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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

"Os sete gatinhos" - Poema de Pedro Bandeira



Robert Braithwaite Martineau (English Victorian painter, 1826–1869),
'A Girl with a Cat', c. 1860



Os sete gatinhos


Bete tem sete gatinhos.
Um foi tomar leite, ficaram seis.
Bete tem seis gatinhos.
Um fugiu do cão, ficaram cinco.

Bete tem cinco gatinhos.
Um foi pegar o rato, ficaram quatro.
Bete tem quatro gatinhos.
Um foi comer mingau, ficaram três.

Bete tem três gatinhos.
Um foi ao cinema, ficaram dois.
Bete tem dois gatinhos.
Um foi tomar banho, ficou só um.

Bete tem um gatinho,
tem um gatinho só.
Bete vai dar carinho
pra ele o nome Filó.

Filó é fofo e dengoso,
gostoso de se agradar.
Nem adianta pedir,
esse ninguém vai levar!


Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno",
Editora Moderna

 ♥♥♥

terça-feira, 18 de agosto de 2026

"Vai já pra dentro, menino" - Poema de Pedro Bandeira



Ralph Hedley (British painter, woodcarver and illustrator, 1851–1913), 
'Kept in', 1908.


Vai já pra dentro, menino


Vai já pra dentro menino!
Vai já pra dentro estudar!
É sempre essa lengalenga
Quando o que eu quero é brincar...

Eu sei que aprendo nos livros,
Eu sei que aprendo no estudo,
Mas o mundo é variado
E eu preciso saber tudo!

Há tempo pra conhecer,
Há tempo pra explorar!
Basta os olhos abrir,
E com o ouvido escutar.

Aprende-se o tempo todo,
Dentro, fora, pelo avesso,
Começando pelo fim
Terminando no começo!

Se eu me fecho lá em casa,
Numa tarde de calor,
Como eu vou ver uma abelha
A catar pólen na flor?

Como eu vou saber da chuva
Se eu nunca me molhar?
Como eu vou sentir o sol,
e eu nunca me queimar?

Como eu vou saber da terra,
Se eu nunca me sujar?
Como eu vou saber das gentes,
Sem aprender a gostar?

Quero ver com os meus olhos,
Quero a vida até o fundo,
Quero ter barros nos pés,
Eu quero aprender o mundo!


Pedro Bandeira,
"Mais respeito, eu sou criança!"
Ed. Moderna
 
 

Ralph Hedley, 'Breezy Day', 1895.


"A maior dor do vento é não ser colorido."
 
Mário Quintana, Poesia Completa, RJ: Editora Aguilar, 2005.
Excerto de Leitura Dinâmica, in Porta Giratória, p.788

♥♥♥

quinta-feira, 30 de julho de 2026

"Nana mamãe" - Poema de Pedro Bandeira

 

Paul Hermann Wagner (German painter, 1852–1937),
'Consolation in Suffering', 1895. Oil on canvas.



Nana mamãe


A mamãe
não me bota mais no colo,
não bota mais,
não me embala mais o sono,
não embala mais,
não canta pra eu dormir...
não canta mais...
não bota mais,
não embala mais,
não canta mais...

Eu bem sei que já faz tempo
que ela ainda me embalava,
mas me lembro muito bem,
era assim que ela cantava:

"Dorme, dorme, filhinho,
meu anjinho inocente,
dorme, meu queridinho,
que a mamãe está contente..."

Mas o tempo passou,
passou, passou,
e a cantiga calou,
calou, calou...
e o menino foi crescendo,
crescendo, cresceu, cresceu,
mas aquela voz ficou.
ficou, ficou...

Eu agora já sou grande,
tenho quase a altura dela.
Vai chegar a minha vez
de poder cantar para ela...


Pedro Bandeira, em 'Cavalgando o Arco-íris', 
São Paulo, Moderna, 1985.

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

"Quem sempre foi, sempre será" - Poema de Pedro Bandeira


Ralph Hedley
(English realist painter, woodcarver and illustrator, 1848–1913),
'Barred Out', 1896, Laing Art Gallery.


Quem sempre foi, sempre será


No passado e no futuro,
preste muita atenção,
para os dois não misturar,
pois só vai dar confusão!

Os políticos prometem,
se ganharem a eleição.
Se mentiram no passado,
no futuro mentirão!

Os ladrões não tem jeito,
pois em tudo põem a mão.
Se roubaram no passado,
no futuro roubarão!

Os cantores e as cantoras
vão cantar sua canção.
Se cantaram no passado,
no futuro cantarão!

As velhinhas tão doentes
tomam mel com agrião.
Se tossiram no passado,
no futuro tossirão!

Quem disser que estou errado,
que não tenho razão,
saiba que eu estou muito certo,
nisso eu sou um campeão!

Pois quem hoje é um boboca
não vai ter conserto não.
Quem foi bobo no passado,
no futuro é paspalhão.


Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno"
Editora Moderna


♥♥♥

Obras de Ralph Hedley


Ralph Hedley, 'The New Scholar', c. 1900/1906.
 
 

Ralph Hedley, 'The Monitor', 1898.
 
 
 
Ralph Hedley, 'The truant's log', 1899, Private collection.
 

 
Ralph Hedley, 'The Village School', 1912.
 
 
 
Ralph Hedley, 'Home Lessons', 1887.



"A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida."

 
 
[Frase atribuída ao filósofo e escritor romano Séneca (c. 4 a.C. – 65 d.C.)]

quinta-feira, 2 de julho de 2026

"Irmão menor" - Poema de Pedro Bandeira

 


Josep de Togores i Llach (Spanish painter, 1893–1970), 'Three boys'
('Tres niños'), 1933, Museu Nacional d'Art de Catalunya.

[Josep de Togores i Llach was son of Josep de Togores y Muntades (Spanish sportsman, film director, art collector, and amateur painter, 1868–1926), the second president of the Catalan Football Federation (1904–05) and co-founder of Mundo Deportivo (1906).]



Irmão menor


Irmão menor
é pior
que catapora.
Irmãozinho
é pior do que carniça,
é pior que injeção.

Mexe no que é meu,
rabisca meu caderno,
perde meu carrinho,
e eu fico de castigo
se lhe dou um safanão.

É praga, é prega,
é sarampo, é varicela!

E não venha
achar estranho,
só porque dei uma surra
no danado do moleque
que xingou o meu irmão.

Eu posso xingar.
Os outros não.


Pedro Bandeira,
em "Cavalgando o arco-íris",
São Paulo, Moderna, 3ª edição, 2002.




Josep de Togores i Llach (Spanish painter, 1893–1970),
"Portrait of the Mestre Family", 1927. Meadows Museum

[Togores’ Portrait of the Mestre Family (1927), is a masterful example of modern Spanish portraiture depicting wealthy Catalan industrialist Josep Mestre Mitjans; his wife, Berta Lantz Beinquet; and their three children, José, Jorge, and Blanca.]
 
A minha família


Eu gosto da
minha mãe,
do meu pai,
do meu irmão.
Nem sei como
tanta gente
cabe no
meu coração!


Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno"
Editora Moderna

♥♥♥

segunda-feira, 1 de junho de 2026

"Esse pequeno mundo" - Poema de Pedro Bandeira



Tove Jansson (Finland-Swedish author, novelist, painter, illustrator and comic strip author,
 1914–2001), "Summer, spring, autumn" (Seasons), 1984 (detail). (daqui)
 
[In 1984, Tove Jansson painted her last monumental work for the kindergarten Taikurinhattu (“Hobgoblin’s Hat”) in Pori, Finland. In the three-part wall painting, the Moomins wander through spring, summer and autumn in Moominvalley.]

 
Esse pequeno mundo


Sei que o mundo é mais que a casa,
Mais que a rua, mais que a escola,
Mais que a mãe e mais que o pai.

Vai além do horizonte,
Que eu desenhei no caderno,
Como linha reta e preta,
Que separa azul de verde.

Sei que é muito, sei que é grande,
Sei que é cheio, sei que é vasto.

Me disseram que é uma bola,
Que flutua pelo espaço,
Atirada pelo espaço,
Atirada pelo chute
De um gigante poderoso;
Vai direto para um gol,
Que ninguém sabe onde é.

Mas para mim o que mais conta
É este mundo que eu conheço
E que cabe direitinho
Bem debaixo do meu pé.


Pedro Bandeira,
em "Cavalgando o arco-íris",
São Paulo, Moderna, 1984.

 
Tove Jansson, "Summer, spring, autumn" (Seasons), 1984 (detail). (daqui)

[The central image of the three-part painting, in which Too-ticky is washing the bathing hut, tells, according to Jansson, of “a moment in spring when the darkness and coldness subside”.]
 
 
Meu desenho


Com meus lápis de cor,
desenhei um passarinho.
Ele ficou tão perfeito
que até voou pro ninho.


Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno"
Editora Moderna
 
 
Tove Jansson, "Summer, spring, autumn" (Seasons), 1984 (detail). (daqui)
 

Por enquanto eu sou pequeno


Por enquanto sou pequeno,
mas vou aprender a ler:
já sei ler palavra inteira,
leio pra cima, e pra baixo,
e plantando bananeira!

Por enquanto sou pequeno,
uma coisa vou dizer,
com certeza e alegria:
sei que nunca vou esquecer
da beleza da poesia!


Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno"
Editora Moderna
 
 ♥♥♥ 
 
 
Ilustração - Getty Images (illMad) 
 

Dia da Criança 

Portugal celebra o Dia das Criança em 1 de junho. No Brasil é celebrado em 12 de outubro. Outros países celebram este dia em 20 de novembro, data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) por ser o aniversário da aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças (1959) e a Convenção dos Direitos das Crianças (1989).
As datas da comemoração podem variar, mas o objetivo é o mesmo: promover os direitos e o bem-estar de todas as crianças, onde quer que estejam.
 (daqui)
 

domingo, 3 de maio de 2026

"Obrigado, mamãe!" - Poema de Pedro Bandeira



William J. Glackens (American realist painter, 1870-1938),
'The Artist's Wife and Son', 1911, oil on canvas, 91.4 x 121.9 cm,
Snite Museum of Art.


Obrigado, mamãe!


Hoje é o melhor dia do ano,
É um dia especial.
É mais que aniversário!
Hoje é o Dia das Mães!
É tão bom quanto o Natal!

Vou muito bem na escola
E não fiz nada de errado
Pra ter que bajular.
Então deve ser verdade
Isso que eu quero falar:

Obrigado, mamãe,
Pelas noites mal dormidas,
Pelas horas tão sofridas
Que você me dedicou.

Obrigado, mamãe,
Por esse amor tão profundo,
Por me ter posto no mundo,
Por fazer tudo o que eu sou.

Muito obrigado, mamãe!
Obrigado por seu carinho,
Por todo esse amor, todinho,
Que você deu para mim...
Obrigado, mamãe...


Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno",
Editora Moderna


♥♥♥

[O Dia das Mães também designado de Dia da Mãe é uma data comemorativa em que se homenageia a mãe e a maternidade. Em alguns países é comemorado no segundo domingo do mês de maio (como no Brasil). Em Portugal é comemorado no primeiro domingo do mês de maio.]
 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

"Adivinhe quem eu sou!" - Poema de Pedro Bandeira

 


Albrecht Dürer (German painter, printmaker, and theorist
of the German Renaissance, 1471–1528), 'Praying Hands'
('Mãos que Oram')
, c. 1508, Albertina, Vienna.



Adivinhe quem eu sou!


Eu tenho cinco pontinhas,
cada uma de um tamanho.
Eu coço a cabeça,
mas não tenho cabeça.
Eu tenho costas,
mas não tenho peito.
Eu tenho uma irmãzinha,
que é igualzinha a mim.
Mas, se você gosta de festa
e de cantar "parabéns",
eu bato na minha irmã
e a minha irmã bate em mim!

Pedro Bandeira,
em "Por enquanto eu sou pequeno"
Editora Moderna


♥♥♥

terça-feira, 7 de abril de 2026

"Pontinho de vista" - Poema de Pedro Bandeira



Thalia Flora-Karavia (Greek artist and member of the Munich School, 1871–1960)
 

Pontinho de vista


Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.

Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
- Minha nossa, que grandão!


Pedro Bandeira, 
em "Por enquanto eu sou pequeno"
 
 
 
"Por enquanto eu sou pequeno" de Pedro Bandeira
Ilustração: Attílio 
 
 
RESUMO
 
"É um livro que eu escrevi com imenso prazer. Criei cada um destes poeminhas pensando na minha própria infância, nos divertidos versinhos tipo "Batatinha quando nasce" que a gente tinha de decorar para exibir-se para as visitas. Mas, principalmente, escrevi cada verso lembrando dos sonhos da infância, quando a gente descobre que um dia virará "gente grande". Que tempo gostoso! E o mais gostoso de tudo é virar gente grande sem nunca esquecer como foi bom ter sido criança!" (daqui)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

"Meus errinhos" - Poema de Pedro Bandeira



Jacques-Laurent Agasse
(Animal and landscape painter from Switzerland, 1767–1849),
The Hard Word (Le mot difficile), c. 1820.



Meus errinhos

 
Está bem, eu confesso que errei.
Eu errei, está bem, me dê zero!
Me dê bronca, castigo, conselho.
Mas eu tenho o direito de errar.

Só o que eu peço é que saibam
Que eu necessito errar.
Se eu não errar vez por outra
Como é que eu vou aprender
Como se faz pra acertar?

Pais, professores, adultos
Também já erraram à vontade,
Já fizeram sujeira e borrão.
Ou vai dizer que a borracha
Surgiu só nesta geração?

Vocês que errando aprenderam,
Ouçam o que eu tenho a falar:
Se até hoje cometem seus erros,
Só as crianças não podem errar?

Concordem, eu estou aprendendo.
Comparem meus erros com os seus,
Se já cometeram os seus erros,
Deixem-me agora com os meus!


Pedro Bandeira
,
"Mais respeito, eu sou criança!"
Ed. Moderna
 
 

Pedro Bandeira, "Mais respeito, eu sou criança!"
Ilustração: Odilon Moraes
Editora: Moderna 
 
 
 RESUMO

Mais respeito, eu sou criança é a reunião de poeminhas que eu gostaria de ter escrito quando tinha oito anos, por aí. Isso porque estes versos são uma espécie de desforra de tudo o que eu queria palpitar na infância e que os adultos não me deixavam falar ou não quiseram ouvir. Explico: todo mundo diz que as crianças devem respeitar os adultos. E os adultos? Não têm de respeitar as crianças? Este é um assunto sério mesmo... E, toda vez que um assunto é sério mesmo, o jeito é pensar nele através da poesia. Por meio dela, a gente consegue dizer melhor o que sente, o que sonha e o que nos incomoda. A poesia é uma maneira gostosa de tirar o retrato dos nossos sentimentos. Por isso, com essa estranha câmara fotográfica nas mãos, escrevi este livro para você, lembrando-me do tempo em que eu só ouvia: "Cala a boca, menino!", "Pare quieto, menino!", "Vá pro seu quarto, menino, que isso não é conversa pra criança!". E coisas do tipo... Ah, que desforra gostosa! (daqui)
  

sexta-feira, 18 de julho de 2025

"O nome da gente" - Poema de Pedro Bandeira

 


Clodoaldo Martins (Artista plástico brasileiro, n. 1985), 'Hora da leitura', 70x70cm.


O nome da gente


Por que é que eu me chamo isso
E não me chamo aquilo?
Por que é que o jacaré
Não se chama crocodilo?

Eu não gosto
do meu nome,
não fui eu
quem escolheu.
Eu não sei porque se metem
com um nome que é só meu!

O nenê
que vai nascer
vai chamar
como o padrinho,
vai chamar
como o vovô,
mas ninguém vai perguntar
o que pensa
o coitadinho.

Foi meu pai quem decidiu
que o meu nome fosse aquele.
Isso só seria justo
se eu escolhesse
o nome dele.

Quando eu tiver um filho,
não vou pôr nome nenhum.
Quando ele for bem grande,
ele que escolha um! 


Pedro Bandeira
, em "Cavalgando o arco-íris",
São Paulo, Moderna: 1984.
 


'Cavalgando o arco-íris' de Pedro Bandeira
Ilustrações Michio - Série Risos e Rimas
 
 
 SINOPSE

Amizade, medo do escuro, namoro, escola, a chegada do irmãozinho, a perda do animal de estimação, são alguns dos temas que Pedro Bandeira transformou em poesia. Cavalgando o arco-íris é um livro divertido, que, com muita ternura e simplicidade, fala sobre o quotidiano das crianças, suas experiências, alegrias e expectativas. Na verdade, Cavalgando o arco-íris é um livro para todas as idades. O poema "Nana, mamãe" era uma antiga canção de ninar que a mãe do autor cantava para ele dormir e que continua embalando várias gerações. O livro é um convite à poesia, feito por quem entende de crianças.