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quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

"Prece do Natal" - Poema de Carlos Queirós Ribeiro

 
Sandro Botticelli,The Virgin and Child, (Madonna of the Book), 1480



Prece do Natal
 
 
Menino Jesus 
De novo nascido, 
Baixai o sentido 
Para a nossa cruz! 
 
Vede que os humanos 
Erros e cuidados 
Nos são tão pesados 
Como há dois mil anos.

A nossa ignorância
É um fardo que arde.
Como se faz tarde
Para a nossa ânsia!

Nós somos da Terra,
Coisa fria e dura.
Olhai a amargura
Que esse olhar encerra.

Colai o ouvido
À alma que sofre;
Abri esse cofre
Do sonho escondido.

Pegai nessa mão
Que treme de medo;
Sondai o segredo
Da minha oração.

Esta pobre gente
Que mal é que fez?
Nós somos, talvez,
Um povo «inocente»…

Menino Jesus
Que andais distraído
Baixai o sentido
Para a nossa cruz!

A mais insofrida
De tantas misérias
– Não termos mais férias
Ao longo da vida –

Trocai por amenas
Manhãs sem cuidados,
Silêncios banhados
De ideias serenas;

Por cantos e flores
Risonhas imagens
Macias paisagens
Felizes amores! 
 in 'Antologia Poética'


 
 
 
Natal

 
Um Deus à nossa medida…
A fé sempre apetecida
De ver nascer um menino
Divino
E habitual.
A transcendência à lareira
A receber da fogueira
Calor sobrenatural. 
 
Aregos, 24 de dezembro de 1953
 
Miguel Torga, in 'Diários'
 
 
 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

História da aviação - Amelia Earhart




Na mitologia gregaÍcaro era o filho de Dédalo e é comumente conhecido pela sua tentativa de deixar Creta voando – tentativa frustrada numa queda que culminou na sua morte.





A história da aviação remonta a tempos pré-históricos. O desejo de voar está presente na humanidade provavelmente desde o dia em que o homem pré-histórico passou a observar o voo dos pássaros e de outros animais voadores. Ao longo da história há vários registos de tentativas mal sucedidas de voos. Alguns até tentaram voar imitando pássaros: usar um par de asas (que não passavam de um esqueleto de madeira e penas, imitando as asas dos pássaros), colocando-os nos braços e balançando-os.

Muitas pessoas acreditavam que voar fosse impossível, e que era um poder além da capacidade humana. Mesmo assim o desejo existia, e várias civilizações contavam histórias de pessoas dotadas de poderes divinos que podiam voar; ou pessoas que foram carregadas ao ar por animais voadores. 



Modelo de Máquina voadora projetada por Leonardo da Vinci (c.1488).


Muito provavelmente foi o artista e inventor italiano Leonardo da Vinci a primeira pessoa a dedicar-se seriamente a projetar uma máquina capaz de voar carregando um ser humano. Tais máquinas eram planadores e ornitópteros: máquinas que usavam o mesmo mecanismo usado por pássaros para voar - através do movimento constante das asas para cima e para baixo. Da Vinci nunca construiu tais máquinas mas seus desenhos ficaram preservados e, posteriormente, já no século XIXséculo XX um de seus desenhos - um planador - foi considerado notável. 
Num estudo recente um protótipo baseado no desenho deste planador foi criado e, de fato, seria capaz de planar. Porém ao interpretar o desenho do planador, algumas ideias modernas de aerodinâmica foram também utilizadas pelos pesquisadores. Mesmo assim este desenho é considerado o primeiro esboço sério de uma aeronave tripulada.



Otto Lilienthal, uma das primeiras pessoas a planar em uma máquina mais pesada do que o ar (c.1895).


A história moderna da aviação é complexa. Desenhistas de aeronaves esforçaram-se para melhorar continuamente suas capacidades e características tais como alcance, velocidade, capacidade de carga, facilidade de manobra, dirigibilidade, segurança, autonomia e custos operacionais, entre outros. 



O Avion III , 1897, de Clément Ader


Aeronaves passaram a ser feitas de materiais cada vez menos densos e mais resistentes. Anteriormente feitas de madeira, atualmente a grande maioria das aeronaves usa materiais compostos - como alumínio e fibras de carbono. Recentemente computadores têm contribuído muito no desenvolvimento de novas aeronaves e componentes. (Daqui)


Amelia Earhart - A aviadora pioneira

Amelia Earhart, Los Angeles, 1928, X5665 – 1926 "CIT-9 Safety Plane" 
- biplano projetado por Albert Adams Merrill (Instrutor em Aeronáutica)


Amelia Mary Earhart (Atchison, Kansas, 24 de julho de 1897 — desaparecida em 2 de julho de 1937) foi pioneira na aviação dos Estados Unidos, autora e defensora dos direitos das mulheres.
Earhart foi a primeira mulher a receber a "The Distinguished Flying Cross", condecoração dada por ter sido a primeira mulher a voar sozinha sobre o oceano Atlântico. Estabeleceu diversos outros recordes, escreveu livros sobre suas experiências de voo, e foi essencial na formação de organizações para mulheres que desejavam pilotar.


George P. Putnam e sua esposa Amelia Earhart, 1931


Amelia Earhart e George P. Putnam casaram-se em 7 de fevereiro de 1931, na casa da mãe de Putnam em Noank, Connecticut
Earhart refere-se ao seu casamento como uma "associação" com "controlo duplo". Numa carta escrita para Putnam e entregue a ele em mãos no dia do casamento, ela escreveu:
"Eu quero que você entenda que não o prenderei a nenhum código medieval de fidelidade a mim e que tão pouco me considerarei presa a si desse modo."



Foto de Amelia Earhart, c.1932


As ideias de Amelia sobre o casamento eram liberais para aquele tempo, pois acreditava em responsabilidades iguais de ambas as partes e manteve seu próprio nome ao invés de ser chamada de Sra. Putnam.


Amelia Earhart e Fred Noonan ao lado do Lockheed L10 Electra em Darwin, 
Austrália, 28 de junho de 1937.


Amelia Earhart  e Fred Noonan  desapareceram no dia 2 de julho de 1937, no oceano Pacífico, perto da Ilha Howland, enquanto tentavam realizar um voo ao redor do globo.

A Ilha Howland devia ser uma paragem para reabastecimento para a aviadora norte-americana Amelia Earhart e o seu tripulante Fred Noonan. Saíram da ilha de Lae, Nova Guiné, mas nunca foram vistos de novo. Por este motivo a ilha Howland também é conhecida como "a ilha que Amelia Earheart nunca alcançou".) (Daqui)


terça-feira, 14 de abril de 2015

"Nascer todas as manhãs" - Texto de Miguel Torga


O homem vitruviano de Leonardo da Vinci sintetiza o ideário renascentista: humanista e clássico.
As ideias de proporção e simetria aplicadas à anatomia humana. 


Nascer todas as manhãs


Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in "Diário (1982)" 


Os Diários Torga, publicados originalmente em edição de autor, em 16 volumes, misturam poesia, contos, memórias, crítica social e reflexões. Eles constituem o retrato de um homem, de um escritor e de um tempo.
Publicados ininterruptamente entre 1941 e 1993, dão-nos uma apaixonante visão do país e da sociedade portuguesa da época, com todas as transformações que ao longo desse tempo a marcaram.

No último volume, diz:
 
"Chego ao fim, perplexo diante de meu próprio enigma. Despeço-me do mundo a contemplar atónito e triste o espetáculo de um pobre Adão paradoxal, expulso da inocência sem culpa, sem explicação."


Vitrúvio 


Vitrúvio (Marcos Vitrúvio Polião)  foi um arquiteto romano que viveu no século I a.C. e deixou como legado a obra "De Architectura" (10 volumes, aprox. 27 a 16 a.C.), único tratado europeu do período greco-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre Arquitetura e Urbanismo, Hidráulica, Engenharia, desde o Renascimento.
Os seus padrões de proporções e os seus princípios conceituais - "utilitas" (utilidade), "venustas" (beleza) e "firmitas" (solidez) -, inauguraram a base da Arquitetura clássica.


Poggio Bracciolini (1380-1459)


Foi no início da Idade Moderna que Poggio Bracciolini (1380-1459) descobriu as obras completas de quinze diferentes autores clássicos greco-romanos, nomeadamente o tratado "De Architectura" de Vitrúvio, na biblioteca da abadia beneditina de Saint-Gall. Essa descoberta lançou as bases humanistas da Arquitetura do Renascimento.


Johann Wolfgang Goethe, 1811


"Arquitetura é música petrificada."



sábado, 28 de março de 2015

A Arte inspirada nas Histórias da Bíblia - "A Última Ceia"


Última Ceia


 A Última Ceia é o nome dado à última refeição que, de acordo com os cristãos, Jesus dividiu com seus apóstolos em Jerusalém antes de sua crucificação. Ela é a base escritural para a instituição da Eucaristia, também conhecida como "Comunhão". A Última Ceia foi relatada pelos quatro evangelhos canônicos em Mateus 26:17-30, Marcos 14:12-26, Lucas 22:7-39 e João 13:1 até João 17:26. Além disso, ela aparece também em I Coríntios 11:23-26.3. O evento é comemorado na chamada Quinta-feira Santa.
Na Primeira Epístola aos Coríntios está a primeira menção conhecida à Última Ceia. Os quatro evangelhos canônicos afirmam que a Última Ceia ocorreu perto do final da Semana Santa, após a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, e que Jesus e seus discípulos dividiram uma refeição antes que ele fosse crucificado no final da semana. Durante a ceia, Jesus previu sua traição por um dos discípulos ali presente e antecipa que, antes do amanhecer do dia seguinte, o apóstolo Pedro iria negar conhecer Jesus.
Os três evangelhos sinóticos e a Primeira Epístola aos Coríntios incluem um relato da instituição da Eucaristia, na qual Jesus reparte o pão entre os discípulos dizendo: "Este é o meu corpo". O Evangelho de João não inclui esta parte, mas afirma que Jesus lavou os pés dos discípulos, dando-lhes um novo mandamento: "Ame os outros como eu vos amei" e reproduz um detalhado discurso de adeus feito por Jesus, chamando os apóstolos que seguiam seus ensinamentos de "amigos e não servos".
Alguns académicos veem na Última Ceia a fonte das primeiras tradições cristãs sobre a Eucaristia. Outros entendem que o relato é que deriva de uma prática eucarística já existente no século I e descrito por Paulo.
O termo "Última Ceia" não parece no Novo Testamento. Porém, tradicionalmente, muitos cristãos se referem ao episódio da última refeição de Jesus desta forma. É provável que o evento seja o relato de uma última refeição de Jesus junto aos seus primeiros seguidores e tornou-se um ritual de lembrança. Os anglicanos e os presbiterianos utilizam o termo "Ceia do Senhor", defendendo que o termo "última" sugere que esta foi uma entre muitas ceias e não "a" ceia. A Igreja Ortodoxa utiliza ainda o termo "Ceia Mística", que se refere tanto ao episódio quanto à celebração eucarística dentro da liturgia. (Daqui)


Last Supper (Última Ceia), 1562, numa pintura de Juan de Juanes, Prado Museum

  

Arte Cristã


A Última Ceia  é um dos temas mais populares da arte cristã. Representações dela remontam ao cristianismo primitivo e podem ser vistas nas catacumbas de Roma. Artistas bizantinos frequentemente focavam nos apóstolos recebendo a comunhão ao invés de figuras reclinadas ceando. Na época do Renascimento, a Última Ceia era um tópico favorito da arte italiana.
Há três grandes temas nas representações artísticas da Última Ceia. O primeiro é a dramática e dinâmica cena de Jesus anunciando sua traição. O segundo é o momento da instituição da Eucaristia, geralmente solene e mística. O terceiro grande tema é o Discurso de Adeus, no qual Judas Iscariotes já não está mais presente, com obras geralmente melancólicas por conta da iminente despedida de Jesus. Existem outros temas menores, como o lava-pés.
Exemplos bem conhecidos incluem a obra de Leonardo da Vinci, que é considerada a primeira do Alto Renascimento por conta de seu alto nível de harmonia, a obra de Tintoretto, que é diferente por incluir personagens secundários carregando ou levando embora os pratos da mesa e a obra de Salvadore Dali, que combina os típicos temas cristãos com abordagens modernas do surrealismo(Daqui)


Afresco de A Última Ceia, provavelmente a representação mais conhecida da Última Ceia (1495-1498), por Leonardo da Vinci, no Convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão


Leonardo da Vinci pintou A Última Ceia, um incrível trabalho, o mais sereno e distante do mundo temporal, durante anos caracterizado por conflitos armados, intrigas, preocupações e emergências. Ele a declarou como concluída, mas eternamente insatisfeito, continuou a trabalhar nela. Foi exposta à vista de todos e contemplada por muitos. Desde então, ele foi considerado, sem discussão, como um dos primeiros mestres da Itália, senão o primeiro. Os artistas vinham de muito longe, para, no refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, analisar cuidadosamente a pintura, copiando-a e discutindo-a. (Daqui)



(Esta obra é uma representação moderna da famosa A Última Ceia de Leonardo da Vinci).


A Última Ceia, realizada por Salvador Dalí em 1955, é uma famosa pintura a óleo sobre tela que mede 167 cm de altura e 268 de largura. O quadro está na Galeria Nacional de Arte de Washington DC. Essa obra causou polémica quando apresentada ao público, pois a imagem de Dali como artista irreverente e provocador não combinada com o tema religioso.
Alguns críticos a denunciaram como banal, enquanto outros acreditam que Dali conseguiu dar mais vida à imagem tradicional da devoção. Jesus e seus 12 apóstolos estão reunidos numa sala modernista envidraçada. Os apóstolos, com as cabeças baixas, ajoelham em torno de uma grande mesa de pedra, suas formas sólidas contrastam com a transparência de Cristo. Sobre a cena, paira misteriosamente a imagem de um homem com os braços abertos, como se abençoasse o grupo ali reunido, talvez tendo alguma relção ao espírito santo. Dali construiu este quadro surrealista baseando-se nos estudos de Leonardo da Vinci, que pintou a mais famosa das Santas Ceias. (Daqui)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

"Intangível" - Poema de Charles Baudelaire


Joaquín Sorolla y Bastida, Cafe in Paris,1885


Intangível


Quero-te como quero à abóbada noturna, 
Ó vazo de tristeza, ó grande taciturna! 
E tanto mais te quero, ó minha bem amada, 
Por te ver a fugir, mostrado-te empenhada 
Em fazer aumentar, irónica, a distância 

Que me separa a mim da celestial estância. 
Bem a quero atingir, a abóbada estrelada, 
Mas, se julgo alcançar, vejo-a mais afastada! 
Pois se eu adoro até - ferro monstro, acredita! - 
O teu frio desdém, que te faz mais bonita! 


Charles Baudelaire, in "As Flores do Mal"
Tradução de Delfim Guimarães 


Galeria de Joaquín Sorolla y Bastida
Joaquín Sorolla y Bastida, The Happy Day, 1892


Joaquín Sorolla y Bastida, The First Child, 1890


Joaquín Sorolla y Bastida, Kissing the Relic


Joaquín Sorolla y Bastida, The Suckling Child, 1894


Joaquín Sorolla y Bastida, Blessing the Boat,1895


Joaquín Sorolla y Bastida, Entrance to Central Park


"A mais nobre paixão humana é aquela que ama a imagem da beleza em vez da realidade material. O maior prazer está na contemplação." 



terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Incêndio" - Poema de Al Berto




incêndio


se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do tecto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha – não te assustes

são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo – diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas – com eles no chão


Al Berto




«A luz é o fogo ávido por cima da vela. Ao consumi-la, ela consome-se a si própria.»

(Leonardo da Vinci, 1452 - 1519)




"O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são."

(Aristóteles)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"A Giganta" - Poema de Charles Baudelaire


John N. Agnew (American, b. 1952)



A Giganta


No tempo em que a Natura, augusta, fecundanta, 
Seres descomunais dava à terra mesquinha, 
Eu quisera viver junto d'uma giganta, 
Como um gatinho manso aos pés d'uma rainha! 

Gosta de assistir-lhe ao desenvolvimento 
Do corpo e da razão, aos seus jogos terríveis; 
E ver se no seu peito havia o sentimento 
Que faz nublar de pranto as pupilas sensíveis 

Percorrer-lhe a vontade as formas gloriosas, 
Escalar-lhe, febril, as colunas grandiosas; 
E às vezes, no verão, quando no ardente solo 

Eu visse deitar, numa quebreira estranha estranha, 
Dormir serenamente à sombra do seu colo, 
Como um pequeno burgo ao sopé da montanha! 


Tradução de Delfim Guimarães  


John N. Agnew


Nenhum Animal é Insatisfeito


«Eu penso que poderia retornar e viver com animais, tão plácidos e autocontidos; eu paro e me ponho a observá-los longamente. Eles não se exaurem e gemem sobre a sua condição; eles não se deitam despertos no escuro e choram pelos seus pecados; eles não me deixam nauseado discutindo o seu dever perante Deus. Nenhum deles é insatisfeito, nenhum enlouquecido pela mania de possuir coisas; nenhum se ajoelha para o outro, nem para os que viveram há milhares de anos; nenhum deles é respeitável ou infeliz em todo o mundo.» 


Walt Whitman (1819 / 1892), in "Song of Myself"


John N. Agnew


"A nitidez é uma conveniente distribuição de luz e sombra." 



John N. Agnew


"A pintura é poesia sem palavras." 



John N. Agnew


"A pintura deve parecer uma coisa natural vista num grande espelho."



John N. Agnew


"Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar."



Lisa Gerrard - Come Tenderness


terça-feira, 16 de agosto de 2011

"Mona Lisa" - Pintura de Leonardo da Vinci


Leonardo da VinciMona Lisa or La Gioconda (1503–1505/1507), Louvre, Paris, France


Mona Lisa (1503–1507 — Louvre) é o retrato que mais tem rendido, em termos de literatura — tem dado origem a contos, romances, poemas e até mesmo óperas (e paródia) desde seu tempo, como a Monna Vanna de Salai — em toda a história da arte. Foi uma obra famosa desde o momento da sua criação; e inspirou muitos, como o jovem Rafael, que se embebedou nela. Seu sorriso subtil é visto em sua crueldade e tem sido considerado o implacável sorriso de mulher que escraviza os homens. Outros foram deslumbrados pelo seu encanto, pela sua doçura. Para o crítico Walter Pater, simboliza o "espírito moderno com todos os seus traços patogênicos", considerando como a "beleza extraída desde o interior, trabalhando a carne, célula por célula". Provocado pelo mestre no modelo com o toque do alaúde, como citado por Vasari: "Mona Lisa era muito bela e Leonardo, ao mesmo tempo que a pintava, procurava que tivesse alguém cantando, tocando algum instrumento ou brincando. Desta forma, o modelo foi mantido em um bom humor e não adotava um aspecto triste, cansado [...]". (Daqui) 



Detalhe da face, mostrando o efeito subtil do sfumato
particularmente nas sombras em torno dos olhos.

Detalhe dos olhos de Lisa 

Detalhe da  boca de Lisa 

Detalhe das mãos de Lisa, com a mão direita apoiada no seu lado esquerdo. 
Leonardo escolheu este gesto em vez de um anel de casamento para descrever Lisa
 como uma mulher virtuosa e fiel esposa.
 
 
 Mona Lisa

A pintura "Mona Lisa", realizada pelo pintor renascentista Leonardo da Vinci, representa uma enigmática figura feminina sobre uma paisagem que tem sido interpretada como o retrato de uma dama, provavelmente florentina. Apesar das reduzidas dimensões que apresenta (setenta e sete por cinquenta e três centímetros), adquiriu um significado mítico que ultrapassa em muito a sua real importância para a história da arte, eclipsando outras obras de maior interesse do seu próprio autor. Este fascínio advém em grande parte da ambígua e idealizada expressão da personagem, transmitida pelo seu misterioso sorriso.
Imersa numa enigmática e complexa teia de interpretações pouco consensuais, esta pintura tem vindo a iludir todas as tentativas de atribuição cronológica e de identificação da figura representada. 

Uma das versões, que recolheram maior unanimidade ou, pelo menos, maior divulgação, deve-se ao historiador e artista Giorgio Vasari que, em meados do século XVI, atribuiu a execução desta pintura a 1505. Vasari procurou com esta cronologia acentuar o seu retrato de um Leonardo genial (ideia que ainda perdura), tornando-o no mais importante e influente pintor renascentista. De facto, esta data permitia-lhe estabelecer uma filiação leonardesca para muitas pinturas de retratos da autoria de outro importante pintor renascentista, Rafael e realizadas precisamente por volta desta data. 

Segundo autores mais recentes, as características formais e estilísticas, nomeadamente ao nível da paisagem, do tratamento da cor e da modelação do panejamento, remetem esta obra para um período mais tardio, posterior a 1510. É de facto possível estabelecer um paralelo entre esta pintura e a solução cromática do negro sobre negro do quadro "A Virgem dos Rochedos". 

Outra das dificuldades tem sido a interpretação temática (embora seja quase dogmaticamente reconhecido como um retrato) assim como a identificação da figura representada. Em 1550 Vasari atribuiu a uma pintura de Leonardo o nome de Gioconda, identificando a personagem como sendo Lisa Gherardini, mulher do mercador florentino Francesco del Giocondo, embora sem qualquer prova documental. No entanto só em 1625, Cassiano del Pozzo identificou esta pintura com o retrato da Gioconda descrito por Vasari. Apesar de esta teoria ter sido posta em causa, é geralmente aceite que este quadro é o retrato de uma dama florentina, no qual Leonardo trabalhava durante os últimos anos de vida, quando residia em França

Tal como todos os quadros de Leonardo da Vinci, esta pintura foi realizada sobre tábua (embora em Itália fosse já frequente a utilização de suportes em tela, desde o início da carreira do artista). Abandonando a têmpera, o pintor utilizou tintas de óleo que lhe permitiram aplicar, tanto na figura como na paisagem, um processo expressivo conhecido por sfumato (esfumado). Este processo consistia na modelação das formas através de gradações delicadas de luz e sombra, obtidas pela mistura suave dos tons e das cores e pela diluição dos contornos, criando uma atmosfera velada e difusamente iluminada. 

O grande rigor, perfeição e meticulosidade da representação de todos os elementos contidos no quadro foram suportados pelo aprofundado conhecimento da realidade (possibilitada pelo espírito analítico e científico de Leonardo) e pela observação cuidada dos fenómenos e dos objetos que pintou.
O quadro "Mona Lisa" encontra-se exposto no Museu do Louvre em Paris. (Daqui)