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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

"O Tigre" - Poema de William Blake

 


Eugène Delacroix (French Romantic artist, 1798–1863),
A Young Tiger Playing with Its Mother, 1830–1831,
Louvre Museum, Paris


O Tigre


Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?

Em que longínquo abismo, em que remotos céus
Ardeu o fogo de teus olhos?
Sobre que asas se atreveu a ascender?
Que mão teve a ousadia de capturá-lo?
Que espada, que astúcia foi capaz de urdir
As fibras do teu coração?

E quando teu coração começou a bater,
Que mão, que espantosos pés
Puderam arrancar-te da profunda caverna,
Para trazer-te aqui?
Que martelo te forjou? Que cadeia?
Que bigorna te bateu? Que poderosa mordaça
Pôde conter teus pavorosos terrores ?

Quando os astros lançaram os seus dardos,
E regaram de lágrimas os céus,
Sorriu Ele ao ver sua criação?
Quem deu vida ao cordeiro também te criou?

Tigre, tigre, que flamejas
Nas florestas da noite.
Que mão, que olho imortal
Se atreveu a plasmar tua terrível simetria?


William Blake
(1757–1827)
Tradução de Ângelo Monteiro



The Tyger
(also spelt The Tiger) by William Blake.
Copy A of Blake's original printing of The Tiger, 1794.
Copy A is held by the British Museum.



The Tiger


Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
When thy heart began to beat,
What dread hand forged thy dread feet?

What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dared its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry? 


William Blake, 
in Songs of Experience, 1794




Portrait of William Blake, 1807, by Thomas Phillips
(English painter, 1770–1845)



William Blake

 Poeta, pintor e gravador britânico, nasceu a 28 de novembro de 1757, em Londres, e aí veio a morrer em 1827. Foi praticamente ignorado pelos seus contemporâneos, exprimindo as suas visões místicas e encarnando o espírito romântico do artista profético, pessimista e revoltado. Em 1767 ingressou numa escola de desenho e aos 14 anos começou a aprender gravura. Casou-se aos 25 com Catherine Boucher e, juntos, trabalhariam na edição das obras de Blake. Utilizavam a técnica da gravura para a impressão dos poemas e das ilustrações e eles próprios encadernavam os livros. Em Canções da Inocência (1789), Blake revelava uma visão ingénua do Cristianismo, enquanto em Canções da Experiência (1794) assumia uma faceta de natureza mais profética e sombria. De 1804 a 1818 editou o poema Jerusalém, com cem gravuras. Recebeu depois uma encomenda de ilustrações para O livro de Job e iniciou uma outra série, em 1824, para A Divina Comédia, de Dante. Nos últimos anos da sua vida conquistou a admiração pelo seu trabalho, vindo a ser reconhecido como uma das mais importantes personalidades do Romantismo inglês. (daqui)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

"A beleza paradisíaca" - Texto de Rubem Alves


 
Auguste-Émile Pinchart
(French painter and designer, 1842–1920),
Gathering flowers, Unknown date.



A beleza paradisíaca


Conhece-se a beleza dádiva dos deuses por aquilo que ela produz na alma dos homens. Quem é possuído por ela entra em êxtase: cessa o riso, cessa o choro, o pensamento para, a fala emudece. É mística. A alma está tomada pela felicidade da tranquilidade absoluta. Era assim que se sentia o Criador ao contemplar, ao final de cada dia de trabalho, o resultado da sua obra:
“Está muito bom! Do jeito que deveria ser! Nada há de ser modificado! Amém!”


Rubem Alves (1933–2014), in "Um céu numa flor silvestre: A beleza em todas as coisas"


 
"Um céu numa flor silvestre" de Rubem Alves.
Verus Editora, 12/12/2011 - 260 páginas.
 
 
SINOPSE 

Tendo como inspiração a poesia de William Blake, Rubem Alves nos surpreende mais uma vez com esta coletânea de crónicas inéditas.
Esta obra leva o leitor a uma viagem pelas mais diversas formas de beleza presentes no dia a dia, as quais, muitas vezes, passam despercebidas ao observador menos atento – a beleza que pode ser revelada pelo divino, exaltada pelas artes, enaltecida pela natureza, ou criada, descoberta e compartilhada pelos homens. O autor também nos mostra como o belo pode ser visto de forma diferente, dependendo do olhar que o contempla e do momento especial em que é visto. 
"Um céu numa flor silvestre" vai transportar o leitor para o reino da beleza, enchendo sua alma de poesia, de esperança, de sonhos. E, para embarcar nessa viagem, só uma coisa é necessária: ter o olhar transformado. (daqui)
 
 
Ver um Mundo num Grão de Areia
E um Céu numa Flor silvestre,
Ter o Infinito na palma da sua mão
E a Eternidade numa hora. 



William Blake
[Poeta, pintor e tipógrafo inglês, 1757–1827]

 
Auguste-Émile Pinchart, Collecting Wildflowers, ca. 1890.


"A mulher é a mais bela das aves que existe na terra."


Alfred de Musset
[Poeta, novelista e dramaturgo francês, 1810–1857]
 

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

"O Coração" - Poema de Castro Alves



Madeleine Lemaire (Peintre, illustratrice et salonnière française, 1845–1928),
  An Afternoon Stroll, s.d.
 

O Coração

 
O coração é o colibri dourado
Das veigas puras do jardim do céu.
Um – tem o mel da granadilha agreste,
Bebe os perfumes, que a bonina deu.

O outro – voa em mais virentes balças,
Pousa de um riso na nubente flor.
Vive do mel – a que se chama – crenças –,
Vive do aroma – que se diz – amor. 

Recife, 1865. 
 
 

Madeleine Lemaire, Wildflowers in a Basket with a Butterfly, s.d. 
(Watercolor on paper)
 
 
Em honra da mais pura das violetas
a primavera abre as mais lindas rosas
e pinta de ouro e azul as borboletas.


Gustavo Teixeira (1881–1937),
in "Os mais belos sonetos que o amor inspirou".
Volume 1, J. G. de Araújo Jorge - Página 166,
Ed. Vecchi, 1965.
 
 

Madeleine Lemaire, Panier de Roses, 1874.
 
 
Ver um Mundo num Grão de Areia
E um Céu numa Flor silvestre,
Ter o Infinito na palma da sua mão
E a Eternidade numa hora.
 
 〰〰〰
 "To see a World in a Grain of Sand
And a Heaven in a Wild Flower
Hold Infinity in the palm of your hand
And Eternity in an hour." 
 
 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

"A Arca de Noé" - Poema de Vinicius de Moraes


 
Edward Hicks (American folk painter, 1780–1849), Noah's Ark, 1846,


A Arca de Noé


Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata. 

O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.

E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca

Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.

Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"

E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.

Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.

E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.

Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora a cabeça botam.

Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.

A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair. 

Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.

Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pelo
Pela terra prometida.

"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre — "Não!"

Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.

Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.

Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista

Na serra o arco-íris se esvai...
E...desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória

Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.


Vinicius de Moraes, do livro "Arca de Noé"
Rio de Janeiro, Sabiá, 1970 
 
["Arca de Noé" é também o título do primeiro poema desse livro. O conjunto é formado por 32 poemas, a maioria sobre bichos, e inclui os que constam dos discos Arca de Noé 1 e 2. Alguns foram musicados pelo próprio Vinicius de Moraes (1913-80) e se tornaram clássicos da MPB para crianças.] 


Capa de "A arca de Noé" da Editora Sabiá 
Ilustração de Marie Louise Nery 
 
Mais conhecidos pelo disco feito para crianças, os poemas da A Arca de Noé foram escritos por Vinicius de Moraes muitos anos antes de sua primeira edição. Eram feitos para seus filhos Suzana e Pedro de Moraes. Por muitos anos, eles ficaram guardados. Só em 1970, o conjunto de poemas infantis ganha o mundo. Seu lançamento ocorre na Itália, país onde a presença do poeta era constante, seja através de diversas visitas e temporadas ou de traduções de sua obra. 

É lá, justamente quando Vinicius conhece um amigo de Chico Buarque chamado Toquinho, que o disco com os poemas infantis é preparado. O disco é chamado L’Arca. No mesmo ano, seus poemas musicados na Itália são lançados em livro no Brasil. Dez anos depois, dois discos dedicados ao conjunto de poemas infantis de Vinicius também são lançados no país, com o mesmo nome do livro. 

A Arca de Noé tornou-se um dos livros mais populares de Vinicius de Moraes por ter criado um laço com as crianças. Todas as gerações têm nos seus poemas uma porta de entrada no mundo da literatura e da música popular brasileira. Ao mesmo tempo, no âmbito musical, foi o primeiro trabalho que apresentou a  Toquinho, parceiro até o fim da vida.
(daqui)
 
 
 

"Um pássaro voando é um pássaro livre. Não serve para nada. Impossível manipulá-lo, 
usá-lo, controlá-lo. E esse é, precisamente, o seu segredo: a inutilidade. 
Ele está além das maquinações do homem."


Rubem Alves
,
do livro 'Um mundo num grão de areia'
 
 
 
SINOPSE 

 
Ver um Mundo num Grão de Areia
E um Céu numa Flor silvestre,
Ter o Infinito na palma da sua mão
E a Eternidade numa hora.

William Blake, em "Augúrios de Inocência" 

Tendo como inspiração a poesia de William Blake, Rubem Alves nos surpreende mais uma vez com esta coletânea de crónicas inéditas. Nestes textos poéticos, de intenso lirismo, é possível encontrar, a partir do verso “Um mundo num grão de areia”, todas as facetas que compõem o universo do ser humano e descobrir a riqueza de vida existente num minúsculo grão de areia, que nada mais é do que nosso mundo irrevelado. Esta é uma obra essencial para quem se sente amante da poesia, da arte, do sonho... amante do ser humano e de seu universo. 
(daqui)
 

quinta-feira, 23 de março de 2017

"Espaço curto e finito" - Poema de José Saramago



William Blake, Frontispiece to "The Song of Los" showing Urizen
presiding over the decline of morality.


Espaço curto e finito


Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças
E ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe,
Um longe aqui.

Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.


José Saramago, in Os Poemas Possíveis,
Editorial Caminho, Lisboa, 1981, 3ª edição.
 
 

domingo, 20 de abril de 2014

A Arte inspirada nas Histórias da Bíblia - "A Ressurreição de Jesus"



William Blake (English poet, painter and printmaker, 1757–1827),
"Ressurreição - Os Anjos rolam a pedra do sepulcro", c. 1808



Ressurreição de Jesus 


A Ressurreição de Jesus é o nome dado à fé cristã de que Jesus Cristo retornou à vida no domingo seguinte à sexta-feira na qual ele foi crucificado. É uma doutrina central da fé e da teologia cristã e parte do Credo Niceno: "Ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, conforme as Escrituras". 


"Ressurreição", 1569–1600 por El Greco, atualmente no Museu do Prado, Madrid.


No Novo Testamento, depois dos romanos terem crucificado Jesus, ele é ungido e sepultado num túmulo novo por José de Arimateia, ressuscitou dos mortos e apareceu para muitas pessoas durante um período de quarenta dias, quando então ascendeu ao céu para se sentar à direita do Pai. Os cristãos celebram a ressurreição no Domingo de Páscoa, o terceiro dia depois da Sexta-Feira Santa, o dia da crucificação. A data da Páscoa correspondeu, a grosso modo, com a Páscoa judaica, o dia de observância dos judeus associado com o Êxodo, que é calculado como sendo a noite da primeira lua cheia depois do equinócio.


"Ressurreição de Jesus", 1619–1620 por Francesco Boneri


A história da ressurreição aparece em mais de cinco diferentes locais na Bíblia. Em diversos episódios nos evangelhos canônicos, Jesus profetiza sua morte e posterior ressurreição, que ele afirma ser o plano de Deus Pai. Os cristãos veem a ressurreição de Jesus como parte do plano de salvação e redenção através da expiação pelos pecados do homem. Estudiosos céticos questionaram a historicidade da ressurreição por séculos; por exemplo, "...o consenso académico do século XIX e início do século XX descarta as narrativas sobre a ressurreição como sendo relatos tardios e lendários". Diversos estudiosos modernos expressaram suas dúvidas sobre a historicidade dos relatos sobre a ressurreição e continuam debatendo suas origens, enquanto que outros consideram os relatos bíblicos sobre o episódio como sendo derivados das experiências dos seguidores de Jesus e, particularmente, do apóstolo Paulo. (daqui)


Perugino, "Ressurreição de Cristo", c. 1499, Museus Vaticanos.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"Palavra Mágica" - Poema de Carlos Drummond de Andrade



William Blake (English poet, painter and printmaker, 1757–1827),
Oberon, Titania and Puck with Fairies Dancing, 1786
 

Palavra Mágica


Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.


Carlos Drummond de Andrade,
in 'Discurso da Primavera'




William Blake, Ancião dos Dias, 1794.
O "Ancião dos Dias" é descrito no Capítulo 7 do Livro de Daniel.



"A ave constrói o ninho; a aranha constrói a teia; o Homem, a Amizade." 
 
William Blake
 


William Blake, 1821, by John Linnell (English engraver,
portrait painter, and landscape painter, 1792–1882)


William Blake (Londres, 28 de novembro de 1757 — Londres, 12 de agosto de 1827) foi um poeta, tipógrafo e pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica. Blake viveu num período significativo da história, marcado pelo iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. A literatura estava no auge do que se pode chamar de clássico "augustano", uma espécie de paraíso para os conformados às convenções sociais, mas não para Blake que, nesse sentido era romântico, "enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja Anglicana e do estado. (daqui)


Enya - Only Time


 Silêncio


E de súbito desaba o silêncio. 
É um silêncio sem ti, 
sem álamos, 
Daquelas mãos de sangue um pequenito sem luas. 
Só nas minhas mãos 
oiço a música das tuas.
 


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"A flautear em vale agreste" - Poema de William Blake



Judith Leyster (Dutch Golden Age painter, 1609–1660),
Young Flute Player, c. 1630.


A flautear em vale agreste


A flautear em vale agreste,
A flautear canção feliz,
Das nuvens uma criança
Vem sorridente e me diz:

“Toca a canção de um Cordeiro!”
Toquei-a com alegria.
“Flautista, toca de novo.”
Toquei: a chorar me ouvia.

“Deixa a flauta, a fácil flauta;
Canta os cantos de alegria.”
Cantei tudo o que tocara;
De gozo a chorar me ouvia.

“Senta-te e escreve, flautista,
Num livro, a que possam ler.”
E ela sumiu-me da vista:
E um junco então fui colher,

E fiz uma pena rude,
E manchei as águas mansas,
E escrevi minhas canções
Que hão de alegrar as crianças…


William Blake, in 'Poesia e prosa selecionadas'.
Introdução, seleção, tradução e notas Paulo Vizioli.
Edição bilíngue. São Paulo: Nova Alexandria, 1993.


 
 
Judith Leyster, Self-Portrait, c. 1630, National Gallery of Art.



Quando vozes de crianças se ouvem na relva,
E risos se ouvem nas colinas
Meu coração descansa no meu peito,
E todo o resto fica sereno.




Nelly Furtado - All Good Things (Come To An End)