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sábado, 4 de fevereiro de 2012

"Por Delicadeza" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen


Rolf Armstrong (American painter of pin-up art, 1889 – 1960) 



Por Delicadeza 


Bailarina fui
Mas nunca dancei
Em frente das grades
Só três passos dei

Tão breve o começo
Tão cedo negado
Dancei no avesso
Do tempo bailado

Dançarina fui
Mas nunca bailei
Deixei-me ficar
Na prisão do rei

Onde o mar aberto
E o tempo lavado?
Perdi-me tão perto
Do jardim buscado

Bailarina fui
Mas nunca bailei
Minha vida toda
Como cega errei

Minha vida atada
Nunca a desatei
Como Rimbaud disse
Também direi:

"Juventude ociosa
Por tudo iludida
Por delicadeza
Perdi minha vida." 





Mísia - Esse Momento


"A poesia é tudo o que há de íntimo em tudo." 



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Garras dos sentidos" - Poema de Agustina de Bessa Luís

Pintura de Jesus Guido


Garras dos sentidos


Não quero cantar amores,
Amores são passos perdidos.
São frios raios solares,
Verdes garras dos sentidos.

São cavalos corredores
Com asas de ferro e chumbo,
Caídos nas águas fundas.
Não quero cantar amores.

Paraísos proibidos,
Contentamentos injustos,
Feliz adversidade,
Amores são passos perdidos.

São demência dos olhares,
Alegre festa de pranto,
São furor obediente,
São frios raios solares.

Da má sorte defendidos
Os homens de bom juízo
Têm nas mãos prodigiosas
Verdes garras dos sentidos.

Não quero cantar amores
Nem falar dos seus motivos.




Mísia - Garras dos Sentidos


"O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade."

(Voltaire)