Mostrar mensagens com a etiqueta Keane. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Keane. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

"A propósito de estrelas" - Poema de Adília Lopes


Gustave Caillebotte, La berge du Petit-Gennevilliers et le Seine, 1892-1893


A propósito de estrelas


Não sei se me interessei pelo rapaz
por ele se interessar por estrelas
se me interessei por estrelas por me interessar
pelo rapaz hoje quando penso no rapaz
penso em estrelas e quando penso em estrelas
penso no rapaz como me parece
que me vou ocupar com as estrelas
até ao fim dos meus dias parece-me que
não vou deixar de me interessar pelo rapaz
até ao fim dos meus dias
nunca saberei se me interesso por estrelas
se me interesso por um rapaz que se interessa
por estrelas já não me lembro
se vi primeiro as estrelas
se vi primeiro o rapaz
se quando vi o rapaz vi as estrelas


Adília Lopes, de um jogo bastante perigoso, 1985
em Obra,
Mariposa Azual, 2000 

Adília Lopes
, pseudónimo literário de Maria José da Silva Viana Fidalgo de Oliveira (Lisboa, 20 de Abril de 1960) é uma poetisa, cronista e tradutora portuguesa.



Keane - Everybody's Changing



"Sempre existiram drogas mais potentes, mais calmantes, mais tranquilizantes, mais alucinógenas do que todas as drogas da farmacopeia antiga e da farmacologia moderna. Essas miracle-drugs, essas drogas-milagre são as palavras." — Pitigrilli em 'Amori Express, Le Droghe-miracolo'
 

Dino Segrè, também conhecido pelo pseudónimo Pitigrilli (Turim, 9 de maio de 1893 — Turim, 8 de maio de 1975) foi um escritor italiano.
Jornalista, trabalhou nos principais jornais de sua época, tecendo comentários ácidos e humorísticos sobre a sociedade e os costumes. 
Muito influenciado pelo existencialismo do fim da Segunda Guerra Mundial, seus personagens são homens e mulheres de ciência, lutando para se libertar em seus universos vazios de moral. 
Afirmava que adotou esse pseudónimo porque gostava de "colocar os pingos nos ii"
Algumas de suas obras são: Loira Dolicocéfala, O Colar de Afrodite (aforismos), Moisés e o Calaveiro Levi, Os Vegetarianos do Amor, O Deslize do Moralista (contos) onde satirizou a moral da época em relação ao aborto, A Maravilhosa Aventura, A Virgem de 18 Quilates, Cocaína, Manual de Boas Maneiras (ou não se come frango com as mãos), O Experimento de Pott, O Farmacêutico a Cavalo.
Em Pitigrilli fala de Pitigrilli, uma das últimas obras, mostra sua opção pelo espiritismo, ou, pelo menos, sua enorme curiosidade pelo lado oculto das religiões. 
Já estava em idade avançada e morava em Buenos Aires, Argentina, onde se refugiou. 
Influenciou alguns autores e pensadores italianos, argentinos e brasileiros, como Guido Gozzano, Flavio Bonfá, Chico Anysio e Julio Cortázar. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

domingo, 15 de abril de 2012

"A Censura existe em todo o lado" - Texto de José Saramago


à Paris avec son père Leopold Mozart et sa sœur Maria Anna, c. 1763
 
 
A Censura existe em todo o lado


"Eu acho que a censura existiu sempre e provavelmente vai existir sempre. Porque a censura para o ser não necessita de ter claramente uma porta aberta com um letreiro, onde se diga que ali há pessoas que leem livros ou vão ver espetáculos. Não! A censura existe de todas as maneiras, porque todas as pessoas, nos diferentes níveis de intervenção em que se encontram, por boas ou más razões, selecionam, escolhem, apagam, fazem sobressair. E isso são atos de ocultação ou de evidenciação que, no fundo, em alguns casos, são atos formais de censura. 
Quanto à censura oficial dos tempos de ditadura, aquilo que a censura demonstrou e demonstra, em qualquer caso, é que felizmente os escritores, dependendo das situações em que se encontram, são muito mais ricos de meios, de processos de fazer chegar aquilo que querem dizer aos outros, do que se imagina. Evidentemente, numa situação de censura, o escritor é obrigado a usar a escrita para comunicar isto ou aquilo ou aqueloutro, de uma maneira disfarçada, subterrânea, oculta; mas o que é importante não é que a censura o esteja a obrigar a fazer isso. O que é importante é que ele seja capaz de o fazer. E isso não vai em abono da censura como agente capaz de estimular a criatividade de um escritor, vai, sim, no sentido de reconhecer no escritor capacidades de expressão que ele usará ou não consoante a situação concreta em que se encontre. Agora, se me pergunta: a escrita sai melhor de uma maneira ou sai de outra, eu diria que provavelmente alguns dos livros que escrevi numa situação de liberdade de expressão, provavelmente num regime de censura eu não pensaria em escrevê-los."
 

José Saramago, in "Diálogos com José Saramago"


Louis Carrogis Carmontelle, The Société du Palais-Royal, 1773-75


  • "Diz um antigo provérbio: censuram quem se mantém calado; censuram quem fala muito; censuram quem fala pouco, neste mundo ninguém está livre de censuras." - Textos Budistas

  • "É fácil censurar os outros; difícil é ser censor dos próprios atos." - Textos Judaicos

  • "A censura, feita por outro, atinge-nos e fere-nos na medida em que inconscientemente já a fizemos a nós próprios." - Textos Cristãos

  • "A censura é o imposto da inveja sobre o mérito." - Laurence Sterne


 


Laurence Sterne (Clonmel, Irlanda, 24 de novembro de 1713 — Londres, 18 de março de 1768) foi um escritor irlandês, famoso pelo seu romance A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy. 
 
Aos dez anos de idade, Sterne foi mandado para Halifax, na Inglaterra, para estudar. Anos mais tarde, estudou no Jesus College, Cambridge, e se tornou pastor da Igreja Anglicana em Yorkshire, eventualmente se tornando pastor remunerado da Catedral de York em 1733. O bisavô de Sterne fora ordenado arcebispo de York em 1664. 
 
A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy foi originalmente publicado em vários volumes, os dois primeiros aparecendo em 1759, e os demais no decorrer dos dez anos seguintes. 
Controverso, o livro teve reações dissonantes entre os escritores da época, mas o humor grosseiro foi bem aceite pela sociedade londrina. Hoje, o livro é tido como precursor do fluxo de consciência. 
Mais tarde, Sterne publicou Jornada Sentimental pela França e Itália (1768) baseado em suas viagens pela Europa, devido à tuberculose, além de diversos sermões.


Sterne by French artist Louis Carrogis Carmontelle, c. 1762
(Watercolour)
  

"A solidão é a mãe da sabedoria."

Laurence Sterne 
 

Keane - Silenced by the night

terça-feira, 10 de abril de 2012

"Letreiro" - Poema de António Sardinha



Edvard Munch, "O Grito" (The Scream), 1893


Letreiro


Tudo o que sou o sou por obra e graça 
da comoção rural que está comigo. 
Foi a virtude lírica da Raça 
a herança que eu herdei do sangue antigo.

Foi esta voz que em minhas veias passa 
e atrás da qual, maravilhado eu sigo. 
Como um licor de encanto numa taça, 
assim se quer esse condão comigo.

Olhai-me: – Eu vim de honrados lavradores. 
De avós e netos, sempre os meus Maiores 
fitaram o horizonte que hoje eu fito.

«O que estaria além da curva estreita?» 
– E da pergunta, a cada instante feita. 
nasceu em mim a ânsia pro Infinito.


António Sardinha, A Epopeia da Planície 


António Sardinha


António Maria de Sousa Sardinha (Monforte, 9 de Setembro de 1887 — Elvas, 10 de Janeiro de 1925) foi um político e poeta português. 
Destacou-se como ensaísta e argumentador, produzindo uma obra que se afirmou como a principal referência doutrinária do Integralismo Lusitano. A sua defesa de uma monarquia tradicional, orgânica, antiparlamentar serviu de inspiração a uma influente corrente do pensamento político português da primeira metade do século XX. 
António Sardinha foi um adversário da Monarquia da Carta (1834-1910) chegando, no tempo de estudante na Universidade de Coimbra, a defender a implantação de uma República Portuguesa. Depois de 5 de Outubro de 1910, profundamente desiludido, acabou por se converter ao ideário realista da monarquia orgânica. 
A lusitana antiga liberdade do verso de Luís de Camões era uma referência dos integralistas, tendo no municipalismo e no sindicalismo duas palavras-chave de um ideário político que não dispensava o Rei, entendido como o Procurador do Povo e o melhor garante e defensor das liberdades republicanas. 
António Sardinha era anti-iberista. Em vez da fusão dos Estados de Portugal e de Espanha, propôs uma aliança entre todos os povos hispânicos, a lançar por intermédio de uma aliança entre os dois Estados da Península - Espanha e Portugal, ambos reconduzidos à monarquia. A Aliança Peninsular entre as duas Monarquias seria, na sua perspetiva, o ponto de partida para a constituição de uma ampla Comunidade Hispânica (dos povos de língua portuguesa e espanhola), a base mais firme onde assentaria a sobrevivência da civilização ocidental. António Sardinha morreu jovem, com apenas 37 anos. 

Obras poéticas: Tronco Reverdecido (1910), Epopeia da Planície (1915), Quando as Nascentes Despertam (1821), Na Corte da Saudade (1922), Chuva da Tarde (1923), Era uma Vez um Menino (1926), O Roubo da Europa (1931), Pequena Casa Lusitana (1937). Ensaio: O Valor da Raça (1915), Ao Princípio Era o Verbo (1924), Ao Ritmo da Ampulheta (1925), entre outras.
 

Edvard Munch em 1921 


Edvard Munch (Løten, 12 de Dezembro de 1863 — Ekely, 23 de Janeiro de 1944) foi um pintor norueguês, um dos precursores do expressionismo alemão. Edvard Munch frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Oslo vindo a ser influenciado por Courbet e Manet. No lugar das ideias, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson marcou o seu percurso inicial. A arte era considerada como uma arma destinada a lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em O Dia Seguinte e Puberdade de 1886. Com A Menina doente (Das Kränke Mädchen - 1885) inicia uma temática que surgiria como uma linha de força em todo o seu caminho artístico. Fez inúmeras variações sobre este último trabalho, assim como sobre outras obras, e os seus sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância (a mãe morreu quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15 anos, a irmã mais nova sofria de doença mental e uma outra irmã morreu meses depois de casar; o próprio Edvard estava constantemente doente), assumem um significado mais vasto, transformados em imagens que deixavam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida. Edvard Munch em Paris, descobre a obra de Van Gogh e Gauguin, e indubitavelmente o seu estilo sofre grandes mudanças. Em 1892 o convite para expor em Berlim torna-se num momento crucial da sua carreira e da história da arte alemã. Inicia um projeto que intitula O Friso da Vida. Edvard Munch representou a dança em 1950. Aos trinta anos ele pinta O Grito, considerada a sua obra máxima, e uma das mais importantes da história do expressionismo. O quadro retrata a angústia e o desespero e foi inspirado nas deceções do artista tanto no amor quanto com seus amigos. O Grito é uma das peças da série intitulada O Friso da Vida. Os temas da série recorrem durante toda a obra de Munch, em pinturas como A Menina Doente (1885), Amor e Dor (1893-94), Cinzas (1894) e A Ponte. Rostos sem feições e figuras distorcidas fazem parte de seus quadros. Em 1896, em Paris, interessa-se pela gravura, fazendo inovações nesta técnica. Os trabalhos deste período revelam uma segurança notável. Em 1914 inicia a execução do projeto para a decoração da Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples, com motivos da tradição popular. Munch retratava as mulheres ora como sofredoras frágeis e inocentes (Puberdade e Amor e Dor), ora como causa de grande anseio, ciúme e desespero (Separação, Ciúmes e Cinzas). As últimas obras pretendem ser um resumo das preocupações da sua existência: Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato de 1940. Toda a obra está impregnada pelas suas obsessões: a morte, a solidão, a melancolia, o terror das forças da natureza.


Edvard Munch, Death in the Sickroom, 1895


Edvard Munch, Ashes, 1894


Edvard Munch, The Sick Child, 1907


Edvard Munch, The Dance of Life, 1899–1900


Edvard Munch, Weeping Nude, 1913–1914


Edvard Munch, O dia seguinte, 1894–1895


Edvard Munch, Lady from the sea


Edvard Munch, The Storm, 1893


Edvard Munch, Red Virginia Creeper, 1898–1900


Edvard Munch, Red Creeper, 1900


Edvard Munch, Clair de lune, 1893


Edvard Munch, Evening on Karl Johan, 1892


Keane - Somewhere Only We Know