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segunda-feira, 5 de maio de 2025

"A Língua Portuguesa" - Poema de Olavo Bilac


 
António Ramalho ou Ramalho Júnior (Pintor português, 1859 - 1916), 
 Camões lendo os "Lusíadas" a D. Sebastião, em litografia de 1893.


A Língua Portuguesa

 
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…

Amo-te assim, desconhecida e obscura
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: «Meu filho!»
E em que Camões chorou, no exílio amargo
O génio sem ventura e o amor sem brilho!


Olavo Bilac
, in "Poesias"


Comissão UNESCO endossa 5 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa (daqui)

 

Dia Mundial da Língua Portuguesa

A data de 5 de Maio foi oficialmente estabelecida em 2009 pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - uma organização intergovernamental, parceira oficial da UNESCO desde 2000, que reúne os povos que têm a língua portuguesa como um dos fundamentos da sua identidade específica - para celebrar a língua portuguesa e as culturas lusófonas. Em 2019, a 40ª sessão da Conferência Geral da UNESCO decidiu proclamar o dia 5 de Maio de cada ano como "Dia Mundial da Língua Portuguesa".

A língua portuguesa é não só uma das línguas mais difundidas no mundo, com mais de 265 milhões de falantes espalhados por todos os continentes, como é também a língua mais falada no hemisfério sul. O português continua a ser, hoje, uma das principais línguas de comunicação internacional, e uma língua com uma forte extensão geográfica, destinada a aumentar.

Os Dias consagrados às línguas faladas em todo o mundo celebram anualmente o multilinguismo e a diversidade cultural, e constituem uma oportunidade para sensibilizar a comunidade internacional para a história, a cultura e a utilização de cada uma destas línguas. O multilinguismo, um valor central das Nações Unidas e uma área de importância estratégica para a UNESCO, é um fator essencial para uma comunicação harmoniosa entre os povos, promovendo a unidade na diversidade, a compreensão internacional, a tolerância e o diálogo. (daqui)

 

sábado, 21 de outubro de 2023

"Uma Cidade" - Poema de Albano Martins




 
Uma Cidade 
 
 
Uma cidade pode ser
apenas um rio, uma torre, uma rua
com varandas de sal e gerânios
de espuma. Pode
ser um cacho
de uvas numa garrafa, uma bandeira
azul e branca, um cavalo
de crinas de algodão, esporas
de água e flancos
de granito. 

Uma cidade
pode ser o nome
dum país, dum cais, um porto, um barco
de andorinhas e gaivotas
ancoradas
na areia. E pode
ser
um arco-íris à janela, um manjerico
de sol, um beijo
de magnólias
ao crepúsculo, um balão
aceso
numa noite
de junho.

Uma cidade pode ser
um coração,
um punho. 
 

Albano Martins
, in "Castália e Outros Poemas",
Campo das Letras, 2001 
 

António Ramalho Júnior 
 
 
António Monteiro Ramalho Júnior, pintor português, discípulo de Silva Porto, nasceu em 1858, em Barqueiros, no seio de uma família pobre, e foi muito novo para o Porto, onde trabalhou numa marcenaria, aproveitando os tempos livres para pintar.
Notabilizou-se por quadros de temática realista, onde abundam as paisagens marítimas e os retratos de mulheres e crianças. Entre as obras mais relevantes estão O Lanterneiro e o Retrato de D. Helena Pinto de Miranda.
Enquanto decorador, salientam-se as pinturas feitas para o Palácio Sotto Mayor na Figueira da Foz, os tetos do Teatro Garcia de Orta, em Évora, e a abóbada do Palácio da Bolsa, no Porto.
Ilustrou também páginas da Crónica Ilustrada. Faleceu em 1916.  (daqui)

sábado, 22 de julho de 2023

"Na Praia lá da Boa Nova" - Poema de António Nobre


Praia da Boa Nova em Leça da Palmeira, Matosinhos, 1892



Na Praia lá da Boa Nova

 
Na praia lá da Boa Nova, um dia,
Edifiquei (foi esse o grande mal)
Alto Castelo, o que é a fantasia,
Todo de lápis-lazúli e coral!

Naquelas redondezas não havia
Quem se gabasse dum domínio igual:
Oh Castelo tão alto! parecia
O território dum Senhor feudal!

Um dia (não sei quando, nem sei donde)
Um vento seco de deserto e spleen
Deitou por terra, ao pó que tudo esconde,

O meu condado, o meu condado, sim!
Porque eu já fui um poderoso Conde.
Naquela idade em que se é conde assim…


António Nobre, in "Só", 1892
(Ouvir)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Noite no rio" - Poema de Cecília Meireles





Noite no rio

 
Barqueiro do Douro,
tão largo é teu rio,
tão velho é teu barco,
tão velho e sombrio
teu grave cantar!

Barqueiro do Douro,
a noite vai alta,
– por onde perdeste
o braço que falta,
barqueiro do Douro,
que tem de remar!

Barqueiro do Douro,
já não alumia
tão baça candeia,
nesta névoa fria...
A água entra nas tábuas
e escorre a chorar...

Barqueiro do Douro,
aonde chegaremos?
Já não enxergamos
estrela nem remos,
nem margens, nem sombra
de nenhum lugar...

(Seu remo batia,
sua voz cantava.
Não me respondia.
Remava, remava.

A água parecia
mais negra que a noite,
mais longa que o mar!) 


Cecília Meireles
, in Mar Absoluto, 1945

 
Sarah Mclachlan - I Love You


"Se o seu problema tem solução, então não há com o que se preocupar. E se o seu problema não tem solução, toda preocupação será em vão." 

(Provérbio Tibetano)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

"Um grande utensílio de amor" - Poema de Mário Cesariny


 O escultor Alberto Nunes no seu atelier, 1887, Museu do Chiado,
Museu Nacional de Arte Contemporânea
 

Um grande utensílio de amor


um grande utensílio de amor 
meia laranja de alegria 
dez toneladas de suor 
um minuto de geometria 

quatro rimas sem coração 
dois desastres sem novidade 
um preto que vai para o sertão 
um branco que vem à cidade 

uma meia-tinta no sol 
cinco dias de angústia no foro 
o cigarro a descer o paiol 
a trepanação do touro 

mil bocas a ver e a contar 
uma altura de fazer turismo 
um arranha-céus a ripar 
meia-quarta de cristianismo 

uma prancha sem porta sem escada 
um grifo nas linhas da mão 
uma Ibéria muito desgraçada 
um Rossio de solidão 


in 'Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano'


António Ramalho - Pintor português 
(Nasceu em Mesão Frio em 1859 e faleceu em 1916)



Amadeo de Souza Cardoso - Pintor português  
(Nasceu em Amarante em 1887 e faleceu em Espinho em 1918.)



Almada Negreiros - Pintor, poeta e escritor português 
(Nasceu em S.Tomé em 1893 e morreu em Lisboa em 1970.)



Abel Manta - Pintor português
(Nasceu em Gouveia em 1888. Faleceu em 1982.)


Columbano - Pintor português 
(Nasceu em Lisboa em 1857. Faleceu em 1929.)



António Carneiro - Pintor português 
(Nasceu em Amarante em 1872. Faleceu em 1930.)


 Henrique Medina - Pintor retratista português
(Nasceu no Porto em 1901. Faleceu em 1988.)



Dominguez Alvarez - Pintor português de origem galega 
(Nasceu no Porto em 1906. Morreu em 1942.)



Artes plásticas 


As artes plásticas ou belas-artes são as formações expressivas realizadas utilizando-se de técnicas de produção que manipulam materiais para construir formas e imagens que revelem uma conceção estética e poética em um dado momento histórico. O surgimento das artes plásticas está diretamente relacionado com a evolução da espécie humana.
As artes plásticas surgiram na pré-história. Existem diversos exemplos da pintura rupestre em cavernas. Até os dias atuais há sempre uma necessidade de expressão artística utilizando novos meios. É nas artes plásticas que encontramos o uso de novos meios para a criação, invenção e apreciação estética.
A pintura refere-se genericamente à técnica de aplicar pigmento em forma líquida a uma superfície, a fim de colori-la, atribuindo-lhe matizes, tons e texturas.
Em um sentido mais específico, é a arte de pintar uma superfície, tais como papel, tela, ou uma parede (pintura mural ou de afrescos). A pintura a óleo é considerada por muitos como um dos suportes artísticos tradicionais mais importantes; grandes obras de arte, tais como a Mona Lisa, são pinturas a óleo; com o desenvolvimento tecnológico dos materiais, outras técnicas tornaram-se igualmente importantes como, por exemplo, a tinta acrílica.
Diferencia-se do desenho pelo uso dos pigmentos líquidos e do uso constante da cor, enquanto aquele apropria-se principalmente de materiais secos.
No entanto, há controvérsias sobre essa definição de pintura. Com a variedade de experiências entre diferentes meios e o uso da tecnologia digital, a ideia de que pintura não precisa se limitar à aplicação do "pigmento em forma líquida". Atualmente o conceito de pintura pode ser ampliado para a representação visual através das cores. Mesmo assim, a definição tradicional de pintura não deve ser ignorada. O concernente à pintura é pictural, pictórico, pinturesco, ou pitoresco.
Na pintura, um dos elementos fundamentais é a cor. A relação formal entre as massas coloridas presentes em uma obra constitui sua estrutura básica, guiando o olhar do espectador e propondo-lhe sensações de calor, frio, profundidade, sombra, entre outros. Estas relações estão implícitas na maior parte das obras da História da Arte e sua explicitação foi uma bandeira dos pintores abstratos ou não-figurativos. A cor é considerada por muitos artistas como a base da imagem. (daqui)