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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

"O êxito parece a mais doce das coisas" - Poema de Emily Dickinson


Júlio Maria dos Reis Pereira ou Julio como artista plástico, 
Músicos e mulheres no espaço, 1925, óleo sobre cartão, 80 x 65 cm


O êxito parece a mais doce das coisas


O êxito parece a mais doce das coisas 
A quem nunca venceu na vida. 
Ter a compreensão de um néctar 
Exige a mais dolorosa necessidade. 

De entre o purpúreo Exército 
Que hoje empunhou a Bandeira 
Nenhum outro poderá dar uma tão clara 
Definição da Vitória 

Como o vencido - agonizante - 
Em cujo ouvido interdito 
A distante ária triunfal 
Ressoa nítida e pungente!


Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
Tradução de  Nuno Júdice 


terça-feira, 10 de novembro de 2015

"A Dor tem um Elemento de Vazio" - Poema de Emily Dickinson

"Burguês e prostituta", 1931, óleo sobre tela, 78,5 x 63cm. 


A Dor tem um Elemento de Vazio


A Dor - tem um Elemento de Vazio - 
Não se consegue lembrar 
De quando começou - ou se houve 
Um tempo em que não existiu - 

Não tem Futuro - para lá de si própria - 
O seu Infinito contém 
O seu Passado - iluminado para aperceber 
Novas Épocas - de Dor.


Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas" 
Tradução de Nuno Júdice 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

"Nunca mais" - Poema de Saúl Dias (Pseudónimo de Júlio Maria dos Reis Pereira)



Júlio (Pintor, ilustrador e poeta português, 1902–1983), Tarde de festa, 1925


Nunca mais


Passa um dia,
e outro a correr atrás dele
e outro e outro...
O tempo a todos impele,
tal o vento
levando, em doida correria,
revoadas de folhas outonais,
folhas de calendários sempre iguais,
uma a uma arrancadas,
perdidas nas estradas...
Nunca mais... Nunca mais...


Saúl Dias
(Pseudónimo de Júlio Maria dos Reis Pereira), 
in Essência, 1973


Júlio Maria dos Reis Pereira
 
Saul Dias, poeta e artista plástico português, de nome verdadeiro Júlio Maria dos Reis Pereira, nasceu a 1 de novembro de 1902, em Vila do Conde, e faleceu a 17 de janeiro de 1983, na mesma cidade. Formou-se em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia do Porto. Conviveu, por intermédio do seu irmão, José Régio, com alguns dos nomes que integraram a geração da Presença.
Conhecido sobretudo como artista plástico, sob o nome de Júlio, os seus quadros foram expostos em inúmeras exposições individuais e coletivas, editou dois álbuns de desenhos (Música, Domingo), ilustrou as suas obras poéticas e as de outros poetas presencistas. Como poeta e como artista, colaborou em diversas publicações, como Presença, Revista de Portugal, Sudoeste, Atlântico, Távola Redonda, Panorama, Vértice, Síntese, Cadernos de Poesia, Cadernos do Meio-Dia, O Comércio do Porto, Jornal de Notícias, Diário de Lisboa. 
Como poeta da geração da Presença, a poesia de Saul Dias, seu pseudónimo, comunga de caracteres associados a uma estética presencista, como a obediência à sinceridade e ao "coração" ("É só com sangue que se escrevem versos."), o subjetivismo ou o influxo do expressionismo. Linguagem icónica e palavra poética assumem, na obra deste autor, uma complementaridade, seja por uma poesia que investe reiteradamente nas sensações cromáticas e sinestésicas, no visualismo das cenas e imagens feminis evocadas, seja por uma obra pictórica que consagrou a figura do "Poeta", num todo que se distingue pela delicadeza, pela simplicidade quase onírica, por uma visão ao mesmo tempo encantada, melancólica e levemente amarga da realidade. Da sua poesia, que trata liricamente temas como a adolescência e a vida da província, destacam-se as obras Mais e Mais... (1932), Tanto (1934) e Sangue (1952).) (daqui)


Europe - The Final Countdown