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domingo, 18 de março de 2012

"Em tempo de lótus, lírios e acácias" - Poema de Afonso Estebanez


Acácias



 Em tempo de lótus, lírios e acácias


Jamais perder o momento
de encontrar na boca
um sorriso...

Jamais perder a esperança
de encontrar na curva
um caminho...

Jamais perder a certeza
de encontrar no muro
uma porta...

O lótus pode ser
o momento de glória
da lama...

O lírio pode ser
o encontro da paz
na esperança...

A acácia pode ser
a certeza da vida
na morte...


Afonso Estebanez


Lírios


"Muito do amor vem com o trabalho, com a persistência, com a presença. (...) O amor é uma obra de arte, o acto do amor é uma obra de arte."

(Ruben A.)

Ruben Alfredo Andresen Leitão (Lisboa, 26 de maio, 1920 — Londres, 23 de setembro, 1975), foi um escritor, romancista, ensaísta, historiador, crítico literário, e autor de textos autobiográficos, português, com o pseudónimo Ruben A..


Flor de lótus

"Amor é a possibilidade de duas pessoas não se aborrecerem uma à outra."

(Ruben A.)

 
Lírios
 

"Ao ouvir a voz do povo
É que se aprende a verdade
Quem ama nasce de novo
E vive sem ter idade."

(Luiz Goes)


Luís Fernando de Sousa Pires de Goes
(Coimbra, 5 de Janeiro de 1933 - Mafra, 18 de Setembro de 2012) foi um médico e músico português. Cantor e compositor, conhecido pelo seu nome artístico como Luiz Goes, é considerado um dos expoentes máximos da canção de Coimbra.



Flor de lótus

segunda-feira, 12 de março de 2012

"Cabelos Brancos" - Poema de Afonso Duarte


René Magritte, Decalcomania, 1966



Cabelos Brancos 


Cobrem-me as fontes já cabelos brancos,
Não vou a festas. E não vou, não vou.
Vou para a aldeia, com os meus tamancos,
Cuidar das hortas. E não vou, não vou.

Cabelos brancos, vá, sejamos francos,
Minha inocência quando os encontrou
Era um mistério vê-los: Tive espantos
Quando os achei, menino, em meu avô.

Nem caiu neve, nem vieram gelos:
Com a estranheza ingénua da mudança,
Castanhos remirava os meus cabelos;

E, atento à cor, sem ter outra lembrança,
Ruços cabelos me doía vê-los ...
E fiquei sempre triste de criança.


Afonso Duarte, in "Ossadas"




Afonso Duarte, (Ereira, 1 de Janeiro de 1884 — Coimbra, 5 de Março de 1958) poeta, formou-se em Ciências Físico-Naturais pela extinta Faculdade de Filosofia de Coimbra. Exerceu funções docentes até ser aposentado de forma compulsiva pelo regime salazarista, em 1932, data a partir da qual se dedicou quase exclusivamente à obra literária e de investigação nos domínios da pedagogia e da etnografia. Tendo co-fundado, com António de Sousa, Branquinho da Fonseca, João Gaspar Simões e Vitorino Nemésio, a revista coimbrã Tríptico (1924), colaborou ainda em várias publicações periódicas, como A Águia, Contemporânea, Presença, Manifesto, Portucale, Notícias do Bloqueio, Cadernos de Poesia ou Litoral. As primeiras coletâneas poéticas de Afonso Duarte, coligidas em 1929 pelas edições Presença no volume Os Sete Poemas Líricos, revelam a influência do saudosismo em poemas elevados de tendência panteísta e visionária, embora, segundo Fernando Guimarães, a "sua inspiração saudosista, expressa num tom alargadamente pessimista ou elegíaco, reconvertida por uma intensificação verbal que se evidencia pela maneira como o uso da imagem, se considerarmos a sua superfície conceptual mínima, concorre para uma figuração essencialmente elíptica, a qual, algumas vezes, se aproxima das formas espontâneas, proverbiais ou epigramáticas da poesia popular." (cf. Poética do Saudosismo, Lisboa, Presença, 1988, p. 51.) A publicação de Ossadas, em 1947, reunindo composições escritas entre o início dos anos 20 e a primeira metade de 40, marca o modo como este autor foi sofrendo as alterações poéticas de um modernismo que, entre aquelas balizas cronológicas, se foi sedimentando e condicionando as opções estéticas de sucessivas gerações poéticas. Por outras palavras, a figura e a obra do autor de Ossadas surgiram, entre Presença e o aparecimento da coleção Novo Cancioneiro, como "um símbolo dos caminhos trilhados pela poesia portuguesa do século XX até meados da década de 50" (cf. MARTINHO, Fernando J. B. - Tendências Dominantes da Poesia Portuguesa da Década de 50, Lisboa, Colíbri, 1996, p. 296), vindo a desempenhar um papel magistral para autores da jovem geração neorrealista, como Carlos de Oliveira, que do autor de Ossadas colherá, entre outros traços, o sentido de contenção, de aparente simplicidade e de brevidade lapidar que caracterizavam a poética de Afonso Duarte (cf., por exemplo, "Ave Inquieta", in Lápides e Outros Poemas, "Poema breve/Como um canto de ave,/Ou a gota de água/Onde o céu se espelha; / Pólen da flor/E mel na abelha:/Poeta/Ou a ave inquieta/Que canta de amor./Não sei de outra dor/Tão bem sentida,/Com tanta raiz/Na fonte da vida"). Alguns desses nomes (Óscar Lopes, Carlos de Oliveira, José Terra) comparecem com textos de homenagem a Afonso Duarte no terceiro fascículo de Cadernos do Meio-Dia, publicado em outubro de 1958, em memória de "um dos vultos mais exemplares" da "moderna poesia portuguesa", "Espírito aberto aos mais vastos horizontes da aventura poética" (cf. nota incluída no 2.º fascículo de Cadernos do Meio-Dia, cit. in MARTINHO, Fernando J. B. - ibi., p. 295), tendo já sido, aliás, da responsabilidade de Carlos de Oliveira e João José Cochofel a edição da Obra Poética de Afonso Duarte, em 1956. 

Afonso Duarte. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-03-01].


René Magritte, The Blank Signature, 1965 


"A Magia da Expressão Literária está na beleza da arte da comunicação humana através da linguagem materializada segundo a combinação dos sons e tons dos fonemas, palavras ou expressões escritos ou emitidos para se referir à realidade ou à ficção inerentes aos mundos objetivo e subjetivo, com habilidade, talento, equilíbrio e harmonia."
 
Afonso Estebanez


René Magritte, Clairvoyance (Self-Portrait), 1936


Artista belga surrealista, René François Ghislain Magritte nasceu a 21 de novembro de 1898, em Lessines, e morreu a 15 de agosto de 1967, em Bruxelas. Mostrou cedo a sua apetência pelo desenho e, fortemente encorajado pelo pai, começou a pintar com apenas 12 anos. A morte da sua mãe, que se suicidou por afogamento quando Magritte tinha 14 anos de idade, marcou-o profundamente, revelando frequentemente essa lembrança em obras posteriores, como, por exemplo, "Les rêveries du promeneur solitaire" (Meditações do Viajante Solitário), de 1926, ou "Les eaux profondes" (Águas Profundas), de 1941. Estudou na Academia Real de Belas-Artes de Bruxelas e fez a sua 1.ª exibição em 1920, no Centre d'Art, também naquela cidade. Depois de cumprido o serviço militar, trabalhou como designer numa fábrica de papel de parede; casou, em 1922, com Georgette Berger, sua amiga desde a infância e, mais tarde, a modelo de muitas das suas obras; e participou, a partir dessa altura, em várias mostras coletivas. Conheceu muitos artistas que o influenciaram (Mesens, Flouquet e Bourgeois) mas foi sobretudo em Giorgio De Chirico que ele encontrou a verdadeira inspiração. O seu envolvimento com o Surrealismo deu-se logo a partir de 1927, altura em que, em Paris, contactou e se tornou amigo de André Breton, Paul Éluard, Salvador Dalí, Marcel Duchamp, Joan Miró e outros artistas plásticos e escritores que também faziam parte daquela corrente estética. Com uma obra facilmente reconhecida como surrealista, Magritte passou a ser convidado frequentemente para expor juntamente com artistas que faziam parte daquele movimento, passando, mais tarde, a expor, só ou em coletivo, em prestigiadas galerias como Palais des Beaux-Arts e Galerie Dietrich, em Bruxelas, Julien Levy Gallery e Museum of Modern Art, em Nova Iorque, e London Gallery, em Inglaterra. Embora, nos anos 40 do século XX, tenha experimentado, de forma superficial, outras formas de expressão plástica, René Magritte voltaria sempre à transposição de elementos vulgares para contextos estranhos, estratégia que executou com invulgar imaginação e mestria técnica e que lhe concedeu o perfil de "mestre da surpresa".

René Magritte. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-03-12].


René Magritte 
 
 
"Pinto os cabelos de preto para os encontros amorosos e de branco para as reuniões de negócios." 
 
(Aristóteles Onassis) 
 
 

sábado, 4 de fevereiro de 2012

"Aniversário" - Poema de Afonso Estebanez


Albert Tibule Furcy de Lavault (French,1847 - 1915), Roses



Aniversário


Hoje eu quero de presente
as perdas que nós tivemos
daquele encontro marcado
a que não comparecemos.

As marcas dos nossos pés
naquela estrada impedida,
os rumos daqueles passos
que jamais demos na vida.

O sonho que nem tivemos
e o que temos sem querer
ao acordarmos de sonhos
que sonhamos sem saber.

Ternuras para o consumo
das nossas almas abertas
ao instinto mais profundo
de nossas vidas desertas.

Ô! rosa que não me deste
esta flor ausente em mim
ô! o crepúsculo apagando
tão cedo no meu jardim...


Afonso Estebanez

[Afonso Estebanez, advogado, poeta, jornalista e escritor nasceu em 30 de outubro de 1943 no município de Cantagalo, Estado do Rio de Janeiro.]

Destino


Eu quero seguir
teus passos
palmilhados
entre espinhos
colhendo as rosas
que deixas
como pedras
em meus caminhos...
 

Afonso Estebanez


Bob Marley - Lively Up Yourself


"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra.'' 

(Bob Marley) 


"Poema escrito na água" - Poema de Afonso Estebanez


Pierre-Auguste Renoir (Pintor francês impressionista, 1841-1919), 
retratado por Claude Monet em 1872.


Poema escrito na água 


Minha mão volta a escrever
entre as páginas das águas
onde o amor me volte a ler
a história de suas lágrimas.

Que nunca me falte a tinta
para o branco da memória
que amor é mágoa distinta
da mágoa de toda história.

E entre as páginas viradas
que inundam meu coração
deixo mágoas derramadas
com sabor de uma canção.

Quantas delas já verteram
das águas todas passadas
e de espuma converteram
dor em flores restauradas.

Minha mão vem descrever
como faz a flor das águas
que reescreve o alvorecer
da vida isenta de mágoas. 
 



Pierre-Auguste Renoir, Roses


“Peguem num poema e leiam-no. Não é preciso mais nada.”

Eugénio de Andrade, in Público, 21 de Junho de 2001


Pierre-Auguste Renoir, Femmes au bain, 1916


Pierre-Auguste Renoir


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Poema para habitar" - Albano Martins



Pierre-Auguste Renoir, Julie Manet with cat, 1887.
 Oil on canvas, 65 x 54 cm, Musée d'Orsay, Paris.
 
 

Poema para habitar 


A casa desabitada que nós somos
pede que a venham habitar,
que lhe abram as portas e as janelas
e deixem passear o vento pelos corredores. 

Que lhe limpem os vidros da alma
e ponham a flutuar as cortinas do sangue
– até que uma aurora simples nos visite
com o seu corpo de sol desgrenhado e quente. 
 
Até que uma flor de incêndio rompa
o solo das lágrimas carbonizadas e férteis.
Até que as palavras de pedra que arrancamos da língua
sejam aproveitadas para apedrejarmos a morte.
em Coração de Bússola, 1967
 



"...Hoje sou pastor de rios, sentinela de colinas, mirante das fortalezas nas ameias das neblinas... É por mim que à noite os ventos vêm chorar sobre as ruínas..."

(Afonso Estebanez)


James Blunt - Wisemen