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terça-feira, 13 de agosto de 2019

"Lição" - Poema de Helena Kolody




LIÇÃO


A luz da lamparina dançava
frente ao ícone da Santíssima Trindade.

Paciente, a avó ensinava
a prostrar-se em reverência,
persignar-se com três dedos
e rezar em língua eslava.

De mãos postas, a menina
fielmente repetia
palavras que ela ignorava,
mas Deus entendia.


“Poesias escolhidas”



Georgios Jakobides, The First Steps, 1889


“O indivíduo que não sabe respeitar a mínimas regras de disciplina doméstica não poderá experimentar a suprema felicidade de ser senhor de suas emoções.”

(Emídio Brasileiro)


Georgios Jakobides, The Combing of Granddaughter, 1886


“É natural que o ser humano e todos os seres da natureza busquem o bem-estar pleno, atendendo a ordem de equilíbrio das forças ou leis naturais da evolução. Os bem-estares físicos, mentais e espirituais são metas a serem conquistadas. E essas metas são geralmente denominadas de felicidade.”

(Emídio Brasileiro)



Georgios Jakobides, Cold Shower, 1898


“Um lar estruturado pela concórdia do amor é a melhor universidade que existe.”

(Emídio Brasileiro)



domingo, 14 de agosto de 2016

"Cartas de Meu Avô" - Poema de Manuel Bandeira


Edmund C. Tarbell, Portrait of a Boy Reading, 1913



Cartas de Meu Avô


A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente…
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.

Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.

Cartas de antes do noivado…
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.

Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala…

A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também.

A paixão, medrosa dantes
Cresceu, dominou-o todo.
E as confissões hesitantes
Mudaram logo de modo.

Depois o espinho do ciúme…
A dor… a visão da morte…
Mas, calmado o vento, o lume
Brilhou, mais puro e mais forte.

E eu bendigo, envergonhado,
Esse amor, avô do meu…
Do meu – fruto sem cuidado
Que, ainda verde, apodreceu.

O meu semblante está enxuto
Mas a alma, em gotas mansas,
Chora, abismada no luto
Das minhas desesperanças…

E a noite vem, por demais
Erma, úmida e silente…
A chuva, em pingos glaciais,
Cai melancolicamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.


in Cinza das Horas, 1917


sábado, 23 de abril de 2016

"O Avô" - Poema de Olavo Bilac


Albert Anker, The devotion of his grandfather, 1893



O Avô


Este, que, desde a sua mocidade,
Penou, suou, sofreu, cavando a terra,
Foi robusto e valente, e, em outra idade,
Servindo à Pátria, conheceu a guerra.

Combateu, viu a morte, e foi ferido;
E, abandonando a carabina e a espada,
Veio, depois do seu dever cumprido,
Tratar das terras, e empunhar a enxada.

Hoje, a custo somente move os passos...
Tem os cabelos brancos; não tem dentes...
Porém remoça, quando tem nos braços
Os dois netos queridos e inocentes.

Conta-lhes os seus anos de alegria,
Os dias de perigos e de glórias,
As bandeiras voando, a artilharia
Retumbando, e as batalhas, e as vitórias...

E fica alegre quando vê que os netos,
Ouvindo-o, e vendo-o, e lhe invejando a sorte,
Batem palmas, extáticos, e inquietos,
Amando a Pátria sem temer a morte!


Poesias infantis


segunda-feira, 28 de março de 2016

"A Avó" - Poema de Olavo Bilac


August Allebé (1838-1927)



A Avó


A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .

A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
“Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!”

Então, com frases pausadas,
Conta historias de quimeras,
Em que há palácios de fadas,
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .

E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem. . .




Victor Gilbert (1847-1933), My new brother



Provérbio


"A avó é mãe duas vezes."


quinta-feira, 26 de julho de 2012

"Pedagogia" - Poema de Miguel Torga


"Aniversário do avô" de Frederick Morgan (Londres, Inglaterra, 1847-1927)



Pedagogia 


Brinca enquanto souberes!
Tudo o que é bom e belo
Se desaprende...
A vida compra e vende
A perdição,
Alheado e feliz,
Brinca no mundo da imaginação,
Que nenhum outro mundo contradiz!

Brinca instintivamente
Como um bicho!
Fura os olhos do tempo,
E à volta do seu pasmo alvar
De cabra-cega tonta,
A saltar e a correr,
Desafronta
O adulto que hás de ser!

 Georgios Jakobides, "Avô"


“Ser avô ou avó é colher no coração as sementes emocionais plantadas nos corações dos filhos.”

(Emídio Brasileiro)


(Lesbos, Grécia, 11 de janeiro de 1853 – Atenas, Grécia, 13 de dezembro de 1932)



-Dia dos Avós-

26 de julho

Em Portugal a data escolhida para a celebração do Dia dos Avós é o dia 26 de Julho, por este ser o dia de Santa Ana e São Joaquim, pais de Maria e avós de Jesus Cristo. A celebração do dia dedicado aos avós é feita através de eventos que  lhes prestam homenagem. Os netos  presenteiam simbolicamente os seus avós, de forma a agradecer o apoio e dedicação destes à família e mostrar o quanto são importantes para os seus familiares. 


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