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terça-feira, 5 de outubro de 2021

"Escrevemos docemente" - Poema de Fernando Echevarría


 
William Michael Harnett, Music and Literature, 1878
 

Escrevemos docemente
 
 
 Escrevemos docemente. Se a figura
sobe de estar tão funda a essa mesa
é que escrever se lembra. E só da altura
de se lembrar percorre a linha acesa

a ponta de escrever, que traça a pura
forma de rosto que abre na tristeza.
E a tristeza ilumina de escultura
penumbras de volumes com que pesa.

Por isso é docemente que da linha
de estar ali aonde sempre esteve
aparece figura de rainha

que sempre foi e agora só se escreve.
E escrevermos é como se na vinha
o sol se iluminasse. E fosse breve. 


Fernando Echevarría
, in "Figuras"
 

William Michael Harnett, Music and Good Luck, 1888, 
Metropolitan Museum of Art
 

"Aprender música lendo teoria musical é como fazer amor por correspondência." 
 
(Luciano Pavarotti)
 
[Tenor de ópera italiano, Luciano Pavarotti nasceu a 12 de outubro de 1935, em Modena, e faleceu a 6 de setembro de 2007, na sua terra natal.
Ainda criança, entrou para o grupo coral de Modena, que o pai também frequentava, tendo sido esta a sua primeira experiência no meio musical.
Embora inicialmente os seus planos apontassem para uma carreira no ensino, a sua participação, como Rodolfo, na ópera "La Bohème", no Teatro de Reggio Emilia, em 1961, trouxe-lhe reconhecimento imediato e abriu-lhe as portas para a consolidação de uma carreira como tenor.
Em muito pouco tempo, os seus dotes musicais começaram a ser requisitados.
Luciano Pavarotti fez, ao longo da sua vida profissional, inúmeros espetáculos e digressões por todos os continentes e em palcos tão distintos como o Madison Square Garden de Nova Iorque, o Estádio de Wembley de Londres, o Estádio Olímpico de Berlim, o Estádio Olímpico de Barcelona, o Hollywood Bowl e o Central Park de Nova Iorque.
Os seus papéis em óperas incluem, para além do já mencionado Rodolfo, na "La Bohème", Cavaradossi em Tosca, o Duque de Mântua em Rigoletto e Nemorino em L'Elisir d'amore, entre tantos outros.
Destacam-se da sua extensa discografia The 3 Tenors in Concert (1994) e The Three Tenors Arias (2000), álbuns gravados em parceria com José Carreras e Plácido Domingo; Pavarotti and Friends for War Child (1996), Pavarotti and Friends for Guatemala and Kosovo (1999) e Pavarotti and Friends for Afghanistan (2001), exemplos de trabalhos editados em comum com outros músicos, com objetivos solidários; La Bohème (1980), Rigoletto (1985), Il Trovatore (1986), Madama Butterfly (1987), La Traviata (1991), Macbeth (1993), I Lombardi (1997), Notte d'amore (1998), Quarant'anni per la Lirica (2001), Puccini (2004) e Luciano Pavarotti (2005), entre tantos outros álbuns, quer de ópera quer de coleções.
(Daqui) ]
 
 
William Michael Harnett, The Old Violin, 1886,
National Gallery of Art, Washington, DC.

"O saber faz o homem ponderado e insinuante." 

(Charles de Montesquieu)

[Escritor francês (1689-1755), Charles de Montesquieu foi o autor de Lettres persanes (Cartas Persas, 1721), uma visão satírica da sociedade e dos costumes do seu tempo. Contribuiu para a teoria política com a obra L'Esprit des lois (O Espírito das Leis, 1748). Foi o primeiro a defender a separação dos poderes - legislativo, executivo e judicial. A sua obra inspirou as doutrinas constitucionais liberais. (Daqui) 

 

sexta-feira, 31 de julho de 2020

"Seria Eterno" - Poema de Fernando Echevarría


Alfred Munnings (1878-1959) reading aloud outside on the grass, c. 1911,
by Harold Knight (1874-1961)



Seria Eterno 


Seria eterno, se não fosse entrando
por aquele país de solidão,
aonde ver a luz alarga, quando
e alarga, à volta, a vinda do verão.

Seria eterno. Assim somente o brando
movimento de entrar se lhe mensura,
conforme ver, ao ir-se dilatando,
amplia o campo útil da ternura.

E, enquanto entra, um cântico de brisa
lembra quanto por campos foi outrora
tempo apagando a sua face lisa,

qual se alisando, se apagasse a hora.
E, indo entrando, a solidão se irisa
e o vai esquecendo pelo tempo fora. 


Fernando Echevarría
, in "Figuras"


Alfred Munnings, Sidney Webster Fish on a dark bay, 1924


"Uma conduta irrepreensível consiste em manter cada um a sua dignidade sem prejudicar a liberdade alheia."
Alfred Munnings (1878-1959), Portrait of Mr. Bayard Tuckerman (1889-1974) 


"Quando um homem não se encontra a si mesmo, não encontra nada."

domingo, 3 de maio de 2020

"Com a altura da idade a casa se acrescenta" - Poema de Fernando Echevarría



Philip Richard Morris (1836-1902), Home, Sweet Home



Com a altura da idade a casa se acrescenta


Com a altura da idade a casa se acrescenta.
Não é que aumente a quantidade ao espaço.
Mas, sendo mais longínquos, o desapego pensa
maior distância quando se fica a olhá-lo.
Ou, se quiserem, uma realeza
se instala à volta dessa altura de anos,
de forma a que os objectos apareçam
na luz de quase já nem os amarmos.
Então a casa distende-se na intensa
inteligência de estarmos
a ver as coisas amarem-se a si mesmas.
Ou com a forma a difundir seu espaço.
 in "Figuras" (1987)

terça-feira, 14 de maio de 2019

"Hoje para morrer" - Poema de Fernando Echevarria


Hessam Abrishami, Harmonic Night



Hoje para morrer


Hoje, para morrer era preciso
que a música viesse. E nos beijasse
as pálpebras por dentro. E um sorriso
desceria da água à nossa face.

Tudo seria finalmente liso
como um rio que nunca mais passasse.
Tudo seria tudo, não sendo preciso
um relógio qualquer que nos guardasse

o grande amor que então percorreria
o corpo. Chamar-lhe-iam gravidade,
ou peso, ou nada, ou, simplesmente, fria

inércia, fim. Mas quem respira sabe-
-lhe a fundo o nome. De raiz diria:
"amor irresistível. Terra. Ou nave."


 in "Sobre as Horas", 1963
 

terça-feira, 5 de março de 2019

"In memoriam" - Poema de Fernando Echevarría


Everett Shinn, All Night Cafe, 1900



In memoriam

a meu pai 


Cada dia te víamos andando
mais para dentro de ti mesmo. O tempo
ia ficando parado
à medida que o sangue, mais pequeno,
circulava num espaço
que já era seu próprio esquecimento.
A certa altura, a placidez do campo
lavrava teu rosto. Que terreno
era então ver-te olhando,
como se olhar e o fio do centeio
fossem a luz do ano
com nostalgia de parecer eterno.
Foi essa a idade em que haver sido amado
pelo pão, pelo vinho e pelo vento
te trouxe a crestação com que o trabalho
deu tez ao sonho, e honradez e peso
a ficares assim, em paz sentado,
marceneirando teu próprio pensamento.
E, aos poucos, por ele madrugando,
seguiste ainda mais por ele adentro,
de forma que, hoje, nem te vemos. O halo
onde foste minguando é só aceno
de quem se foi pensando
até ao outro lado de si mesmo.

Do outro lado de si mesmos, cantam.
Desde outra margem sua voz arriba,
imperceptivelmente alcandorada
nessa tensão em que o cristal é cima.
Como essa margem se está excedendo. Que alta
se cumpre a melodia
por onde a inteligência fundou haver montanhas
de que nos chega somente a nostalgia.
Que as vozes que, do outro lado de si mesmas, cantam
deixam os ecos propagar-se à santa
alcandoração da disciplina.


Fernando Echevarría,
Sobre os Mortos (1991)

domingo, 3 de fevereiro de 2019

"A Velhice é um Vento" - Poema de Fernando Echevarría


Jan van Beers (1852–1927, Belgian painter and illustrator, the son
 of the poet Jan van Beers, 1821–1888), When Stars Set, 1874.


A Velhice é um Vento



A velhice é um vento que nos toma
no seu halo feliz de ensombramento.
E em nós depõe do que se deu à obra
somente o modo de não sentir o tempo,
senão no ritmo interior de a sombra
passar à transparência do momento.
Mas um momento de que baniram horas
o hábito e o jeito de estar vendo
para muito mais longe. Para de onde a obra
surde. E a velhice nos ilumina o vento.


Fernando Echevarría, in "Figuras"
 

Peter Benoit (Flemish composer of Belgian nationality, 1834–1901)
painted by Jan van Beers


"Quando mais envelhecemos, mais precisamos de ter que fazer. Mais vale morrer do que arrastarmos na ociosidade uma velhice insípida: trabalhar é viver."
 
 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

"Qualquer coisa de paz" - Poema de Fernando Echevarría


Frédéric Bazille, Vue de village, 1868, huile sur toile (130 × 89 cm),



Qualquer coisa de paz


Qualquer coisa de paz. Talvez somente 
a maneira de a luz a concentrar 
no volume, que a deixa, inteira, assente 
na gravidade interior de estar. 

Qualquer coisa de paz. Ou, simplesmente, 
uma ausência de si, quase lunar, 
que iluminasse o peso. E a corrente 
de estar por dentro do peso a gravitar. 

Ou planalto de vento. Milenária 
semeadura de meditação 
expondo à intempérie a sua área 

de esquecimento. Aonde a solidão, 
a pesar sobre si, quase que arruína 
a luz da fronte onde a atenção domina. 


Fernando Echevarría, in "Figuras"


segunda-feira, 25 de abril de 2016

"Lentos nos Fomos Esquecendo" - Poema de Fernando Echevarría


Grant WoodWoman with Plants (1929)


Lentos nos Fomos Esquecendo


Lentos nos fomos esquecendo. Quando 
o tempo da velhice nos foi vindo 
a tez apareceu amorenada de anos 
e afeita ao espírito. 
A lavoura sabia aos nossos passos. 
Até os desperdícios 
iluminavam debilmente o armário 
e a penumbra dos rincões escritos. 
Mas nós só estávamos 
em nos havermos esquecido. 
Ou, às vezes, a aura do trabalho 
quase fazia com que na mesa o sítio 
aparecesse coroado de anos 
sobre a mão a mover-se pelo seu próprio espírito. 


Fernando Echevarría, in "Figuras"




"Para que resulte o possível deve ser tentado o impossível."



sábado, 22 de setembro de 2012

"Oração para antes do estudo" - Fernando Echevarría


Pavel Fedotov (1815 – 1852, Russian), The Children Zherbinyh



Oração para antes do estudo 


Dai-nos, Senhor, um coração humilde.
A inteligência de aceitar agora
que só a si o estudo se ilumine
e nele se esqueça o estudante. A cópia
do que estudarmos em nós viva, a fim de
que apenas o estudado seja porta.
E luz aberta por onde entrem livres
aqueles cuja alegria é obra
de compenetração que, sem limites,
se entrega. Fica com seu dentro fora.
Ilumina, Senhor, a inteligência de ir-se
esquecendo cada qual no que se mostra.


Fernando Echevarría,
do livro "Epifanias", Assírio & Alvim, 2006, p. 7
 

[Fernando Ferreira Echevarría, nascido a 26-2-1929 em Cabezón de la Sal, Santander, Espanha, filho de pai português e mãe espanhola, é um poeta espanhol de origem portuguesa. Veio para Portugal ainda muito novo, tendo cursado Humanidades em Portugal, e Filosofia e Teologia em Espanha. Optou pela carreira docente, primeiro no Porto e depois, já exilado em Paris, onde passou a residir desde meados de 1966, após ter estado em Argel entre 1963-1966.]


Pavel Fedotov, Nadezhna Petrovna Zhdanovich


Pavel Fedotov, M.P.Zhdanovich


Pavel Fedotov, Pequeno-almoço de um aristocrata


Pavel Fedotov, Jovem viúva, 1851




Pavel Fedotov Andreyevich (1815-1852) foi um pintor russo. Fedotov era um oficial da Guarda imperial de São Petersburgo. Como muitos de seus colegas na época, ele estava interessado em artes.Tocou flauta e frequentou aulas à noite na Academia de Belas Artes. Como estudante, não foi particularmente notável e, ainda no Exército, ganhou reputação como pintor pelos seus retratos de dirigentes e cenas de regimento. Apesar de ter uma carreira notável no exército, Fedotov aposentou-se em 1844 para se dedicar exclusivamente à pintura. 
 
Suas obras, como o "Recém-decorado", "Noiva difícil 'e' Guest extemporâneo" estavam cheias de sátira e crítica em torno da ordem política e social da época. O seu trabalho foi reconhecido como uma nova palavra em arte, nas exposições de 1849 e 1850 em São Petersburgo e trouxe o sucesso ao pintor prometendo-lhe prosperidade e, portanto, a possibilidade de continuar o seu trabalho.
Fedotov produziu, provavelmente, as melhores obras imbuídos de um sentimento de tristeza desesperada crescendo gradualmente até atingir seu clímax no" Encore, Encore!", "Jogadores", e "Jovem viúva".
 
Infelizmente seus laços estreitos com o grupo de Petrachévski, social-democrata que foi a julgamento, fez dele um alvo de perseguição do governo. Fedotov foi esmagado pela maré reacionária.
Tinha apenas 37 anos quando morreu numa clínica mental, depois de um longo período de sofrimento emocional e mental.


Pavel Fedotov, Noiva difícil
 

"A vida é a infância de nossa imortalidade." 

(Johann Wolfgang von Goethe)
 

domingo, 4 de março de 2012

"Domingo" - Poema de Fernando Echevarria


Piodão - A Aldeia "presépio" de Portugal


Piodão - Arganil, Portugal


Piodão - Arganil, Portugal


Domingo 


Ficou-lhe a paz. Do tempo 
em que, movido o olhar à santidade, 
parávamos no campo vendo 
correr a água e adubar-se o caule 
que abrirá sua roda de sustento 
à fadiga do homem, que uma coroa de aves 
reconhece no ar, de estar aberto 
à cálida saúde da passagem. 
Depois da missa, pelo domingo adentro, 
crescia esta saudade 
fresquíssima de estarmos tão atentos 
à tarefa que, sem nós, a tarde 
cumpre na terra. E mesmo ao pensamento 
que amadurece nas árvores, 
tocadas longe, no estremecimento 
que se enreda por nós e em nós se abre. 
Ficou-lhe a paz. O doce movimento 
que nos inclina para a primeira idade.


Fernando Echevarría


Fernando Ferreira Echevarría
 

Poeta espanhol de origem portuguesa, (filho de pai português e mãe espanhola), Fernando Ferreira Echevarría nasceu a 26 de fevereiro de 1929, em Cabezón de la Sal, Santander, Espanha. Veio para Portugal ainda muito novo, tendo cursado Humanidades em Portugal, e Filosofia e Teologia em Espanha. Optou pela carreira docente, primeiro no Porto e depois, já exilado em Paris, onde passou a residir desde meados de 1966, após ter estado em Argel entre 1963-1966. Escreveu sempre em português, só ocasionalmente nas línguas castelhana e francesa, e colaborou em várias revistas como: Graal, Eros, Colóquio/Letras e Limiar. O seu primeiro livro Entre Dois Anjos foi publicado em 1956; seguiram-se-lhe: Tréguas para o Amor, em 1958, Sobre as Horas, em 1963 e Ritmo Real em 1971, que se apresentou como um livro de arte, sendo as dez gravuras originais a relevo da autoria de Flor Campino. Todos os exemplares foram assinados pela artista e pelo autor. A poesia de Echevarría insere-se na corrente antirrealista dos anos 50 do século XX, marcada sobretudo pela sensibilidade metafísica e artística e pelo "imaginismo". Pode-se aproximar Fernando Echevarría de duas tendências contemporâneas: por um lado, a do desenvolvimento de uma poesia reflexiva, a que subjaz a especulação filosófica, e que aproxima o autor de alguns colaboradores de Eros, como Fernando Guimarães ou António José Maldonado, tendência, aliás, agudizada nos últimos títulos (Introdução à Filosofia e Fenomenologia); e, por outro lado, coincidente muitas vezes com a tendência anterior, a da compreensão, na esteira do simbolismo mallarmiano, da poesia como um instrumento de conhecimento, na decifração de uma dimensão absoluta e de uma verdade metafísica que podem ser entrevistas pelo uso do símbolo na condensação intensiva de todas as irradiações significativas de certas palavras.
A sua poesia encontra-se, entre outras, nas seguintes antologias portuguesas: Antologia - Prémio Almeida Garrett de 1954, Alma Minha Gentil, Líricas Portuguesas; 20 Anos de Poesia Portuguesa; Poetas escolhem Poetas e Eros de Passagem - Poesia Erótica Contemporânea. Dos vários prémios nacionais que recebeu, destacam-se o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, o Prémio António Ramos Rosa, o Prémio Fundação Luís Miguel Nava e o Prémio Dom Dinis. 

Fernando Echevarría. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-03-04]. 


A aldeia histórica de Piodão

A aldeia de xisto de Piodão, Arganil, Portugal
 

Piódão é uma  freguesia portuguesa do concelho de Arganil, com 36,36 km² de área e 178 habitantes (2011). Densidade: 4,9 hab/km². A freguesia inclui as seguintes aldeias e quintas: Piódão, Malhada Chã, Chãs d'Égua, Tojo, Fórnea, Foz d`Égua, Barreiros, Covita, Torno, Casal Cimeiro e Casal Fundeiro. 
A aldeia, de Piódão, situa-se numa encosta da  Serra do Açor. As habitações possuem as tradicionais paredes de xisto, tecto coberto com lajes e portas e janelas de madeira pintada de azul. O aspecto que a luz artificial lhe confere, durante a noite, conjugado pela disposição das casas fez com que recebesse a denominação de “Aldeia Presépio”. Os habitantes dedicam-se, sobretudo, à agricultura (milho, batata, feijão, vinha), à criação de gado (ovelhas e cabras) e em alguns casos à apicultura.
A flora é em grande parte constituída por castanheiros, oliveiras, pinheiros, urzes e giestas. A fauna compõe-se, sobretudo, de coelhos, lebres, javalis, raposas, doninhas, fuinhas, águias, açores, corvos, gaios, perdizes e pequenos roedores.
Actualmente, a desertificação das zonas do interior, afecta praticamente todas as povoações desta freguesia. As populações mais jovens emigraram para o estrangeiro ou para as zonas litorais à procura de melhores condições de vida, regressam às suas origens, sobretudo, durante as épocas festivas para reviver o passado e se reencontrarem com os seus congéneres.


Igreja de Piodão

O conjunto arquitectónico da povoação forma uma das aldeias históricas protegidas. Com efeito, recebeu, na década de 1980, o galo de prata, condecoração atribuída à "aldeia mais típica de Portugal".
Aldeia classificada é como Imóvel de Interesse Público.


Miranda Lambert - Over You



"O sábio teme o céu sereno; em compensação, quando vem tempestade ele caminha sobre as ondas e desafia o vento". 

(Confúcio)

domingo, 2 de outubro de 2011

"Retirados à altura da sua idade, ouviam" - Poema de Fernando Echevarría


Augustus Edwin Mulready (1844-1904), Little Flower Sellers, 1887



Retirados à altura da sua idade, ouviam


Retirados à altura da sua idade, ouviam. 
Mas ouviam frequências onde o rumor do mundo, 
esbatido, somente amanhecia 
azul visível, atento timbre e pulso. 
Ouviam tudo quanto a si se ouvia 
no concerto de tudo. 
E nessa solidão de intensa companhia 
em que a altura da idade era um azul profundo. 


Fernando Echevarría


Augustus Edwin Mulready, A Walk with Grandpa, 1904
 

"A infância é a estação das crenças, dos temores e das superstições."

(Camilo Castelo Branco)