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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

"Névoa" - Poema de Fernando Pessoa


Mar de nuvens visto da Montanha Jhushan em Taiwan. (Daqui)



Névoa


A névoa envolve a montanha,
Húmido, um frio desceu.
O que é esta mágoa estranha
Que o coração me prendeu?

Parece ser a tristeza
De alguém de quem sou ator,
Com fantasiada viveza
Tornada já minha dor.

Mas, não sei porquê, me dói
Qual se fora eu a ilusão;
E há névoa em tudo o que foi
E frio em meu coração.


Fernando Pessoa
 


 


Desce a névoa da montanha


Desce a névoa da montanha,
Desce ou nasce ou não sei quê...
Minha alma é a tudo estranha,
Quando vê, vê que não vê.
Mais vale a névoa que a vida...
Desce, ou sobe: enfim, existe.
E eu não sei em que consiste
Ter a emoção por vivida,
E, sem querer, estou triste.

2-9-1935

Fernando Pessoa



 
 

domingo, 5 de outubro de 2014

"O Sapo" - Poema de Afonso Lopes Vieira


Bufotes balearicus female (Bufo viridis)


Sapos num amplexo.


Bufo viridis




O Sapo-comum ou sapo-europeu (Bufo bufo) é uma espécie de sapo da família Bufonidae.



O Sapo 


Não há jardineiro assim, 
Não há hortelão melhor 
Para uma horta ou jardim, 
Para os tratar com amor. 

É o guarda das flores belas, 
da horta mais do pomar; 
e enquanto brilham estrelas, 
lá anda ele a rondar... 

Que faz ele? Anda a caçar 
os bichos destruidores 
que adoecem o pomar 
e fazem tristes as flores. 

Por isso, ficam zangadas 
as flores, se se faz mal 
a quem as traz tão guardadas 
com o seu cuidado leal. 

E ele guarda as flores belas, 
a horta mais o pomar; 
brilham no céu as estrelas, 
e ele ronda, a trabalhar... 

E ao pobre sapo, que é cheio 
de amor pela terra amiga, 
dizem-lhe que é feio 
e há quem o mate e persiga 

Mas as flores ficam zangadas, 
choram, e dizem por fim: 
- «Então ele traz-nos guardadas, 
e depois pagam-lhe assim?» 

E vendo, à noite, passar 
o sapo cheio de medo, 
as flores, para o consolar, 
chamam-lhe lindo, em segredo... 


Afonso Lopes Vieira,
in 'Animais Nossos Amigos'





Poeta e ficcionista português, Afonso Lopes Vieira, nasceu a 26 de janeiro de 1878, em Leiria, e morreu a 25 de janeiro de 1946, em Lisboa. 
Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, chegou a praticar a advocacia. Foi, entre 1900 e 1919, redator da Câmara dos Deputados, e, a partir de 1916, dedicou-se exclusivamente à literatura e à ação cultural. 
Retirou-se na sua casa de São Pedro de Muel onde recebia vários amigos, também escritores, e viajou por Espanha, França, Itália, Bélgica, Norte de África e Brasil, tendo decidido "reaportuguesar Portugal, tornando-se europeu".
Levou a cabo inúmeras tentativas de reabilitação junto do grande público (inclusivamente infantil) de um património nacional, nomeadamente clássico e medieval, esquecido, seja pela tradução (Romance de Amadis) ou divulgação de obras de autores basilares da cultura nacional (edição de Os Lusíadas; a promoção de uma Campanha Vicentina). 
Integrado no grupo da "Renascença Portuguesa", colaborou em publicações como A Águia, Nação Portuguesa ou Contemporânea
A sua poesia, próxima do saudosismo, inscreve-se num filão tradicional que, fazendo a transição entre a poesia neorromântica de fim-de-século e correntes nacionalistas e sebastianistas do início do século XX, recuperam métricas, formas etemas tanto inspirados na literatura clássica como nos romanceiros ou na literatura popular. 
Com uma faceta de anarquista, que inspirará, por exemplo, a obra ficcional Marques (História de um Perseguido), as inúmeras ações de renascimento cultural de Portugal que promoveu, mantiveram-se num plano da consciência individual, sem aderirem a programas com ideais em parte coincidentes, como o integralismo, representando, antes, no início do século, a persistência de um neorromantismo que fora encetado com o neogarrettismo de Alberto de Oliveira.
Destacam-se na sua produção: Para quê, Náufragos: Versos Lusitanos, O Encoberto, Bartolomeu Marinheiro, Arte Portuguesa, Ilhas de Bruma e Onde a Terra Acaba e o Mar Começa.

Afonso Lopes Vieira. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. 



Tito Paris - Mar Azul (Live) 

Tito Paris é um músico, compositor e cantor cabo-verdiano, nascido em 30 de Maio de 1963, na cidade do Mindelo, na Ilha de São Vicente. Radicado em Lisboa, ele é um dos responsáveis pela divulgação da música das ilhas da Morabeza pelo mundo além de uma figura de relevo da comunidade africana na capital.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

"Diálogo" - Poema de Albano Martins


Os alunos atravessam uma ponte suspensa danificada, Lebak, Indonésia


Diálogo


Levarás 
pela mão 
o menino 
até ao rio. Dir-lhe-ás 
que a água é cega 
e surda. Muda, 
não. Que o digam 
os peixes, que em silêncio 
com ela sustentam 
seu diálogo 
líquido, de líquidas 
sílabas 
de submersas 
vogais. 



Albano Martins
in "Castália e Outros Poemas"



 Lebak, Indonésia



Os mais perigosos e bizarros caminhos do mundo para ir para a escola

Para deleite de alguns e desespero de outros, o novo ano letivo está prestes a começar para milhões de crianças em todo o mundo. Se para muitas crianças ir para a escola é uma banalidade para outros é um grande luxo.



Delhi, India


São muitas as crianças que todos os dias têm de percorrer caminhos bastante perigosos e bizarros, muitas vezes em transportes sobrelotados, para conseguirem chegar à escola e receber a educação que muitas outras crianças dão por garantida.



Sri Lanka


De acordo com a UNESCO, o progresso de ligação entre as crianças e as escolas abrandou nos últimos cinco anos, o que torna ainda mais difícil a muitas crianças deslocarem-se para os locais de aprendizagem, escreve o Bored Panda

Pili, China


Os caminhos perigosos que todos os dias têm de atravessar são um dos principais motivos para a grande taxa de abandono escolar nos países mais desfavorecidos ou nas regiões isoladas.


Gulu, China

A solução pode parecer simples: construam-se pontes e estradas, comprem-se autocarros e contratem-se motoristas. Contudo, a falta de dinheiro e os desastres naturais que frequentemente destroem as construções que permitem às crianças ir à escola tornam difícil o acesso à educação que muitos necessitam.



Zhang Jiawan Village, Southern China


"Tenho de procurar nas estrelas aquilo que me é negado na Terra."


Albert Einstein


Padang, Sumatra, Indonesia


"Qual é o sentido da nossa vida em especial, e qual o sentido da vida de todos os seres em geral? Saber responder a esta pergunta equivale a ser-se religioso. Hão-de perguntar: fará sentido pôr-se esta questão? Respondo: Quem considere a sua própria vida e a dos seus semelhantes como desprovida de sentido, não é somente infeliz, como ainda incapaz de viver."   

Albert Einstein


Padang, Sumatra, Indonesia


"Dificuldades e obstáculos são fontes valiosas de saúde e força para qualquer sociedade."

Albert Einstein



Rio Negro, Colômbia


"Deus é a lei e o legislador do Universo."


Albert Einstein


Rio Negro, Colômbia


"O comportamento ético do homem deve basear-se eficazmente na compaixão, na educação e nos laços sociais, e não necessita de base religiosa. Triste seria a condição humana se os homens precisassem de ser refreados pelo temor do castigo ou pela esperança da recompensa depois da morte."

Albert Einstein


Gulu, China


"Feliz aquele que atravessou a vida ajudando o seu semelhante, que não conheceu o medo e se manteve alheio à agressividade e ao ressentimento! É dessa madeira que são esculpidas as figuras ideais, que consolam a Humanidade nas situações de sofrimento que ela própria criou."

Albert Einstein


Gulu, China


"Tudo quanto o espírito inventivo do homem criou nos últimos cem anos, poderia assegurar-nos uma vida despreocupada e feliz se o progresso em matéria de organização tivesse caminhado a par do progresso técnico. Mas, assim, tudo quanto se conseguiu à custa de muito esforço, lembra, nas mãos da nossa geração, uma lâmina de barbear na mão duma criança de três anos. A aquisição de maravilhosos meios de produção não nos trouxe a liberdade, mas sim a preocupação e a fome."

Albert Einstein


Cilangkap Village, Indonesia


"Só quando se suprimir a guerra, se conseguirá também realizar a educação da juventude no espírito de conciliação, de alegre afirmação da vida e de amor para com todos os seres vivos. Nem é de desejar que, precisamente os moços mais valorosos, sejam entregues à destruição, levada a cabo pela engrenagem, atrás da qual se erguem três potências formidáveis: a estupidez, o medo e a avidez."

Albert Einstein



A girl riding a bull to school, Myanmar


"O trabalho esforçado e a contemplação da natureza de Deus são os anjos que, conciliadores, fortificadores e, contudo, impiedosamente severos, me guiarão através do tumulto da vida."


 Albert Einstein
Correspondência (1897), a um amigo


Riau, Indonésia


"A comodidade de vida, o conforto, têm nos Estados Unidos um papel predominante. A eles se sacrifica o sossego, a despreocupação e a segurança. O Americano vive mais para um objectivo, para o futuro, que o Europeu. A vida é um evoluir constante e nunca um estado. Nesse sentido é menos parecido ainda com o Russo e o Asiático do que o Europeu."

Albert Einstein



The Root Bridge, India


"Aquilo que considero verdadeiramente valioso na engrenagem da Humanidade não é o Estado, mas sim o indivíduo criador e emotivo, a personalidade: só ela é capaz de criar aquilo que é nobre e sublime, enquanto o povo em si permanece embotado no pensar e frígido no sentir."

Albert Einstein


Zanskar, Indian Himalayas


"A interrupção do treino intelectual nos anos decisivos do desenvolvimento, deixa fácilmente, atrás de si, uma lacuna que dificilmente poderá ser depois preenchida."

Albert Einstein


Rizal Province, Philippines


"A imaginação é mais importante que a ciência, porque a ciência é limitada, ao passo que a imaginação abrange o mundo inteiro."

Albert Einstein



Rizal Province, Philippines


"A vontade, dominada por uma firme convicção, é mais forte que a força material aparentemente invencível."

Albert Einstein



Rizal Province, Philippines


"Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe por provar o contrário."

Albert Einstein


Rizal Province, Philippines


"O ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa e não uma amarga obrigação."


Beldanga, India

Fontes:
Green Savers
Bored Panda


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

"A Maravilha da Vida é tudo nela ter justificação" - de Miguel Torga





A Maravilha da Vida é tudo nela ter justificação


Desabafo dum amigo, que não encontra justificação para o seu pecado mortal, que é viver. Viver ao sol, gratuitamente, como um lagarto. Respondi-lhe que a maravilha da vida é tudo nela ter justificação. É, da mais rasteira erva ao mais nojento bicho, não haver presença no mundo que não seja necessária e insubstituível. Que, do contrário, era faltar na terra esta admirável plurivalência, que faz de uma tarde de sol, de trigo e de cigarras o mais assombroso espetáculo que se pode ver. O medir depois a distância que vai da formiga ao leão, da urtiga ao castanheiro, de Nero a S. Francisco de Assis, é uma casuística que não tem nada que ver com a torrente de seiva que inunda o mundo de polo a polo. 
Foi-se, e à tarde apareceu-me com um belo poema. 


Miguel Torga, in "Diário (1938)"



Vida Selvagem

















sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Canto dos espíritos sobre as águas" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe





Canto dos espíritos sobre as águas


A alma do homem 
É como a água: 
Do céu vem, 
Ao céu sobe, 
E de novo tem 
Que descer à terra, 
Em mudança eterna. 

Corre do alto 
Rochedo a pino 
O veio puro, 
Então em belo 
Pó de ondas de névoa 
Desce à rocha lisa, 
E acolhido de manso 
Vai, tudo velando, 
Em baixo murmúrio, 
Lá para as profundas. 

Erguem-se penhascos 
De encontro à queda, 
— Vai, espumando em raiva, 
Degrau em degrau 
Para o abismo. 

No leito baixo 
Desliza ao longo do vale relvado, 
E no lago manso 
Pascem seu rosto 
Os astros todos. 

Vento é da vaga 
O belo amante; 
Vento mistura do fundo ao cimo 
Ondas espumantes. 

Alma do Homem, 
És bem como a água! 
Destino do homem, 
És bem como o vento!


Johann Wolfgang von Goethe, 1788, in "Poemas"
Tradução de Paulo Quintela 



 Cataratas do Iguaçu


A área das Cataratas do Iguaçu  é um conjunto de cerca de 275 quedas de água no Rio Iguaçu (na Bacia hidrográfica do rio Paraná), localizada entre o Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, no Brasil 20%, e o Parque Nacional Iguazú em Misiones, na Argentina 80%, fronteira entre os dois países. A área total de ambos os parques nacionais, correspondem a 250 mil hectares de floresta subtropical e é considerada Património Natural da Humanidade. O Parque Nacional argentino foi criado em 1934; e o Parque Nacional brasileiro, em 1939, com o propósito de administrar e proteger o manancial de água que representa essa catarata e o conjunto do meio ambiente ao seu redor. Os parques tanto brasileiro como argentino passaram a ser considerados Património da Humanidade em 1984 e 1986, respetivamente. Desde 2002 o Parque Nacional do Iguaçu é um dos sítios geológicos brasileiros.



 Cataratas do Iguaçu


terça-feira, 7 de maio de 2013

"Trazes-me em tuas mãos de vitorioso" - Poema de Florbela Espanca


Henry Thomas Schafer (1873-1915), British painter and sculptor
A basket of roses - Grecian girls, c.1890



Trazes-me em tuas mãos de vitorioso 


Trazes-me em tuas mãos de vitorioso 
Todos os bens que a vida me negou, 
E todo um roseiral, a abrir, glorioso 
Que a solitária estrada perfumou. 

Neste meio-dia límpido, radioso, 
Sinto o teu coração que Deus talhou 
Num pedaço de bronze luminoso, 
Como um berço onde a vida me pousou. 

O silêncio, ao redor, é uma asa quieta... 
E a tua boca que sorri e anseia, 
Lembra um cálix de tulipa entreaberta... 

Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo... 
E o meu corpo ondulante de sereia 
Dorme em teus braços másculos de vândalo... 


in "A Mensageira das Violetas" 



Buganvília (Bougainvillea)


"Tudo quanto é belo manifesta o verdadeiro." 

Victor Hugo 



Hortênsias (Hydrangea macrophylla)


"A música está em tudo. Do mundo sai um hino." 

Victor Hugo



Zínias (Zinnia)


"A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor."

Victor Hugo



Margaridas (Leucanthemum vulgare)


"Tendo em conta as condições de que dispõe e na medida do possível, é a natureza que faz sempre as coisas mais belas e melhores."

Aristóteles



Orquídeas (Orquídea)


"A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."

Aristóteles



Narcisos (Narcissus)


"A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil." 

Nicolau Copérnico
Polónia
1473 // 1543
Astrónomo 



Violetas (Viola)


"Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso."

Aristóteles
Grécia Antiga
-384 // -322
Filósofo/Cientista 



Tulipas (Tulipa)


"É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve." 

Victor Hugo 
França
1802 // 1885
Poeta, Escritor, Dramaturgo, Político 

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