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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

"Contrariedades" - Poema de Cesário Verde


Balthus, The king of cats, 1935



Contrariedades


Eu hoje estou cruel, frenético, exigente; 
Nem posso tolerar os livros mais bizarros. 
Incrível! Já fumei três maços de cigarros 
Consecutivamente. 

Dói-me a cabeça. Abafo uns desesperos mudos: 
Tanta depravação nos usos, nos costumes! 
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes 
E os ângulos agudos. 

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora 
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes; 
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes 
E engoma para fora. 

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas! 
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica. 
Lidando sempre! E deve a conta na botica! 
Mal ganha para sopas... 

O obstáculo estimula, torna-nos perversos; 
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias, 
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias, 
Um folhetim de versos. 

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta 
No fundo da gaveta. O que produz o estudo? 
Mais duma redação, das que elogiam tudo, 
Me tem fechado a porta. 

A crítica segundo o método de Taine 
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa 
Muitíssimos papéis inéditos. A imprensa 
Vale um desdém solene. 

Com raras exceções merece-me o epigrama. 
Deu meia-noite; e em paz pela calçada abaixo, 
Soluça um sol-e-dó. Chuvisca. O populacho 
Diverte-se na lama. 

Eu nunca dediquei poemas às fortunas, 
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas. 
Independente! Só por isso os jornalistas 
Me negam as colunas. 

Receiam que o assinante ingénuo os abandone, 
Se forem publicar tais coisas, tais autores. 
Arte? Não lhes convêm, visto que os seus leitores 
Deliram por Zaccone. 

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa, 
Obtém dinheiro, arranja a sua coterie; 
E a mim, não há questão que mais me contrarie 
Do que escrever em prosa. 

A adulação repugna aos sentimentos finos; 
Eu raramente falo aos nossos literatos, 
E apuro-me em lançar originais e exatos, 
Os meus alexandrinos... 

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso! 
Ignora que a asfixia a combustão das brasas, 
Não foge do estendal que lhe humedece as casas, 
E fina-se ao desprezo! 

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova. 
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente, 
Oiço-a cantarolar uma canção plangente 
Duma opereta nova! 

Perfeitamente. Vou findar sem azedume. 
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas, 
Conseguirei reler essas antigas rimas, 
Impressas em volume? 

Nas letras eu conheço um campo de manobras; 
Emprega-se a reclame, a intriga, o anúncio, a blague, 
E esta poesia pede um editor que pague 
Todas as minhas obras 

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha? 
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia? 
Vejo-lhe luz no quarto. Inda trabalha. É feia... 
Que mundo! Coitadinha! 


 in 'O Livro de Cesário Verde'


sexta-feira, 10 de maio de 2013

"A Luz que vem das Pedras" - Poema de Pedro Tamen


Balthus - The Dream I, 1955



A Luz que vem das Pedras 


A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra, 
tu a colhes, mulher, a distribuis 
tão generosa e à janela do mundo. 
O sal do mar percorre a tua língua; 
não são de mais em ti as coisas mais. 
Melhor que tudo, o voo dos insectos, 
o ritmo nocturno do girar dos bichos, 
a chave do momento em que começa o canto 
da ave ou da cigarra 
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere 
a corda do que em ti faz acordar 
os olhos densos de cada dia um só. 
Quem está salvando nesta respiração 
boca a boca real com o universo? 


Pedro Tamen, 
in "Agora, Estar"


Pedro Mário Alles Tamen (Lisboa, 1 de dezembro de 1934) é um poeta e tradutor literário português. Pedro Tamen estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde se licenciou. Entre 1958 e 1975 foi director da (extinta) editora Moraes e administrou a Fundação Calouste Gulbenkian de 1975 a 2000. Paralelamente presidiou o P.E.N. Clube Português (1987 - 1990) e foi membro da direcção e presidente da assembleia geral da Associação Portuguesa de Escritores.
Tamen estreou com a obra poética Poema para Todos os Dias em 1956, seguidos por vários edições de poemas e livros. Com Retábulo das Matérias (2001) o autor publicou uma coleção dos seus poemas de 1956 - 2001. É tradutor de várias obras literários de - entre outros - Gabriel Garcia Marquez, Marcel Proust e Gustave Flaubert e foi condecorado com vários prémios literários.





Balthasar Klossowski de Rola (29 de fevereiro de 1908 em Paris - 18 de fevereiro de 2001 em Rossinière, Suíça), mais conhecido como Balthus pertence a uma família polaca de aristocratas. Desde a infância contacta de perto com o mundo da arte: o seu pai é pintor, crítico e historiador da arte (escreveu uma monografia sobre Honoré Daumier), a sua mãe é também pintora. O seu irmão mais velho é o pintor e escritor Pierre Klossowski. Na sua adolescência, passada em França e na Suíça, convive com escritores como André Gide ou Reiner Maria Rilke, cujos escritos ilustra. Conhece pintores como Pierre Bonnard, que o influencia com as suas pinturas parisienses dos anos de 1930 (vistas do Jardin du Luxemburg). Em 1926, durante uma estadia na Toscana, copia os frescos de Piero della Francesca, de Ucello, de Masaccio e de Masolino. A sua vida divide-se entre a Suíça, a Alemanha e a França. Expõe pela primeira vez em Berlim no ano de 1929. 

Em 1934, apresenta pela primeira vez, na Galerie Pierre (de Pierre Loeb), em Paris, uma série de pinturas em que os temas e o estilo se mostram mais pessoais: cenas da vida quotidiana, como La Rue [A Rua], 1933, cenas de interior e retratos. Neles se discerne uma filiação ao realismo fantástico dos alemães George Grosz, Otto Dix ou Max Beckman, e à estética do grupo Forces Nouvelles de Paris (George Rohner, Pierre Tal-Coat, Robert Humblot, Jean Lasne, Alfred Pellan, Henri Héraut, Henry Jannot) que milita a favor do realismo, em reação à vaga explosiva da abstração e do surrealismo. As lições de Derain, que conhece em 1933, são também visíveis. 

Em Paris, Balthus pinta as pequenas ruelas do bairro de Saint-Germain des Prés, onde habita a partir de 1933, de onde emana uma atmosfera de estranheza, de tempo suspenso e de inquietude. Os seus retratos são, na altura, considerados chocantes. Em quadros como Alice, la leçon de guitare [A lição de guitarra], ou La Toilette de Cathy [A higiene pessoal de Cathy], traduz a passagem da infância à adolescência e evoca a homossexualidade feminina.

 A partir de 1932, as pinturas de Balthus captam a atenção de Antonin Artaud, que então conhece o pintor. O escritor é o primeiro a falar da obra de Balthus em revistas como a N.R.F. [Nouvelle Revue française], e em 1935 requisita-lhe a conceção dos cenários dos Cenci. Em 1933, André Breton e outros surrealistas visitam o seu atelier, mas desiludem-se com o seu naturalismo. No entanto, o escândalo da exposição de 1934 e o erotismo das cenas pintadas não podem deixá-los indiferentes (La Toilette de Cathy é apresentado por trás de uma cortina nas traseiras da galeria): reproduzem La Rue na revista Documents 34, fazendo de Balthus um «compagnon de route». No entanto, este é demasiado independente para se associar ao grupo. 

A exposição de 1938, na galeria de Pierre Matisse, em Nova Iorque, marca o início da carreira internacional daquele que hoje figura como um dos maiores pintores do século XX. O reconhecimento, todavia, tardará, devido ao seu caráter inclassificável face às vanguardas, tanto no que se refere ao seu universo pessoal como ao seu estilo. 

Será necessário esperar até à década de 1960 para se assistir à sucessão de retrospetivas por todo o mundo. Balthus foi diretor da Villa Médicis, em Roma, entre 1961 e 1976, a pedido do seu amigo André Malraux. Balthus considerava-se não como um artista, mas como «um trabalhador». Dizia: «A arte é um ofício. […] Há muito que a noção de vanguarda em pintura já não significa nada. Os falsos amantes da arte, os especuladores, compram aquilo que não sabem decifrar, com medo de perder um achado. É o grande mal-entendido da arte moderna. Tal fenómeno favoreceu a eclosão da ditadura da não-figuração, à qual se opõem as ditaduras expressionista, surrealista, minimalista, não menos repulsivas e todas igualmente prometedoras de renascimentos desagradáveis... Quando pinto não procuro exprimir-me, mas sim exprimir o mundo» (entrevista a Véronique Prat, fevereiro de 1998, Le Figaro)(Daqui)



Balthus - The golden years, 1945


Balthus - Le Chat de la Méditerranée, 1949


Balthus - The week with four thursdays, 1949


Balthus - Landscape with a Tree, 1957 


Girl with a Mandolin - (última obra de Balthus), 2000-2001

quinta-feira, 9 de maio de 2013

"Humilhações" - Poema de Cesário Verde


Balthus, Portrait de Femme en Robe Bleue, 1935



Humilhações


Esta aborrece quem é pobre. Eu, quase Jó, 
Aceito os seus desdéns, seus ódios idolatro-os; 
E espero-a nos salões dos principais teatros, 
Todas as noites, ignorado e só. 

Lá cansa-me o ranger da seda, a orquestra, o gás; 
As damas, ao chegar, gemem nos espartilhos, 
E enquanto vão passando as cortesãs e os brilhos, 
Eu analiso as peças no cartaz. 

Na representação dum drama de Feuillet, 
Eu aguardava, junto à porta, na penumbra, 
Quando a mulher nervosa e vã que me deslumbra 
Saltou soberba o estribo do coupé. 

Como ela marcha! Lembra um magnetizador. 
Roçavam no veludo as guarnições das rendas; 
E, muito embora tu, burguês, me não entendas, 
Fiquei batendo os dentes de terror. 

Sim! Porque não podia abandoná-la em paz! 
Ó minha pobre bolsa, amortalhou-se a ideia 
De vê-la aproximar, sentado na plateia, 
De tê-la num binóculo mordaz! 

Eu ocultava o fraque usado nos botões; 
Cada contratador dizia em voz rouquenha: 
— Quem compra algum bilhete ou vende alguma senha? 
E ouviam-se cá fora as ovações. 

Que desvanecimento! A pérola do Tom! 
As outras ao pé dela imitam de bonecas; 
Têm menos melodia as harpas e as rabecas, 
Nos grandes espetáculos do Som. 

Ao mesmo tempo, eu não deixava de a abranger; 
Via-a subir, direita, a larga escadaria 
E entrar no camarote. Antes estimaria 
Que o chão se abrisse para me abater. 

Saí: mas ao sair senti-me atropelar. 
Era um municipal sobre um cavalo. A guarda 
Espanca o povo. Irei-me; e eu, que detesto a farda, 
Cresci com raiva contra o militar. 

De súbito, fanhosa, infecta, rota, má, 
Pôs-se na minha frente uma velhinha suja, 
E disse-me, piscando os olhos de coruja: 
— Meu bom senhor! Dá-me um cigarro? Dá?... 


Cesário Verde, 
in 'O Livro de Cesário Verde'



Balthus (Francês, 1908-2001), Self portrait, 1940



Balthus, Le passage du Commerce-Saint-André, 1952-1954 


Balthus, The street, 1933


Balthus, The white skirt, 1937

sábado, 14 de abril de 2012

"Dobrada à moda do Porto" - Poema de Álvaro de Campos


Balthus, 'Still Life with a Figure', 1940



Dobrada à moda do Porto


Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo, 
Serviram-me o amor como dobrada fria. 
Disse delicadamente ao missionário da cozinha 
Que a preferia quente, 
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria. 

Impacientaram-se comigo. 
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante. 
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta, 
E vim passear para toda a rua. 

Quem sabe o que isto quer dizer? 
Eu não sei, e foi comigo... 

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim, 
Particular ou público, ou do vizinho. 
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele. 
E que a tristeza é de hoje). 

Sei isso muitas vezes, 
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram 
Dobrada à moda do Porto fria? 
Não é prato que se possa comer frio, 
Mas trouxeram-mo frio. 
Não me queixei, mas estava frio, 
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.


Álvaro de Campos, in Poesias 
(Heterónimo de Fernando Pessoa)



Biodiversidade 



Biodiversidade ou diversidade biológica pode ser definida como a variedade de vida do planeta terra, abrangendo as variações genéticas dentro das populações e espécies, a flora, a fauna, os microrganismos e as diversas comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos.Sendo uma das propriedades fundamentais da natureza, é responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas e suas funções ecológicas são fundamentais para modificar a biosfera, tornando-a apropriada e segura para a vida.




A diversidade biológica possui, além de seu valor intrínseco, valor ecológico, genético, social, económico, científico, educacional, cultural, recreativo e estético. Com tamanha importância, é preciso evitar a perda da biodiversidade e cada vez mais preservá-la.




A preservação da biodiversidade não é só responsabilidade dos governos. As organizações internacionais e não governamentais, o setor privado e todas as pessoas têm o dever de proteger o que é o nosso património comum.




Por que ser Vegetariano?


As três razões para não se comer peixes


Sopa Plástica: O Lixo do Oceano Pacífico


Pesquisadores mostram que animais têm se alimentado de plástico. Correntes marítimas levam lixo da costa para o mar aberto. No maior oceano do planeta, uma sopa intragável, mistura de plástico, plâncton, lixo e alimento bóia a 1,6 mil quilómetros da costa entre a Califórnia e o Havaí. Não se sabe exatamente seu tamanho, mas estimativas indicam que o lixo maritmo do Oceano Pacífico teria área maior que a soma dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás.




A poluição alcança um ambiente em que seres humanos raramente estão presentes, pela pouca quantidade de ilhas. O lixo cria anomalias, como a tartaruga que cresceu com um anel de plástico em volta do casco e mata os moradores do mar.




.Descoberta por acaso, o capitão Charles Moore viajava pelo Pacífico, entre o Havaí e a Califórnia, quando resolveu arriscar um novo caminho. "Foi perturbador. Dia após dia não víamos uma única área onde não houvesse lixo. E tão distantes do continente", lembra o capitão. Como um descobridor nos tempos das navegações, Charles Moore foi o primeiro a detetar a massa de lixo. E batizou o lugar de Lixão do Pacífico. Primeiro, viu pedaços grandes de plástico, muitos deles transformados em casa para os mariscos. Depois, quando aprofundou a pesquisa, o capitão descobriu que as águas-vivas estavam se enrolando no nylon e engolindo pedaços de plástico. Ele percebeu que mesmo onde parecia limpo, havia dejetos microscópicos, que estariam sendo ingeridos por organismos marinhos minúsculos e até pelos maiores. Albatrozes, por exemplo, tinham um emaranhado de fios dentro do corpo. "Antes não havia plástico no mar, tudo era comida. Então os animais aprenderam a comer qualquer coisa que encontram pela frente. Você pode ver aqui que eles tentaram comer isso. Mas não conseguiram", diz o capitão. 
Com a peneira na popa, o capitão e sua equipe filtram a sopa de plástico e fazem medições. Já descobriram, por exemplo, que 26% do lixo vem de sacolas de supermercado. Numa análise feita com 670 peixes, encontraram quase 1,4 mil fragmentos de plástico. São informações valiosas, fonte de pesquisa e argumentos para a grande denúncia de Charles Moore: "Gostaria que o mundo inteiro percebesse que o tipo de vida que estamos levando, isso de jogar tudo fora, usar tantos produtos descartáveis, isso está nos matando. Temos que mudar se quisermos sobreviver." Da praia para as águas profundas - Um gesto despreocupado, uma simples garrafa de plástico esquecida numa praia da Califórnia. Muitas vezes ela é devolvida pelas ondas e recolhida pelos garis. Mas grande parte do lixo plástico que é produzido nessa região acaba embarcando numa longa e triste viagem pelo Oceano Pacifico. Pode ser também depois de uma tempestade. O plástico jogado nas ruas é varrido pela chuva, entra nas galerias fluviais das cidades e chega até o mar ou vem de rios poluídos que desembocam no oceano. No caminho, os dejetos do continente se juntam ao lixo das embarcações e viajam até uma região conhecida como o Giro do Pacífico Norte. Diversas correntes marítimas que passam às margens da Ásia e da América do Norte acabam formando um enorme redemoinho feito de água, vida marinha e plástico. Lixo encalhado - Em Kamilo Beach, uma praia linda e deserta de uma região quase desabitada do Havai, há tantos dejetos marítimos que o lugar acabou virando um lixão a céu aberto. Basta procurar um pouquinho para descobrir a origem de tudo o que chega até a praia. Em um pedaço de plástico, caracteres chineses. Uma bóia de pescadores, que provavelmente veio do Japão. Um pouco mais adiante, o pedaço de um tanque de plástico com ideogramas coreanos. O pior é que Kamilo Beach está mais de 1,5 mil quilómetros distante do Lixão do Pacífico, no extremo sudoeste da ilha de Hilo, no Havaí. A praia dificilmente vê um gari. E o plástico que chega lentamente pelo mar vai ficando esquecido no paraíso. Há dois anos, depois que se mudaram para cá, Dean e Suzzane Frazer resolveram fazer de Kamilo um alerta planetário. Suzanne se pergunta: "Será que o governo japonês, por exemplo, sabe quanto plástico o Japão esta mandando para o Havaí?" Dean vem trazendo um galão que, sem dúvida, chegou da Ásia. Tem também tubo de shampoo usado nos Estados Unidos e sacos de plástico sabe-se lá de onde. Agora, são só farrapos do mar. As mordidas impressas no plástico levaram os ambientalistas a mudar de alimentação. Eles afirmam que as toxinas estão se acumulando ao longo da cadeia alimentícia, fazendo com que os resíduos do plástico cheguem ao ser humano.
Fonte: Nova Consciência



O Capitão Charles Moore da Algalita Marine Research Foundation foi quem primeiro descobriu a grande mancha de lixo do Pacífico - uma infinita aglomeração flutuante de lixo plástico. Agora ele chama a atenção para o crescente, asfixiante problema dos resíduos de plástico nos nossos mares.


domingo, 20 de novembro de 2011

"Dona Abastança" - Poema de Manuel da Fonseca


Balthus, The Golden Fruit, 1956 , 160.5 x 159 cm
 Private Collection, Paris, France



Dona Abastança


«A caridade é amor» 
Proclama dona Abastança 
Esposa do comendador 
Senhor da alta finança.

Família necessitada 
A boa senhora acode 
Pouco a uns a outros nada 
«Dar a todos não se pode.»

Já se deixa ver 
Que não pode ser 
Quem 
O que tem 
Dá a pedir vem.

O bem da bolsa lhes sai 
E sai caro fazer o bem 
Ela dá ele subtrai 
Fazem como lhes convém 
Ela aos pobres dá uns cobres 
Ele incansável lá vai 
Com o que tira a quem não tem 
Fazendo mais e mais pobres.

Já se deixa ver 
Que não pode ser 
Dar 
Sem ter 
E ter sem tirar.

Todo o que milhões furtou 
Sempre ao bem-fazer foi dado 
Pouco custa a quem roubou 
Dar pouco a quem foi roubado.

Oh engano sempre novo 
De tão estranha caridade 
Feita com dinheiro do povo 
Ao povo desta cidade. 


 Manuel da Fonseca



Balthus, 'Still Life', 1937 



"Em Novembro, prova o vinho e planta o cebolinho."

(Provérbio)


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