Mostrar mensagens com a etiqueta Helen Keller. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Helen Keller. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

"A Casa da Poesia" - Poema de José Jorge Letria


Fátima Marques (Artista plástica brasileira, n. 1956), Encontro com o Futuro, 2019.



A Casa da Poesia


A poesia tem uma casa
como as pessoas têm,
só que é diferente,
só que tem espaço
para todos quantos
nela querem entrar
com a terna alegria
de quem a vai habitar.

É um casa sem portas nem janelas,
sem teto e sem cave,
pois assim tem mais espaço
para quem nela quer morar.

É uma casa de sons,
que por vezes parecem música,
embora sejam apenas palavras,
palavras simples e graves,
agudas e tristes,
cantantes e belas,
palavras que são a pedra e a cal
dessa casa onde todos podem morar.

A poesia tem uma casa
toda feita de versos
que podem ou não rimar,
que podem fazer rir e chorar
como os palhaços do circo
que, à sua maneira,
são poetas da oficina do riso,
da festa das mais sonoras gargalhadas.

A poesia gosta de acordar cedo
para ouvir os pássaros a cantar
e os rios a correr
e os sonhos a acordar
dentro da cabeça
de quem não os quer deixar morrer.

A poesia junta os sons
com a delicadeza
das bordadeiras e dos ourives
quando querem
que aconteça beleza.

A poesia dá nome
ao que não tem nome
e se umas vezes rima,
como acontece nesta fala,
outras vezes não rima
e escreve como quem cala
por saber que a poesia
deve estar sempre acima
de quaisquer jogos de sala.

A poesia vai à escola
com um bibe feito de versos,
de mãos dadas com os meninos
que lhe querem perguntar
qual é a idade certa
para a poesia se revelar.

Na escola da poesia
ninguém tem notas para lhe dar,
pois ela não está
nem nunca esteve
ali só para passar.
Tem um desejo apenas:
ficar no coração
de quem a quiser lembrar.

A poesia tem uma casa
onde moram os poetas
e para eles terá sempre
as portas imaginárias
iluminadas e abertas.

A poesia anda de metro,
ou nos elétricos da cidade,
sem ter pressa de chegar,
porque isto de não ter pressa
é a sua liberdade
e é dessa liberdade
que gosta de se alimentar.

A poesia tem uma casa
que não é grande nem pequena,
pois tem sempre o tamanho
que tem cada poema.

A poesia vai à escola
com mil versos na mochila
e depois lança-os ao vento
para que possam chegar mais longe
do que chega o pensamento
e, num tempo sem memória,
consigam durar sempre mais
do que dura o esquecimento.

A poesia tem um jardim,
um terraço e um quintal
para receber os amigos
vindos do mundo animal:
os cães do abandono
que não têm casa nem dono,
os gatos livres e espertos
que mantêm sempre, rebeldes,
os olhos bem abertos,
as andorinhas e os pardais
e outros bichos mais,
incluindo os de conta,
e uma vez por outra
também uma barata tonta.

A poesia gosta de rir
porque o riso a alivia
dos medos e dos fantasmas
que lhe aparecem dia a dia
e também das contas certas
que não rimam com alegria
e adiam a felicidade
como quem mata a magia.

A poesia tem uma escola
onde gostava de aprender
que trovoadas e ciclones,
planetas e clones
são formas do universo
não se cansar e morrer.

A poesia tem uma casa
onde escreve à luz de velas
e que nunca há de ter teto
para poder ver as estrelas.

Não é voto de pobreza
este seu modo de ser,
é apenas a maneira
mais perfeita e certeira
de nunca se perder
nos estranhos labirintos
da aventura de escrever.

A escola da poesia
tem muitos livros num livro
que se conhece à distância,
pois é nele que se guardam
os mistérios da infância.

A poesia dá nome
ao que no falar comum
raramente nome tem
e deixa sempre em cada um
o desejo sentido
de falar com mais alguém
para que a poesia cresça
e os leitores mereça
porque lhes faz bem.

A casa da poesia
tem tom azul de mar
nas paredes que não tem
mas que dá gosto inventar,
apenas porque sabe bem
ter uma casa assim
mesmo à mão de semear.

A casa da poesia
nunca será assaltada,
porque aquilo que nela existe,
sendo um tesouro raro,
afinal não vale nada
para os ladrões escondidos
no escuro da madrugada.

A casa da poesia
está cheia de crianças,
de histórias e de lendas,
de jogos e de danças
e até a Beatriz
com um pauzinho de giz
desenha asas em vez de tranças.

A casa da poesia
tem uma mesa imensa
onde um poeta irrequieto
espalha o seu afeto
na hora de escrever
uma ode ou um soneto.

Na mesa da poesia
há sempre lugar para mais um,
e que se saiba não há poeta
que dela saia em jejum,
seja moderno ou antigo,
consagrado ou esquecido,
de elegias ou canções,
seja Cesário Verde,
Fernando Pessoa, Ruy Belo
ou mesmo Luís de Camões.
E esse livro de poemas,
vê lá onde é que o pões!

A poesia tem uma casa
que não aparece nos jornais,
talvez por iguais a ela
não existirem mais.
É uma casa hospitaleira
onde o sono é fantasia
e cada poema tem
a sua própria melodia.

A casa da poesia
cedo se abre para a festa,
espaço de luz e de sombra,
talvez canção de gesta
onde cabe a gente toda
com a alegria a circular
de uma velha canção de roda.

A poesia vai à escola
para alegrar o recreio
com uma rima daquelas
que acertam em cheio
nos medos que não largam
os meninos com receio
de estarem numa sala
com fantasmas lá no meio.

Na casa da poesia
existe sempre à mão
a poeira de magia
a que se chama inspiração
e esse jeito secreto
de juntar trabalho e emoção.

Na casa da poesia
cabem netos e avós,
pais, primos e irmãos
em páginas ímpares e pares,
e cabe sempre a nossa voz,
pois os esforços não são vãos
quando teima a poesia
em não nos deixar sós.

Na casa da poesia
há sempre uma luz acesa
e uma vela que alumia
com a intensa luz do dia
a mágoa ou a tristeza
e que convida duendes e fadas
para nos fazerem companhia
nas longas madrugadas.

A poesia vai à escola,
ainda hoje ou amanhã,
com um cesto de frutos
onde o morango e a romã
se põem a conversar,
talvez mesmo a namorar,
para que nunca seja vã
essa vontade de mostrar
aquilo que a poesia,
seja cereja ou maçã,
desde sempre guarda
para nos encantar.

Já os pais se vão deitar,
que amanhã é outro dia
e no quarto dos meninos
há uma luz que cintila
e há dez magos em fila
com a poção que anuncia
que na página em branco
irá nascer poesia,
a liberdade mais livre
que existiu algum dia.


José Jorge Letria
, "A Casa da Poesia",
Lisboa, Terramar, 2003.

 
"A Casa da Poesia" de José Jorge Letria,
Ilustração: Rui Castro
Editor: Terramar, 2003

 


Plano Nacional de Leitura

Livro recomendado para o 4º ano de escolaridade, destinado a leitura autónoma.


Fátima Marques, Liberdade, 2018
 

"Nunca se pode concordar em rastejar, quando se sente ímpeto de voar." 
 
Helen Keller
, "The story of my life" - página 393, Helen Keller, John Albert Macy, Annie Sullivan - 
Doubleday, Page & Company, 1903 - 439 páginas.
 

sábado, 25 de março de 2023

"Creio nos anjos que andam pelo mundo" - Poema de Natália Correia

 

 John Constable (English Romantic painter, 1776–1837), Salisbury Cathedral and Leadenhall 
from the River Avon, 1820, National Gallery
 

 Creio nos anjos que andam pelo mundo


Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.
 
 
Natália Correia (1923 - 1993), "Sonetos Românticos", 1990
 

  The couple strolling along elm alley are Bishop of Salisbury John Fisher and his wife.  
 

"A fé é a força pela qual um mundo desfeito poderá emergir para a luz."
 

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

"Em memória de Angélica" - Poema de Jorge Luis Borges


Thomas Eakins, The Agnew Clinic (or The Clinic of Dr. Agnew), 1889



Em memória de Angélica


Quantas vidas possíveis já descansam
Nesta bem pobre e diminuta morte,
Quantas vidas possíveis que outra sorte
Daria ao esquecimento ou à lembrança!
Quando eu morrer, morrerá um passado;
Com esta flor, morreu só um futuro
Nas águas que o ignoram, o mais puro
Porvir hoje pios astros arrasado.
Eu, como ela, morro em infinitos
Destinos que já não me oferece o acaso;
Procura a minha sombra os gastos mitos
De uma pátria que sempre deu a face.
Um breve mármore diz a sua memória;
Sobre nós todos cresce, atroz, a história. 


Jorge Luis Borges, in “A Rosa Profunda”
 

Thomas Eakins, Portrait of  Samuel David Gross (The Gross Clinic), 1875 ,  
"A ciência poderá ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas não achou ainda remédio para o pior de todos: a apatia dos seres humanos."
 
 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

"No silêncio dos olhos" - Poema de José Saramago


Vincent van Gogh, Memória do Jardim em Etten (Senhoras de Arles), 1888


No silêncio dos olhos


Em que língua se diz, em que nação, 
em que outra humanidade se aprendeu 
a palavra que ordene a confusão 
que neste remoinho se teceu?

Que murmúrio de vento, que dourados 
cantos de ave pousada em altos ramos 
dirão, em som, as coisas que, calados, 
no silêncio dos olhos confessamos?


José Saramago, Os poemas Possíveis 


Vincent van Gogh, Ponte de Langlois em Arles, 1888


"Evitar o perigo não é, a longo prazo, mais seguro do que se expor a ele. A vida é uma aventura ousada ou não é nada."
 
 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

"Helen Keller" - Vida e Obra



Helen Keller portrait, 1904


Helen Adams Keller (Tuscumbia, Alabama, EUA, 27 de junho de 1880 — Westport, 1 de junho de 1968), filha do capitão Arthur H. Keller e de Kate Adams Keller, que eram de famílias  respeitadas e tradicionais na região, foi uma escritora, conferencista e ativista social estadunidense.

Helen Keller aos dezoito meses de idade perdeu subitamente a visão e a audição e consequentemente fica muda, devido a uma doença grave diagnosticada na época como "febre cerebral" (hoje acredita-se que tenha sido escarlatina). Passou os primeiros anos de sua infância sem orientação adequada que lhe permitisse desenvolver-se aprendendo sobre o mundo ao seu redor. Através do contacto que teve com Martha Washington, a filha de seis anos da cozinheira, ela desenvolveu uma linguagem de sinais própria, com a qual comunicava com a família.

Os pais de Helen após ouvirem falar do sucesso na educação de Laura Bridgman (cega e surda), levaram-na ao Dr. J. Julian Chisolm, especialista em olhos, nariz, ouvidos e garganta que nada podendo fazer, os encaminhou para Alexander Graham Bell que na época trabalhava com crianças surdas. Bell aconselhou que eles entrassem em contacto com o Instituto Perkins para Cegos, que era a mesma escola onde Bridgman tinha sido educada. Michael Anaganos, director do instituto, pediu a uma antiga estudante, Anne Sullivan que contava então 20 anos e era deficiente visual (ainda conseguia ver, embora pouco) para que fosse tutora de Helen Keller. Assim alguns meses antes de Helen completar 7 anos de idade, em Março de 1887, Anne Sullivan, foi morar na sua casa a fim de a ensinar. Era o começo de uma relação que durou 49 anos.

Portrait of Anne Sullivan, 1887

Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. A história do encontro entre as duas é contada na peça The Miracle Worker, de William Gibson, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan, em 1962, dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller)


Helen Keller with Anne Sullivan vacationing at Cape Cod, in July, 1888


“O dia mais importante de toda minha vida foi o da chegada de minha professora Sullivan. Fico profundamente emocionada, quando penso no contraste imensurável das duas vidas que se juntaram. Ela chegou no dia 3 de março do 1887, três meses antes de eu completar 7 anos”

Até a chegada da professora, Helen Keller ainda não falava e não compreendia o significado das coisas. A primeira palavra sinalizada e soletrada em sua mão foi doll (boneca) para mostrar a boneca que ela havia levado de presente para Helen. O grande avanço na comunicação de Helen Keller foi em Abril daquele mesmo ano, quando ela notou que aqueles movimentos feitos por sua professora na palma de sua mão enquanto deixava escorrer água fria na outra mão, simbolizavam a ideia de água.

Numa sucessão rápida ela aprendeu os alfabetos braille e manual, facilitando assim, a sua aprendizagem da escrita e leitura. 

“Belos dias como estes, fazem o coração bater ao compasso de uma música que nenhum silêncio poderá destruir. É maravilhoso ter ouvidos e olhos na alma. Isto completa a glória de viver”. 

Em Maio de 1888, foi estudar no Instituto Perkins. Em 1890 após saber sobre Ragnhild Kaata uma surda-cega que aprendera a falar, Keller também quis aprender. Na primavera desse ano teve aulas com Mrs Fuller que através das vibrações da garganta e movimentos da boca e língua, ensinou Helen a falar. No final de décima primeira lição, ela fez uma surpresa para Annie, puxou-a pelo braço, e disse claramente: “EU NÃO SOU MAIS MUDA”. Helen Keller aprendeu assim a falar aos dez anos.


Helen Keller and Anne Sullivan playing chess, 1900

Em 1896 voltam para Massachusetts e Keller em 1899 ingressou na escola de Cambridge Para Jovens Senhoritas e permaneceu lá até ser admitida para a Universidade de Radcliffe em 1900.
O seu admirador, Mark Twain (Mark Twain, foi um escritor e humorista norte-americano. É mais conhecido pelos romances The Adventures of Tom Sawyer (1876) e sua sequência Adventures of Huckleberry Finn (1885), este último frequentemente chamado de "O Maior Romance Americano".) apresentou-a a Henry Huttleston Rogers, um magnata do óleo, que juntamente com a sua esposa, pagou a educação de Helen. 


Helen Keller, Anne Sullivan, Mark Twain, and Laurence Hutton, circa 1902

Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia pelo Radcliffe College, tornando-se aos 24 anos a primeira mulher surda-cega a ter um diploma de bacharel em artes.
Durante o seu período de estudante, a professora Anne Sullivan foi a sua orientadora constante, transmitindo todas as aulas para Helen, através do alfabeto manual, encorajando-a e estimulando-a. Todos os livros de consulta que não existiam em braille eram laboriosamente soletrados pelas mãos de Helen. Além das aulas da Universidade, Anne soletrava aulas de francês, latim e alemão.

A sua professora Anne continuou como sua companheira, tendo-se casado em 1905 com John Macy, eminente critico literário. O casamento não interrompeu o relacionamento de aluna e professora. Helen Keller foi morar com o casal que continuou auxiliando-a em seus estudos e outras actividades. 


Helen, Anne, and Anne's husband, John Macy at their home in Wrentham

Antes de se formar, Helen Keller fez sua estreia na literatura escrevendo a sua autobiografia: “A História de Minha Vida”, publicada em 1902, e em seguida no Jornalismo com uma série de artigos no “Ladies Home Journal”. A partir dessa data nunca mais parou de escrever. Nos seus trabalhos literários, Helen usava a máquina de dactilografia braille preparando os manuscritos. Depois copiava-os numa máquina de dactilografia comum. Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de deficiência.


Helen Keller, 1912

“Alone we can do so little, together we can do so much.”


Charlie Chaplin with Helen Keller (beside him), Anne Sullivan next to her,
 and Polly Thomson on the far left.

Polly Thompson foi contratada para cuidar da casa. Era uma jovem mulher Escocesa que não tinha experiência com cegos ou surdos. Ela fez grande progresso, passando mais tarde ao cargo de secretária e consequentemente tornou-se companheira constante de Helen.
Depois do falecimento de Anne em 1936, Helen e Polly Thompson mudaram-se para Connecticut.


Helen Keller sitting holding a magnolia flower, 1920.

"If I, deaf, blind, find life rich and interesting, how much more can you gain by the use of your five senses!" 

(Helen Keller, 1928)


Helen Keller, President Herbert Hoover, and international
delegates outside the White House, 1932

Em 1946, quando a Imprensa Braille Americana se transformou na American Foundation for Overseas Blind (hoje Helen Keller International Incorporated), Helen Keller foi eleita conselheira em relações internacionais. Foi então que ela começou as suas viagens pelo mundo, em beneficio dos cegos, fato esse que a tornou bem conhecida nos seus últimos anos de vida. Entre 1946 e 1957, visitou 35 países em cinco continentes.

Em 1955, quando tinha 75 anos, Helen Keller realizou mais uma das suas longas e árduas viagens, durante cinco meses, através da Ásia. Por onde viajou, sempre levou uma nova coragem para milhares de pessoas cegas e muitos dos esforços para melhorar as condições entre os cegos no mundo podem ser atribuídos directamente às suas visitas.

Polly Thompson teve um enfarte em 1957, e nunca conseguiu recuperar completamente vindo a falecer em 1960. Winnie Corbally, que foi a enfermeira contratada para cuidar de Polly, acabou ficando depois da sua morte e tornou-se companheira de Helen até ao fim da sua vida. 

Ao longo da vida foi agraciada com títulos e diplomas honorários de diversas instituições, como a universidade de Harvard e universidades da Escócia, Alemanha, Índia e África do Sul.
Em 1952 foi nomeada Cavaleiro da Legião de Honra da França. Em reconhecimento ao estimulo que seu exemplo e presença deram aos trabalhos para cegos nos países que visitou. Os governos do Brasil, Japão, Filipinas e Líbano conferiram-lhe, respectivamente, as seguintes condecorações: Ordem do Cruzeiro do Sul, do Tesouro Sagrado, do Coração de Ouro e Medalha de Ouro de Mérito. Foi membro honorário de várias sociedades científicas e organizações filantrópicas nos cinco continentes.
Uma grande honra foi também concedida a Helen Keller, em 1954, quando o seu local de nascimento, Ivy Green, na Tuscumbia, foi transformado em museu permanente. A cerimónia realizou-se a 7 de Maio de 1954, com a presença de directores da "American Foundation for the Blind" e de outras autoridades.

Mais compensadoras do que as inúmeras honrarias que recebeu foram as relações de amizades que Helen Keller fez com a maioria das personalidades proeminentes de seu tempo. Eram algumas figuras famosas, de Grover Cleveland a Charlie Chaplin, de Nerhu a John F. Kennedy e outros como Katherine Corvell, Van Wyck Brooks, Alexander Graham Bell e Jo Davidson, os quais ela considerava como amigos.


Helen Keller with John F. Kennedy, 1961

Em 1961 Helen Keller teve vários ataques cardíacos. Após essa altura, Helen viveu tranquilamente em “Arcan Ridge”, onde recebia a família, amigos íntimos e membros da American Foundation for the Blind e da American Foundation for Overseas Blind (hoje Helen Keller International Incorporated). Passava a maior parte do seu tempo a ler. Os seus livros favoritos eram a Bíblia e volumes de poesia e filosofia.

Em 14 de Setembro de 1964, o presidente Lyndon B. Johson agraciou-a com a Medalha Presidencial da Liberdade, uma das duas maiores honras para um cidadão dos Estados Unidos. Em 1965, foi uma das vinte eleitas para o Hall da Fama Feminina, na Feira Mundial de Nova Yorque. Helen Keller e Eleanor Roosevelt receberam a maioria dos votos entre as cem mulheres indicadas. 

Helen morreu enquanto dormia em 1 de Junho de 1968 na sua casa. As suas cinzas foram colocadas na Capela de São José na Catedral Nacional de Washington D.C ao lado das suas constantes companheiras Anne Sullivan e Polly Thompson.
No seu último adeus, o Senador Lister Hill, do Alabama, expressou o seu sentimento e de todo o mundo quando disse a respeito de Helen Keller

“Ela viverá; ela foi um dos poucos nomes, imortais, que não nasceu para morrer. Seu espírito perdurará enquanto o homem puder ler e histórias puderem ser contadas sobre a mulher que mostrou ao mundo que não existem limitações para a coragem e a fé”. 

Publicações
  • Optimismo - um ensaio 
  • A Canção do Muro de Pedra 
  • O Mundo em que Vivo 
  • Lutando Contra as Trevas 
  • A Minha Vida de Mulher 
  • Paz no Crepúsculo 
  • Dedicação de Uma Vida 
  • A Porta Aberta 
  • A história de minha vida

Helen Keller & Anne Sullivan
Anne Sullivan explains how Helen learned to speak


"O otimismo é a fé que leva à realização. Nada pode ser feito sem esperança ou confiança." 

(Helen Keller) 


Helen Keller speaks out 



"A ciência poderá ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas não achou ainda remédio para o pior de todos: a apatia dos seres humanos."

(Helen Keller) 

http://www.hki.org/about-helen-keller/helen-kellers-life/
http://www.braillebug.org/hkbiography.asp




Burn it Blue - Caetano Veloso and Lila Downs

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

"Repartir" - Sermão de António Vieira


Vincent van Gogh, O Café à Noite, 1888


Repartir


«...E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos. Se Cleofas fora português, mais se havia de ofender da metade do pão que Cristo deu ao companheiro, do que se havia de obrigar da outra metade, que lhe deu a ele. Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer coisa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba. Verdadeiramente, que não há mais dificultosa coroa que a dos Reis de Portugal: por isto mais, do que por nenhum outro empenho. (...) Em nenhuns Reis do mundo se vê isto mais claramente que nos de Portugal. Conquistar a terra das três partes do mundo a nações estranhas, foi empresa que os Reis de Portugal conseguiram muito fácil e muito felizmente; mas repartir três palmos de terra em Portugal aos vassalos com satisfação deles, foi impossível, que nenhum rei pôde acomodar, nem com facilidade, nem com felicidade jamais. Mais fácil era antigamente conquistar dez reinos na Índia, que repartir duas comendas em Portugal. Isto foi, e isto há-de ser sempre: e esta, na minha opinião, é a maior dificuldade que tem o governo do nosso reino.» 


Padre António Vieira (1608-1697), 
Sermão da Primeira Oitava da Páscoa


Vincent van Gogh, O Velho Moinho, 1888


"A regra da virtude pode ser comparada à Estrela Polar, que comanda a homenagem da multidão de estrelas sem abandonar o seu lugar."

Livro II, 1., Confúcio, Os Analectos


Vincent van Gogh, Campo de Trigo com Corvos, 1890
 
 
"Sozinhos, pouco podemos fazer; juntos, podemos fazer muito."



Seal - Amor Divino



Seal Henry Olusegun Olumide Adeola Samuel (Londres, 19 de fevereiro de 1963) é um músico, cantor e compositor, entre seus maiores sucessos está a canção Kiss from a Rose, trilha sonora do filme Batman Forever, pela qual recebeu três prémios Grammy em 1995.

Filho de pais nigerianos e neto de brasileiro, Seal passou seus primeiros quatro anos de vida com seus pais adotivos, Frank e Barbara, em Romford, Essex, até que sua mãe biológica veio buscá-lo. Sentado com ela no ônibus, ele se lembra de ter gritado durante todo o caminho até a casa, em Brixton. Dois anos depois, sua mãe e o namorado decidiram voltar para a Nigéria e Seal foi viver com o pai, um homem violento, que trabalhava como bombeiro em Paddington, distrito da City of Westminster, no centro de Londres, onde Seal cresceu. Mais tarde obteve um diploma de arquitetura e teve vários empregos em Londres, antes de se tornar cantor profissional.

Embora sempre tenha havido especulações sobre a causa das cicatrizes no seu rosto, elas não são o resultado de nenhum tipo de rito tribal de escarificação. O cantor sofre de lúpus eritematoso discóide (DLE). Seal revelou que se afligia com essa síndrome quando adolescente, uma condição em que as células do sistema imune atacam vários tecidos do corpo. Uma inflamação intensa que se desenvolve na pele, particularmente nas áreas expostas ao sol; se não tratada com protetor solar e anti-inflamatórios, pode deixar cicatrizes. A doença não somente causou-lhe as cicatrizes na face como também provocou perda de cabelos, mas está em remissão há anos. 
Foi casado com a modelo alemã Heidi Klum. Em janeiro de 2012 foi anunciada a separação após 7 anos de casamento.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.