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sexta-feira, 11 de maio de 2018

"Malaguenha" - Poema de Federico García Lorca



John French Sloan (American painter and etcher, 1871–1951),
'McSorley's Bar', 1912, Detroit Institute of Arts.


Malaguenha


A morte
entra e sai
da taberna.
Passam cavalos negros
e gente sinistra
pelos fundos caminhos
da guitarra.
E há um cheiro de sal
e de sangue de fêmea
nos nardos febris
da beira-mar.
A morte
entra e sai,
e sai e entra
a morte
da taberna.


Federico García Lorca, in 'Obra poética completa'
 Tradução de William Agel de Mello



John French Sloan, 'McSorley's Back Room', 1912, oil on canvas, 66 x 81 cm.


"Teria a impressão de ter cometido um roubo, se passasse um dia sem trabalhar."

(Louis Pasteur) 
 


John French Sloan, 'Picture Shop Window', c. 1907-8.


"As mentes decididas descobrem as oportunidades."

(Louis Pasteur)
 


John French Sloan, 'Pigeons', 1910, oil on canvas, 66 x 81 cm.


"A ciência não tem pátria."

(Louis Pasteur)
 

domingo, 11 de março de 2018

"Filha" - Poema de Paula Glenadel



Harold Gilman (British painter, 1876–1919), 'Mother and Child', 1918 


Filha

                          para Luísa

A menina que, em sustos,
vejo crescer depressa,
que nutro com meus nervos
e que descubro falar, e ser,

me veio de um imemorial
naufrágio
em que perecemos eu e ele:
pequena pérola do pior. 

Como o traço oblíquo de luz
riscado sobre uma tela
de nuvens branco-cinza,
figura, tornado agora visível,
o subtil equilíbrio instável
entre dois planos.


Paula Glenadel, in "A vida espiralada".
Rio de Janeiro: Editora Caetés, 1999.



Harold Gilman, 'Self-portrait', c. 1910 



"Sejam quais forem os resultados com êxito ou não,
o importante é que no final cada um possa dizer: fiz o que pude."


(Louis Pasteur) 
 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

"Metanáutica" - Poema de Geir Nuffer Campos



David Botha (South African painter and a graphic artist, 1921–1995),
'Wet street scene, Paarl', 1982. 


Metanáutica


Deixa-te ser viável como um bosque
ou jardim ou pomar por onde possa
ir passando a pessoa pela sombra
ou pela flor ou pelo fruto ou pela
singular vocação ambulatória:
deixa-te ser viável como um rio
ou lago ou mar por onde possa ir
passando o navegante ou nadador
pelo afã de chegar ou pelo puro
sentir-se em ti flutuante ou imerso:
deixa-te ser viável como um ar
por onde possa ir passando a asa
que como tal se procure ou encontre
firme ou frágil... Mas bosque ou jardim ou
pomar ou rio ou lago ou mar ou ar,
deixa em ti lecionar-se o transeunte
que viver são instâncias de passar.


Geir Nuffer Campos (1924–1999),
in 'Metanáutica', 1970



David Botha, 'Cecilia Street after the Rain', 1978.



"Os acasos só favorecem os espíritos preparados."

(Louis Pasteur)

domingo, 30 de março de 2014

"Alegria e Tranquilidade" - Texto de Séneca, in 'Cartas a Lucílio'



Frederick Morgan (English painter, 1847–1927), 'After School', c. 1893


Alegria e Tranquilidade


"A alegria pode sofrer interrupções no caso de pessoas ainda insuficientemente avançadas, enquanto, no caso do sábio, o bem estar é um tecido contínuo que nenhuma ocorrência, nenhum acidente pode romper; em todo o tempo, em todo o lugar o sábio goza de tranquilidade! Porquê? Porque o sábio não depende de fatores externos, não está à espera dos favores da fortuna ou dos outros homens. A sua felicidade está dentro dele; fazê-la vir de fora seria expulsá-la da alma, que é onde, de facto, a felicidade nasce! Pode uma vez por outra surgir qualquer ocorrência que lembre ao sábio a sua condição de mortal, mas ocorrências deste tipo são de somenos importância e não o atingem mais do que à flor da pele. O sábio, insisto, pode ser tocado ao de leve por um ou outro contratempo, mas para ele o sumo bem permanece inalterável. Volto a dizer que lhe podem ocorrer contratempos provindos do exterior, tal como um homem de físico robusto não está livre de um furúnculo ou de uma ferida superficial; em profundidade, porém, não há mal que o atinja. A diferença existente, insisto ainda outra vez, entre o homem que atingiu a plenitude da sabedoria e aquele que ainda lá não chegou é a mesma que se verifica entre um homem são e um convalescente de doença grave e prolongada. Para este a diminuição da intensidade da doença já quase significa saúde mas, se não se precaver, o mal rapidamente se agrava e volta à primitiva forma; o sábio, em contrapartida, nem pode retroceder, nem sequer avançar mais na via da sapiência. A saúde do corpo está à mercê do tempo e o médico, se a pode restituir, não a pode garantir perpetuamente, e tanto assim é que com frequência o mesmo doente o volta de novo a chamar; a saúde da alma, essa - obtém-se de uma vez por todas - e totalmente! Dir-te-ei agora o que significa uma alma sã: é cada um contentar-se consigo mesmo, ter confiança em si próprio, saber que todos os votos feitos pelos homens, todos os benefícios que trocam entre si não têm a mínima importância para a obtenção da felicidade. Uma coisa passível de acréscimo não é uma coisa perfeita; o homem que quer vir a possuir uma permanente alegria, tem de fruir apenas do que efetivamente lhe pertence. Ora todos os bens a que o comum dos mortais aspira são, de uma forma ou outra, transitórios, pois de coisa alguma a fortuna nos permite a posse para sempre. "

Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

[Lúcio Aneu Séneca, Corduba, 4 a.C. — Roma, 65) foi um dos mais célebres advogados, escritores e intelectuais do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estoico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia europeia renascentista.]



Frederick Morgan, 'Skipping', 1896


"Quando vejo uma criança, ela inspira-me dois sentimentos: 
ternura, pelo que é, e respeito pelo que pode vir a ser."

Louis Pasteur
 


Frederick Morgan, 'See Saw', 1898


"Cada um de nós, enquanto cidadão, tem um papel a desempenhar na criação
 de um mundo melhor para as nossas crianças."

Nelson Mandela, em Discurso, 2002


 

"Do mesmo modo que no início da primavera todas as folhas têm a mesma cor e quase a mesma forma, nós também, na nossa tenra infância, somos todos semelhantes e, portanto, perfeitamente harmonizados."

Arthur Schopenhauer, em 'Aforismos sobre a Sabedoria da Vida'