quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

"Em memória de Angélica" - Poema de Jorge Luis Borges


 
Thomas Eakins (American realist painter, photographer, sculptor, and fine arts educator,
1844–1916), 'The Agnew Clinic' or 'The Clinic of Dr. Agnew', 1889


Em memória de Angélica


Quantas vidas possíveis já descansam
Nesta bem pobre e diminuta morte,
Quantas vidas possíveis que outra sorte
Daria ao esquecimento ou à lembrança!
Quando eu morrer, morrerá um passado;
Com esta flor, morreu só um futuro
Nas águas que o ignoram, o mais puro
Porvir hoje pios astros arrasado.
Eu, como ela, morro em infinitos
Destinos que já não me oferece o acaso;
Procura a minha sombra os gastos mitos
De uma pátria que sempre deu a face.
Um breve mármore diz a sua memória;
Sobre nós todos cresce, atroz, a história. 


Jorge Luis Borges, in “A Rosa Profunda”
 

 
Thomas Eakins, 'Portrait of Samuel David Gross' ('The Gross Clinic'), 1875,
Philadelphia Museum of Art and the Pennsylvania Academy of Fine Arts



"A ciência poderá ter encontrado a cura para a maioria dos males, mas não achou ainda remédio 
para o pior de todos: a apatia dos seres humanos."

(Helen Keller

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