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sexta-feira, 24 de julho de 2026

"Estou velho" - Poema de Antero Coelho Neto



Paul Signac (French Neo-Impressionist painter, 1863–1935),
'Sunday' ('Dimanche'), 1889, Private Collection.


Estou velho 


Eu procuro as palavras certas
dos meus versos e elas faltam...
Não consigo juntá-las
na ideia clara do que pretendo...
A fantasia é solta
e não consigo revê-la...
Ela vai e não volta mais
enquanto o tempo rápido passa...
E fico eternamente velho
trocando palavras e sonhos
que não tem mais qualquer sentido
que não tem mais nenhum valor...


Antero Coelho Neto
[Médico, escritor, professor e reitor brasileiro, 1931–2016]



 
Paul Signac, 'Breakfast' or 'Dining room' ('La salle à manger'), 1886–87,
Kröller-Müller Museum.



"Quando já não me indignar, terei começado a envelhecer." 

André Gide (1869–1951)
[Escritor francês galardoado com o Prémio Nobel de Literatura de 1947]
 
 

sábado, 11 de julho de 2026

"A Fantasia da Natureza" - Poema de Antero Coelho Neto


 
Reynaldo Manzke (Pintor brasileiro, 1906–1980), 'Vilarejo', 1943.
Aguarela sobre papel, 19 x 28 cm.


A Fantasia da Natureza


Natureza alegre
do despertar repetido
que se eterniza plena
no horizonte colorido.

Ora a chuva cai
molhando terra e corpos.

Ora o pássaro azul
voa em canto e vai
dizendo que existe Deus.

Ora o céu é seco
e os animais sedentos
vagam loucos pelos campos
rachados, ardentes e mortos
parecendo não existir Deus.


Antero Coelho Neto
(Médico, escritor, professor e reitor brasileiro, 1931–2016)
 
 

Reynaldo Manzke, 'Uma carroça na estrada', s.d. Aguarela sobre papel.
 

"Acho que o mundo vai acabar em preto e branco, igual a um filme antigo.
Talvez, enquanto haja cores, consigamos sobreviver."
 

Neil Gaiman

(Autor britânico de contos, romances, banda desenhada e roteiros, n. 1960)
 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

"Eu aprendi a dizer sim" - Poema de Antero Coelho Neto



Tarsila do Amaral (Pintora, desenhista, escultora, ilustradora, cronista
e tradutora brasileira, 1886–1973), 'Bandeira do Divino', 1939–1968.


Eu aprendi a dizer sim


Eu aprendi a dizer sim quando via natureza
molhada na manhã alegre do primeiro dia novo.

Eu aprendi a dizer não quando reconheci a fome
no homem indefeso e não achei nenhuma razão.

Eu aprendi a dizer sim quando o dia amanheceu
e fiquei deslumbrado com a esperança renovada.

Eu aprendi a dizer não quando quiseram que traísse
os princípios fundamentais da humanidade em luta.

Eu aprendi a dizer sim quando fui à escola
de minha infância e corri, gritei e... aprendi.

E então o sim e o não passaram a ser inexoráveis
durante todo o resto da vida, depois que aprendi.


Antero Coelho Neto
(Médico, escritor, professor e reitor brasileiro, 1931
–2016)