Em minha casa, detestávamos pessoas bem- -falantes, palavras caras. De uma vez, apareceu a prima Maria Lucília a dizer já não sei porquê: – Fiquei muito confrangida. Passámos a chamar-lhe “a confrangida”. Sempre que aparecia alguém na televisão a declamar poesia ou a falar de poesia, desligáva- mos a televisão.
Neto do criador da psicanálise, libertino - há quem afirme que foi pai
cerca de 40 vezes -, pintor de celebridades,Lucian Michael Freud, morreu no dia 20 Julho de 2011, em Londres, aos 88 anos. Conhecido sobretudo pelos seus
retratos, foi também um exímio executante de naturezas-mortas e gostava
que as obras por si criadas fossem sentidas como carne - daí a contínua
necessidade de representar a nudez humana, revelando-a nos seus
extremos: do corpo magro de Kate Moss à gordura disforme de Sue Tilley, a
gerente de um centro de emprego que posou para ele durante quatro anos,
no início da década de 1990. Contudo, a sua obra mais discutida terá
sido a imagem de Isabel II, encomendada pela monarca britânica no início
deste século.
Retrato da rainha Isabel II por Lucian Freud
A decisão de convidar Lucian Freud para pintar o
retrato da rainha Isabel II começou a ganhar consistência depois de o artista ter
realizado, entre 1999 e 2000, a imagem do ex-secretário privado da
monarca, Lorde Robert Fellowes, uma obra de pequenas dimensões (25,6 x
22,4 cm). Este é também o tamanho aproximado do trabalho onde está
figurado o rosto da monarca, um óleo sobre tela com 23,5 x 15,2 cm,
criado entre Maio de 2000 e Dezembro de 2001, em sessões que tiveram
lugar no Friary Court Studio, situado no Palácio de St. James, em
Londres, lugar onde habitualmente se conserva a Real Colecção de
Pintura.
O facto de a retratada ser uma personalidade fora do círculo de
amizades do artista fez com que Freud não só comparasse a tarefa a uma
expedição polar - a maioria das suas obras eram realizadas no seu
estúdio -, mas também adivinhasse a dificuldade do desafio, sobretudo
nas questões relacionadas com a tentativa de captar a vida interior de
uma figura pública. A escolha de uma tela de pequenas dimensões e a
vontade de retratar a rainha enquanto esta usava o célebre Diadema de Diamantes - uma jóia criada em 1820 para a coroação do reiJorge IV,
visível também nas notas e selos onde é representada Isabel II -, podem
sugerir uma tentativa do artista em sublinhar as ambiguidades de um
poder que decide encomendar uma imagem de si próprio.
Pintado no estilo de Freud, que usava muitas vezes a técnica do impasto
para dar espessura às cores, deixando visíveis os movimentos do pincel
sobre a tela, o retrato de Isabel II revela um rosto severo, pétreo, de
formas envelhecidas, sobressaindo ainda a sua carnalidade. A ambiguidade
da representação pode ser detectada quer na escolha da dimensão do
trabalho - a rainha é colocada ao mesmo nível de Lord Fellowes, ou da
neta do artista, Frances Costelloe, modelo de vários trabalhos, como um
grande plano do rosto, executado em 2002, com 30,5 x 20,3 cm -, quer na
escolha daquela jóia, composta por 1333 diamantes, criada pela casa
Rundell, Bridge & Rundell para ser usada por um homem, George IV,
nas cerimónias da sua coroação, e hoje em dia envergada pela monarca na
abertura anual do Parlamento britânico, o lugar mais relevante da
democracia inglesa.
Quando revelado, em Dezembro
de 2001, o retrato de Isabel II provocou diferentes tipos de reacções:
Charles Saumarez-Smith, então director do National Portrait Gallery, em
Londres, descreveu a pintura como "provocante e psicologicamente
penetrante", enquanto Richard Cork, crítico de arte do The Times,
adjectivou a imagem criada por Freud como "dolorosa, corajosa, honesta,
estóica e, acima de tudo, transparente". No mesmo jornal, a opinião de
Richard Morrison era distinta, apontando a particularidade de o queixo
ostentar "aquilo que só pode ser descrito como uma barba por fazer". O
pescoço, diz ainda Morrison, "não envergonharia um avançado do râguebi".
Finalmente, Adrian Searle, do The Guardian, considerou a obra do
artista como a melhor representação pictórica de um monarca britânico
nos últimos 150 anos: "Retratar significa penetrar na pele." E continua:
"Ambos, modelo e pintor, viram demasiado e sentem-se, com facilidade,
estoicamente entediados. Eles conhecem os limites que os enquadram. Esta
é uma pintura da experiência."
A relação entre modelo e pintor,
tema de tantos artistas, é também central na obra de Lucian Freud. Desde
cedo que o retrato foi o seu assunto de eleição: "De forma a
abalar-nos, a pintura nunca deve apenas lembrar-nos da vida, mas deve
adquirir a sua própria vida", dizia o artista. As obras em que figura
corpos e rostos humanos foram sendo realizadas com a colaboração
daqueles que lhe eram próximos, nomeadamente família e amigos, porque as
sessões de trabalho eram longas e a conclusão de uma obra podia demorar
mais de um ano: em Girl with a White Dog (1950-1951), última de
uma série de obras em que Freud representa a sua primeira mulher - Kitty
Garman, filha do escultor modernista Jacob Epstein e da sua amante
Kathleen Garman, conhecida pela sua beleza e modo de vida liberal -,
observa-se a modelo em robe, sentada num sofá, com o seio direito à
mostra, e com um bull terrier branco deitado na perna - o cão
tinha sido uma prenda de casamento. Esta poderosa imagem acerca da
fidelidade - a mão direita de Kitty está pousada sobre o coração e na
mão esquerda é visível uma aliança - é assombrada pelo olhar da
retratada, no qual se percebe uma infinita solidão.
Se, nessa época, o estilo do pintor se poderia definir facilmente
como realista - a sua primeira exposição individual aconteceu na
londrina Alex Reid and Lefèvre Gallery, em 1944 -, figurativo ou mesmo
naturalista, o encontro com Francis Bacon, que conheceu em 1945 através
de um outro artista, Graham Sutherland, fez com que essa tentativa de
representar o mundo segundo "regras empíricas e seculares" se
transformasse numa obsessão enérgica em traduzi-lo em obras onde é
objectivado através da materialização de diferentes manifestações
carnais: os corpos e rostos parecem revelar o processo de decomposição a
que são sujeitos pela passagem do tempo. Como nota o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty: "É que a espessura da carne entre o vidente e a
coisa é constitutiva da sua visibilidade para ela, como da sua
corporeidade para ele; não é um obstáculo entre ambos, mas o meio de
comunicarem entre si."
A amizade entre Francis Bacon e Lucian
Freud, os nomes mais relevantes da pintura britânica do pós-II Guerra
Mundial, foi duradoura - a relação entre ambos apenas esfriou no fim da
década de 1970, após uma discussão. O percurso de ambos foi feito muitas
vezes em comum: quando se encontraram, na casa de campo de Sutherland,
Bacon tinha 36 anos, Freud 22, e a partir de então os encontros
tornaram-se quase diários - os artistas frequentavam o mesmo drinking club,
o heterodoxo Colony Room, no Soho, em Londres. O convívio intenso -
podem encontrar-se semelhanças na intensidade da ligação entre Gauguin e
Van Gogh - resultou em obras nas quais os pintores se representavam um
ao outro. Bacon chamou Freud ao seu atelier em 1951 com o
objectivo de realizar um retrato do amigo; o procedimento pouco habitual
por parte do anfitrião, que habitualmente realizava os seus trabalhos a
partir de fotografias, foi entendido pelo modelo quando este regressou
ao estúdio e descobriu a imagem de um dos seus autores favoritos, Franz
Kafka, como fonte para a criação da sua figura.
Freud
realizou dois retratos de Bacon, um em 1952, comprado pela Tate Britain
e roubado em 1988, durante uma exposição em Berlim, outro em 1956,
propriedade de um coleccionador privado. O primeiro, marcado pela
proximidade ao desenho, demorou três meses a ser terminado: sentaram-se
ambos de joelhos, com Bacon a olhar para o chão, uma pose já
experimentada um ano antes num trabalho sobre papel, sendo esta também a
postura adoptada para a realização da segunda pintura. O modelo, apesar
de mostrar sinais de impaciência e de ter resmungado, ficou na sua
posição de forma consistente. Na obra mais tardia, que ficou incompleta,
o rosto de Bacon parece fatigado, uma sensação potenciada pelo uso de
tons verdes e amarelos, sendo também notórias as marcas das pinceladas,
uma forma de dar movimento à representação - diz-se que este retrato
ficou inacabado não só pelo facto de o modelo se ter cansado de posar,
mas também por ter decidido viajar com o seu amante, Peter Lacy, para
Tânger.
"Gostava que os meus retratos fossem das pessoas, não
parecidos com elas", afirmou Freud um dia. E prosseguiu: "Não ter o
olhar do modelo, sê-lo. Não quero apenas obter uma semelhança, como uma
imitação, mas retratá-lo, como um actor. Naquilo que me diz respeito, a
pintura é a pessoa. Quero que funcione para mim tal como a carne o faz."
Talvez por esta razão, um crítico alcunhou o artista de "Ingres do
existencialismo". Em 1987, numa entrevista conduzida pelo crítico de
arte Robert Hughes, Freud revela ter a esperança de que, se estivesse
suficientemente concentrado durante o processo de realização de uma
obra, "a intensidade do escrutínio daria por si só força vital às
pinturas."
Lucian Freud, Bella and Esther, 1988
A veemência das relações entre Freud e os seus modelos
tornou-se mítica, tendo o artista sempre preferido trabalhar com pessoas
das suas relações pessoais. "Cada vez que posava para ele, jurava que
não voltava a fazê-lo, mas voltava com a palavra atrás porque era uma
forma de manter uma relação com o meu pai", afirmou um dia a filha Bella Freud. Uma outra das suas descendentes, a escritora Esther Freud,
conheceu o pai aos 16 anos, quando posou para um dos seus trabalhos - a
sua mãe e ele tinham-se separarado quando cerca de três anos após o seu
nascimento. O facto de terem posado nuas para o pai não chega a ser
sequer um problema, pois era clara a distinção entre o progenitor e o
artista: "Tirava simplesmente a roupa e sentava-me no sofá quando ele
pedia", diz Esther. E acrescenta: "Nunca me ocorreu sentir-me
envergonhada."
Os momentos de pose eram compensados por refeições
onde se comia galinhola e se bebia champanhe. Enquanto pintava, Freud
gostava também de trautear canções de Cole Porter, recitar sonetos de
Shakespeare e poemas de Rudyard Kipling ou de Hilaire Belloc, que sabia
de cor. Entre os seus modelos, que iam da mãe a Kate Moss, passando por
Jerry Hall e Frank Auerbach, contava-se ainda Sue Tilley, a gerente de
um centro de emprego que posou para o pintor durante quatro anos, no
início da década de 1990. Um desses retratos, Benefits Supervisor Sleeping (1995), tornou-se no quadro mais caro de um artista vivo quando foi
adquirido, em 1998, por Roman Abramovich, durante um leilão organizado
pela Christie"s, em Nova Iorque - o magnata russo pagou 33,6 milhões de
dólares por esta obra em que se vê Tilley, então com 127 quilos, nua, a
dormir num sofá - este móvel é omnipresente no trabalho de Freud, tal
como o constante registo de momentos de repouso -, numa evocação quer de
Rubens - neste caso, pela preferência dada a corpos pesados, volumosos
-, quer de Velázquez, Ticiano e Goya, que representaram o feminino em
situações semelhantes à pintada pelo autor inglês.
Tilley, em tempos caixa do
lendário Taboo, clube nocturno londrino, tinha sessões de trabalho com
Freud todos os sábados, domingos e tempos livres: eram momentos
"fantásticos" e o artista a pessoa mais divertida que tinha conhecido.
Nota o modelo: "Tinham-se imensas conversas, ouviam-se inúmeras
histórias, e ia-se a restaurantes simpáticos, onde se acabava por
conhecer todas as outras pessoas pintadas por ele. Isto era, realmente,
aquilo que gostava mais de fazer."
Neto de Sigmund Freud, pioneiro
da psicanálise, Lucian Freud, nasceu em Berlim, a 8 de Dezembro de 1922,
filho de Ernst Ludwig Freud, arquitecto, e de Lucie Freud. Em 1933,
viajou com os pais, ambos judeus, para a Grã-Bretanha, devido à ascensão
de Hitler ao poder, na Alemanha. Tornou-se cidadão inglês em 1939. (Daqui)
Marie Freud and their cousin Simon
Nathanson. Seated: Adolfine, Amalia, Alexander and
Jacob Freud. The
other boy and girl are unidentified.
Sigmund Freud
Sigmund Freud, neurologista austríaco, nasceu em 1856, em Freiberg, Morávia (atual República Checa), e morreu em 1939, em Londres. Freud fundou a Psicanálise e esta teoria teve um grande efeito na psicologia e na psiquiatria.
Publicou, em colaboração com Josef Breuer, Estudos sobre a Histeria
(1895); obra que contém a apresentação pioneira do método psicanalítico
da livre associação. Desenvolveu teorias que dizem respeito a uma
camada profunda da nossa mente: o inconsciente e a forma como este
influencia as ações dos homens.
As principais obras de Freud são: A Interpretação dos Sonhos (1899), Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905), O Inconsciente (1915), Introdução à Psicanálise (1916-1917), Psicologia das Massas e Análise do Ego (1923), Psicanálise e Teoria da Libido (1923), Neurose e Psicose (1924).
No livro A interpretação dos Sonhos,
Freud analisa a grande complexidade simbólica subjacente à formação dos
sonhos. Em 1905 aparece o seu estudo mais controverso, no qual Freud
apresenta a teoria que afirma que a repressão da sexualidade infantil
está na origem de neuroses em adulto (de que o complexo de Édipo
é um exemplo). Formulou os conceitos de «id», «ego» e «superego».
As
suas teorias levaram a uma maior aproximação ao tema da sexualidade. A
partir dele, os comportamentos antissociais são compreendidos como um
resultado, em muitos casos, de forças inconscientes.(Daqui)
Abbott Fuller Graves (American painter and illustrator, 1859–1936), 'Still Life with Roses', 1890
Os que morrem por amor
Os que morrem por amor continuam a pertencer à lenda. Os seus funerais arrastam uma multidão piedosa, tal como decerto aconteceu na cidade de Verona, há seiscentos anos. Ainda que nesse tempo os costumes fossem bastante fáceis, a prática erótica da juventude era muito mais modesta. Refletindo melhor, é de crer que a própria licença produzisse um tipo de pessoas orgulhosas da sua intimidade afetiva; o que, se não é virtude, algo se parece. Este orgulho da própria intimidade conduz a uma atitude hostil em relação a tudo o que pode burocratizar os sentimentos. Há um sociólogo inclinado a crer que existe muito de romantismo burocrático no amor moderno. É possível. E quando aparecem os contestatários dessa espécie de burocracia, como são os Romeus e Julietas do Candal, a cidade fica-lhes agradecida. No campo dos afetos trata-se da luta obstinada que resulta do choque entre a vida privada e o regime governativo; entre um corpo animado de impulsos e uma autoridade explicada por leis. Através de inquéritos feitos nos meios juvenis para inquirir das transformações que se efetuam no âmbito das relações afetivas, deparam-se declarações bastante confusas. Elas pairam entre uma sinceridade elementar que descura a experiência e teorias perfeitamente viciadas nos lugares-comuns do século. Entre outras coisas, afirmam que o amor é o último terreno não colonizado e, por isso, o único que oferece alguma possibilidade de salvação. Tudo isto não passa de rumor e timidez moral. Tem pouco conteúdo e pouca verdade.
O amor está relacionado com a memória. Ama-se só o que nos recorda alguma coisa ou alguém. A memória é um estado de afeição. Em amor, a improvisação não existe. Ele é a pintura emocional duma pintura mental. Portanto, é o terreno mais colonizado que existe. Mas também é certo que o amor se encontra cada vez mais ligado ao processo de humanização. A sensibilidade é uma criação do homem; e o amor é uma ocupação da sensibilidade. Nas sociedades primitivas havia instinto maternal e instinto de conservação. O amor resulta do equilíbrio dos dois. Em dados momentos históricos dá-se uma espécie de regresso e a violenta reação contra a sensibilidade como invenção produtora de civilização. Procura-se o tom do entusiasmo na libertação do instinto. Mas o verdadeiro entusiasmo é sóbrio. As épocas aparentemente muito inovadoras são épocas que escondem a perturbação e o medo, atrás dum falso entusiasmo. As grandes ideias partem da energia eficaz, e não da agitação mais ou menos vegetal.
De repente, um jovem mata-se por amor. E aquela turba, que estava entregue aos seus empregos e aos seus negócios, fica suspensa duma interrogação: «É possível que alguém se mate por amor numa sociedade já afastada dos traumatismos da repressão?» É possível. Até porque a extrema libertação dos costumes conduz à instabilidade quanto ao comportamento do outro. É um facto. Desejamos a nossa liberação, mas não a de quem nós amamos.
Mas, sobretudo, morrer por amor é exemplo duma realidade sensível. Uma realidade sensível recebe a sua existência pelo que participa na natureza das coisas e das pessoas. Isto é o amor. E por isto mesmo havia um pouco de alegria discreta na multidão que enchia o jardim junto da morgue. O entusiasmo quebrava o luto e ardia até ao alto das frondosas árvores.
No fundo do mar há brancos pavores, Onde as plantas são animais E os animais são flores.
Mundo silencioso que não atinge A agitação das ondas. Abrem-se rindo conchas redondas, Baloiça o cavalo marinho. Um polvo avança No desalinho Dos seus mil braços, Uma flor dança, Sem ruído vibram os espaços.
Sobre a areia o tempo poisa Leve como um lenço.
Mas por mais bela que seja cada coisa Tem um monstro em si suspenso.
"Dominámos outrora o mar físico, criando a civilização universal; dominemos agora o mar psíquico, a emoção, a mãe temperamento, criando a civilização intelectual."
(Fernando Pessoa)
"O homem é um microcosmo."
(Demócrito)
"A ignorância do bem é a causa do mal."
(Demócrito)
"O caráter de um homem faz o seu destino."
(Demócrito)
"A amizade de um único ser humano inteligente é melhor do que a amizade de todos os insensatos."
(Demócrito)
"O comer carne é a sobrevivência da maior brutalidade; a mudança para o vegetarianismo é a primeira consequência natural da iluminação."
(Leon Tolstoi)
"Um homem pode viver uma vida saudável sem ter que matar animais para comer; portanto, se ele come carne, participa do ato de tirar a vida de uma criatura meramente para saciar seu apetite. E agir dessa maneira é imoral."
(Leon Tolstoi)
"A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas."
(Leon Tolstoi)
"Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações."
(Sigmund Freud)
"A riqueza influencia-nos como a água do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos".
(Arthur Schopenhauer)
"Falai aos animais, em lugar de lhes bater."
(Leon Tolstoi)
"O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade,
enquanto o homem a ignora."
(Demócrito)
Biografia de Demócrito de Abdera (460 e 457 a.C)
Demócrito, filósofo grego, foi um dos fundadores do atomismo. Nasceu em Abdera entre 460 e 457 a.C., segundo Apolodoro, e morreu por volta de 370 a.C. Sabe-se que teve, portanto, uma vida longa e que viajou muito. Interessou-se por variadíssimos assuntos, entre os quais, a ética, a física, a matemática, a astronomia e a geografia. Escreveu uma vasta obra, da qual restam hoje apenas fragmentos; de salientar a obra Pequeno Sistema do Mundo.
A temática filosófica de Demócrito situa-se no âmbito da problemática eleata (uma das doutrinas de Parménides) acerca da negação do movimento, que ele tentou derrotar, afirmando o devir através do recurso a dois conceitos: o átomo e o vazio. Os átomos movem-se no vazio. Tudo no universo é constituído por átomos que se agregam, formando a pluralidade dos seres, devido à lei da atração que junta o semelhante ao semelhante. A diferença entre os indivíduos deve-se apenas à aglomeração dos átomos. Estes variam somente pela forma, pelo tamanhos e pela diferente posição que ocupam. O átomo é não só indestrutível, mas também imutável e por isso eterno, ou seja, não foi gerado nem desparecerá ou se transformará.
A imagem que nos suscita esta conceção é a de um grande turbilhão de átomos agregando-se, pela lei que faz com que o (átomo) semelhante atraia o (átomo) semelhante, e desagregando-se, pela lei da necessidade. Desta conceção de filosofia da natureza resulta para o homem um relativismo gnoseológico; visto que cada indivíduo é um composto diferente do outro, então, as suas sensações serão também elas diferentes, logo, relativas.
Demócrito defende, ainda, neste seu materialismo atomista, que a própria alma é composta pela mesma matéria que o corpo, com a única diferença de que os átomos da alma são mais subtis, são da matéria do fogo.
Demócrito de Abdera. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-02-25].