terça-feira, 30 de abril de 2013

"Labirinto ou não foi nada" - Poema de David Mourão-Ferreira



Odilon Redon (French Symbolist draftsman, printmaker, and painter, 1840–1916),
'Portrait of Violette Heymann', 1910. Pastel, 72 x 92 cm. 



Labirinto ou não foi nada



Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!

Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.

É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.

Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.


David Mourão-Ferreira,
in "À Guitarra e à Viola", 1980



Obras de Odilon Redon


Odilon Redon, 'Autorretrato', 1867


[Bertrand-Jean Redon, conhecido como Odilon Redon (Bordeaux, 20 de abril de 1840 — Paris, 6 de julho de 1916) foi um pintor e artista gráfico francês, considerado o mais importante dos pintores do Simbolismo, por ser o único que soube criar uma linguagem plástica particular e original.]


 
Odilon Redon, 'The Child in a Sphere of Light', c. 1900
 

 
 Odilon Redon, 'Profile and Flowers', 1912



Odilon Redon, 'Lady of the Flowers', c. 1895

 
 Odilon Redon, 'Beatrice', 1885


 
Odilon Redon, 'Flowers', c. 1903
 

 
 Odilon Redon, 'Evocation' (also known as 'Head of Christ', n.d.
 


Odilon Redon, 'Flower Clouds', 1903


 Odilon Redon, 'Ophelia', c. 1900-1905 


 Odilon Redon, 'Ophelia among the flowers', c. 1905-1908


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