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terça-feira, 30 de abril de 2013

Amo! - Poema de J. G. de Araújo Jorge



Odilon Redon
(Pintor, gravador, desenhista e pastelista francês, considerado
um dos mais importantes pintores do simbolismo, 1840-1916),
'Spirit of the Forest' ('Espírito da Floresta'), 1890.


Amo!


Amo a terra! Amo o sol! Amo o céu! Amo o mar!
Amo a vida! Amo a luz! Amo as árvores! Amo
a poesia que escrevo e entusiasta declamo
aos que sentem como eu a alegria de amar!

Amo a noite! Amo a antiga palidez do luar!
A flor presa aos cabelos soltos de algum ramo!
Uma folha que cai! Um perfume no ar
onde um desejo extinto sem querer inflamo!

Amo os rios! E a estranha solidão em festa,
dessa alma que possuo multiforme e inquieta
como a alma multiforme e inquieta da floresta!

Amo a cor que há nos sons! Amo os sons que há na cor!
E em mim mesmo - amo a glória de sentir-me um Poeta
e amar imensamente o meu imenso amor!


J. G. de Araújo Jorge


[José Guilherme de Araújo Jorge (Tarauacá, 20 de maio de 1914 - Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1987), mais conhecido como J. G. de Araújo Jorge, foi um poeta e político brasileiro.]
 
 
Obras de Odilon Redon


Odilon Redon, 'The Tree', 1875



Odilon Redon, 'Anemones and lilac in a Blue Vase', c. 1912



Odilon Redon, 'Vase of Flowers', Private Collection 



Odilon Redon, 'Vase of Flowers'
Private Collection  



Odilon Redon, 'Vase of poppies', Private Collection




Odilon Redon, 'Composition: Flowers', Unknown date, 
Private Collection



Odilon Redon, 'Mystery', c. 1910



Odilon Redon, 'Roger and Angelica', c. 1910



Odilon Redon, 'Roger and Angelica', c. 1909 
 
 
Odilon Redon, 'The Chariot of Apoll', 1905 (mythological painting)
 
 
Odilon Redon, 'Sita', c. 1893 

"Fraga e Sombra" - Poema de Carlos Drummond de Andrade


Odilon Redon (Artista francês, 18401916, considerado  um dos mais importantes  
pintores do simbolismo), 'Busto de Homem dormindo no meio de Flores'.
 

Fraga e Sombra


A sombra azul da tarde nos confrange.
Baixa, severa, a luz crepuscular.
Um sino toca, e não saber quem tange
é como se este som nascesse do ar.

Música breve, noite longa. O alfanje
que sono e sonho ceifa devagar
mal se desenha, fino, ante a falange
das nuvens esquecidas de passar.

Os dois apenas, entre céu e terra,
sentimos o espetáculo do mundo,
feito de mar ausente e abstrata serra.

E calcamos em nós, sob o profundo
instinto de existir, outra mais pura
vontade de anular a criatura.


Carlos Drummond de Andrade
,
in 'Claro Enigma', 1951
 
 
 Obras de Odilon Redon
Odilon Redon, 'Roger and Angelica', c. 19101912


Odilon Redon, 'Decorative Pannels', c. 1902


Odilon Redon, 'Coquille', 1912 


Odilon Redon, 'Bazon, the artist's cat', 1905


Odilon Redon, 'Buda', 1904


Odilon Redon, 'São João', 1892



Odilon Redon, 'São Sebastião', c. 19101912     
 
     
Odilon Redon, 'O Nascimento de Vénus', 1912
 
 
"Procurem ver o mundo como na verdade ele pode ser visto, como um lugar maravilhoso, que, à semelhança de um jardim, podemos cultivar e tornar ainda melhor. Procurem ter a humildade de um jardineiro experiente, de um jardineiro que sabe que muitas das suas tentativas não irão ser bem sucedidas." - Karl Popper (1983)


Karl Popper in the 1980s
 

Karl Raimund Popper (Viena, 28 de Julho de 1902 — Londres, 17 de Setembro de 1994) foi um filósofo da ciência austríaco naturalizado britânico. É considerado por muitos como o filósofo mais influente do século XX a tematizar a ciência. Foi também um filósofo social e político de estatura considerável, um grande defensor da democracia liberal e um oponente implacável do totalitarismo.
Ele é talvez mais conhecido pela sua defesa do falsificacionismo como um critério da demarcação entre a ciência e a não-ciência, e pela sua defesa da sociedade aberta.
Nascido numa família de classe alta de origem judaica secularizada, foi educado na Universidade de Viena. Concluiu o doutoramento em filosofia em 1928 e ensinou numa escola secundária entre 1930 e 1936. Em 1937, a ascensão do Nazismo levou-o a emigrar para a Nova Zelândia, onde foi professor de filosofia em Canterbury University College, Christchurch. Em 1946, foi viver na Inglaterra, tornando-se assistente (reader) de lógica e de método científico na London School of Economics, onde foi nomeado professor em 1949. Foi nomeado cavaleiro da Rainha Isabel II em 1965, e eleito para a Royal Society em 1976. Reformou-se da vida académica em 1969, apesar de ter permanecido ativo intelectualmente até à sua morte, em 1994. Recebeu a insígnia de Companheiro de Honra (Companion of Honour) em 1982.
Popper recebeu vários prémios e honras no seu campo, incluindo o prémio Lippincott da associação americana de ciência política, o prémio Sonning, e o estatuto de membro na sociedade real, na academia britânica, London School of Economics, Kings College de Londres, Darwin College de Cambridge e o  Prémio Kyoto (1992).
 

"Labirinto ou não foi nada" - Poema de David Mourão-Ferreira



Odilon Redon (French Symbolist draftsman, printmaker, and painter, 1840–1916),
'Portrait of Violette Heymann', 1910. Pastel, 72 x 92 cm. 



Labirinto ou não foi nada



Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.


David Mourão-Ferreira,
in "À Guitarra e à Viola", 1980



Obras de Odilon Redon


Odilon Redon, 'Autorretrato', 1867


[Bertrand-Jean Redon, conhecido como Odilon Redon (Bordeaux, 20 de abril de 1840 — Paris, 6 de julho de 1916) foi um pintor e artista gráfico francês, considerado o mais importante dos pintores do Simbolismo, por ser o único que soube criar uma linguagem plástica particular e original.]


 
Odilon Redon, 'The Child in a Sphere of Light', c. 1900
 

 
 Odilon Redon, 'Profile and Flowers', 1912



Odilon Redon, 'Lady of the Flowers', c. 1895

 
 Odilon Redon, 'Beatrice', 1885


 
Odilon Redon, 'Flowers', c. 1903
 

 
 Odilon Redon, 'Evocation' (also known as 'Head of Christ', n.d.
 


Odilon Redon, 'Flower Clouds', 1903


 Odilon Redon, 'Ophelia', c. 1900-1905 


 Odilon Redon, 'Ophelia among the flowers', c. 1905-1908


sexta-feira, 19 de abril de 2013

"Estações Alciónias" - Poema de Marguerite Yourcenar



Odilon Redon
(French Symbolist artist, 1840–1916), 'Orpheus', 1903


Estações Alciónias


Estações alciónias,
solstício dos meus dias ...

Longe de embelezar, à distância,
a minha felicidade,
devo lutar para lhe não turvar a imagem;
a sua própria recordação
é hoje demasiado forte para mim.

Mais sincero que a maioria dos homens,
confesso sem rodeios
as causas secretas dessa felicidade:
aquela calma tão propícia aos trabalhos
e às disciplinas
parece-me um dos mais belos efeitos
do amor.

E espanto-me
de que estas alegrias tão precárias,
tão raramente perfeitas no decorrer de uma vida humana,
sob qualquer aspeto
além de que nós os tenhamos procurado
e recebido,
sejam consideradas com tanta desconfiança
por pretendidos sábios,
que eles receiem o seu hábito e excesso
em vez de temer a sua falta e perda,
que passem a tiranizar os sentidos
um tempo que seria mais bem empregado
a ordenar ou a embelezar a alma.

Naquela época
punha em fortalecer a minha felicidade, apreciá-la,
e também em julgá-la,
a atenção que sempre dispensara aos mais pequenos pormenores
dos meus atos;
e que é a própria voluptuosidade
senão um momento de atenção apaixonada do corpo?

Toda a felicidade é uma obra-prima:
o menor erro falseia-a,
a menor hesitação altera-a,
a menor deselegância desfeia-a,
a menor estupidez embrutece-a.

A minha
não é responsável em coisa alguma por aquelas
das minhas imprudências
que mais tarde a quebraram.

Julgo ainda
que teria sido possível a um homem mais hábil que eu
ser feliz até à morte.


Marguerite Yourcenar
, in 'Memórias de Adriano
'
Tradução de Maria Lamas
Editor: Ulisseia, 1974


Odilon Redon, 'Autorretrato', 1880, Musée d'Orsay


Bertrand-Jean Redon, conhecido como Odilon Redon (Bordeaux, 20 de abril de 1840 — Paris, 6 de julho de 1916) foi um pintor e artista gráfico francês, considerado o mais importante dos pintores do Simbolismo, por ser o único que soube criar uma linguagem plástica particular e original.
Redon foi um dos membros mais destacados do movimento simbolista, cujas bases teóricas foram definidas pelos manifestos do poeta Mallarmé e pela estética romântica. Diferente da obra de seus colegas, a sua chegou aos limites da sugestão e da abstração, e pode-se dizer que, tanto formal quanto conceitualmente, chegou, de modo visionário, perto da futura vanguarda surrealista.
Sua iniciação teve mais a ver com a arte gráfica do que com a pintura. De facto, Redon aprendeu as técnicas da gravura com Bresdin, influenciado pela obra de Doré. Como pintor, interessou-se pelas paisagens da Escola de Barbizon e pela obra de Rembrandt.
Em 1884 fundou com Gauguin e Seurat o Salon des Indépendants (ou Salão dos Independentes) e também participou das exposições do grupo Le XX, em Bruxelas. A partir de 1890 relacionou-se com os poetas simbolistas Mallarmé e Huysmans. O marchand Durand-Ruel, interessado em sua obra, propôs uma exposição individual.
A técnica mais utilizada por Redon era o pastel, que lhe permitia trabalhar as cores com texturas diferentes e bastante mescladas. Seu mundo de visões e sonhos, povoado de criaturas estranhas e às vezes monstruosas, fascinou os jovens do grupo nabis e influenciou significativamente os surrealistas.
Suas gravuras são ricas com uma visão muito pessoal de um universo de sonho. Ele mesmo declarou, "...deixo livre a minha imaginação no sentido de utilizar tudo o que a litografia pode me oferecer. Cada uma das muitas peças é o resultado de uma procura apaixonada do máximo que pode ser extraído da conjugação do uso do lápis, papel e pedra". 
 
 
Obras de Odilon Redon
Odilon Redon, 'The Spider', 1881


Odilon Redon, 'Espírito Guardião das Águas', 1878


Odilon Redon, 'Cactus Man', 1881


Odilon Redon, 'O Cyclops', 1898


Odilon Redon, 'Melancolia', 1876


Odilon Redon, 'O silêncio', 1900