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sexta-feira, 24 de abril de 2026

"Paraíso" - Poema de José Paulo Paes


 

Victor Gabriel Gilbert (French painter, 1847
–1935), 'Three Friends', n.d.


Paraíso
 

Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar,
não para automóveis matar gente,
mas para criança brincar.

Se esta mata fosse minha,
eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores,
onde é que os pássaros vão morar?

Se este rio fosse meu,
eu não deixava poluir.
Joguem esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.

Se este mundo fosse meu,
Eu fazia tantas mudanças
Que ele seria um paraíso
De bichos, plantas e crianças.


José Paulo Paes
(1926
–1998), 
em "Poemas para brincar", 1991.


Pinturas de Victor Gabriel Gilbert 
(Crianças)  


Victor Gabriel Gilbert, 'Afternoon Tea in the Public Garden'
 


Victor Gabriel Gilbert, 'Title unknown'


 
Victor Gabriel Gilbert, 'Make Believe'
 
 
 
Victor Gabriel Gilbert, 'A Sudden Stop'
 


Victor Gabriel Gilbert, 'Picnic at the Tuileries, Paris',
Private collection, France.
 
 

Victor Gabriel Gilbert, 'Feeding the Rabbits'
 
 
 
Victor Gabriel Gilbert, 'The Reward' ('La récompense')
 

 
Victor Gabriel Gilbert, 'Playtime in the Summerhouse'
 

Victor Gabriel Gilbert, 'Young children in a poppy field', c. 1920.


"Educar a mente sem educar o coração, não é educar em absoluto."


Frase atribuída ao filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.)
 

terça-feira, 3 de outubro de 2023

"Quando fecho a porta" - Poema de Lya Luft

 

Richard Edward Miller (American Impressionist painter, 1875–1943),
Reflections, c. 1915



Quando fecho a porta

Na parede atrás de minha mesa,
ombro a ombro,
a menina e seu pai, em dois retratos,
conversam sobre o que há no escuro
da noite, como entender o mundo,
e por que as montanhas eram tão azuis.
Quando apago a luz e fecho a porta,
eles riem baixinho desta que hoje sou:
ainda tão distraída e desassossegada,
cheia de encantamento, susto e assombro.

(E devem dizer, meneando as cabeças:
Parece que ela nunca vai mudar.)

Lya Luft, em "Para não dizer adeus", 2005.
 
 
Richard Edward Miller, Woman in blue seated at a dressing table,
 c. 1916–1917, Private collection.


"O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano
 à perfeição."

Aristóteles, citado por Maria Eugênia de Castro em "O Livro dos Signos", pág. 99. (daqui)
 
 

domingo, 30 de julho de 2023

"O mundo, pião de Deus" - Poema de João Braz


 
Elizabeth Forbes (Canadian painter, 1859–1912), The half holiday, 
Alec home from school, 1909.


O mundo, pião de Deus


Outro dia, na escola,
O professor deu à gente
Uma bizarra lição:
Disse que o mundo é uma bola
E anda à roda, eternamente,
A girar como um pião…

- Nunca em tal tinha pensado!
E fiquei muito admirado
Com a lição que aprendi...
Roda o mundo, e o caso é
Que eu ando a rodar em pé
E ainda não entonteci!

Ora um dia, em pequenino,
disseram-me que o destino
e mares, terras, e céus
eram fruto de labor
insano do Criador
e o Criador era Deus...

Mas ponho o caso em estudo,
Reparo que nisto tudo
Reina grande confusão,
Pois, no céu, seria asneira
Deus andar, por brincadeira,
Sempre a jogar ao pião…

E nem o meu professor
Decifra sem aranzel
Este segredo profundo:
- Onde é que Nosso Senhor
Foi arranjar um cordel
Pra fazer rodar o mundo?
 em "Esta riqueza que o Senhor me deu", 1953
 


Elizabeth Forbes (Canadian painter, 1859–1912), School is Out, 1889.
Oil on canvas, 106 x 145 cm, Penlee House Gallery & Museum.


"Educar a mente sem educar o coração não é educação."
 
Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C – 322 a.C.]

 

sábado, 18 de outubro de 2014

"Dormir um Pouco" - Poema de Albano Martins


Fotografia de Paulo Pereira, Foz do Douro - Porto


Dormir um Pouco...
 Homenagem a Federico García Lorca


Dormir um pouco — um minuto,
um século. Acordar
na crista
duma onda, ser
o lastro de espuma
que há no sono
das algas. Ou
ser apenas
a maré, que sempre
volta
para dizer: eu não morri, eu sou
a borboleta
do vento, a flor
incandescente destas águas.
 in "Castália e Outros Poemas"


Fotografia de Paulo Pereira, Foz do Douro - Porto 


"Fotografar é colocar na mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração."


Henri Cartier-Bresson
[Fotógrafo, fotojornalista e desenhista francês, 1908–2004]
 


Fotografia de Paulo Pereira, Sintra, Portugal


"Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso." 

Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C – 322 a.C.]

domingo, 22 de junho de 2014

"Quem não dava a vida por um amor?" - Crónica de Miguel Esteves Cardoso



William Arthur Breakspeare (British painter, 1855–1914), 'The end of the evening'.
Oil on canvas, Private collection.


Quem não dava a vida por um amor? 

 
"O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mais tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar? 


 


William Arthur Breakspeare, 'The reluctant pianist'


"Quem ouve música, sente a sua solidão de repente povoada."


Robert Browning
[Poeta e dramaturgo inglês, 1812–1889]
 


William Arthur Breakspeare, 'A musical interlude'


"A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição."
 
Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C.– 322 a.C.]
 


William Arthur Breakspeare, 'If music be the food of love' 



"Quão pouco é preciso para ser feliz! O som de uma gaita. Sem música a vida seria um erro."

Friedrich Nietzsche
[Filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor alemão, 1844–1900]




Tchaikovsky

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

"Porque" - Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen



Cecily Brown (British painter, born 1969), Untitled (Blood Thicker Than Mud), 2012



Porque


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Sophia de Mello Breyner Andresen,
in "Mar Novo", 1958



Aristóteles ensinando Alexandre, o Grande, gravura de Charles Laplante



"A democracia surgiu quando, devido ao facto de que todos são iguais em certo sentido, 
acreditou-se que todos fossem absolutamente iguais entre si."

Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]
 

terça-feira, 7 de maio de 2013

"Trazes-me em tuas mãos de vitorioso" - Poema de Florbela Espanca



Henry Thomas Schafer (British painter and sculptor, 1873–1915),
'A basket of roses - Grecian girls', c. 1890 


Trazes-me em tuas mãos de vitorioso


Trazes-me em tuas mãos de vitorioso
Todos os bens que a vida me negou,
E todo um roseiral, a abrir, glorioso
Que a solitária estrada perfumou.

Neste meio-dia límpido, radioso,
Sinto o teu coração que Deus talhou
Num pedaço de bronze luminoso,
Como um berço onde a vida me pousou.

O silêncio, ao redor, é uma asa quieta...
E a tua boca que sorri e anseia,
Lembra um cálix de tulipa entreaberta...

Cheira a ervas amargas, cheira a sândalo...
E o meu corpo ondulante de sereia
Dorme em teus braços másculos de vândalo...


Florbela Espanca,
in "A Mensageira das Violetas"


Buganvília (Bougainvillea)


"Tudo quanto é belo manifesta o verdadeiro." 
 
Victor Hugo
[Escritor, poeta, ensaísta, dramaturgo, ativista e político francês, 1802–1885]



Hortênsias (Hydrangea macrophylla)


"A música está em tudo. Do mundo sai um hino."

Victor Hugo
 


Zínias (Zinnia)


"A vida é um campo de urtigas onde a única rosa é o amor."

Victor Hugo
 
 

Tulipas (Tulipa)


"É triste pensar que a natureza fala e que o género humano não a ouve."


Victor Hugo
 


Margaridas (Leucanthemum vulgare)



"Tendo em conta as condições de que dispõe e na medida do possível,
é a natureza que faz sempre as coisas mais belas e melhores."


Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]
 


Orquídeas (Orquídea)


"A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces."

Aristóteles
 


Violetas (Viola)


"Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso." 
 

Narcisos (Narcissus)


"A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil."

Nicolau Copérnico

[Astrónomo e matemático polaco, 1473– 1543] 
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Incêndio" - Poema de Al Berto




incêndio


se conseguires entrar em casa e
alguém estiver em fogo na tua cama
e a sombra duma cidade surgir na cera do soalho
e do teto cair uma chuva brilhante
contínua e miudinha – não te assustes

são os teus antepassados que por um momento
se levantaram da inércia dos séculos e vêm
visitar-te

diz-lhes que vives junto ao mar onde
zarpam navios carregados com medos
do fim do mundo – diz-lhes que se consumiu
a morada de uma vida inteira e pede-lhes
para murmurarem uma última canção para os olhos
e adormece sem lágrimas – com eles no chão 


Al Berto,

in Horto de Incêndio, 1997
 




"A luz é o fogo ávido por cima da vela. Ao consumi-la, ela consome-se a si própria."

Leonardo da Vinci

[Polímata italiano da Alta Renascença, 1452–1519]






"O começo de todas as ciências é o espanto de as coisas serem o que são."

Aristóteles

[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]
 
 

domingo, 2 de outubro de 2011

"Ao desconcerto do Mundo" - Poema de Luís de Camões



Henry Mosler (American artist, 1841–1920), Le Retour, 1879


Ao desconcerto do Mundo


Os bons vi sempre passar
No mundo graves tormentos;
E para mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só para mim
Anda o mundo concertado.
 


Henry Mosler, The Last Sacraments, 1884


"Sê senhor da tua vontade e escravo da tua consciência." 

Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A fauna e a flora do Parque Biológico de Gaia



Parque Biológico de Gaia
(Fotos de quadrogiz)
 

"A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável."
 

Jean-Jacques Rousseau 
[Filósofo, teórico político, escritor e compositor genebrino, 1712–1778]


Entrada do Parque Biológico (Estátuas)

Jardim exterior do Parque Biológico

Entrada interior do Parque Biológico

A hortênsia ou hidrângea ou hortense é uma planta de folhas largas
da família Hydrangeaceae, pertencente ao género Hydrangea.

Vegetação

Quinta do Parque


 
 
 Rio Febros e vegetação
 
Queda de água do  Rio Febros

Tanque e vegetação aquática

 
Cabras na quinta do Parque 

Cabras na quinta do Parque 



Vegetação do Parque

Tronco 

Vegetação característica da mata portuguesa

Vegetação

Vegetação

Lago e vegetação

Lago, animais e vegetação

Vegetação diversificada do Parque

Vegetação diversificada do Parque

Vegetação diversificada do Parque

Restos de um tronco velho

Flor amarela na orla do campo cultivado da quinta

 A cor e a beleza das plantas

Flores - Margaridas 

Vegetação do Parque - Enxertia (Preservação das espécies)


"Em todas as coisas da natureza existe algo de maravilhoso."



Aristóteles
[Filósofo e polímata da Grécia Antiga, 384 a.C. – 322 a.C.]


(Fotografia retirada da Internet)


"O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, 
um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo."

 
Blaise Pascal
[Matemático, escritor, físico, inventor, filósofo e teólogo francês, 1623–1662]