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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"Helen Keller" - Vida e Obra




Helen Keller in profile, 1904.
 

Helen Adams Keller (Tuscumbia, Alabama, EUA, 27 de junho de 1880 — Westport, 1 de junho de 1968), filha do capitão Arthur H. Keller e de Kate Adams Keller, que eram de famílias  respeitadas e tradicionais na região, foi uma escritora, conferencista e ativista social americana.

Helen Keller aos dezoito meses de idade perdeu subitamente a visão e a audição e consequentemente fica muda, devido a uma doença grave diagnosticada na época como "febre cerebral" (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Passou os primeiros anos de sua infância sem orientação adequada que lhe permitisse desenvolver-se aprendendo sobre o mundo ao seu redor. Através do contacto que teve com Martha Washington, a filha de seis anos da cozinheira, ela desenvolveu uma linguagem de sinais própria, com a qual comunicava com a família.

Os pais de Helen após ouvirem falar do sucesso na educação de Laura Bridgman (cega e surda), levaram-na ao Dr. J. Julian Chisolm, especialista em olhos, nariz, ouvidos e garganta que nada podendo fazer, os encaminhou para Alexander Graham Bell que na época trabalhava com crianças surdas. Bell aconselhou que eles entrassem em contacto com o Instituto Perkins para Cegos, que era a mesma escola onde Bridgman tinha sido educada. Michael Anaganos, diretor do instituto, pediu a uma antiga estudante, Anne Sullivan que contava então 20 anos e era deficiente visual (ainda conseguia ver, embora pouco) para que fosse tutora de Helen Keller. Assim alguns meses antes de Helen completar 7 anos de idade, em Março de 1887, Anne Sullivan, foi morar na sua casa a fim de a ensinar. Era o começo de uma relação que durou 49 anos.
 

Portrait of Anne Sullivan, 1887

Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller)



Helen Keller with Anne Sullivan vacationing at Cape Cod, in July, 1888


“O dia mais importante de toda minha vida foi o da chegada de minha professora Sullivan. Fico profundamente emocionada, quando penso no contraste imensurável das duas vidas que se juntaram. Ela chegou no dia 3 de março do 1887, três meses antes de eu completar 7 anos”

Até a chegada da professora, Helen Keller ainda não falava e não compreendia o significado das coisas. A primeira palavra sinalizada e soletrada em sua mão foi doll (boneca) para mostrar a boneca que ela havia levado de presente para Helen. O grande avanço na comunicação de Helen Keller foi em Abril daquele mesmo ano, quando ela notou que aqueles movimentos feitos por sua professora na palma de sua mão enquanto deixava escorrer água fria na outra mão, simbolizavam a ideia de água.

Numa sucessão rápida ela aprendeu os alfabetos braille e manual, facilitando assim, a sua aprendizagem da escrita e leitura. 

“Belos dias como estes, fazem o coração bater ao compasso de uma música que nenhum silêncio poderá destruir. É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a glória de viver”.

Em Maio de 1888, foi estudar no Instituto Perkins. Em 1890 após saber sobre Ragnhild Kaata uma surda-cega que aprendera a falar, Keller também quis aprender. Na primavera desse ano teve aulas com Mrs Fuller que através das vibrações da garganta e movimentos da boca e língua, ensinou Helen a falar. No final de décima primeira lição, ela fez uma surpresa para Annie, puxou-a pelo braço, e disse claramente: “EU NÃO SOU MAIS MUDA”. Helen Keller aprendeu assim a falar aos dez anos.



Helen Keller and Anne Sullivan playing chess, 1900 

Em 1896 voltam para Massachusetts e Keller em 1899 ingressou na escola de Cambridge Para Jovens Senhoritas e permaneceu lá até ser admitida para a Universidade de Radcliffe em 1900.
O seu admirador, Mark Twain (Mark Twain, foi um escritor e humorista norte-americano. É mais conhecido pelos romances The Adventures of Tom Sawyer (1876) e sua sequência Adventures of Huckleberry Finn (1885), este último frequentemente chamado de "O Maior Romance Americano".) apresentou-a a Henry Huttleston Rogers, um magnata do óleo, que juntamente com a sua esposa, pagou a educação de Helen. 



Helen Keller, Anne Sullivan, Mark Twain, 
and Laurence Hutton, c. 1902

Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, tornando-se aos 24 anos a primeira mulher surda-cega a ter um diploma de bacharel em artes.
Durante o seu período de estudante, a professora Anne Sullivan foi a sua orientadora constante, transmitindo todas as aulas para Helen, através do alfabeto manual, encorajando-a e estimulando-a. Todos os livros de consulta que não existiam em braille eram laboriosamente soletrados pelas mãos de Helen. Além das aulas da Universidade, Anne soletrava aulas de francês, latim e alemão.

A sua professora Anne continuou como sua companheira, tendo-se casado em 1905 com John Macy, eminente critico literário. O casamento não interrompeu o relacionamento de aluna e professora. Helen Keller foi morar com o casal que continuou auxiliando-a em seus estudos e outras atividades. 



Helen, Anne, and Anne's husband, John Macy 
at their home in Wrentham

Antes de se formar, Helen Keller fez sua estreia na literatura escrevendo a sua autobiografia: “A História de Minha Vida”, publicada em 1902, e em seguida no Jornalismo com uma série de artigos no “Ladies Home Journal”. A partir dessa data nunca mais parou de escrever. Nos seus trabalhos literários, Helen usava a máquina de dactilografia braille preparando os manuscritos. Depois copiava-os numa máquina de dactilografia comum. Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência.



Helen Keller, 1912


“Alone we can do so little, together we can do so much.” 


(Helen Keller)
 


Charlie Chaplin with Helen Keller (beside him), Anne Sullivan next to her,
and Polly Thomson on the far left.

Polly Thompson foi contratada para cuidar da casa. Era uma jovem mulher Escocesa que não tinha experiência com cegos ou surdos. Ela fez grande progresso, passando mais tarde ao cargo de secretária e consequentemente tornou-se companheira constante de Helen.
Depois do falecimento de Anne em 1936, Helen e Polly Thompson mudaram-se para Connecticut.



Helen Keller sitting holding a magnolia flower, 1920.


"If I, deaf, blind, find life rich and interesting, how much more can you gain by the use of your five senses!" 

Helen Keller, 1928



Helen Keller, President Herbert Hoover, and international
delegates outside the White House, 1932

Em 1946, quando a Imprensa Braille Americana se transformou na American Foundation for Overseas Blind (hoje Helen Keller International Incorporated), Helen Keller foi eleita conselheira em relações internacionais. Foi então que ela começou as suas viagens pelo mundo, em beneficio dos cegos, facto esse que a tornou bem conhecida nos seus últimos anos de vida. Entre 1946 e 1957, visitou 35 países em cinco continentes.

Em 1955, quando tinha 75 anos, Helen Keller realizou mais uma das suas longas e árduas viagens, durante cinco meses, através da Ásia. Por onde viajou, sempre levou uma nova coragem para milhares de pessoas cegas e muitos dos esforços para melhorar as condições entre os cegos no mundo podem ser atribuídos directamente às suas visitas.

Polly Thompson teve um enfarte em 1957, e nunca conseguiu recuperar completamente vindo a falecer em 1960. Winnie Corbally, que foi a enfermeira contratada para cuidar de Polly, acabou ficando depois da sua morte e tornou-se companheira de Helen até ao fim da sua vida. 

Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul.
Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Em reconhecimento ao estimulo que seu exemplo e presença deram aos trabalhos para cegos nos países que visitou. Os governos do Brasil, Japão, Filipinas e Líbano conferiram-lhe, respetivamente, as seguintes condecorações: Ordem do Cruzeiro do Sul, do Tesouro Sagrado, do Coração de Ouro e Medalha de Ouro de Mérito. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.
Uma grande honra foi também concedida a Helen Keller, em 1954, quando o seu local de nascimento, Ivy Green, na Tuscumbia, foi transformado em museu permanente. A cerimónia realizou-se a 7 de Maio de 1954, com a presença de diretores da "American Foundation for the Blind" e de outras autoridades.

Mais compensadoras do que as inúmeras honrarias que recebeu foram as relações de amizades que Helen Keller fez com a maioria das personalidades proeminentes de seu tempo. Eram algumas figuras famosas, de Grover Cleveland a Charlie Chaplin, de Nerhu a John F. Kennedy e outros como Katherine Corvell, Van Wyck Brooks, Alexander Graham Bell e Jo Davidson, os quais ela considerava como amigos.



Helen Keller with John F. Kennedy, 1961

Em 1961 Helen Keller teve vários ataques cardíacos. Após essa altura, Helen viveu tranquilamente em “Arcan Ridge”, onde recebia a família, amigos íntimos e membros da American Foundation for the Blind e da American Foundation for Overseas Blind (hoje Helen Keller International Incorporated). Passava a maior parte do seu tempo a ler. Os seus livros favoritos eram a Bíblia e volumes de poesia e filosofia.

Em 14 de Setembro de 1964, o presidente Lyndon B. Johson agraciou-a com a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das duas maiores honras para um cidadão dos Estados Unidos. Em 1965, foi uma das vinte eleitas para o Hall da Fama Feminina, na Feira Mundial de Nova Yorque. Helen Keller e Eleanor Roosevelt receberam a maioria dos votos entre as cem mulheres indicadas. 

Helen morreu enquanto dormia em 1 de Junho de 1968 na sua casa. As suas cinzas foram colocadas na Capela de São José na Catedral Nacional de Washington D.C ao lado das suas constantes companheiras Anne Sullivan e Polly Thompson.
No seu último adeus, o Senador Lister Hill, do Alabama, expressou o seu sentimento e de todo o mundo quando disse a respeito de Helen Keller: 

“Ela viverá; ela foi um dos poucos nomes, imortais, que não nasceu para morrer. Seu espírito perdurará enquanto o homem puder ler e histórias puderem ser contadas sobre a mulher que mostrou ao mundo que não existem limitações para a coragem e a fé”. 
 
 
Publicações
  • Optimismo - um ensaio 
  • A Canção do Muro de Pedra 
  • O Mundo em que Vivo 
  • Lutando Contra as Trevas 
  • A Minha Vida de Mulher 
  • Paz no Crepúsculo 
  • Dedicação de Uma Vida 
  • A Porta Aberta 
  • A história de minha vida

Helen Keller & Anne Sullivan

Anne Sullivan explains how Helen learned to speak


"O otimismo é a fé que leva à realização. Nada pode ser feito sem esperança ou confiança." 

Helen Keller
 
 
Helen Keller speaks out 



"A ciência poderá ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas não achou ainda remédio 
para o pior de todos: a apatia dos seres humanos."

Helen Keller
 

Burn it Blue - Caetano Veloso and Lila Downs

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Que é voar? - Poema de Ana Hatherly



Frida Kahlo (Mexican painter, 1907–1954), 'Self-portrait 
with Thorn Necklace and Hummingbird', 1940,
 Nikolas Muray Collection. 


Que é voar?


Que é voar?
É só subir no ar,
levantar da terra o corpo, os pés?
Isso é que é voar?
Não.

Voar é libertar-me,
é parar no espaço inconsistente
é ser livre, leve, independente
é ter a alma separada de toda a existência
é não viver senão em não-vivência.
E isso é voar?
Não.

Voar é humano
é transitório, momentâneo...
Aquele que voa tem de poisar em algum lugar:
isso é partir
e não voltar.


Ana Hatherly



Frida Kahlo


"Eu pinto autorretratos porque estou muitas vezes sozinha, 
porque eu sou a pessoa que eu conheço melhor."
 
Frida Kahlo 


Frida Kahlo, 'What the water gave me', 1938
 

"É preciso ter força para rir, relaxar e ser leve. A tragédia é ridícula."
 
Frida Kahlo


Frida Kahlo, 'Autorretrato com cabelo solto', 1947


Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, conhecida por  Frida Kahlo, nascida em Coyoacán  no dia 6 de julho de 1907, na casa de seus pais, conhecida como La Casa Azul  (A Casa Azul),  e falecida em Coyoacán  a 13 de julho de 1954,  foi uma pintora mexicana.
 

Frida Kahlo com a família, em 1926.
 

Seu pai, Guillermo Kahlo (1871-1941), nasceu Carl Wilhelm Kahlo, em Pforzheim Alemanha, filho de Henriette Kaufmann e Jakob Heinrich Kahlo. A própria Frida afirmava que seu pai era de ascendência judaico-húngara, mas pesquisadores demonstraram que os pais dela não eram judeus, mas luteranos alemães. Guillermo Kahlo chegou ao México em 1891, aos 19 anos de idade, e logo mudou seu nome alemão, Wilhelm, para o equivalente em espanhol, "Guillermo". 
 
A mãe de Frida, Matilde Gonzalez y Calderón, era uma católica devota de origem indígena e espanhola. Os pais de Frida casaram-se logo após a morte da primeira esposa de Guillermo, durante o nascimento do seu segundo filho. Embora o casamento tenha sido muito infeliz, Guillermo e Matilde tiveram quatro filhas, sendo Frida a terceira. 
 

Frida Kahlo, 'Meu Nascimento'
 

Frida tinha duas meio-irmãs mais velhas. Ela ressaltava que cresceu num mundo cheio de mulheres. Durante a maior parte de sua vida, no entanto, Frida manteve-se próxima do pai.


Frida Kahlo is shown at far right, with sister Cristina 
and best friend Isabel Campos. The photo was taken 
by Frida's father, Guillermo Kahlo, in 1919,
when Frida was about 12.


Sua história de vida é dramática. Em 1913, com seis anos, Frida contraiu poliomielite e ficou acamada por nove meses. Foi a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofreu ao longo da vida.
A poliomielite deixou uma lesão na sua perna direita, de onde saiu atrofiada e manca, pelo que ganhou o apelido de Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). Passou a usar calças, depois longas e exóticas saias, que se tornaram uma de suas marcas pessoais. 


Retrato de Frida
 
Ao contrário de muitos artistas, Frida não começou a pintar cedo. Embora o seu pai tivesse a pintura como um passatempo, Frida não estava particularmente interessada na arte como uma carreira. 
Entre 1922 e 1925 frequenta a Escola Nacional Preparatória do Distrito Federal do México e assiste a aulas de desenho e modelagem.


Frida Kahlo pintando o retrato de seu pai, 1951.


"Meu pai foi para mim um grande exemplo de ternura, de trabalho... 
e acima de tudo de compreensão de todos os meus problemas.''

Frida Kahlo
 

Em 1925, aos 18 anos, aprende a técnica da gravura com Fernando Fernandez. Nessa altura sofreu um grave acidente de viação. O pára-choque de um dos veículos envolvidos perfurou-lhe as costas, atravessou sua pélvis e saiu pela vagina, causando uma grave hemorragia.


Frida Kahlo, 'A Coluna Partida', 1944
 
 
Frida ficou muitos meses entre a vida e a morte tendo sido operada diversas vezes e obrigada a usar coletes ortopédicos de diversos materiais.
Durante a sua longa convalescença, começou a pintar, usando a caixa de tintas de seu pai e um cavalete adaptado à cama. Pintou algumas telas com coletes de gesso como por exemplo a tela intitulada "A Coluna Partida".

''Não estou doente. Estou partida. Mas me sinto feliz por continuar viva enquanto puder pintar.'' 
 
Frida Kahlo 


Frida Kahlo aos 19 anos


Em 1928, entrou no Partido comunista mexicano e conheceu o muralista Diego Rivera, com quem se casa no ano seguinte.

Frida Kahlo, 'O Sonho'
 

Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de cores amplas e simples, num estilo propositadamente reconhecido como ingénuo. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional mexicana, por isso adotava com muita frequência temas do folclore e da arte popular do México.


Frida Kahlo sentada na frente de seu trabalho, 1935
 
 
Entre 1930 e 1933, Frida passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit, com Diego Rivera. 
Entre 1937 e 1939, recebeu Leon Trotski em sua casa de Coyoacán.
 

Frida Kahlo, 'Grandparents, My Parents, and I'
 ('Family Tree'), 1936


'Self-portrait' dedicated to Leon Trotsky, 1937


Em 1938 André Breton qualifica sua obra de surrealista num ensaio que escreveu para a exposição de Kahlo na galeria Julien Levy de Nova Iorque. Não obstante, ela mesma declarou mais tarde: "Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade."
 

'As duas Fridas', 1939


''Origem das duas Fridas. Recordação. Devia ter 6 anos quando vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina de minha idade. (...) Não me lembro de sua imagem, nem de sua cor. Porém sei que era alegre e ria muito. Sem sons. Era ágil e dançava como se não tivesse nenhum peso. Eu a seguia em todos os seus movimentos e contava para ela, enquanto ela dançava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Porém ela sabia, por minha voz, de todas as minhas coisas...'' - Diário de Kahlo, sobre a tela As Duas Fridas
 

Em 1939 expõe em Paris na galeria Renón et Colle. A partir de 1943 dá aulas na escola La Esmeralda, no D.F. (México). 
Em 1953 a Galeria de Arte Contemporânea desta mesma cidade organiza uma importante exposição em sua honra. Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o Autorretrato num vestido de veludo (1926), Retrato de Miguel N. Lira (1927), Retrato de Alicia Galant (1927) e Retrato de minha irmã Cristina (1928).
 

"O casamento de Frida Kahlo" 

Frida Kahlo, 'Retrato  do casal', 1931 
 (Diego Rivera e Frida) 


Frida Kahlo tinha 22 anos em 1929 quando se casou com Diego Rivera, um casamento tumultuado, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Diego aceitava abertamente os relacionamentos de Frida que era bissexual, com mulheres, mesmo sendo casados, mas não aceitava os casos da esposa com homens. 

 


Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina, há muitos anos e num ato de revolta e fúria, ao flagrá-los na cama, corta os seus longos cabelos em frente ao espelho.
 
 
Frida Kahlo pintou o retrato de sua irmã
 Cristina em 1928.

Sua irmã  Cristina teve 6 filhos com Diego e Frida nunca a perdoou. Separa-se do marido e vive novos amores com homens e mulheres. Frida Kahlo, que era bissexual, teve um caso com Leon Trotski.


Frida Kahlo greets Leon Trotsky and his wife Ruth 
and provides safe harbor for the exiled communist leader 
at her blue house in Mexico.
 

Mas a paixão entre Frida e Diego continuava tão forte, que em 1940, unem-se novamente. Contudo, optaram por viver em casas separadas. Frida construiu uma casa igual à dele do lado da que ambos tinham vivido, ligada por uma ponte. Assim, Diego e Frida viviam como marido e mulher, sem morarem juntos de novo, encontrando-se ora na casa dela ora na dele.


Frida Kahlo, 'Autorretrato' de 1943,
'Diego no meu pensamento'


''Diego está na minha urina, na minha boca, no meu coração, na minha loucura, no meu sono,
 nas paisagens, na comida, no metal, na doença, na imaginação.'' 
 
Frida Kahlo




 
"E o que mais dói, é viver num corpo que é um sepulcro que nos aprisiona,
(segundo Platão) do mesmo modo como a concha aprisiona a ostra.''

Frida Kahlo


Hospital Henry Ford, 1932, 'Aborto'


Embora tenha engravidado mais que uma vez, Frida nunca teve filhos, pois o acidente deixou-lhe graves sequelas no útero, impossibilitando-a de levar uma gestação até o final.




''Pintar completou minha vida. Perdi três filhos e uma série de outras coisas, que teriam preenchido minha vida pavorosa. Minha pintura tomou o lugar de tudo isso. Creio que trabalhar é o melhor.''
 
Frida Kahlo


Frida Kahlo et ses chiens, Cidade do México, 1948
 

Este segundo casamento foi tão tempestuoso quanto o primeiro, marcado por brigas violentas. Devido à sua vida extremamente dolorosa e infeliz, Frida tentou diversas vezes o suicídio.


"E a sensação nunca mais me deixou, de que meu corpo carrega em si todas as chagas do mundo.'' 

Frida Kahlo


Frida Kahlo, 'Sem Esperança', 1945
 

''Amputaram-me a perna há 6 meses, deram-me séculos de tortura e há momentos em que quase perco a razão. Continuo a querer me matar. O Diego é que me impede de o fazer, pois a minha vaidade faz-me pensar que sentiria a minha falta. Ele disse-me isso e eu acreditei. Mas nunca sofri tanto em toda a minha vida. Vou esperar mais um pouco...'' - Frida Kahlo


Frida Kahlo, Em casa pintando, 1952


''Estive doente durante um ano: 1950-1951. Sete operações na coluna. O Dr. Farill salvou-me. Restituiu-me a alegria de viver. Ainda estou numa cadeira de rodas e não sei quando poderei voltar a andar de novo. Tenho um colete de gesso que, em vez de ser horrivelmente 'maçador', me ajuda a suportar melhor a coluna. Não sinto dores, só um grande cansaço... e, como é natural, por vezes desespero. Um desespero indescritível. No entanto quero viver. Já comecei o pequeno quadro que vou dar ao Dr. Farill e que estou fazendo com todo meu carinho por ele.'' - Frida Kahlo


Apesar do sofrimento, Frida nunca deixou de pintar, recebendo reconhecimento por sua obra.
Em 27 de julho de 1953, Frida tem a perna direita amputada até a altura do joelho. Em seu diário, encontra-se o desenho da perna amputada como uma coluna rodeada de espinhos, com a legenda: ''Piés para qué los quiero si tengo alas pa' volar''.


Morreu em 1954, não se sabe ao certo se por pneumonia,
 envenenamento ou suicídio.


Em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo, que havia contraído uma forte pneumonia, foi encontrada morta. Seu atestado de óbito regista embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta a hipótese que ela tenha morrido de overdose, devido ao grande número de remédios que tomava, que pode ter sido acidental ou não. 
 
A última anotação em seu diário, que diz ''Espero a partida com alegria... e espero nunca mais voltar... Frida'', permite a hipótese de suicídio.
 
Pesquisadores com base na autópsia de Frida acreditam que ela pode ter sido envenenada por uma das amantes de seu marido, que  lhe tinham raiva  por ela ser a esposa.
 
Diego Rivera descreveu em sua autobiografia que o dia da morte de Frida foi o mais trágico de sua vida.


Diário de Frida Kahlo


"In Diário de Frida Kahlo"


Diego, princípio.
Diego, construtor.
Diego, meu bebé.
Diego, meu noivo.
Diego, pintor.
Diego, meu amante.
Diego, meu marido.
Diego, meu amigo.
Diego, meu pai.
Diego, minha mãe.
Diego, meu filho.
Diego, eu.
Diego, universo.
Diversidade na unidade.
Por que é que lhe chamo Meu Diego?
Ele nunca foi e nem será meu.
Ele pertence a si próprio.
 

Frida Kahlo



 
"Sozinha com a minha grande felicidade e a lembrança viva da menina. Passaram-se 34 anos desde que vivi esta amizade mágica e cada vez que a recordo, mais ela se aviva e mais cresce dentro do meu mundo." - Frida Kahlo, PINZÓN 1950




''Algum tempo atrás, talvez uns dias, eu era uma moça caminhando por um mundo de cores, com formas claras e tangíveis. Tudo era misterioso e havia algo oculto; adivinhar-lhe a natureza era um jogo para mim. Se você soubesse como é terrível obter o conhecimento de repente - como um relâmpago iluminado a Terra! Agora, vivo num planeta dolorido, transparente como gelo. É como se houvesse aprendido tudo de uma vez, numa questão de segundos. Minhas amigas e colegas tornaram-se mulheres lentamente. Eu envelheci em instantes e agora tudo está embotado e plano. Sei que não há nada escondido; se houvesse, eu veria.'' - Frida Kahlo, 1926


 
 
 
"Pés para que os quero se tenho asas para voar." 
 
Frida Kahlo, 1953


 
 
 
"Apoio número 1. Apoio número 2" 
"A pomba se enganou. Se enganou.." 
 
Frida Kahlo





"Eu sou a DESINTEGRAÇÃO" 

Frida Kahlo





"Já vai?
NÃO. ASAS ROTAS" 
 
Frida Kahlo 
 

"A Casa Azul" - Museu Frida Kahlo 
 
“Casa Azul”, Museu Frida Kahlo
 

"La Casa Azul" era a casa dos pais de Frida Kahlo, no bairro de Cocoyacán, Cidade do México. Mais tarde, virou a residência de Frida Kahlo e de seu marido, o muralista e pintor Diego Rivera. Eles viveram lá de 1929 a 1954.


“Casa Azul”, Museu Frida Kahlo
 

Quatro anos após a morte de Frida, sua casa familiar conhecida como “Casa Azul” transforma-se no Museu Frida Kahlo,  e é um dos pontos mais visitados do México.


“Casa Azul”, Museu Frida Kahlo


A Casa Azul foi mantida exatamente como foi deixada pelo casal. Organizada e bem cuidada, o seu acesso revela-nos a vida de Frida e Diego. Está tudo intacto, as tintas, as cartas de amor, os livros, os quartos, o escritório onde pintavam, a cadeira de rodas de Frida, etc.
 
No quarto de Frida, depois do acidente que a deixou imóvel durante anos, pode-se ver o espelho que foi colocado em cima da cama da pintora para que ela pudesse pintar deitada. Frida nunca parou de pintar.

Tudo pela casa tem uma pintura, um desenho, uma foto, um poema, uma cor. Sente-se o ar artístico em cada cantinho, literalmente.

O azul  na fachada da casa e em todas as paredes, é chamado de “Azul Frida Kahlo”, pois essa cor exata é de propriedade da artista.



 
No Museu Frida Kahlo, pode-se ver o documentário contando toda a história da vida do casal, principalmente a de Frida, com entrevistas exclusivas com a filha de Diego e a sobrinha de Frida, que viveram pelos corredores da casa durante muitos anos, além de depoimentos de curadores e amigos do casal.
Todas as polémicas estão retratadas no video: os amantes de ambos, as idas e vindas, a bissexualidade de Frida, o envolvimento com a política...


Lila Downs canta Paloma negra


Ana Lila Downs Sánchez, mais conhecida como Lila Downs (19 de setembro de 1968, Tlaxiaco, Oaxaca, México) é uma cantora, intérprete, compositora, produtora musical e atriz mexicana do género world music, que canta em diversos idiomas, principalmente em espanhol e muito poucas vezes em inglês. 
Em seu estilo musical reivindica suas raízes mexicanas bem como outras com origem no folclore de várias culturas mesoamericanas, interpretando melodias em diversas línguas entre as que se destacam sobretudo a mixteco, zapoteca, maia, purépecha e nahua, além das músicas regionais do México baseando-se nos sons do estado de Oaxaca.
Lila Downs ganhou fama depois do lançamento de seu primeiro álbum de estúdio, La sandunga, em 1999, que obteve uma receção crítica positiva, mas sua estreia comercial no mercado discográfico hispano-americano aconteceu em 2000 com o álbum Árbol de la vida/Tree of life e o sucesso internacional veio de forma definitiva em 2001 com o disco La línea/Border. 
É ganhadora de um prémio Grammy e de dois prémios Grammy Latino. 
Inspirada por cantores de trova como Mercedes Sosa e Chabuca Granada, assim como artistas de música folclórica como Totó la Momposina e Susana Baca, Lila é conhecida por seu sentido estético em relação à música, seu peculiar estilo moderno e alternativo, as apresentações ao vivo e os vídeos musicais nos que sempre se ressalta sua presença marcante. 
Sua contribuição para a indústria musical já lhe rendeu numeroso reconhecimentos Atualmente Lila Downs é considerada uma das artistas mais importante do seu género por seu impacto global claramente consolidado.