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domingo, 26 de novembro de 2017

"Prognóstico" - Poema de Ada Ciocci Curado





Prognóstico 


Poeta, 
creia, 
nem tudo está perdido, 
porque, 
felizmente, 
sobretudo o mais, 
o seu ideal, 
a muitos outros ainda comove, 
demove 
predomina.


In 'Acalanto'




August Macke
(Suor Angelica - 'Senza mamma',  de Giacomo Puccini, na voz de Maria Callas)



"É através dos outros que nos tornamos nós mesmos."



quinta-feira, 21 de junho de 2012

"Lágrimas" - Poema de Cesário Verde





Lágrimas


Ela chorava muito e muito, aos cantos, 
Frenética, com gestos desabridos; 
Nos cabelos, em ânsias desprendidos 
Brilhavam como pérolas os prantos. 

Ele, o amante, sereno como os santos, 
Deitado no sofá, pés aquecidos, 
Ao sentir-lhe os soluços consumidos, 
Sorria-se cantando alegres cantos. 

E dizia-lhe então, de olhos enxutos: 
- "Tu pareces nascida da rajada, 
"Tens despeitos raivosos, resolutos: 

"Chora, chora, mulher arrenegada; 
"Lagrimeja por esses aquedutos... 
-"Quero um banho tomar de água salgada." 


Cesário Verde, 
in 'O Livro de Cesário Verde'



Cesário Verde 


José Joaquim Cesário Verde, nascido a 25 de Fevereiro de 1855, morreu muito jovem, a 19 de Julho de 1886. Filho do lavrador e comerciante José Anastácio Verde e de Maria da Piedade dos Santos Verde, Cesário matriculou-se na Universidade de Coimbra em 1873, frequentando por apenas alguns meses o curso de Letras. Ali conheceu Silva Pinto, grande amigo pelo resto da vida. Dividia-se entre a produção de poesias (publicadas em jornais) e as atividades de comerciante, herdadas do pai.
A supremacia exercida pela cidade sobre o campo leva o poeta a tratar estes dois espaços em termos dicotómicos. O contacto com o campo na sua infância determina a visão que dele nos dá e a sua preferência. Ao contrário de outros poetas anteriores, o campo não tem um aspecto idílico, paradisíaco, bucólico, susceptível de devaneio poético, mas sim um espaço real, concreto, autêntico, que lhe confere liberdade. O campo é um espaço de vitalidade, alegria, beleza, vida saudável… Na cidade, o ambiente físico, cheio de contrastes, apresenta ruas macadamizadas/esburacadas, casas apalaçadas (habitadas pelos burgueses e pelos ociosos), quintalórios velhos, edifícios cinzentos e sujos… O ambiente humano é caracterizado pelos calceteiros, cuja coluna nunca se endireita, pelos padeiros cobertos de farinha, pelas vendedeiras enfezadas, pelas engomadeiras tísicas, pelas burguesinhas… É neste sentido que podemos reconhecer a capacidade de Cesário Verde em trazer para a poesia o real quotidiano do homem citadino. 
Morto prematuramente, foi curta a obra que nos deixou Cesário Verde. No entanto, o carácter ousado de um realismo lírico e prosaico confere à sua poesia importância determinante no contexto da segunda metade do séc. XIX e perspectivando já algumas vertentes da modernidade do séc. XX. 
Postumamente os seus poemas foram reunidos por Silva Pinto em colectânea a que atribuíu o título de ‘O Livro de Cesário Verde’.


August Macke, Staudacher's house at the Tegernsee, 1910



"Os libertinos são aranhas repugnantes que às vezes apanham lindas borboletas."

(Denis Diderot)



Portrait of Denis Diderot, painted 1767, by Louis-Michel van Loo 


Denis Diderot (Langres, 5 de Outubro de 1713 — Paris, 31 de Julho de 1784) foi um filósofo e escritor francês. A primeira peça relevante da sua carreira literária é Lettres sur les aveugles a l’usage de ceux qui voient (Cartas sobre os cegos para uso por aqueles que veem), em que sintetiza a evolução do seu pensamento desde o deísmo até ao cepticismo e o materialismo ateu, e tal obra culminou em sua prisão. Sua obra prima é a edição da Encyclopédie (1750-1772) ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers (Dicionário razoado das ciências, artes e ofícios), onde reportou todo o conhecimento que a humanidade havia produzido até sua época. Demorou 21 anos para ser editada, e é composta por 28 volumes. Mesmo que na época o número de pessoas que sabia ler era pouco, ela foi vendida com sucesso. Denis conseguiu uma fortuna. Deu continuidade com empenho e entusiasmo apesar de alguma oposição da Igreja Católica e dos poderes estabelecidos. Escreveu também algumas outras peças teatrais de pouco êxito. Destacou-se particularmente nos romances, nos quais segue as normas dos humoristas ingleses, em especial de Sterne: A Religiosa, O Sobrinho de Rameau, Jacques, o fatalista e seu mestre. Escreveu vários artigos de crítica de arte.
Foi um dos primeiros autores que fazem da literatura um ofício, mas sem esquecer jamais que era um filósofo. Preocupava-se sempre com a natureza do homem, a sua condição, os seus problemas morais e o sentido do destino. Admirador entusiasta da vida em todas as suas manifestações, Diderot não reduziu a moral e a estética à fisiologia, mas situou-as num contexto humano total, tanto emocional como racional. Diderot é considerado por muitos um precursor da filosofia anarquista. Alguns estudiosos acreditam que, sob inspiração de sua obra, "A Religiosa", barbáries foram praticadas contra religiosos e freiras na Revolução Francesa de 1789 com o deturpado intuito de "protegê-los" contra os crimes praticados pela Santa Sé, há ainda um suposto dossiê encontrado por Georges May em 1954, que mostra a obra A religiosa como pura ficção e não um retrato da realidade. 
Faleceu em 31 de julho de 1784. Encontra-se sepultado no Panteão de Paris na França.



August Macke, Índios, 1911



"O homem vendido por outro pode não ser escravo; o que se vendeu a si mesmo, esse é o escravo absoluto."



domingo, 1 de abril de 2012

"A Vida" - Poema de João de Deus


August Macke, Our Street in Gray, 1911



A Vida 


A vida é o dia de hoje, 
a vida é ai que mal soa, 
a vida é sombra que foge, 
a vida é nuvem que voa; 
a vida é sonho tão leve 
que se desfaz como a neve 
e como o fumo se esvai: 
A vida dura um momento, 
mais leve que o pensamento, 
a vida leva-a o vento, 
a vida é folha que cai! 

A vida é flor na corrente, 
a vida é sopro suave, 
a vida é estrela cadente, 
voa mais leve que a ave: 
Nuvem que o vento nos ares, 
onda que o vento nos mares 
uma após outra lançou, 
a vida – pena caída 
da asa de ave ferida - 
de vale em vale impelida, 
a vida o vento a levou! 





August Macke, autorretrato


August Macke (Meschede, 3 de janeiro de 1887 — Perthes-lès-Hurlus, Champanhe, 26 de setembro de 1914) foi um pintor expressionista alemão.
Em Paris, onde esteve pela primeira vez em 1907, Macke pode conhecer a obra dos impressionistas e logo depois mudou-se para Berlim, onde passou alguns meses no estúdio de Lovis Corinth. Seu estilo formou-se à maneira do impressionismo francês e do pós-impressionismo. Posteriormente atravessou um período fauve.
Em 1909 casou-se com Elizabeth Gerhardt.
Em 1910, graças à amizade com Franz Marc, Macke encontrou Kandinsky e, por um curto período, compartilhou da estética não-objetual e dos interesses místicos e simbólicos do grupo Der Blaue Reiter.


August Macke, autorretrato


O encontro com Robert Delaunay em Paris, no ano de 1912, representou para Macke uma espécie de revelação. O cubismo cromático de Delaunay, que Apollinaire havia definido como orfismo, influenciará a produção do artista dali em diante. Suas “Vitrines” podem ser consideradas como interpretações pessoais das "Janelas" de Delaunay, combinadas com a simultaneidade de imagens que se encontra no Futurismo italiano.
A atmosfera exótica da Tunísia, onde Macke esteve em 1914 com Paul Klee e Louis Moilliet, foi fundamental para a criação da abordagem luminista do seu período final durante o qual produziu uma série de trabalhos atualmente considerados como obras-primas.
A carreira de Macke foi bruscamente interrompida por sua morte prematura, em combate, na Primeira Guerra Mundial. Foi sepultado no Alter Friedhof Bonn.


August Macke 


"A imaginação é a visão da alma."




August Macke 


"Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés."

August Macke 


"O medo depende da imaginação, a cobardia do carácter."

August Macke 


"Bondade é amar as pessoas mais do que elas merecem."



August Macke 


"A superstição é a única religião de que as almas baixas são capazes."



August Macke 


"São os livros que nos causam os maiores prazeres e os homens quem nos causa as maiores dores."


"No meio do caminho" - Poema de Carlos Drummond de Andrade


Pintura de August Macke



No meio do caminho 


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade



Galeria de August Macke
August Macke, autorretrato


August Macke (Meschede, 3 de janeiro de 1887 - Perthes-lès-Hurlus, Marne, 26 de setembro de 1914) foi um pintor expressionista alemão. Em Paris, onde esteve pela primeira vez em 1907, Macke pode conhecer a obra dos impressionistas e logo depois mudou-se para Berlim, onde passou alguns meses no estúdio de Lovis Corinth. Seu estilo formou-se à maneira do impressionismo francês e do pós-impressionismo. Posteriormente atravessou um período fauve. Em 1909 casou-se com Elizabeth Gerhardt. Em 1910, graças à amizade com Franz Marc, Macke encontrou Kandinsky e, por um curto período, compartilhou da estética não-objetual e dos interesses místicos e simbólicos do grupo Der Blaue Reiter. O encontro com Robert Delaunay em Paris, no ano de 1912, representou para Macke uma espécie de revelação. O cubismo cromático de Delaunay, que Apollinaire havia definido como orfismo, influenciará a produção do artista dali em diante. Suas “Vitrines” podem ser consideradas como interpretações pessoais das "Janelas" de Delaunay, combinadas com a simultaneidade de imagens que se encontra no Futurismo italiano. A atmosfera exótica da Tunísia, onde Macke esteve em 1914 com Paul Klee e Louis Moilliet, foi fundamental para a criação da abordagem luminista do seu período final durante o qual produziu uma série de trabalhos atualmente considerados como obras-primas. A carreira de Macke foi bruscamente interrompida por sua morte prematura, em combate, na Primeira Guerra Mundial.

























“A pintura é poesia sem palavras.” 

(Voltaire)



Christina Aguilera - The Voice Within



sábado, 31 de março de 2012

"Cavalgada" - Poema de Armindo Rodrigues


Franz Marc, Horses



Cavalgada


Já rebentei de correr
Sete cavalos a fio.
O primeiro era cinzento
Com sonhos de água sem fundo
E cor do norte o segundo
Com ferraduras de prata.
O terceiro era um mistério
E o quarto cor de agonia.
O quinto, de olhos em brasa,
Era só prata e espanto.
O sexto não se sabia
Se era cavalo, se vento.
Corria o sétimo tanto
Que nem a cor se lhe via.
Quanto mais ando mais meço
As distâncias que há em mim
Cada desejo é um fim
E cada fim um começo.


Retrato de Franz Marc  por August Macke


(August Macke (Meschede, 3 de janeiro de 1887 - Perthes-lès-Hurlus, Marne, 26 de setembro de 1914) foi um pintor expressionista alemão.)


Franz Moritz Wilhelm Marc (Munique, 8 de fevereiro de 1880 - Gussainville, 4 de março de 1916), pintor alemão, foi um dos mais influentes representantes do movimento expressionista na Alemanha. 
Filho de Wilhelm Marc, um pintor profissional de paisagens e de Sophie Marc, uma estrita calvinista, descendente dos huguenotes que se estabeleceram na Alsácia, decidiu iniciar seus estudos na Academia de Belas Artes de Munique, em 1900, depois de passar pela filosofia e pela teologia.

Suas primeiras criações foram paisagens, de estilo naturalista. Graças ao seu excelente domínio do francês, que lhe fora transmitido pela mãe, durante duas temporadas que passou em Paris (1903 e 1907), descobriu o impressionismo e sobretudo uma grande afinidade com a obra de Vincent Van Gogh. Em 1910, fez amizade com os pintores August Macke, Gabriele Münter e Wassily Kandinsky. Com eles e outros pintores dissidentes do movimento Neue Künstlervereinigung, fundou o grupo Der Blaue Reiter ("O cavaleiro azul"), em 1911. 

Influenciado pelo uso da cor de Robert Delaunay, gradativamente sua obra se aproxima do futurismo e do cubismo e para a crescente abstração, até culminar na abstração expressiva. O tema é a força vital da natureza, o bem, a beleza e a verdade do animal, que o autor não vê no homem. Marc sentia-se intimamente ligado aos animais e tentou representar o mundo tal como o animal o vê, mediante a simplificação formal e cromática das coisas. Usa cada cor para denotar um significado: azul para a austeridade masculina e o espiritual; amarelo para a alegria feminina; vermelho, para a violência.

Na Primeira Guerra Mundial, Franz Marc apresentou-se como voluntário. Em 1916, em Gussainville, nas proximidades de Verdun, foi abatido por um obus, quando realizava missão de reconhecimento. Morreu aos 36 anos.



Galeria de Franz Marc










The Dream (1912)



Kelly Clarkson - Because of You




"Usamos os espelhos para ver o rosto e a arte para ver a alma." 


(George Bernard Shaw)


George Bernard Shaw (Dublin, 26 de julho de 1856 — Ayot Saint Lawrence, 2 de novembro de 1950) foi um dramaturgo, romancista, contista, ensaísta e jornalista irlandês. É autor de comédias satíricas que o tornaram espírito irreverente e inconformista.

domingo, 29 de janeiro de 2012

"O quociente e a incógnita" - Poesia matemática de Millôr Fernandes


Paul Klee, Strong dream, 1929



O quociente e a incógnita


Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a, do Ápice à Base,
uma figura ímpar:
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo octogonal, seios esferóides.

Fez da sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.

“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”

E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.

E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.

E enfim resolveram se casar,
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.

E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes até aquele dia
em que tudo vira afinal monotonia.

Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
Frequentador de círculos concêntricos, viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
Tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade como aliás em qualquer
sociedade.


Millôr Fernandes,
Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo"
Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954,
 publicado com o pseudónimo de Vão Gogo.




Paul Klee, Contemplation, 1938 
 

"O último refúgio do oprimido é a ironia, e nenhum tirano, por mais violento que seja, escapa a ela. O tirano pode evitar uma fotografia, não pode impedir uma caricatura. A mordaça aumenta a mordacidade."
 

Millôr Fernandes, O Livro Vermelho dos Pensamentos de Millôr
 
 

Paul Klee, drawn by August Macke in 1914
 

Paul Klee

Artista suíço, Paul Klee nasceu em 1879, na Suíça. Filho de um professor de música, começou desde cedo a tocar violino.
 Em 1900 inscrevia-se na Academia de Belas-Artes de Munique, começando por utilizar a pena e a tinta e a gravura. Os temas continham algo de sinistro e satírico, na tradição do fantástico presentes em artistas como Francisco Goya, William Blake ou Odilon Redon. 
Na sua primeira exposição individual em 1910 apresentava gravuras. O contacto com o grupo de artistas alemães Blaue Reiter e sobretudo uma viagem à Tunísia em 1914 assumiram uma importância fundamental na evolução da sua estética.
Começou a pintar aguarelas de paisagens e motivos de arquitetura, construindo as composições a partir de formas simples que criam um ambiente ingénuo e bem-humorado. Em O Zoo (1918) desenvolveu a técnica iniciada na Tunísia. As imagens possuem um aspeto deliberadamente infantil, o que empresta a toda a construção uma característica poética não isenta de humorismo.
Em 1920 foi convidado por Gropius a integrar o corpo docente da escola Bauhaus e a partir daqui o seu trabalho vai refletir a ideologia da escola, mas num ambiente muito pessoal. 
Em Juniper (1930) apresenta uma visão humorística da estética construtivista que então singrava na Bauhaus. Procurou ainda teorizar as suas conceções de Arte em Maneiras de Estudar a Natureza (1923), Esboços de Pedagogia (1925) e Experiências Exatas no Realismo da Arte (1928), sem contudo propor um todo sistemático e coerente. 
Com a ascensão do regime nazi, regressou a Berna em 1933. Começou a pintar com linhas pretas, grossas, construindo composições simples e ousadas: Sinais Negros (1938), Jogo de Crianças (1939). O humor dos trabalhos anteriores era contudo menos evidente e o clima era por vezes mesmo ameaçador, como em Morte e Fogo e Máscara (1940). 
Veio a falecer na cidade de Berna em 1940. Apesar de ter partilhado as teorias de Kandinsky, Paul Klee desenvolveu um universo pictural muito próprio, partindo de formas abstratas e fantásticas e criando uma arte subjetiva espontaneamente poética.

Paul Klee. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-01-29].



Ne-Yo, One in a Million


sábado, 31 de dezembro de 2011

"A forma justa" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


August Macke, Lady in a Green Jacket, 1913, Museum Ludwig, Cologne, Germany



A forma justa 


Sei que seria possível construir o mundo justo 
As cidades poderiam ser claras e lavadas 
Pelo canto dos espaços e das fontes 
O céu o mar e a terra estão prontos 
A saciar a nossa fome do terrestre 
A terra onde estamos — se ninguém atraiçoasse — proporia 
Cada dia a cada um a liberdade e o reino 
— Na concha na flor no homem e no fruto 
Se nada adoecer a própria forma é justa 
E no todo se integra como palavra em verso 
Sei que seria possível construir a forma justa 
De uma cidade humana que fosse 
Fiel à perfeição do universo 
Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco 
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo. 



Sophia de Mello Breyner Andresen, 
in "O Nome das Coisas"



Israel "IZ" Kamakawiwo'ole - Somewhere Over the Rainbow
 


"Cada noite passa e colhe
o gosto dum novo dia. " 


(Albano Martins)



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