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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

"O perfume" - Poema de António Correia de Oliveira


Anna Palm de Rosa (Swedish, 1859–1924), A game of L'hombre in Brøndum's Hotel



O Perfume


O que sou eu? – O Perfume, 
Dizem os homens. – Serei. 
Mas o que sou nem eu sei... 
Sou uma sombra de lume!

Rasgo a aragem como um gume 
De espada: Subi. Voei.
Onde passava, deixei
A essência que me resume.

Liberdade, eu me cativo: 
Numa renda, um nada, eu vivo 
Vida de Sonho e Verdade!

Passam os dias, e em vão! 
– Eu sou a Recordação; 
Sou mais, ainda: a Saudade.


In Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade
Org. de José Fanha e José Jorge Letria
Lisboa, Terramar, 2002


Anna Palm de Rosa, "Kastellholmen, Stockholm" (The Citadel islet, Stockholm)


"As criaturas que habitam esta terra em que vivemos, sejam elas seres humanos ou animais, estão aqui para contribuir, cada uma com sua maneira peculiar, para a beleza e a prosperidade do mundo." - Dalai Lama


quarta-feira, 13 de março de 2013

"Timidez" - Poema de Cecília Meireles


Pintura realista de Elena Tener (Елена Тенер), Artista Russa
 


Timidez


Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve. . .

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes..

— palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

— que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

— e um dia me acabarei.


Cecília Meireles, in 'Viagem'
 

 
Elena Tener (Елена Тенер)


"A minha religião é muito simples. A minha religião é a gentileza."

(Dalai Lama)


Elena Tener (Елена Тенер)
 

"Se puderes, ajuda os outros; se não o puderes fazer, ao menos não lhes faças mal."

(Dalai Lama)


 
Elena Tener (Елена Тенер)


"A felicidade não é algo que apareça pronto a consumir. Esta vem a partir das nossas próprias acções."

(Dalai Lama)



Elena Tener (Елена Тенер)


"Nunca poderemos obter paz no mundo exterior até que consigamos estar em paz com nós próprios."

(Dalai Lama)


Elena Tener (Елена Тенер)


"Se você quer transformar o mundo, experimente primeiro promover o seu aperfeiçoamento pessoal e realizar inovações no seu próprio interior. Estas atitudes se reflectirão em mudanças positivas no seu ambiente familiar. Deste ponto em diante, as mudanças se expandirão em proporções cada vez maiores." - Dalai Lama


Elena Tener (Елена Тенер)

domingo, 29 de janeiro de 2012

"Navio de sal" - Poema de Vitorino Nemésio


Joseph Wopfner (Áustria, 1843-1927), Bodenseefischer, 1927



Navio de sal


Quando eu era pequeno, vinha o navio de sal,
Era um acontecimento!
E meu tio António Machado ia sempre ao areal
Com o seu óculo de alcance desencanudado a barlavento.
Era um iate cheio de cordas e de velas,
Chamado Santo Amaro, o Veloz ou o Diligente,
E, como trazia o sal, que é o sabor das panelas,
Era esperado tal qual como se fosse um ausente.
Na barra do horizonte era um ponto sozinho,
Mas crescia no vento a sua vela crua,
E o sol, ao morrer, tingia-lhe de vinho
A proa que vestia a pau a vaga nua.
Ali vinha, do Alto, sem sextante nem erro,
Enchendo devagar as previstas derrotas,
E plantava no fundo a sua raiz de ferro
Fazendo abrir no céu como flores as gaivotas.
As raparigas sãs da ribeira do mar,
Que traziam na pele um aroma silvestre,
Punham os olhos muito compridos, a cismar,
Nas cordas que secavam as roupas íntimas do Mestre.
Os pescadores mediam com a linha das pestanas
O tamanho do Audaz, a sua popa alceira:
Nunca tinha arribado àquelas praias insulanas
Tanto pano de verga, tanto oleado, tanta madeira!
Por isso a Vila, abrindo nas rochas duras
A branca humanidade das suas nocturnas casas,
Se encostava ao bater daquelas velas escuras
Como o corpo de um pássaro se deixa levar pelas asas.
(...) 
Ah, se ele fosse salgar os caldos já tragados,
Tornar incorruptível a mocidade já verde,
Interessar o óculo do velho tio e os vidros suados
Da janela que ao longe este horizonte perde!
Se fosse encher de branco as paragens insossas,
Manter o gosto a vida aos dias moribundos,
Conservar as faces às moças
E o movimento aos mares profundos,
Então sim! levaria a porto e salvamento
A sua carga.
Na dúvida, Capitão, espera o vento,
Iça as velas e larga!


Vitorino Nemésio, in "O Bicho Harmonioso" (1938)


Vitorino Nemésio


Vitorino Nemésio nasceu em Praia da Vitória, Ilha Terceira, Açores, a 19 de Dezembro de 1901. A infância e a adolescência foram vividas na cidade de Angra do Heroísmo. 
Após os estudos liceais, matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra, mas acabou por se licenciar em Filologia Românica. 
A partir de 1940 foi professor catedrático da Faculdade de Letras de Lisboa. Colaborou com a revista «Presença» e, após ter leccionado nas Universidades de Montpellier e de Bruxelas, fundou, em 1937, a importante «Revista de Portugal». 
Escreveu inúmeras crónicas para os jornais e participou em programas emitidos pela rádio e pela televisão. Destacam-se as conversas que manteve com os telespectadores, nos anos setenta, intituladas «Se bem me lembro». Paralelamente a esta actividade, foi erguendo uma vasta obra que, no domínio da poesia, é considerada uma das mais importantes da literatura portuguesa. 
Na ficção, o romance «Mau Tempo No Canal» é a sua obra-prima e «encarna a alma popular das Ilhas» (Óscar Lopes).
Morreu em Lisboa, em 1978.


Joseph Wopfner, Chiemseefischer im dunstigen Licht am frühen Morgen


"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro chama-se amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver". 

(Dalai Lama)


U2 - Love Is Blindness

domingo, 22 de janeiro de 2012

"A Bela Infanta" - Poema de Almeida Garrett



Franz Xaver Winterhalter, ca.1865, Madame Barbe de Rimsky-Korsakov, 1864
óleo sobre tela, 117 × 90 cm, Musée d'Orsay, Paris .



A Bela Infanta


Estava a bela Infanta
No seu jardim assentada
Com o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava.

Deitou os olhos ao mar
Viu uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.

- «Dize-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava.
»

- «Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Diz-me tu, ó senhora,
As senhas que ele levava


- «Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava.
»

- «Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morrer morte de valente:
Eu sua morte vingava.
»

- «Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!...
»

- «Que darias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?
»

- «Dera-lhe oiro e prata fina,
Quanta riqueza há por aí.
»

- «Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mim:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?
»

- «De três moinhos que tenho,
Todos três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela,
Outro mói do gerzeli:
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei para si


- «Os teus moinhos não quero,
Não nos quero para mim:
Que darias mais, senhora,
A quem to trouxera aqui?
»

- «As telhas do meu telhado
Que são de oiro e marfim.
»

- «As telhas do teu telhado
Não nas quero para mim:
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?
»

- «De três filhas que tenho,
Todas três te dera a ti:
Uma para te calçar,
Outra para te vestir,
A mais formosa de todas
Para contigo dormir


- «As tuas filhas, infanta,
Não são damas para mim:
Dá-me outra coisa, senhora,
Se queres que o traga aqui


- «Não tenho mais que te dar,
Nem tu mais que me pedir.
»

- «Tudo, não, senhora minha,
Que inda não te deste a ti


- «Cavaleiro que tal pede,
Que tão vilão é de si,
Por meus vilões arrastado
O farei andar aí
Ao rabo do meu cavalo,
À volta do meu jardim.
Vassalos, os meus vassalos,
Acudi-me agora aqui!
»

- «Este anel de sete pedras
Que eu contigo reparti...
Que é dela a outra metade?
Pois a minha, vê-la aí!
»

- «Tantos anos que chorei,
Tantos sustos que tremi!...
Deus te perdoe, marido,
Que me ias matando aqui



Almeida Garrett, Romanceiro
  

Litografia de Almeida Garrett por Pedro Augusto Guglielm

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
Passou a sua infância na Quinta do Sardão, em Oliveira do Douro (Vila Nova de Gaia), pertencente ao seu avô materno José Bento Leitão. Mais tarde viria a escrever a este propósito: "Nasci no Porto, mas criei-me em Gaia". No período de sua adolescência foi viver para os Açores, na Ilha Terceira, quando as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal e onde era instruído pelo tio, D. Alexandre, bispo de Angra.
De seguida, em 1816 foi para Coimbra, onde acabou por se matricular no curso de Direito. Em 1821 publicou O Retrato de Vénus, trabalho que fez com que lhe pusessem um processo por ser considerado materialista, ateu e imoral. É também neste ano que ele e sua família passam a usar o apelido de Almeida Garrett...



Franz Xaver Winterhalter, A imperatriz Eugênia rodeada de suas damas de honra, 1855,
Château de Compiègne


"Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres são tão contraditórios que é impossível atender às suas demandas, satisfazê-los. Tenha em mente simplesmente ser autêntico e verdadeiro..." - Dalai Lama
 
 
Franz Xaver Winterhalter, ca.1865


Franz Xaver Winterhalter, (20 de abril de 1805 - 08 de julho de 1873) foi um pintor e litógrafo alemão, conhecido por seus retratos da realeza em meados do século XIX. 
Entre as suas obras mais conhecidas são  A Imperatriz Eugénia rodeada de suas damas de honra, 1855, (The Empress Eugénie Surrounded by her Ladies in Waiting,  1855) e os retratos que fez da Imperatriz Elisabeth da Áustria (1865).
Apesar de se encaixar na grande corrente neoclássica-romântica de meados do século XIX, sua obra não tem muitos paralelos entre os outros pintores do período, e, por vezes, ele é chamado de um neo-rococó.
Após sua morte, sua pintura caiu em desuso sendo considerado romântico, brilhante e superficial.  Pouco se sabia sobre ele pessoalmente e sua arte não era levada a sério. 
No entanto, recentemente, recebeu uma apreciação bastante favorável que o trouxe para a ribalta novamente, especialmente depois da realização de uma grande exposição de seu trabalho  na National Portrait Gallery de Londres e no Petit Palais de Paris, em 1987. Hoje suas pinturas figuram nos maiores museus da Europa e dos Estados Unidos.