Mostrar mensagens com a etiqueta Érico Veríssimo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Érico Veríssimo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

"Falavam-me de Amor" - Poema de Natália Correia



Henry Mosler (American artist, 1841–1920), "Christmas Morning", 1916


Falavam-me de Amor


Quando um ramo de doze badaladas
se espalhava nos móveis e tu vinhas
solstício de mel pelas escadas
de um sentimento com nozes e com pinhas, 

menino eras de lenha e crepitavas
porque do fogo o nome antigo tinhas
e em sua eternidade colocavas
o que a infância pedia às andorinhas.

Depois nas folhas secas te envolvias
de trezentos e muitos lerdos dias
e eras um sol na sombra flagelado.

O fel que por nós bebes te liberta
e no manso natal que te conserta
só tu ficaste a ti acostumado. 


Natália Correia, in "O Dilúvio e a Pomba" 
Lisboa, Publicações D. Quixote, 1979




Henry Mosler, "The Chimney Corner", 1893 



"Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente."

(Érico Veríssimo)

domingo, 11 de dezembro de 2011

"Súplica" - Poema de Miguel Torga


Foto da Praia da Ursa, Portugal


Súplica


Agora que o silêncio é um mar sem ondas, 
E que nele posso navegar sem rumo, 
Não respondas 
Às urgentes perguntas 
Que te fiz. 
Deixa-me ser feliz 
Assim, 
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto. 
Só soubemos sofrer, enquanto 
O nosso amor 
Durou. 
Mas o tempo passou, 
Há calmaria... 
Não perturbes a paz que me foi dada. 
Ouvir de novo a tua voz seria 
Matar a sede com água salgada.  


Miguel Torga
, in 'Câmara Ardente'


Cat Stevens - Oh Very Young



"Que bom se pudesse ficar no campo, à beira da estrada, encostar as faces na frescura do capim molhado, dormir, esquecer, ser apenas uma pedra no caminho, a folha duma árvore..."
 
Érico Veríssimo, in "Olhai os Lírios do Campo"

Érico Lopes Veríssimo (Cruz Alta, 17 de dezembro de 1905 — Porto Alegre, 28 de novembro de 1975) foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX.