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quinta-feira, 29 de março de 2012

"Mar" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


 
Edward Hopper (American realist painter, 1882-1967), Rooms by the Sea, 1951.
 

Mar 

 
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.


Sophia de Mello Breyner Andresen
, in "Obra Poética I"



Edward Hopper, Sunlight on Brownstones, 1956. 



Edward Hopper, Office in a small city, 1953.
 


Edward Hopper, Stairway at 48 rue de Lille, Paris, 1906.


 
Edward Hopper, People in the Sun, 1960.



Edward Hopper, Cape Cod Evening, 1939.
 


Citações atribuídas a Milan Kundera
 
  • "Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz." 
  • "Viver num mundo onde nada é perdoado, onde tudo é irremediável, é a mesma coisa que viver no Inferno."
  • "Um homem possuído pela paz está sempre a sorrir."
  • "Rir é viver profundamente." - "O Livro do Riso e do Esquecimento"



Milan Kundera
 
Milan Kundera,
escritor de origem checa, nasceu a 1 de abril de 1929, em Brno, tendo-se naturalizado francês em 1981.

Fez os seus estudos em Praga e lecionou História do Cinema na Academia de Música e Arte Dramática e no Instituto de Estudos Cinematográficos daquela cidade. Chegou a filiar-se no Partido Comunista do qual, no entanto, acabaria por ser expulso em 1948 por não partilhar das ideias oficiais do partido.

Aquando da invasão soviética da Checoslováquia, em 1968, as suas obras foram proibidas e retiradas de circulação, tendo mesmo sido obrigado a exilar-se em França onde deu aulas de Literatura Comparada.

Os seus romances, novelas e peças de teatro apresentam-se como variações sobre o tema da solidão do indivíduo face às forças da História. Publicou, entre outros, La Plaisanterie (A Brincadeira, 1967); Risibles Amours (O Livro dos Amores Risíveis, 1969); La Vie est Ailleurs (A Vida Não é Daqui, 1973); La Valse aux Adieux (A Valsa do Adeus, 1976); Le Livre du Rire et de l'Oubli (O Livro do Riso e do Esquecimento, 1979); L'Art du Roman (A Arte do Romance, 1986); l'Insoutenable Légèreté de l'Être (A Insustentável Leveza do Ser, 1987), romance que foi adaptado ao cinema; L'Immortalité (A Imortalidade, 1990); Les Testaments Trahis (Os Testamentos Traídos, 1992); La Lenteur (A Lentidão, 1994); L'Ignorance (A Ignorância, 2000); e Le Rideu (A Cortina, 2005).

Pela totalidade da sua obra, foi galardoado em 1981 com o prémio norte-americano Common Wealth Award e em 1985 recebeu o Prémio Jerusalém. (daqui)
 

 

A Insustentável Leveza do Ser
 
 
Romance de Milan Kundera, publicado em 1984, é um dos maiores clássicos da literatura contemporânea.

A ação de A Insustentável Leveza do Ser desenrola-se em Praga, em 1968, centrando-se no cirurgião Tomas que procura a liberdade sexual como forma de alcançar a felicidade. Para além desta personagem, destacam-se Teresa, fotógrafa, mulher de Tomas; Sabina, pintora, amante do médico; Franz, professor universitário, amante de Sabina. A vida e planos amorosos destas personagens são afetados pela invasão soviética à capital checa, invasão conhecida como "primavera de Praga".

A obra apresenta uma estrutura não linear, recurso que facilita a compreensão da personalidade de cada personagem. Saliente-se ainda a linguagem complexa e, por vezes, abstrata, dados os conceitos filosóficos que são abordados no romance. Foi adaptada para cinema, sob a realização de Philip Kaufman, em 1988, com as interpretações de Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Lena Olin e Stellan Skarsgard, entre outros. (daqui)


Timbaland, Nelly Furtado e SoShy- Morning After Dark


sábado, 28 de janeiro de 2012

"Mistério" - Poema de Florbela Espanca


Pintura de Jeff Rowland



Mistério 


Gosto de ti, ó chuva, nos beirados,
Dizendo coisas que ninguém entende!
Da tua cantilena se desprende
Um sonho de magia e de pecados.

Dos teus pálidos dedos delicados
Uma alada canção palpita e ascende,
Frases que a nossa boca não aprende,
Murmúrios por caminhos desolados.

Pelo meu rosto branco, sempre frio,
Fazes passar o lúgubre arrepio
Das sensações estranhas, dolorosas…

Talvez um dia entenda o teu mistério…
Quando, inerte, na paz do cemitério,
O meu corpo matar a fome às rosas!


Florbela Espanca


Nelly Furtado - In God's Hands


"A confiança é um ato de fé. E esta dispensa raciocínio."

(Carlos Drummond de Andrade)


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A flautear em vale agreste" - Poema de William Blake


Judith Leyster (Dutch Golden Age painter, 1609 - 1660), Young Flute Player, c. 1630.



A flautear em vale agreste 


A flautear em vale agreste,
A flautear canção feliz,
Das nuvens uma criança
Vem sorridente e me diz:

“Toca a canção de um Cordeiro!”
Toquei-a com alegria.
“Flautista, toca de novo.”
Toquei: a chorar me ouvia.

“Deixa a flauta, a fácil flauta;
Canta os cantos de alegria.”
Cantei tudo o que tocara;
De gozo a chorar me ouvia.

“Senta-te e escreve, flautista,
Num livro, a que possam ler.”
E ela sumiu-me da vista:
E um junco então fui colher,

E fiz uma pena rude,
E manchei as águas mansas,
E escrevi minhas canções
Que hão de alegrar as crianças…
 
 
William Blake, in 'Poesia e prosa selecionadas'. 
Introdução, seleção, tradução e notas Paulo Vizioli. 
Edição bilíngue. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.

 
 

"Quando vozes de crianças se ouvem na relva,
E risos se ouvem nas colinas
Meu coração descansa no meu peito,
E todo o resto fica sereno."
 




Nelly Furtado - All Good Things (Come To An End) 


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"De quantas graças tinha, a Natureza" - Soneto de Luís de Camões


Victor Gilbert (1847-1933), Liebevolle Blumenpflege
 


De quantas graças tinha, a Natureza


De quantas graças tinha, a Natureza
Fez um belo e riquíssimo tesouro,
E com rubis e rosas, neve e ouro,
Formou sublime e angélica beleza.

Pôs na boca os rubis, e na pureza
Do belo rosto as rosas, por quem mouro;
No cabelo o valor do metal louro;
No peito a neve em que a alma tenho acesa.

Mas nos olhos mostrou quanto podia,
E fez deles um sol, onde se apura
A luz mais clara que a do claro dia.

Enfim, Senhora, em vossa compostura
Ela a apurar chegou quanto sabia
De ouro, rosas, rubis, neve e luz pura.




Nelly Furtado - I'm Like a Bird


“O fraco rei faz fraca a forte gente.”