, contrariando os "assédios" para grandes manifestações públicas, não mais deixou estagnar a sua criação literária. 
Acreditando que "se a poesia deve algo à música, não é composição, mas a arte do improviso", deu corpo e alma a diversos títulos, que permitem, hoje, considerá-lo um dos expoentes da poesia portuguesa contemporânea, sendo considerado por Óscar Lopes a melhor revelação poética dos anos oitenta (cf. Cifras do Tempo, Lisboa, 1990, p. 325). 
Em 1999, foi-lhe atribuído o prémio de poesia da Associação Portuguesa de Escritores (APE), com a publicação do livro Quatro Caprichos (Prémio Luís Miguel Nava). 
Autor de uma vasta obra, reflexo de um manifesto interesse pelas áreas da Filosofia, Ética e Estética da Literatura e da Música, assina os títulos seguintes: A Distância (1969), Visitação (1974), Dos Jogos de inverno (1974), Sem Palavras (1974), Nem Coisas (1974), Os Objetos Principais (1979), A Pequena Face (1983), As Moradas 1 e 2 (1987), Oásis (1992), Poemas (1996), Quatro Caprichos (1999), Uma Fábula (2001) e Duende (2002), vencedor do Prémio D. Dinis para poesia em 2003 e do Prémio Correntes d'Escrita em 2005.

António Franco Alexandre. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 



Galeria de Ellen Jantzen

Ellen Jantzen, Path of Plenty, 2012



In “Disturbing the Spirits” 

«I am using imagery to convey my feelings about the state of nature, the nature of trees, and how to express their connection to past, present and future. By obscuring a portion of the image through a veil, I strive to heighten the remaining reality through discovery and reflection.» - Ellen Jantzen


Ellen Jantzen, Convergence


In “Transplanting Reality; Transforming Nature”

«The natural world can be experienced on many levels, from the reality of a mountain to the ethereal essence of living beings. Trees, specifically, have always played a major role in my appreciation of nature. Trees produce the oxygen needed for our breath; we provide carbon dioxide for the trees…. a lovely symbiosis.» - Ellen Jantzen


Ellen Jantzen, Extravagance


«Forests and trees have also played a prominent role in many folktales and legends and have been given deep and sacred meanings. They are seen as powerful symbols of growth, decay and resurrection. But, with the depletion of forests and the resulting impact on humankind, how we respond will determine our future.» - Ellen Jantzen


Ellen Jantzen, Imagination


«In this series I am addressing my concerns by transplanting replica trees into the natural world. These trees take the form of a constructed likeness or of a ghostly apparition. One is artificial, the other a spirit form; both represent the transformation of nature.» - Ellen Jantzen


Ellen Jantzen, Attaining Shadow, 2012


Jantzen Ellen, Taking Precautions, 2012


Jantzen Ellen, Safeguarding Poppies, 2012


Jantzen Ellen, In the Field of Gold, 2012


Jantzen Ellen, Losing the Way, 2012


Ellen Jantzen, Incarnation, 2012


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Arte de Ben Heine - Fotografia, Retrato, Desenho e Ilustração



Imagem de Ben Heine - Apenas Sonhando


Ben Heine é um artista belga que trabalha com fotografia, pintura, ilustrações e caricaturas. 
Os seus projetos artísticos marcados pela criatividade e singularidade "Pencil VS Camera, Digital Circlism, Flesh and Acrylic, fizeram com que o artista tivesse grande destaque e admiração no mundo da arte. 
O trabalho de Ben Heine prova que arte não precisa de ser complexa ou até enfadonha. Ela pode ser extraordinária, única e muito divertida.
 

A Arte de Ben Heine
 Fotografia / Retrato / Desenho / Ilustração

Imagem de Ben Heine - Longe de ser encontrado
 
Imagem de Ben Heine

Imagem de Ben Heine

Imagem de Ben Heine

Imagem de Ben Heine

 Ben Heine - Theo

Imagem de Ben Heine - Carrying Your Heart With Me

Imagem de Ben Heine - Take Me To You

Imagem de Ben Heine 

Imagem de Ben Heine 

Imagem de Ben Heine - She Doesn't Need Wings To Fly

Imagem de Ben Heine - Together

Imagem de Ben Heine - Seja Original!

Imagem de Ben Heine - Bluetiful

Imagem de Ben Heine 

Imagem de Ben Heine - The Future is Bright

Imagem de Ben Heine - Marriage of Seasons

Imagem de Ben Heine - Hey There
 
Imagem de Ben Heine - Eu sou apenas um bebé 

Imagem de Ben Heine - Missing You

Imagem de Ben Heine - Delícia

Imagem de Ben Heine - Ops

Imagem de Ben Heine - John Lennon
 
Imagem de Ben Heine - Madness

Imagem de Ben Heine - Faith in Destiny

Imagem de Ben Heine - Paris vista da Torre Eiffel

Imagem de Ben Heine - London - Double Landscape

Imagem de Ben Heine - Barcelona - Double Landscape

Imagem de Ben Heine - The cave's skin

Imagem de Ben Heine - The Beauty and the Dead

Imagem de Ben Heine

Olhando para mim por Ben Heine


"Eu sempre me preparo para o fracasso e acabo surpreendido pelo sucesso."

(Steven Spielberg)