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sábado, 19 de janeiro de 2019

"Eu cantarei de amor tão docemente" - Soneto de Luís de Camões


Felix Schlesinger, A Young Girl, Private collection



Eu cantarei de amor tão docemente


Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.


Luís de Camões 


Felix Schlesinger, The Spanish Guitar Player


"Quem ouve música, sente a sua solidão de repente povoada."

(Robert Browning)
 

domingo, 22 de junho de 2014

"Quem não dava a vida por um amor?" - Crónica de Miguel Esteves Cardoso


William Arthur Breakspeare (British painter, 1855 - 1914), The End of the Evening.
Oil on canvas, Private collection.


Quem não dava a vida por um amor? 

 
"O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível, mas uma pessoa vai andando.
Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.
Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.
Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ia sobreviver a nós era o amor. O amor. Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.
Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.
O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mais tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.
O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por um amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar? 


Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


William Arthur Breakspeare, The Reluctant Pianist


"Quem ouve música, sente a sua solidão de repente povoada."



William Arthur Breakspeare, A Musical Interlude


"A música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma
 e a eleva acima da sua condição." 



William Arthur Breakspeare, If Music be the Food of Love


"Quão pouco é preciso para ser feliz! O som de uma gaita. 
Sem música a vida seria um erro." 





Tchaikovsky