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sexta-feira, 21 de junho de 2024

"Palmeira" - Poema de Bastos Tigre

 
 Anita Malfatti (Pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora
 ítalo-brasileira, 1889 - 1964), Gruta da imprensa, s.d.

 

Palmeira

Olho a nobre palmeira, em cujo cimo, a fronde
Se agita a farfalhar; e, ora canta e assobia,
Ora esbraveja, em fúria, ou solta, de onde em onde,
Gemidos de uma atroz, lancinante agonia…

Que alma contraditória em teu cerne se esconde
Que te faz rir, alegre, ou suspirar, sombria?
E a palmeira imperial, humilde, me responde:
– Não sou eu! Quem me agita a fronde é a ventania!

Olho, agora, aos meus pés, uma couve tronchuda
As folhas oscilando em leve movimento,
Para cá, para lá, conforme o vento muda.

– Esta, digo eu, não tem prazer nem sofrimento!
E ela, abrindo num riso a face repolhuda,
Impa de orgulho e diz: — Sou eu quem faz o vento!


Bastos Tigre (1882-1957)

 

sábado, 24 de dezembro de 2022

"Natal de ontem e de hoje" - Poema de Bastos Tigre


Charles Green (British watercolourist and illustrator, 1840–1898), Christmas comes but once a year!, from the 
 Pears' Annual, Christmas, 1896. (Christmas celebration, with servant carrying pudding to dining table.)


Natal de ontem e de hoje


Natal! Vocábulo sonoro,
Com ressonâncias de cristal!
Amo o Natal; amo e adoro
O doce nome de “Natal”.

Ouvi-lo é ter no ouvido, ecoando
A voz dos sinos, no arraial,
Alegremente repicando
A excelsitude do Natal!

Missa do galo. Espouca e brilha
O foguetório, a salva real…
Fulge o painel. Que maravilha!
Jesus nasceu: — Natal! Natal!

Ding-din! Ding-don! — repicam os sinos!
Vozes elevam-se em coral,
Desafinando ingénuos hinos
Em honra a Cristo e ao seu Natal.

Dança, presépios, pastorinhas
No pastoril de João de tal —
E, entre vizinhos e vizinhas,
Os namoricos de Natal.

Castanhas, nozes, rabanadas,
Do velho tom tradicional,
De fino açúcar polvilhadas
Tendo a doçura do Natal.

E da família o quadro lindo
Da vasta mesa patriarcal
E a avó velhinha, repartindo
O imenso bolo de Natal.

Mudou o Natal. Que há que não mude
Neste vaivém universal?
Foi-se a simpleza ingénua e rude
Das idas festas de Natal.

Hoje, entre as luzes da cidade
Cosmopolita e colossal
A luz da Light a noite invade
E nem se vê vir o Natal.

Há o reveillon, francês em nome,
Yankee no fundo comercial;
Faga-se quanto se consome
A preços próprios do Natal.

Em vez da viola e da sanfona,
Em tom menor, sentimental,
Uma “ortofónica” ortofona
Um feroz fox infernal.

Há nos hotéis e clubs chics
Festas de um tom convencional
Sem foguetório e sem repiques —
Que nem são festas de Natal!

Corre champagne, em vez do verde,
Do carrascão de Portugal.
(Sem o verdasco o que há de ser de
Ti, ó consoada de Natal).

E até há gaitas, serpentinas,
Como se fora um carnaval!
Vocês, rapazes e meninas,
Não têm ideia do Natal!

Chego a pensar que o próprio Cristo,
O de Belém, o do curral,
Lá do alto, olhando para isto,
Não reconhece o seu Natal.

E, então, fechando a azul esfera,
Se esconde além do último “astral”
E, por castigo, delibera
Não nascer mais pelo Natal.


Bastos Tigre
(1882-1957),
em Antologia poética, vol 2,
Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1982.



Priscilla Pointer
 (American artist and illustrator, 1924), Christmas Wish


Deus na Terra... Eis o Natal!
Repicam sinos... Festanças...
Feriado nacional
no coração das crianças!


(J. G. de Araújo Jorge)


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Os animais amigos do homem" - Poema de Bastos Tigre



Cão
(nome científico: Canis lupus familiaris)


Os animais amigos do homem 


De todos os animais
merecem nossa afeição 
estes três, mais que os demais: 
– o boi, o cavalo, o cão. 

O boi, os seus músculos de aço 
ao nosso serviço entrega 
e, com a canga no cachaço, 
pesadas cargas carrega. 

E depois dá-nos a vida 
que à nossa vida é sustento: 
a carne assada ou cozida, 
o ensopado suculento. 

Vale o seu corpo um tesouro, 
dele nada se rejeita: 
chifres, cauda, ossos e couro, 
tudo, tudo se aproveita. 

O cavalo é o companheiro 
que nos carrega no lombo 
(a quem não for bom cavaleiro, 
cuidado, que leva tombo!) 

Conhece caminho e atalho 
e, seja a passo ou a correr, 
nosso amigo é no trabalho 
quanto amigo é no prazer. 

A morte, somente, encerra 
seu labor nobre e eficaz; 
com os homens morre na guerra, 
morre, a servi-los, na paz. 

É o terceiro amigo, o amigo 
que nos tem mais afeição; 
no momento do perigo 
nos vem socorrer: — é o cão. 

Quer de noite, quer de dia, 
podemos nele confiar; 
da nossa casa é vigia, 
é o guarda do nosso lar. 

“Caniche”, dos pequeninos, 
que graça o cãozinho tem! 
Quando brinca com os meninos 
ele é um menino também. 

Seja humilde, ou cão de raça, 
cão de cego, ou de pastor, 
são-bernardo ou cão de caça, 
ou de ratos caçador. 

Os seus dias se consomem 
num labor sincero e leal! 
Salve, excelso amigo do homem, 
que és quase um ser racional! 

Que se ame, pois, e bendiga 
do fundo do coração, 
a nobre trindade amiga: 
o boi, o cavalo e o cão. 


Bastos Tigre 
Em: O mundo da criança: poemas e rimas,
vol. I, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1972. 

[Manuel Bastos Tigre (Recife, 12 de março de 1882 — Rio de Janeiro, 1 de agosto de 1957) foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.]




"Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor." - Pitágoras




"A vida é valor absoluto. Não existe vida menor ou maior, inferior ou superior. Engana-se quem mata ou subjuga um animal por julgá-lo um ser inferior. Diante da consciência que abriga a essência da vida, o crime é o mesmo." - Olympia Salete Rodrigues





"Em termos de evolução, bem maior é o débito da Humanidade para com os animais do que o crédito que lhes temos dispensado para seu bem-estar e progresso." - Eurípedes Kuhl



(Imagens retiradas da internet) 


Cão


Mamífero carnívoro (Canis familiaris) da família dos Canídeos, está representado por um número elevado de raças domésticas espalhadas por toda a terra e que se distinguem umas das outras por características muito variáveis relacionadas com a forma, tamanho, pelagem, dimensão das orelhas e cauda, etc., e por duas raças selvagens.
A adaptação desta família a viver em grandes espaços condicionou desde muito cedo as suas principais características. O cão da mesma maneira que o lobo, a raposa, etc., possui patas finas e um corpo com um pescoço forte e bem definido que suporta uma cabeça com orelhas grandes e eretas. O focinho é alongado o que está relacionado com um bom sentido do olfato e mandíbulas fortes com dentição carnívora. A cauda comprida e com pelo denso desempenha importante papel na relação entre indivíduos da mesma espécie. As articulações das patas mostram uma boa adaptação à marcha e à corrida em todas as espécies de Canídeos.
Há espécies que mantêm hábitos solitários, pois, regra geral, os cães distinguem-se por um comportamento social complexo e hierarquizado.
O cão é um animal que se adapta a diversas situações quando ensinado como, por exemplo, ser cão de guarda, cão de caça, servir como tração, guia (por exemplo, de invisuais), participar em ações militares e de polícia. É fundamentalmente uma ótima companhia para os humanos.
(daqui)