Mostrar mensagens com a etiqueta Jean-Louis Ernest Meissonier. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jean-Louis Ernest Meissonier. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de março de 2022

"Guerra" - Poema de Natércia Freire


Silvestro Lega (Italian realist painter, 1826-1895), Sharpshooters Leading Prisoners, 1861
(Episodio della guerra del 1859 - Ritorno di bersaglieri italiani da una ricognizione), Florence
Oil on canvas, 57,5 x 95, National Gallery of Modern Art, Palazzo Pitti.
 
 
Guerra


São meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Via-os chegar, às tardes, comovidos,
nupciais e trementes
do enlace da Vida com os sentidos.

Estiveram no meu colo, sonolentos.
Contei-lhes muitas lendas e poemas.
Às vezes, perguntavam por algemas.
Respondia-lhes: mar, astros e ventos.

Alguns, os mais ousados, os mais loucos,
desejavam a luta, o caos, a guerra.
Outros sonhavam e acordavam roucos
de gritar contra os muros que há na Terra.

São meus filhos. Gerei-os no meu ventre.
Nove meses de esperança, lua a lua.
Grandes barcos os levam, lentamente... 
in 'Liberta em Pedra', 1964
 


Guerra Austro-Franco-Sarda


Tem as suas origens nas ambições da casa de Saboia; esta pretendia estender a sua influência na Itália, no desejo de os radicais italianos anularem os Estados da Igreja e na aceitação, por parte de Napoleão III, das "nacionalidades europeias", o seu desejo de obter Nice e a Saboia para a França, deixando a esta casa italiana a possibilidade de tomar a Lombardia. Os historiadores veem nesta ação uma demonstração da ambição política da Condessa de Castiglione (que era amante de Cavour, Primeiro-Ministro da Saboia).
A guerra terá envolvido cerca de 120 000 Franceses, que desembarcaram em Génova, 40 000 Sardos e 180 000 Austríacos (vindo este contingente a ascender aos 270 000 efetivos).
A guerra travou-se entre maio de 1859 e julho do mesmo ano. O primeiro registo bélico ocorreu a 20 de maio, na batalha de Montebello, onde Forey bateu o general austríaco Stadion. Em Palestro, a 30 do mesmo mês, as tropas de Vítor Emanuel II e do Coronel Chabron tomaram, à baioneta, as baterias austríacas de Gyulay. Este mesmo cabo de guerra será batido em Magenta (4 de junho) por Napoleão III e Mac-Mahon. No dia 8, Napoleão e Vítor Emanuel entraram em Milão. 
No dia 24 desse mês ocorreu o maior confronto desta guerra, a batalha de Solferino, na qual Napoleão III bateu Francisco José I da Áustria. Neste sangrento combate os Austríacos perderam 22 000 homens contra 17 000 baixas entre Sardos e Franceses. A guerra estava decidida. No dia 17 de junho foi assinado o armistício de Villafranca. A 10 de novembro, pelo Tratado de Zurique, acordou-se a paz: a França recebia a Lombardia, entregue depois ao Piemonte e a Áustria conservava Veneza. (daqui)
 
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Poema em linha reta" - Álvaro de Campos


Jean-Louis Ernest Meissonier, Le Liseur Blanc, 1857



Poema em linha reta



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,

Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos
,
Heterónimo de Fernando Pessoa 


Jean-Louis Ernest Meissonier, Autoportrait,
musée d'Orsay, Paris.


Jean-Louis-Ernest Meissonier (Lyon, 21 de fevereiro de 1815 – Paris, 21 de janeiro de 1891) foi um escultor e pintor classicista francês, famoso por suas representações de Napoleão, de seus exércitos e de temas militares.


Jean-Louis Ernest Meissonier, Autoportrait, 1889


Jean-Louis Ernest Meissonier, Un jeu de piquet, 1861, National Museum Cardiff.


Jean-Louis Ernest Meissonier,  Le siège de Paris, 1870,  musée d'Orsay, Paris.


Jean-Louis Ernest Meissonier,  Relief After the Battle


Jean-Louis Ernest Meissonier,   Napoléon III à la bataille de Solferino, 1863, 
Jean-Louis Ernest Meissonier,  1814, la Campagne de France: Napoléon et son état-major derrière lui;
 de gauche à droite,  Ney (manteau sur les épaules), Berthier, Flahaut; derrière Ney, 
un inconnu tombant de fatigue, puis Drouot et, derrière Flahaut, peut-être Gourgaud.



Jean-Louis Ernest Meissonier,  Napoléon en 1814, 1862,  
Jean-Louis Ernest Meissonier, The Card Players


Jean-Louis Ernest Meissonier, Le Philosophe


Jean-Louis Ernest Meissonier, In June 1868 Meissonier arrived in Antibes 
- "It is delightful to sun oneself in the brilliant light of the South," he wrote