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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

"A Ordem do Mar" - Poema de António Ramos Rosa



Adolphe Weisz (Hungarian-French painter, 1838–1916), "Painting en plein air", c. 1895.



A Ordem do Mar



À medida que ver se completa em arco
de uma harmonia que reúne o espaço inteiro
a flor se ergue em fantasia calma e se decanta
na brisa que a inclina e a rodeia e a aviva.

Não mais a máscara, não mais a mímica, não mais
as flautas e as palavras flutuantes. Só a canção
do mar, a sua ordem múltipla e monótona,
os seus artifícios frescos, a sua fragrância funda.

É uma voz que torna o céu mais amplo e a folha
mais azul. É o conhecimento de uma ordem
em que as sombras se combinam com o vento,
em que os corpos são formas do verdadeiro oceano.


António Ramos Rosa,
"No calcanhar do vento", 1987.


 
Adolphe Weisz, Reflections, c. 1900.


"A felicidade mais elevada é aquela que corrige os nossos defeitos e equilibra as nossas debilidades."

 


Adolphe Weisz, Music Effect, 1871.


"Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas."

Johann Wolfgang von Goethe, Poetische und prosaische Werke,
in zwei Bänden, Volume 2‎ - Página 208, Cotta, 1837 - 663 páginas.
 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

"Amigo" - Poema de Cora Coralina



Harold Harvey (British painter, 1874–1941), Wayside Minstrels, 1922.
 

Amigo


Vamos conversar
Como dois velhos que se encontram
no fim da caminhada.
Foi o mesmo nosso marco de partida.
Palmilhamos juntos a mesma estrada.

Eu era moça.
Sentia sem saber
seu cheiro de terra,
seu cheiro de mato,
seu cheiro de pastagens

É que havia dentro de mim,
no fundo obscuro de meu ser
vivências e atavismo ancestrais:
fazendas, latifúndios,
engenhos e currais.

Mas... ai de mim!
Era moça da cidade.
Escrevia versos e era sofisticada.

Você teve medo.
O medo que todo homem sente
da mulher letrada.

Não pressentiu, não adivinhou
aquela que o esperava
mesmo antes de nascer.

Indiferente
tomaste teu caminho
por estrada diferente.
Longo tempo o esperei
na encruzilhada,
depois... depois...
carreguei sozinha
a pedra do meu destino.

Hoje, no tarde da vida,
apenas,
uma suave e perdida relembrança.


Cora Coralina (1889–1985),
in Meu Livro de Cordel, 1976.



Harold Harvey, The Mangolds, 1904.


"O homem mais feliz, seja ele um rei ou um camponês, é o que encontrou a paz em seu lar."

Johann Wolfgang von Goethe
,
Goethe's Werke - Volumes 9-11 - página 13,
J. G. Cotta, 1828 

 

sábado, 19 de outubro de 2024

"Despedida" - Poema de Rui Knopfli


Ellen Favorin (Swedish-speaking Finnish painter, 1853–1919),
Autumn Evening, Unknown date. 


 Despedida

 
Tudo entre nós foi dito.
Estamos cansados e tristes
neste Outono de folhas pairando
e caindo.
Entre nós as palavras colocam um mundo
de silêncio e vazio estéril.
Os próprios sonhos se encheram de neblinas
e o tempo os amarelece.
Outono de cismo, de folhas secas
e bancos abandonados de cimento frio
Onde não cantam aves
e o vento desce em brandos rodopios.
Apenas uma vaga angústia presente,
uma saudade sem recomeços,
a lembrança, tépida a gelar como
veios de mármore.
Tudo entre nós foi dito,
olhamos o apodrecer do parque,
o vento, o repicar leve das folhas
e, sem ressentimentos dizemos adeus.
 

Rui Knopfli, Obra Poética, 2003
 
 
Ellen Favorin, Autumn Landscape, Unknown date. 


"Sim, é isso mesmo! Assim como a natureza se inclina para o outono, também o outono vive dentro de mim e em torno de mim. As folhas da minha alma vão amarelecendo, enquanto as folhas das árvores vizinhas tombam."
 
 

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

"Eram ramos tufados, cheios" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe


 
Sir Alfred East (English painter, 1844–1913), Lake in autumn, Unknown date


Eram ramos tufados, cheios


Eram ramos tufados, cheios, 
Olha, minha Amada, vê!
Deixa que te mostre os frutos
Dentro dos ouriços verdes.

Redondos, há muito pendem,
Calmos, fechados em si,
E um ramo a baloiçar
Os embala paciente.

Mas de dentro amadurece
E incha o fruto castanho;
Gostava de vir para o ar
E de poder ver o sol.

A casca rebenta, e cai
Alegre para o chão o fruto;
Tais minhas canções aos montes
Te vão cair no regaço.


Johann Wolfgang von Goethe,
in "Divã Ocidental-Oriental"
Tradução de Paulo Quintela


Sir Alfred East, View at Kettering



Sei que nada me é pertencente
Além do livre pensamento
Que da alma me quer brotar,
E cada amigável momento
Que um destino bem-querente
A fundo me deixa gozar.


Johann Wolfgang von Goethe, in "Canções"
Tradução de Paulo Quintela




Sir Alfred East, 1907 by Philip de László


Se da Amada estás ausente
Como o Oriente do Ocidente,
O coração transpõe todo o deserto;
Só, por toda a parte acha o seu caminho certo.
Para quem ama Bagodá é aqui perto.


Johann Wolfgang von Goethe,
in "Divã Ocidental-Oriental"
Tradução de Paulo Quintela
 
 

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

"Belo verso" - Poema de Irene Lisboa



János Lászlo Aldor (Hungarian painter and architect, 1895–1944),
'Cattle Grazing in a Spring Field'


Belo verso

Apetecia-me escrever um belo verso.
Sonoro, elegante, correto, de mármore!
Nele pôr o que outros me inspirassem.
O que ali aquele poeta estava cantando.
Ele o cantava e eu o repetia.
Acrescentava, desdobrava, acrescia da minha ansiedade.
Mas verso bem feito!
Cheio do que se sonha, não do que se sente.
Parece-me pobre o que sinto.
E vulgar.
Estes olhos que sem querer se envidraçam, fúteis,
sem recato, infantis, esta voz insegura, enfim,
 tudo isto…
Que figura iriam fazer dentro de um verso elegante, lapidar?
Belo verso trair-te-iam, roubar-te-iam toda a graça e até a ressonância, o êxtase
e aquela espécie de embalo que ao espírito sempre dás.
Mas sinceramente me apetecia escrever um verso de mármore belo!
Tudo, tudo por causa daquele poema…
Daquela exaltação do desejo, daquele arrebatamento lírico, infixo,
 daquela sensualidade espumosa...
Meu velhíssimo verso falhado, meu, não o dos outros...
Com que te haveria eu de ilustrar?
Com que te encher, meu divino, lúcilo, aéreo,
palavroso poema do nada?


Irene Lisboa,
  em 'Outono havias de vir latente e triste',
 com o pseudónimo de João Falco, Lisboa, 
Seara Nova, 1937.



Janos Laszlo Aldor, 'Feeding Time', 1940


"Quando somos jovens, temos manhãs triunfantes."
Janos Laszlo Aldor, 'Young Wife', 1913


"A educação é uma descoberta progressiva da nossa própria ignorância."

Janos Laszlo Aldor, 'Young lady in local clothes', 1942


"Quando tiveres cumprido o teu dever, resta-te ainda outro: mostrares-te satisfeito."

Johann Wolfgang von Goethe


sexta-feira, 31 de julho de 2020

"Seria Eterno" - Poema de Fernando Echevarría


Alfred Munnings (1878–1959) reading aloud outside on the grass, c. 1911,
by Harold Knight (1874
–1961)


Seria Eterno 


Seria eterno, se não fosse entrando
por aquele país de solidão,
aonde ver a luz alarga, quando
e alarga, à volta, a vinda do verão.

Seria eterno. Assim somente o brando
movimento de entrar se lhe mensura,
conforme ver, ao ir-se dilatando,
amplia o campo útil da ternura.

E, enquanto entra, um cântico de brisa
lembra quanto por campos foi outrora
tempo apagando a sua face lisa,

qual se alisando, se apagasse a hora.
E, indo entrando, a solidão se irisa
e o vai esquecendo pelo tempo fora. 


Fernando Echevarría
, in "Figuras"



 
 Alfred Munnings, Sidney Webster Fish on a dark bay, 1924


"Uma conduta irrepreensível consiste em manter cada um a sua dignidade 
sem prejudicar a liberdade alheia."

Voltaire



Alfred Munnings (1878–1959), Portrait of Mr. Bayard Tuckerman (1889–1974)



"Quando um homem não se encontra a si mesmo, não encontra nada."


Johann Wolfgang von Goethe


terça-feira, 9 de abril de 2019

"Poemas são como vitrais pintados" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe



Thomas Cooper Gotch (English painter and book illustrator, 1854–1931), Alleluia, 1896


Poemas são como vitrais pintados



Poemas são como vitrais pintados!
Se olharmos da praça para a igreja,
Tudo é escuro e sombrio;
E é assim que o Senhor Burguês os vê.
Ficará agastado? — Que lhe preste!...
E agastado fique toda a vida!

Mas — vamos! — vinde vós cá para dentro,
Saudai a sagrada capela!
De repente tudo é claro de cores:
Súbito brilham histórias e ornatos;
Sente-se um presságio neste esplendor nobre;
Isto, sim, que é para vós, filhos de Deus!
Edificai-vos, regalai os olhos!


Johann Wolfgang von Goethe, in "Poemas"
Tradução de Paulo Quintela
 
 

sábado, 8 de agosto de 2015

"A Bíblia" - Texto de Johann Wolfgang von Goethe



August Allebé (Artist and teacher from the Northern Netherlands, 1838–1927),
Early to church, 1861, Rijksmuseum.
 

A Bíblia 


"Discute-se muito e há de continuar a discutir-se em torno das vantagens e inconvenientes da divulgação da Bíblia. Para mim o assunto é claro: será perniciosa, como sempre o foi, se for usada de modo dogmático e fantasista; e será útil, como sempre o foi, se for encarada de modo didático e sensível.
É minha convicção que a Bíblia se torna tanto mais bela quanto mais a entendemos, ou seja, quanto mais se percebe e simultaneamente se intui cada uma das palavras que vamos apreendendo como coisa geral e que aplicamos ao nosso caso como coisa particular teve um dia, em certa situação, em determinadas circunstâncias de tempo e de lugar, uma aplicação individual própria, específica, imediata."


Johann Wolfgang von Goethe (1749–1832), in 'Máximas e Reflexões' 



August Allebé, The Well-guarded child, 1867


"Aquele que tem fé nunca está só."

Thomas Carlyle



August Allebé, Later Days, 1863


"Tolerância é paciência concentrada."

Thomas Carlyle



August Allebé, Old Woman by a Hearth, 1875


"O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura 
de um honroso pacto com a solidão."

Gabriel García Márquez, "Cem Anos de Solidão"
 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

"Filosofias de Vida" - Texto de Johann Wolfgang von Goethe



Escultura do artista francês Bruno Catalano nascido em 1960.


Filosofias de Vida


A cada etapa da vida do homem corresponde uma certa Filosofia. A criança apresenta-se como um realista, já que está tão convicta da existência de peras e das maçãs como da sua. O adolescente, perturbado por paixões interiores, tem que dar maior atenção a si mesmo, tem que se experimentar antes de experimentar as coisas, e transforma-se portanto num idealista. O homem adulto, pelo contrário, tem todos os motivos para ser um cético, já que é sempre útil pôr em dúvida os meios que se escolhem para atingir os objetivos. Dito de outro modo, o adulto tem toda a vantagem em manter a flexibilidade do entendimento, antes da ação e no decurso da ação, para não ter que se arrepender posteriormente dos erros de escolha. Quanto ao ancião, converter-se-á necessariamente ao misticismo, porque olha à sua volta e as coisas lhe parecem depender apenas do acaso: o irracional triunfa, o racional fracassa, a felicidade e a infelicidade andam a par sem se perceber porquê. É assim e assim foi sempre, dirá ele, e esta última etapa da vida encontra a acalmia na contemplação do que existe, do que existiu e do que virá a existir. 


Johann Wolfgang von Goethe, in "Máximas e Reflexões"

terça-feira, 14 de abril de 2015

"Nascer todas as manhãs" - Texto de Miguel Torga


 
O homem vitruviano de Leonardo da Vinci sintetiza o ideário renascentista: 
humanista e clássico. As ideias de proporção e simetria 
aplicadas à anatomia humana.


Nascer todas as manhãs


Apesar da idade, não me acostumar à vida. Vivê-la até ao derradeiro suspiro de credo na boca. Sempre pela primeira vez, com a mesma apetência, o mesmo espanto, a mesma aflição. Não consentir que ela se banalize nos sentidos e no entendimento. Esquecer em cada poente o do dia anterior. Saborear os frutos do quotidiano sem ter o gosto deles na memória. Nascer todas as manhãs.

Miguel Torga, in Diário, 1982


Os Diários Torga, publicados originalmente em edição de autor, em 16 volumes, misturam poesia, contos, memórias, crítica social e reflexões. Eles constituem o retrato de um homem, de um escritor e de um tempo.
Publicados ininterruptamente entre 1941 e 1993, dão-nos uma apaixonante visão do país e da sociedade portuguesa da época, com todas as transformações que ao longo desse tempo a marcaram.

No último volume, diz:
 
"Chego ao fim, perplexo diante de meu próprio enigma. Despeço-me do mundo a contemplar atónito e triste o espetáculo de um pobre Adão paradoxal, expulso da inocência sem culpa, sem explicação."


Vitrúvio 


Vitrúvio (Marcos Vitrúvio Polião)  foi um arquiteto romano que viveu no século I a.C. e deixou como legado a obra "De Architectura" (10 volumes, aprox. 27 a 16 a.C.), único tratado europeu do período greco-romano que chegou aos nossos dias e serviu de fonte de inspiração a diversos textos sobre Arquitetura e Urbanismo, Hidráulica, Engenharia, desde o Renascimento.
Os seus padrões de proporções e os seus princípios conceituais - "utilitas" (utilidade), "venustas" (beleza) e "firmitas" (solidez) -, inauguraram a base da Arquitetura clássica.


Poggio Bracciolini


Foi no início da Idade Moderna que Poggio Bracciolini (1380–1459) descobriu as obras completas de quinze diferentes autores clássicos greco-romanos, nomeadamente o tratado "De Architectura" de Vitrúvio, na biblioteca da abadia beneditina de Saint-Gall. Essa descoberta lançou as bases humanistas da Arquitetura do Renascimento.



Johann Wolfgang Goethe, 1811


"Arquitetura é música petrificada."

Johann Wolfgang von Goethe


sexta-feira, 12 de julho de 2013

"Canto dos espíritos sobre as águas" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe




Canto dos espíritos sobre as águas

A alma do homem 
É como a água: 
Do céu vem, 
Ao céu sobe, 
E de novo tem 
Que descer à terra, 
Em mudança eterna. 

Corre do alto 
Rochedo a pino 
O veio puro, 
Então em belo 
Pó de ondas de névoa 
Desce à rocha lisa, 
E acolhido de manso 
Vai, tudo velando, 
Em baixo murmúrio, 
Lá para as profundas. 

Erguem-se penhascos 
De encontro à queda, 
— Vai, espumando em raiva, 
Degrau em degrau 
Para o abismo. 

No leito baixo 
Desliza ao longo do vale relvado, 
E no lago manso 
Pascem seu rosto 
Os astros todos. 

Vento é da vaga 
O belo amante; 
Vento mistura do fundo ao cimo 
Ondas espumantes. 

Alma do Homem, 
És bem como a água! 
Destino do homem, 
És bem como o vento!

Tradução de Paulo Quintela 


 Cataratas do Iguaçu


A área das Cataratas do Iguaçu  é um conjunto de cerca de 275 quedas de água no Rio Iguaçu (na Bacia hidrográfica do rio Paraná), localizada entre o Parque Nacional do Iguaçu, Paraná, no Brasil 20%, e o Parque Nacional Iguazú em Misiones, na Argentina 80%, fronteira entre os dois países. A área total de ambos os parques nacionais, correspondem a 250 mil hectares de floresta subtropical e é considerada Património Natural da Humanidade. O Parque Nacional argentino foi criado em 1934; e o Parque Nacional brasileiro, em 1939, com o propósito de administrar e proteger o manancial de água que representa essa catarata e o conjunto do meio ambiente ao seu redor. Os parques tanto brasileiro como argentino passaram a ser considerados Património da Humanidade em 1984 e 1986, respetivamente. Desde 2002 o Parque Nacional do Iguaçu é um dos sítios geológicos brasileiros.


 Cataratas do Iguaçu

segunda-feira, 24 de junho de 2013

"Livro do Amor" - Poema de Johann Wolfgang von Goethe


 
 Sandra Batoni (Italian painter, b. 1953)
 

Livro do Amor 


O mais singular livro dos livros 
É o Livro do Amor; 
Li-o com toda a atenção: 
Poucas folhas de alegrias, 
De dores cadernos inteiros. 
Apartamento faz uma secção. 
Reencontro! um breve capítulo, 
Fragmentário. Volumes de mágoas 
Alongados de comentários, 
Infinitos, sem medida. 
Ó Nisami! — mas no fim 
Achaste o justo caminho; 
O insolúvel, quem o resolve? 
Os amantes que tornam a encontrar-se. 


in "Divã Ocidental-Oriental" 
Tradução de Paulo Quintela 


 Sandra Batoni


"O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia,
um morto que vive."


António Vieira


Sandra Batoni, Salotto


"No Egito, as bibliotecas eram chamadas "Tesouros dos remédios da alma". De facto é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das enfermidades e a origem de todas as outras".


Jacques Bossuet



Retrato de Jacques-Bénigne Bossuet, 1698,
por Hyacinthe Rigaud (1659–1743)


Jacques-Bénigne Bossuet (27 de setembro de 1627 - 12 de abril de 1704) foi um bispo, orador, teólogo e escritor francês. 
Bossuet foi um dos primeiros a defender a teoria do absolutismo político; ele criou o argumento que o governo era divino e que os reis recebiam seu poder de Deus. 
Foi autor de A Política tirada da Sagrada Escritura, publicada postumamente em 1709, na qual defende a a teoria do Direito divino dos reis justificando que Deus delegava o poder político aos monarcas, conferindo-lhes autoridade ilimitada e incontestável. O caso mais exemplar de governante que se serviu das ideias de Bossuet foi Luís XIV de França, chamado "Rei Sol".


Sandra Batoni, Sunday evening




Sandra Batoni was born in Florence in 1953. In 1973 she started to attend the studio of painter Emanuele Cavalli, one of the founders of the “Roman School”, being later his assistant at the Nude School of the Fine Arts Academy in Florence, where she was appointed as professor in 1997. In 1982 she graduated in architecture at the University of Florence. Her artistic work always moved along in the figuratie field, with a special interest for XX century italian painting. After graduating in architecture, realizing a conscious and tough cultural choice, she took the challenge of comparing with that period's masters back. Colour became the true protagonist of her paintings, in which she developed two main topics: “feminine figure” and “still life”, adding in 2007 the “landscape”. Still lives posess vivid colours, metaphysical atmospheres and a precious pictorial execution. Feminine figures are young women or impatient to grow up teenagers, unaware and at the very same time conscious of their beauty. They stand in quiet interiors, sometimes enlightened by a warm artificial light. Landscapes are created from life drawings, later worked out following the memory and emotions map that “life” provoked. Actually she collaborates with some important italian galleries and a relevant collection of her works is permanently stored at the Parronchi Gallery of Florence.


Sandra Batoni, Gattone

quarta-feira, 27 de março de 2013

"A Rosa" - Poema de Manuel Maria Barbosa du Bocage



Ferdinand Georg Waldmüller (Austrian painter, 1793–1865), 'Rosas', 1843


A Rosa


Tu, flor de Vénus,
Corada Rosa,
Leda, fragrante,
Pura, mimosa, 

Tu, que envergonhas
As outras flores,
Tens menos graça
Que os meus amores. 

Tanto ao diurno
Sol coruscante
Cede a noturna
Lua inconstante,

Quanto a Marília
Té na pureza
Tu, que és o mimo
Da Natureza.

O buliçoso,
Cândido Amor
Pôs-lhe nas faces
Mais viva cor;

Tu tens agudos
Cruéis espinhos,
Ela suaves
Brandos carinhos;

Tu não percebes
Ternos desejos,
Em vão Favónio
Te dá mil beijos. 

Marília bela
Sente, respira,
Meus doces versos
Ouve, e suspira.

A mãe das flores,
A Primavera,
Fica vaidosa
Quando te gera;

Porém Marília
No mago riso
Traz as delícias
Do Paraíso.

Amor que diga
Qual é mais bela,
Qual é mais pura,
Se tu, ou ela; 

Que diga Vénus...
Ela aí vem...
Ai! Enganei-me,
Que é o meu bem.


Bocage, in 'A Rosa'
(Cançoneta Anacreôntica)



Manuel Maria Barbosa du Bocage
[Poeta português, 1765-1805]
 


Ferdinand Georg Waldmüller, 'Natureza morta', Óleo sobre tela


"Queres viver alegremente? Caminha com dois sacos, um para dares, outro para receberes."

Johann Wolfgang von Goethe
 

 
Johann Wolfgang von Goethe
[Polímata, autor e estadista alemão, 1749-1832] 
 
 

Ferdinand Georg Waldmüller, 'Natureza morta', 
1841, Óleo sobre tela, 
 Kovacek Gallery, Viena
 

"A alegria é a pedra filosofal que tudo converte em ouro."

Benjamim Franklin 
 

 
Benjamin Franklin
[Polímata, político, filantropo, cientista, diplomata
e inventor americano, 1706-1790]

 

Ferdinand Georg Waldmüller, 'Rosas e castiçal', 1835, Coleção particular


"A beleza ideal está na simplicidade calma e serena."

Johann Wolfgang von Goethe



Ferdinand Georg Waldmüller, 'Frutas - Natureza morta com um papagaio', 1824


"Aos 20 anos, a vontade é soberana; aos 30, o espírito; aos 40, a razão." 

Benjamin Franklin



Ferdinand Georg Waldmüller, 'Estrada na floresta com carro de bois',  
Óleo sobre madeira


"O fracasso quebra as almas pequenas e engrandece as grandes, assim como o vento
 apaga a vela e atiça o fogo da floresta."

Benjamin Franklin

terça-feira, 26 de março de 2013

"O Amor, meu Amor" - Poema de Mia Couto



Ferdinand Georg Waldmüller, Amantes surpreendidos, 1858


O Amor, meu Amor


Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.

Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.


in "idades cidades divindades"



Ferdinand Georg Waldmüller, A Espera, 1860


Não percamos de vista os nossos antepassados


«Quando uma literatura chega a ter êxito, aquilo que nela havia de mais ativo em momentos anteriores torna-se menos claro e é ultrapassado por aquilo que nela é mero produto dessa atividade. É por isso que é bom olhar de vez em quando para trás. Tudo o que em nós há de original conservar-se-á tanto melhor e será tanto mais apreciado, quanto mais formos capazes de não perder de vista os nossos antepassados.» 

Johann Wolfgang von Goethe, in 'Máximas e Reflexões' 


 
Johann Wolfgang von Goethe
(Polímata, autor e estadista alemão, 1749–1832)


 Ferdinand Georg Waldmüller, Árvore perto do riacho


Ferdinand Georg Waldmüller, Árvores no Prater com figuras sentadas, 1833