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domingo, 12 de janeiro de 2014

"Árvore" - Poema de Manoel de Barros


Árvore 


Um passarinho pediu a meu irmão para ser uma árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de sol, 
de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus.
Seu olho no estágio de ser árvore, aprendeu melhor o azul.
E descobriu que uma casa vazia de cigarra, 
esquecida no tronco das árvores, só serve para poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores
são vaidosas. Que justamente aquela árvore na qual meu irmão
se transformara, envaidecia-se quando era nomeada para o
entardecer dos pássaros e tinha ciúmes da brancura que os
lírios deixavam nos brejos.
Meu irmão agradecia a Deus aquela permanência em árvore
porque fez amizade com as borboletas.


in Ensaios Fotográficos






"Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina."

(Manoel de Barros)






"É no ínfimo que eu vejo a exuberância."

(Manoel de Barros)





"Deixei uma ave me amanhecer."

(Manoel de Barros)





 
“Na natureza, uma repugnante lagarta transforma-se numa borboleta encantadora; entre os homens, ocorre o contrário; uma encantadora borboleta transforma-se numa lagarta repugnante.”

Anton Tchecov


Anton Pavlovitch Tchecov (Taganrog, 29 de janeiro de 1860— Badenweiler, 15 de julho de 1904) foi um médico, dramaturgo e escritor russo, considerado um dos maiores contistas de todos os tempos. Em sua carreira como dramaturgo criou quatro clássicos e seus contos têm sidos aclamados por escritores e críticos. Tchecov foi médico durante a maior parte de sua carreira literária, e em uma de suas cartas ele escreve a respeito: "A medicina é a minha legítima esposa; a literatura é apenas minha amante."




sábado, 25 de agosto de 2012

"É preciso não esquecer nada" - Poema de Cecília Meireles


Fotografia de Jeevan Jose 



É preciso não esquecer nada 


É preciso não esquecer nada: 
nem a torneira aberta nem o fogo aceso, 
nem o sorriso para os infelizes 
nem a oração de cada instante. 

É preciso não esquecer de ver a nova borboleta 
nem o céu de sempre. 

O que é preciso é esquecer o nosso rosto, 
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. 

O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, 
a ideia de recompensa e de glória. 

O que é preciso é ser como se já não fossemos, 
vigiados pelos próprios olhos 
severos connosco, pois o resto não nos pertence.







Borboletas
Belas fotografias de Jeevan Jose (KadavoorÍndia)
























































quarta-feira, 28 de março de 2012

"A borboleta" - poema de Olavo Bilac





A borboleta 


Trazendo uma borboleta, 
Volta Alfredo para casa. 
Como é linda! É toda preta, 
Com listas douradas na asa. 

Tonta, nas mãos da criança, 
Batendo as asas, num susto, 
Quer fugir, porfia, cansa, 
E treme, e respira a custo. 

Contente, o menino grita: 
“É a primeira que apanho, 
Mamãe vê como é bonita! 
Que cores e que tamanho! 

Como voava no mato! 
Vou sem demora pregá-la 
Por baixo do meu retrato, 
Numa parede da sala”. 

Mas a mamãe, com carinho, 
Lhe diz: “Que mal te fazia, 
“Meu filho, esse animalzinho, 
Que livre e alegre vivia? 

Solta essa pobre coitada! 
Larga-lhe as asas, Alfredo! 
Vê como treme assustada… 
Vê como treme de medo… 

Para sem pena espetá-la 
Numa parede, menino, 
É necessário matá-la: 
Queres ser um assassino?” 

Pensa Alfredo… E, de repente, 
Solta a borboleta… E ela 
Abre as asas livremente, 
E foge pela janela. 

“Assim, meu filho! Perdeste 
A borboleta dourada, 
Porém na estima cresceste 
De tua mãe adorada… 

Que cada um cumpra a sorte 
Das mãos de Deus recebida: 
Pois só pode dar a Morte 
Aquele que dá a Vida.” 


Olavo Bilac, in Poesias Infantis  


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos. Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo. Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudónimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome. Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias. Sem sombra de dúvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 
Obras: Poesias (1888), Crónicas e novelas (1894), Crítica e fantasia (1904), Conferências literárias (1906), Dicionário de rimas (1913), Tratado de versificação (1910), Ironia e piedade, crónicas (1916), Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas.




Borboletas
 




















(Todas as imagens foram retiradas da internet)

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