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sábado, 28 de julho de 2012

"Só por isso, Mãe" - Poema de Lopes Morgado


Johann Georg Meyer von Bremen (Pintor alemão, 1813 – 1886) 


Só por isso, Mãe 


Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela. 

Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso, 
Quero enfunar a minha vela. 

Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso, 
Quero vestir-lhe o meu poema. 

Só porque tu existes,
Vale a pena! 


Lopes Morgado, Mulher Mãe
Sacerdote – Frei da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos



Galeria de Johann Georg Meyer von Bremen
 (28 de outubro de 1813 em Bremen; † 4 de dezembro de 1886 em Berlin)

Johann Georg Meyer von Bremen, With the mother


Johann Georg Meyer von Bremen, Young Girl at the Well


Johann Georg Meyer von Bremen, Sleeping brothers


Johann Georg Meyer von Bremen, A Little Schoolgirl


Johann Georg Meyer von Bremen, Thinking


Johann Georg Meyer von Bremen, Waiting on the return of the fisherman


Johann Georg Meyer von Bremen, Sleeping Beauty


Johann Georg Meyer von Bremen, At The Well 


Johann Georg Meyer von Bremen, The letter


Johann Georg Meyer von Bremen, The Three Sisters


Johann Georg Meyer von Bremen, In the Boudoir


Johann Georg Meyer von Bremen, Contemplation


Johann Georg Meyer von Bremen, Young Girl Knitting


Johann Georg Meyer von Bremen, With The Grandmother


Johann Georg Meyer von Bremen, Undressing the baby


Johann Georg Meyer von BremenThe Young Mother


Johann Georg Meyer von Bremen, The first visit to the newborn


Johann Georg Meyer von BremenSleeping brothers

“A mãe é a mais bela obra de Deus”. 

(Almeida Garrett)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

"Hoje, só canto para as Mulheres" - Poema de Lopes Morgado


Herbert Blande Sparks (British, 1870–1916), A Rose from a Suitor 


Hoje, só canto para as Mulheres


Hoje,
Só canto para as Mulheres: 

As que passam na rua,
Aquelas que não saírem
Para a rua, as que se encontram
Na cozinha, no escritório,
Ao balcão, na enfermaria,
Na cadeia, no convento,
Na escola, no gabinete,
Na empresa, no sindicato,
No campo, no parlamento,
No lupanar ou na igreja, 

Orientando o tráfego dos homens,
Chorando o filho morto pelos homens
Ou o filho feito à força pelos homens,
Lavando a roupa suja dos seus homens
Ou consertando os nervos rebentados,
Pelo silêncio-garra dos seus homens, 

Essas Mães inconsoláveis
das Praças todas de Maio,
As mães de inocentes mortos
às ordens de homens-herodes, 

As mães fiéis junto às cruzes
Que homens-pilatos ergueram,
Mulheres, Mães, virgens-loucas
De todos os noivos-machos,
Primas, amigas, vizinhas
De casa, de luta e sonho,
De raiva, de crença e vida,
Companheiras, inimigas,
Minhas irmãs, minha Mãe. 

São Mulheres? Hoje basta.
É dia oito de Março:
Dia de eu pagar a renda
à Mulher-Mãe desta casa
Para onde há muitos anos
Mudei ao deixar a sua.
Por isso é que eu hoje canto
Só para as Mulheres: na rua
Ou noutro lado qualquer. 

Salve, Mulher e Mãe! Amén!
E seja o que Deus quiser. 


Lopes Morgado 
(Areias de Vilar, Barcelos, 23/4/1938), 
Sacerdote / Frei da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos,
professor, escritor, poeta, jornalista.


Herbert Blande Sparks (1870-1916), Mother and child in the garden


Herbert Blande Sparks, Untitled


Herbert Blande Sparks, Garden Path


Herbert Blande Sparks, Portrait of a classical beauty on a bed 
of roses before a pond


Herbert Blande Sparks, Family in the Garden


Herbert Blande Sparks 


"Só o bem neste mundo é durável, e o bem, politicamente, é todo justiça e liberdade, formas soberanas da autoridade e do direito, da inteligência e do progresso."

(Ruy Barbosa)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

"Dedicatória" - Poema de Lopes Morgado


 
Pino Daeni (Italian-American book illustrator and artist,
 1939–2010), "Beach Walk"


Dedicatória


Um verso que tu entendas,
Pois é para ti meu verso,
Terá que falar de rendas,
Da roca e fuso, e de terço.

Tem de ter uma paisagem
Que meta rios e montes
E campos verdes e aragem
E flores e muitas fontes.

E, porque gostas de cores,
Um caminho de arco-íris
Para ires quando fores
E, quando quiseres, vires.


Lopes Morgado, in "Mulher Mãe"
[Sacerdote, professor, escritor, poeta e jornalista português, n. 1938] 
 
 
Obras de Pino Daeni

Pino Daeni, "Peonies"



Pino Daeni, "Close to Home" 


 
Pino Daeni, "Seaside Gathering"
 


Pino Daeni, "Golden Afternoon"



Pino Daeni, "Seaside Retreat" 
 


Pino Daeni, "Remember When"



Pino Daeni, "Cliffside Retreat"
 
 
 
Pino Daeni, "Flower Child"
 


Pino Daeni, "Close to my Heart", c. 2010


Radiohead - Creep 



“Sou louco porque vivo num mundo que não merece minha lucidez”


Bob Marley
[Cantor, compositor, multi-instrumentista jamaicano, 1945–1981]