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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

"A torpe sociedade onde nasci" - Poema de António Aleixo

 


Wally Moes (Dutch genre painter and writer, 1856–1918), Lunch Hour, s.d.
 
 

A torpe sociedade onde nasci

I

Ao ver um garotito esfarrapado
Brincando numa rua da cidade,
Senti a nostalgia do passado,
Pensando que já fui daquela idade.

II

Que feliz eu era então e que alegria...
Que loucura a brincar, santo delírio!...
Embora fosse mártir, não sabia
Que o mundo me criava para o martírio!

III

Já quando um homenzinho, é que senti
O dilema terrível que me impôs
A torpe sociedade onde nasci:
— De ser vítima humilde ou ser algoz...

IV

E agora é o acaso quem me guia.
Sem esperança, sem um fim, sem uma fé,
Sou tudo: mas não sou o que seria
Se o mundo fosse bom — como não é!

V

Tuberculoso!... Mas que triste sorte!
Podia suicidar-me, mas não quero
Que o mundo diga que me desespero
E que me mato por ter medo à morte... 

 
António Aleixo
, in "Este Livro que Vos Deixo"

 

domingo, 30 de agosto de 2020

"A Gentil Camponesa" - Poema de António Aleixo


William Holman Hunt (English painter, 1827-1910),
"The Afterglow in Egypt", 1863
 


A Gentil Camponesa

MOTE

Tu és pura e imaculada,
Cheia de graça e beleza;
Tu és a flor minha amada,
És a gentil camponesa.

GLOSAS

És tu que não tens maldade,
És tu que tudo mereces,
És, sim, porque desconheces
As podridões da cidade.
Vives aí nessa herdade,
Onde tu foste criada,
Aí vives desviada
Deste viver de ilusão:
És como a rosa em botão,
Tu és pura e imaculada.

És tu que ao romper da aurora
Ouves o cantor alado...
Vestes-te, tratas do gado
Que há de ir tirar água à nora;
Depois, pelos campos fora,
É grande a tua pureza,
Cantando com singeleza,
O que ainda mais te realça,
Exposta ao sol e descalça,
Cheia de graça e beleza.

Teus lábios nunca pintaste,
És linda sem tal veneno;
Toda tu cheiras a feno
Do campo onde trabalhaste;
És verdadeiro contraste
Com a tal flor delicada
Que só por muito pintada
Nos poderá parecer bela;
Mas tu brilhas mais do que ela,
Tu és a flor minha amada.

Pois se te tenho na mão,
Inda assim acho tão pouco,
Que sinto um desejo louco:
Guardar-te no coração!...
As coisas mais belas são
Como as cria a Natureza,
E tu tens toda a grandeza
Dessa beleza que almejo,
Tens tudo quanto desejo,
És a gentil camponesa.


António Aleixo
(1899 – 1949),  
in "Este Livro que Vos Deixo..."


"A arte de viver é simplesmente a arte de conviver... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!"

(Mário Quintana)
 

domingo, 22 de novembro de 2015

"Os Vendilhões do Templo" - Poema de António Aleixo


A ratificação do Tratado de Münster, 15 de maio de 1648 por Gerard ter Borch, 1648



Os Vendilhões do Templo


Deus disse: faz todo o bem 
Neste mundo, e, se puderes, 
Acode a toda a desgraça 
E não faças a ninguém 
Aquilo que tu não queres 
Que, por mal, alguém te faça. 

Fazer bem não é só dar 
Pão aos que dele carecem 
E à caridade o imploram, 
É também aliviar 
As mágoas dos que padecem, 
Dos que sofrem, dos que choram. 

E o mundo só pode ser 
Menos mau, menos atroz, 
Se conseguirmos fazer 
Mais p'los outros que por nós. 

Quem desmente, por exemplo, 
Tudo o que Cristo ensinou. 
São os vendilhões do templo 
Que do templo ele expulsou. 

E o povo nada conhece... 
Obedece ao seu vigário, 
Porque julga que obedece 
A Cristo — o bom doutrinário. 


in "Este Livro que Vos Deixo..."


 Bartholomeus van der Helst, Banquete da Guarda Cívica Amsterdã em celebração da Paz de Münster,
 pintado em 1648, exposto no Rijksmuseum.

sábado, 14 de junho de 2014

"Desporto e Pedagogia" - Poema de António Aleixo

 
Michael Sowa (German, born 1945), The School of Fish

 
Desporto e Pedagogia 
 
I
Diz ele que não sei ler
Isso que tem? Cá na aldeia
Não se arranjam dúzia e meia
Que saibam ler e escrever.

II
P'ra escolas não há bairrismo,
Não há amor nem dinheiro.
Por quê? Porque estão primeiro
O Futebol e o Ciclismo!

III
Desporto e pedagogia
Se os juntassem, como irmãos,
Esse conjunto daria,
Verdadeiros cidadãos!
Assim, sem darem as mãos,
O que um faz, outro atrofia.

IV
Da educação desportiva,
Que nos prepara p'ra vida,
Fizeram luta renhida
Sem nada de educativa.

V
E o povo, espectador em altos gritos,
Provoca, gesticula, a direito e torto,
Crendo assim defender seus favoritos
Sem lhe importar saber o que é desporto.

VI
Interessa é ganhar de qualquer maneira.
Enquanto em campo o dever se atropela,
Faz-se outro jogo lá na bilheteira,
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela.

VII
Convém manter o Zé bem distraído
Enquanto ele se entrega à diversão,
Não pode ver por quantos é comido
E nem se importa que o comam, ou não.

VIII
E assim os ratos vão roendo o queijo
E o Zé, sem ver que é palerma, que é bruto,
De vez em quando solta o seu bocejo,
Sem ter p'ra ceia nem pão, nem conduto.


António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."
 

Estátua de  António Aleixo
 
Localização: Loulé, Praça da República (junto ao Café Calcinha),
frequentado em vida pelo poeta.
Matéria: Bronze
Dimensão: 1,42 metros de altura
Autor: Lagoa Henriques
Colocação: Inaugurada a 28 de Março de 1996
 

António Fernandes Aleixo (Vila Real de Santo António, 18 de fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de novembro de 1949) foi um poeta popular e autor dramático português. Exerceu as profissões de cauteleiro, guardador de rebanhos, cantor popular. António Aleixo constitui um caso singular da poesia portuguesa: embora semianalfabeto, compunha de forma espontânea ("a arte é força imanente, / não se ensina, não se aprende, / não se compra, não se vende, / nasce e morre com a gente"), por vezes de improviso, em quadras ou sextilhas, onde exprimia numa forma concisa uma filosofia da vida aprendida pela observação e pela experiência própria ("Se umas quadras são conselhos / que vos dou de boa fé; / outras são finos espelhos / onde o leitor vê quem é."). De temas variados, "o que caracteriza a poesia de António Aleixo é o tom dorido, irónico, um pouco puritano e moralista, com que aprecia os acontecimentos e as ações dos homens" (MAGALHÃES, Joaquim - "Explicação Indispensável" in Este Livro que Vos Deixo, 3.a ed., 1975). Difundida oralmente e coligida em 1969 pelo professor Joaquim Magalhães, a sua obra poética foi acolhida com êxito por um público que viu nas suas quadras um repositório de sabedoria popular e um protesto por um mundo mais justo.

António Aleixo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-06-14].
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

"Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!" - Poema de António Aleixo


Ilustração de Valentin Rekunenko
 


Ser Doido-Alegre, que Maior Ventura!


Ser doido-alegre, que maior ventura! 
Morrer vivendo p'ra além da verdade. 
É tão feliz quem goza tal loucura 
Que nem na morte crê, que felicidade! 

Encara, rindo, a vida que o tortura, 
Sem ver na esmola, a falsa caridade, 
Que bem no fundo é só vaidade pura, 
Se acaso houver pureza na vaidade. 

Já que não tenho, tal como preciso, 
A felicidade que esse doido tem 
De ver no purgatório um paraíso... 

Direi, ao contemplar o seu sorriso, 
Ai quem me dera ser doido também 
P'ra suportar melhor quem tem juízo. 
in "Este Livro que Vos Deixo" 
 


António Aleixo
(Poeta popular português, 1899 - 1949)
 


Galeria de Valentin Rekunenko
Ilustração de Valentin Rekunenko


"A alegria é a saúde da alma."

(Provérbio)


Ilustração de Valentin  Rekunenko


"A alegria é a vida vista através de um raio de sol." 

(Provérbio)


Ilustração de Valentin Rekunenko


"Quem planta e cria tem alegria." 

(Provérbio)


Valentin Rekunenko


"As grandes alegrias merecem partilha."

(Provérbio) 


Valentin Rekunenko


"Homem pobre, com pouco se alegra." 

(Provérbio) 


Valentin Rekunenko


"A alegria que se esconde é candeia apagada." 

(Provérbio)


Valentin Rekunenko


"A alegria é, muitas vezes, mãe de inúmeras loucuras." 

(Provérbio)


Valentin Rekunenko


"O segredo da vida alegre e contente é estar em paz com Deus e com a Natureza."

(Provérbio)


quinta-feira, 19 de abril de 2012

"Quadras Populares" - Poemas de António Aleixo


Ben Goossens (Belgium, 1945-), Surrealist photographer
 
 

Quadras Populares


Que importa perder a vida
em luta contra a traição,
se a Razão mesmo vencida,
não deixa de ser Razão? 

Para mentira ser segura
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade. 

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, não parecendo o que são,
são aquilo que eu pareço. 

Enquanto o homem pensar
que vale mais que outro homem,
são como os cães a ladrar,
não deixam comer, nem comem. 

Eu já não sei o que faça
para juntar algum dinheiro;
se se vendesse a desgraça
já hoje eu era banqueiro. 

A vida na grande terra 
corrompe a humanidade. 
Entre a cidade e a serra 
prefiro a serra à cidade. 

O mundo só pode ser 
melhor do que até aqui, 
quando consigas fazer
mais pelos outros que por ti!

Eu não sei por que razão 
certos homens, a meu ver, 
quanto mais pequenos são
maiores querem parecer. 

Bate a fome à porta deles 
e é lá mais mal recebida 
do que na casa daqueles
que a sofreram toda a vida. 

Uma mosca sem valor 
poisa, com a mesma alegria, 
na careca de um doutor 
como em qualquer porcaria.

Para não fazeres ofensas 
e teres dias felizes, 
não digas tudo o que pensas, 
mas pensa tudo o que dizes.

Num arranco de loucura, 
filha desta confusão, 
vai todo o mundo à procura
daquilo que tem à mão. 

Vinho que vai para vinagre 
não retrocede o caminho; 
só por obra de milagre, 
pode de novo ser vinho.

Entre leigos ou letrados, 
fala só de vez em quando, 
que nós, às vezes, calados,
dizemos mais que falando. 

Eu não tenho vistas largas, 
nem grande sabedoria, 
mas dão-me as horas amargas 
lições de filosofia.

Quando te vês mal, e dizes 
que preferias a morte, 
pensa que outros menos felizes
invejam a tua sorte. 


 

Obras de Ben Goossens
Obra de Ben Goossens

  • "O dinheiro é belo, porque é a libertação." - Fernando Pessoa


Obra de Ben Goossens 

  • "Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo e maior amor ao coração dos homens." - Fernando Pessoa


Obra de Ben Goossens 

  • "A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são." - Fernando Pessoa


Obra de Ben Goossens 

  • "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!" - Fernando Pessoa


Obra de Ben Goossens 


domingo, 26 de fevereiro de 2012

"A Moleirinha" - Poema de Guerra Junqueiro






A Moleirinha 


Pela estrada plana, toc, toc, toc, 
Guia o jumentinho uma velhinha errante 
Como vão ligeiros, ambos a reboque, 
Antes que anoiteça, toc, toc, toc 
A velhinha atrás, o jumentinho adiante!... 

Toc, toc, a velha vai para o moinho, 
Tem oitenta anos, bem bonito rol!... 
E contudo alegre como um passarinho, 
Toc, toc, e fresca como o branco linho, 
De manhã nas relvas a corar ao sol. 

Vai sem cabeçada, em liberdade franca, 
O jerico ruço duma linda cor; 
Nunca foi ferrado, nunca usou retranca, 
Tange-o, toc, toc, moleirinha branca 
Com o galho verde duma giesta em flor. 

Vendo esta velhita, encarquilhada e benta, 
Toc, toc, toc, que recordação! 
Minha avó ceguinha se me representa... 
Tinha eu seis anos, tinha ela oitenta, 
Quem me fez o berço fez-lhe o seu caixão!... 

Toc, toc, toc, lindo burriquito, 
Para as minhas filhas quem mo dera a mim! 
Nada mais gracioso, nada mais bonito! 
Quando a virgem pura foi para o Egipto, 
Com certeza ia num burrico assim. 

Toc, toc, é tarde, moleirinha santa! 
Nascem as estrelas, vivas, em cardume... 
Toc, toc, toc, e quando o galo canta, 
Logo a moleirinha, toc, se levanta, 
Pra vestir os netos, pra acender o lume... 

Toc, toc, toc, como se espaneja, 
Lindo o jumentinho pela estrada chã! 
Tão ingénuo e humilde, dá-me, salvo seja, 
Dá-me até vontade de o levar à igreja, 
Baptizar-lhe a alma, prà fazer cristã! 

Toc, toc, toc, e a moleirinha antiga, 
Toda, toda branca, vai numa frescata... 
Foi enfarinhada, sorridente amiga, 
Pela mó da azenha com farinha triga, 
Pelos anjos loiros com luar de prata! 

Toc, toc, como o burriquito avança! 
Que prazer d'outrora para os olhos meus! 
Minha avó contou-me quando fui criança, 
Que era assim tal qual a jumentinha mansa 
Que adorou nas palhas o menino Deus... 

Toc, toc, é noite... ouvem-se ao longe os sinos, 
Moleirinha branca, branca de luar!... 
Toc, toc, e os astros abrem diamantinos, 
Como estremunhados querubins divinos, 
Os olhitos meigos para a ver passar... 

Toc, toc, e vendo sideral tesoiro, 
Entre os milhões d'astros o luar sem véu, 
O burrico pensa: Quanto milho loiro! 
Quem será que mói estas farinhas d'oiro 
Com a mó de jaspe que anda além no Céu!


Guerra Junqueiro
 (1850 - 1923)
(Do livro de leitura da 4ª classe de 1951)



"Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que às vezes fico pensando, se a burrice não será uma ciência."

(António Aleixo)


António Fernandes Aleixo (Vila Real de Santo António, 18 de Fevereiro de 1899 — Loulé, 16 de Novembro de 1949) foi um poeta popular português.
Considerado um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente nos seus versos, António Aleixo também é recordado por ter sido simples, humilde e semi-analfabeto, e ainda assim ter deixado como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX. 
No emaranhado de uma vida cheia de pobreza, mudanças de emprego, emigração, tragédias familiares e doenças na sua figura de homem humilde e simples, havia o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo. Do seu percurso de vida fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia e servente de pedreiro, trabalho este que, como emigrante foi exercido em França. 
De regresso ao seu país natal, estabeleceu-se novamente em Loulé, onde passou a vender cautelas e a cantar as suas produções pelas feiras portuguesas, atividades que se juntaram às suas muitas profissões e que lhe renderia a alcunha de "poeta-cauteleiro". 
Faleceu por conta de uma tuberculose, em 16 de Novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.




"Os erros de grandes homens... são mais fecundos que as verdades de pequenos."


(Friedrich Nietzsche)


Luiz Gonzaga - Apologia ao Jumento
 
O sofrimento deste pobre animal destinado a suportar os mais duros trabalhos, como verdadeiro "burro de carga."


Luiz Gonzaga do Nascimento (Exu, 13 de dezembro de 1912 — Recife, 2 de agosto de 1989) foi um compositor popular brasileiro, conhecido como o Rei do Baião
Foi uma das mais completas, importantes e inventivas figuras da música popular brasileira. Cantando acompanhado de sua sanfona, zabumba e triângulo, levou a alegria das festas juninas e dos forrós pé-de-serra, bem como a pobreza, as tristezas e as injustiças de sua árida terra, o sertão nordestino, para o resto do país, numa época em que a maioria das pessoas desconhecia o baião, o xote e o xaxado. Admirado por grandes músicos, como Dorival Caymmi, Gilberto Gil, Raul Seixas, Caetano Veloso, entre outros, o genial instrumentista e sofisticado inventor de melodia e harmonias, ganhou notoriedade com as antológicas canções Baião (1946), Asa Branca (1947), Siridó (1948), Juazeiro (1948), Qui Nem Jiló (1949) e Baião de Dois (1950).

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Quadras soltas" - Poemas de António Aleixo


Victor Brauner, Dancing girl, 1934


 Quadras soltas


De te ver fiquei repeso,
Em vez de ganhar perdi;
Quis prender-te, fiquei preso,
E não sei se te prendi.

A começar pelo «urso»
De Coimbra, a estudantada,
Só quando se acaba o curso,
Sabe que não sabe nada.

Alheio ao significado,
Diz o povo, e com razão,
Quando ouve um grande aldrabão:
- Dava um bom advogado.

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência,
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência!

Foste beijar o menino,
Quando, afinal eu vi bem
Que beijaste o pequenino
Porque gostavas da mãe.

Sem que o discurso eu pedisse,
Ele falou; e eu escutei,
Gostei do que ele não disse;
Do que disse não gostei.

Para não fazeres ofensas
E teres dias felizes,
Não digas tudo o que pensas,
Mas pensa tudo o que dizes.

Sei que pareço um ladrão...
Mas há muitos que eu conheço
Que não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço.




Victor Brauner, The Surrealist, 1947


"Um Homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo."

George Moore, The Brook Kerish


Susana Félix - Amanhecer